quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Corrida Mortal (Death Race,2008)


Aventurando-me por um site de "torrents" da vida, deparei-me com um arquivo para download de uma continuação para a refilmagem de Corrida Mortal, dirigida por Paul W. Anderson, um sujeito que luta desesperadamente para dirigir filmes fracos. Não que esta refilmagem seja uma porcaria (afinal, os recursos disponíveis, visualmente falando, são sempre atraentes e motivos razoáveis para uma refilmagem); entretanto, ao final da projeção fica uma sensação de perda de tempo...
O elenco do filme é bastante óbvio: precisamos de um mocinho com cara de durão e que piloto bem – Jason Statham; precisamos de um cara que pilote bem, não ofusque o mocinho e, que no final prove que é do bem também: Tyrese Gibson; os coadjuvantes de luxo também estão lá, pagando seus pecados (Joan Allen e Ian McShane); ah! Não nos esqueçamos de uma bela atriz inexpressiva (Natalie Martinez).

O roteiro não escapa dos clichês e só arma terreno para boas cenas de corrida entre os carros. O maior problema é essa mania atual de tentar chocar a plateia mostrando violência em profusão: em certos momentos, o exagero era tanto que a corrida lembrava-me a cena inicial do acidente de carro do péssimo Premonição 4. Sacrifica-se o roteiro e inteligência por litros de sangue e beleza visual.

O filme até diverte durante seu desenrolar. Contudo, não há como negar que o resultado eral é bem fraquinho. Sobre a tal continuação que eu mencionei no início, tentarei baixá-la para atestar sua ruindade ou me surpreender...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Para os leitores deste blog: uma explicação e uma música

Para os fiéis leitores e amigos deste blog, peço desculpas pela falta de postagens. Após um longo período de provas (que tomou meu mês de novembro inteiro), meu computador quebrou. Pois é, falta de sorte nunca me faltou nesta vida. Acho que só conseguirei retomar o meu antigo ritmo de postagens no mês de janeiro. Até lá, sofreremos juntos com poucos textos...

O pior é que estou numa leva bacana de filmes assistidos; comprei vários filmes, assisti muitos outros. Com o comptador ok, postarei sobre todos eles, com certeza. Assisti algumas belezinhas como As Sandálias do Pescador, This is England e lixos como O Senhor das Moscas e Corrida Mortal (todos terão suas devidas críticas, em breve, creio eu). Foi bastante diversificado.

Enfim, estou com pouco tempo para escrever, por isso posto um vídeo da minha banda preferida, Manic Street Preachers. Trata-se de uma música com a participação do vocalista do Echo and the Bunnymen. Escutem-na. Musicão...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Tekken (2010)


Bem que eu nutria alguma esperança pela adaptação do jogo de luta que preencheu tardes e mais tardes da minha infância, resultando em algumas notas vermelhas e inúmeros controles quebrados. Contudo, a adaptação de Tekken não passa de uma aventura esquecível, muito fraquinha e sem muitos atrativos.


A estória é manjada e recheada com os clichês de um filme de luta. Jin Kazama (Jon Foo) é um jovem com um incrível talento para as artes marciais, que se envolverá num torneio de lutas com participantes do mundo inteiro financiado pelas grandes empresas que dominam o planeta, numa atmosfera caótica e apocalíptica.


Num filme de luta, eu não dou muita bola para enredo: o que importa são as lutas. Mas em Tekken, elas são muito fracas e não empolgam. Num momento do torneio, armas são permitidas e a partir disso, a obra torna-se um misto de violência boba e uma edição apressada. O filme prepara terreno para uma conclusão previsível e tediosa.



O elenco não está ruim, mas Jon Foo simplesmente não me convenceu como Jin – acredito que a culpa não seja do rapaz, e sim do roteiro que teceu Jin como um adolescente revoltado. Cary-Hiroyuki Tagawa como Heihachi não decepciona (aliás, ele repete algumas de suas feições malvadas de Mortal Kombat, quando interpretou Shang Tsung – alguém lembra?); Luke Goss também está ótimo como Steve Fox, amigo e mentor de Jin; Ian Anthony Dale (que é um dos principais personagens da série sensação The Event) se destaca como o vilão Kazuya, cheio de inveja e cobiça pelo controle da empresa de seu pai – Heihachi. E Kelly Overton está extremamente sexy e estonteante como Christie Monteiro. Pena que o elenco é desperdiçado.


A ausência de um roteiro mais cativante e a direção burocrática de Dwight H. Little (que nos anos 90 fez alguns filmes bacanas como Crime na Casa Branca e Marcado para a Morte e agora parece ter esquecido como fazer um bom filme de ação) são decisivos para que Tekken funcione como mais um filme de aventura catapultado diretamente para as prateleiras das locadoras. Esperava mais da obra.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Trailer da Semana: Ko Soo Kang Dongwon (2010)

Cacete! Simplesmente sensacional o trailer deste novo filme coreano. Estou sem palavras. Assista-o (com legendas em inglês)!!

domingo, 14 de novembro de 2010

Combate Mortal (Karate Bullfighter, 1975)

Convenhamos que um filme onde o herói mata um touro bravo na base do caratê NÃO PODE ser ruim. Pois é, exatamente isso que você leu, caro leitor: o herói desta belezinha oriental mata um touro e arranca um de seus chifres com toda a potência marcial que possui!

Combate Mortal é um bom filme de artes marciais, mas dificilmente alguém que não curte o gênero poderá aproveitar a projeção. Temos uma estória de ritmo meio lento, com muitos clichês e várias "sub-tramas" que prejudicam o desenrolar da obra. São tantos personagens e dramas envolvendo o Mestre Oyama (Sonny Chiba) que os mais desatentos e os menos pacientes podem ficar aborrecidos.


As cenas de luta, o maior atrativo desse gênero cinematográfico, são boas apesar da falta de fluidez em razão dos ângulos utilizados pelo diretor Kazuhiko Yamaguchi, que filma de muito perto. Eu nunca tinha visto esse tipo de filmagem, mas não me culpem, pois conheço muito pouco do cinema oriental, mesmo sendo um fã...


É fato que a seqüência mais ferrada de todo o filme é a luta contra o tal touro. Pesquisando um pouco na internet, descobri que o Mestre Masutatsu Oyama realmente existiu: ele criou o estilo Karatê Kyokushinkai, que consistia, resumidamente, em um treinamento rígido e disciplinado, com técnicas eficazes para derrubar o oponente com um golpe muito eficaz.



Esse método foi por ele testado em 52 touros, três dos quais ele matou e 49 tiveram seus chifres arrancados por golpes de faca da mão. Quando assisti ao filme, pensei que era uma cena meio bizarra e exagerada, mas meu queixo caiu quando eu li estas informações na Wikipédia (acesse o link aqui).


E, no filme, a cena da morte do touro é absolutamente emblemática, pois o estilo adotado pelo diretor de câmera muito próxima durante a luta deixa a experiência bastante realista. Uma grande cena com certeza.


Vale destacar a atuação do carismático Sonny Chiba, que atuou muito bem neste filme, tanto em quesitos dramáticos quanto habilidades marciais. A cena final em que ele luta contra uns 50 caras é muito boa, por exemplo; seu desespero e arrependimento diante da esposa de um cara que ele matou é também uma bela mostra da atuação de Chiba.


Entretanto, todos estes méritos só são devidamente aproveitados por quem aprecia este tipo de cinema. Se você não gostar de artes marciais, passe longe deste aqui. Combate Mortal é o típico filme restrito a um específico círculo de privilegiados admiradores.

domingo, 24 de outubro de 2010

O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to The Galaxy, 2005)

Com o anúncio de Martin Freeman como o protagonista de O Hobbit, surgiu uma excelente oportunidade para eu comentar sobre este filmaço que conferi na semana do saco cheio, adaptação do livro de Douglas Adams. Não vou me prender a detalhes sobre a produção, mas é lamentável como este filme não recebeu uma merecida atenção por parte do público.


Trata-se daquelas comédias que não arrancam risadas, mas nos fazem sorrir o tempo inteiro. As atuações exageradas estão de acordo com o espírito maluco da obra. O elenco, aliás, é fantástico que envolve talentos atuais como o próprio Freeman, Sam Rockwell, Mos Def e a maravilhosa Zooey Deschanel, além de astros consagrados como Bill Nighy, John Malkovich, Alan Rickman, Helen Mirren e Warwick Davis.


Este filme é um daqueles que você não dá nada no início e acaba amando após seu término. Uma surpresa muito bacana. Desligue do mundo por duas horas e divirta-se com esta saborosa aventura intergaláctica.

domingo, 10 de outubro de 2010

Trailer da Semana: Shaolin (2011)

SENSACIONAL! Até o presente momento, a produção mais esperada por mim para o próximo ano é este filme chinês, verdadeiro épico de artes-marciais. O estupendo trailer nos mostra pequenos takes de lutas que prometem ser fantásticas e uma sucessão de imagens belas e de tirarem o fôlego. De todos os trailer publicados nesta bagaça, este é o melhor até o presente momento.

Um Copo de Cólera (1999)


Engraçado que um amigo meu do cursinho perguntou-me, na última sexta-feira, se eu já tinha assistido a um filme tão chato, mas tão chato, que eu não conseguira terminar de vê-lo. Na ocasião, respondi que foram poucos. E, de fato, são poucos, mas para esta ínfima lista entra Um Copo de Cólera, produção nacional baseada no livro homônimo de Raduan Nassar. A estória é dividida em duas partes: sexo tórrido entre o casal protagonista (Alexandre Borges e Júlia Lemmertz) e uma discussão tão babaca entre os dois que não vale a pena nem comentá-la. Para vocês terem uma idéia da chatice, depois de uma meia hora de projeção, eu estava dormindo. Some à péssima edição as atuações canastronas do casal principal e o completo desinteresse que a trama exala sobre os coitados que resolvem assisti-la. Apesar de não ter lido a obra, fica clara a lição deixada por este filme: certos livros não deveriam ser adaptados para os cinemas...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

John Lennon (70 anos)

Uma pequena homenagem de minha parte a este grande artista, inigualável e insuperável. Não há dúvida que seu legado resistirá para sempre. Obrigado por tudo, John!

domingo, 3 de outubro de 2010

Epidemia de Zumbis (The Plague of the Zombies, 1966)

Há umas duas semanas atrás, resolvi assistir a um filme. Sexta-feira à noite, DVD portátil ligado, coloquei no aparelho Epidemia de Zumbis, que eu comprei pela bagatela de 1 real no Makro, novo e embalado.


Para ser sincero, eu não esperava por muita coisa. Contudo, fui surpreendido por um filmaço da Hammer, com uma estória muito bem contada, excelentes atuações, direção competente e ritmo envolvente. E nós sabemos que estes fatores andam em falta no cinema de horror, vide o número de continuações, refilmagens e obras imbecis lançadas continuamente no mundo. Assim, nada melhor do que um bom filme de horror para animar nossas vidas!


Vamos para a estória: o médico Sir James Forbes (André Morell) recebe uma carta de seu melhor aluno, o doutor Peter Tompson (Brook Williams), que reside na Cornualha. Este escreve uma carta confusa e desconexa, pedindo a ajuda de seu antigo mestre para resolver um mistério médico que assola sua vila. Por pressões da filha (Diane Clare), ele resolve visitar seu ex-aluno.

Chegando até a vila, Sir James e sua filha logo percebem o clima pesado do lugar. Jovens saudáveis estão morrendo de maneira misteriosa e o pobre doutor Tompson não consegue achar uma cura para o problema, pois não o deixaram realizar autópsias ou qualquer outro exame post-mortem. E os moradores estão colocando a culpa destas mortes sobre os ombros do médico.


Dessa forma, a chegada de Sir James dá certa segurança a todos e ameniza as tensões na vila. Professor e pupilo resolvem investigar por conta própria o que está acontecendo naquela vila e acabam descobrindo algo aterrador: alguém está praticando vodu na vila, matando pessoas para transformá-las em zumbis!


Existem inúmeros pontos interessantes na obra, a começar por esta trama fantástica, que respeita a origem lendária dos zumbis – seres criados por feiticeiros vodus, que os servem como escravos. Eu, particularmente, não me lembro de ter assistido qualquer outra obra de zumbis que respeitasse essa origem (não estou desmerecendo os outros filmes de zumbi.

Aliás, o grande forte de Epidemia de Zumbis é a sua estória bem estruturada em tom de mistério. Não é um filme de sustos, contudo uma sequência merece destaque: o delírio do doutor Tompson, considerada uma das cenas mais assustadoras do cinema inglês – que nos causa agonia e pavor.


As atuações são muito boas, mas destaco André Morell, que empresta a seu personagem um tom aristocrático e cavalheiresco a seu personagem, pertinentes em sua condição de Sir. Brook Williams também está ótimo como o desesperado médico da vila.

Vale mencionar que o filme foi feito ao mesmo tempo em que o elogiado A Serpente foi filmado. Aproveitaram-se cenários para ambos os filmes, uma prática comum da produtora inglesa.


Com um belo script, ótima direção e elenco de primeira, Epidemia de Zumbis é um excelente exemplo de como se faz um bom filme de horror. Para os apreciadores, altamente recomendável!

Manic Street Preachers - (It's not War) Just the End of Love

A Minha banda preferida chama-se Manic Street Preachers. Eles lançaram um novo álbum, chamado Postcards from a Young Man (crítica da renomada revista britânica Nme, aqui). Posto aqui, o novo clipe deles, um duelo de xadrez entre um homem e uma mulher. Trata-se de um videoclipe muito bem feito, em plano-sequência, que conta com a participação do ator galês Michael Sheen, como o enxadrista. Tem o clima da Guerra Fria, quando enxadristas disputavam pela supremacia intelectual de suas nações. Para quem gosta de boa música, gosta de clipes bem feitos e quem conhece o trabalho da banda, trata-se de um vídeo indispensável; o melhor trabalho musical do ano, até agora!

sábado, 2 de outubro de 2010

Ichi: The Killer (2001)

Já se tornou um clichê falar sobre Takashi Miike e mencionar adjetivos como visceral, doentio e forte para suas obras. Entretanto, não há como escapar deste vício quando se tenta escrever algo sobre seu filme Ichi: The Killer – uma obra que se encaixa perfeitamente em torno destes adjetivos e outros mais...

Trata-se, afinal, de um cinema para poucos. Quem estiver apto a encará-lo, encontrará filmes de imagens chocantes e difíceis de esquecer; a narrativa quebrada e delirante, recheada de cenas desconexas; apuro visual, com tomadas modernas e originais; e, por trás de toda esta "parafernália", vê-se um cineasta atento e crítico, que olha a sociedade japonesa de uma maneira cruel e mórbida, sendo preciso em suas críticas.


Pelo menos, eu posso mencionar isso com segurança a respeito de Ichi: The Killer. Foi o meu primeiro contato com o cinema de Miike e, após a projeção, confesso que me senti desnorteado com a sucessão de cenas escatológicas e violentas. Entretanto, não há nada de gratuito na edição do filme.


Em cada fotograma, vê-se uma interessante crítica velada a uma sociedade fechada e diferente (para os nossos padrões), que é a sociedade japonesa. Miike não poupa o público, mostrando-nos a violência de maneira explícita e original. A cena da língua cortada é um exemplo: impossível não gemer durante ela.



O roteiro, adaptação da HQ de Hideo Yamamoto, explora alguns pontos críticos do povo japonês como a solidão das pessoas, a violência das gangues, repressão sexual e o bullying em escolas (como se isto fosse exclusivo deles). Pode parecer meio besta, mas durante o filme, essa análise fica velada, em razão da profusão de cenas visualmente poderosas e marcantes. Os mais desatentos, podem pensar que o filme é apenas uma obra exagerada e vazia, mas é exatamente o contrário.


Os dois personagens principais do filme são igualmente fascinantes em suas características psicológicas: Ichi (Nao Omori) é o sanguinário "herói" lunático, que sai matando bandidos de gangues rivais, causando uma encrenca terrível; Kakihari (Tadanobu Asano, um grande ator) é o sádico e demente líder da gangue dos Anjos, que está disposto a encontrar quem está por trás do sumiço do antigo chefão da sua gangue.


Forma-se uma verdadeira perseguição, por parte dos bandidos, em busca de Ichi, mas durante o filme inteiro, eles ficam perdidinhos, com Ichi despachando seus membros aos poucos. E ele o faz de maneira EXTREMAMENTE violenta e sangrenta. Até o maluco Kakihari fica com medo, como ele mesmo diz perto do final da obra para um de seus comparsas. E olha que Kakihari é um sadomasoquista doido...

Difícil decidir qual a cena mais marcante; o fato é que a obra, como um todo, é dificilmente esquecível - especialmente os dois personagens principais, com minha preferência no vilão Kakihari, um dos personagens mais sádicos e doentios que eu já vi em um filme!

A linguagem exagerada, a violência exacerbada e a excelente direção de Miike tornam Ichi: The Killer um filme obrigatório e inigualável. Contudo, se for assisti-lo, não o faça perto de alguém que possa se ofender facilmente com o sadismo explosivo da película – ingrediente de sobra, num filme como este...

domingo, 26 de setembro de 2010

Trailer da Semana: The Fighter (2010)



Eu adoro dramas envolvendo esportes, especialmente a nobre arte - o boxe. É engraçado como a luta confunde-se entre o ringue e a própria vida, com a maioria desses caras. Assim, um filme de boxe envolvendo dois dos meus atores preferidos - Mark Whalberg e Christian Bale - é indispensável. Detalhe: prestem atenção na belíssima trilha sonora de Michael Brook. É impressão minha ou tem cheiro de Oscar no ar??

A Janela da Frente (La Finestra di Fronte, 2003)

Parecia ser um drama sobre voyeurismo e a velhice. Mas A Janela da Frente revelou-se como algo muito maior: trata-se de uma verdadeira crônica sobre o amor e as escolhas que suas "vítimas" devem fazer. Afinal, quando surge o amor entre duas pessoas, o mundo não pára por causa disso.


Tal fato é claramente exemplificado ao longo da projeção, sendo explícito em sua conclusão. Tanto a personagem Giovanna (Giovanna Mezzogiorno), quanto o velho Simone (o grande ator Massimo Girotti, que faleceu pouco depois da realização deste filme), são os que serão testados pela vida sobre suas escolhas em função de uma paixão. Para o velho Simone, sua escolha foi feita na época da ocupação nazista; para Giovanna, as visões de sua janela irão atraí-la e, quando ela finalmente tiver alcance destas, caberá a ela decidir se irá agarrar-se a elas ou continuar com sua vida complicada...


É interessante como os dois personagens vão mostrando suas semelhanças ao longo da estória. Ao início, Giovanna e seu marido (Filippo Nigro) acham Simone na rua, desmemoriado. O marido leva o velho para casa, apesar das negativas da esposa. No fim das contas, a ligação entre os dois será íntima e forte, em razão de suas similaridades.


Trata-se de uma obra de ritmo vagaroso, sem sobressaltos durante sua narrativa. Eu mesmo nunca fui um fã de filmes nesse estilo, mas devo dizer que A Janela da Frente me surpreendeu, pois se trata de um filme denso em suas mensagens. Precisei digerir um pouco o que eu tinha visto para captar as intenções do diretor Ferzan Ozpetek.


Com algumas belas tomadas e ótima utilização de luzes, especialmente na sequência inicial da obra, A Janela da Frente é um interessante filme italiano. Para os apreciadores de cinema europeu, indispensável.

domingo, 19 de setembro de 2010

Os Aloprados (Semi Pro, 2008)


Mais uma comédia esportiva de Will Ferrell, desta vez parodiando o basquete e, de certa forma, homenageando os anos 70. Os Aloprados é um filme muito fraco em seu objetivo inicial – ser engraçado. Afinal, o que temos aqui é uma série de piadas constrangedoras e Ferrell interpretando o mesmo personagem, desde O Âncora. No entanto, o clima Funk que a obra traz é irresistível, com uma trilha sonora excelente e figurino muito bacana – fatores que não são suficientes para salvar o filme.


No quesito comédia o filme falha miseravelmente. A falta de um roteiro, no mínimo, coerente, prejudicou a obra, desperdiçando o talento de bons atores como Woody Harrelson, Maura Tierney e Andre Benjamim (que, mesmo me surpreendendo com atuações eficientes, ainda não participou de nenhum filme decente).


Harrelson, aliás, não é um novato no mundo do basquete. Ele interpretou um jogador trapaceiro e talentoso no excelente Homens Brancos Não Sabem Enterrar (que merece uma crítica extensa aqui no blog).


Os Aloprados (sem comentários para a "tradução" do título pela distribuidora!) é muito fraquinho. Pelo menos Ferrell falou que esta seria sua última comédia esportiva. A julgar pela qualidade decrescente de seus filmes, percebemos que esta foi uma sábia decisão...

domingo, 12 de setembro de 2010

Nosso Lar (2010)


E no fim das contas, Nosso Lar é um bom filme. Pode parecer besteira, mas com a imensa quantidade de críticas negativas a respeito da obra, acabei entrando na sala de cinema bastante desconfiado. Mas ao final da projeção, percebi que a obra em questão não era de todo ruim; aliás, era surpreendentemente interessante.

Não vou mencionar o claro aspecto religioso da obra. Afinal de contas, trata-se de um filme baseado num livro espírita, psicografado por Chico Xavier. Vários conceitos e idéias da doutrina são explicados nos diálogos do filme, dando a obra um leve caráter didático, que não chega a comprometer o andamento do filme.

Aliás, o que me agradou profundamente em Nosso Lar foi o capricho da produção em seus meandros técnicos. O belo desenho de produção, duramente criticado por alguns, não me lembrou, inteiramente, as obras de Oscar Niemeyer, mas ao design futurista de algumas obras dos anos 50 (a central de reencarnação, por exemplo, lembra a entrada de um disco voador). Outro grande destaque para a produção é a magnífica trilha sonora de Philip Glass, muito bonita e que, se fosse numa produção de Hollywood, poderíamos chamá-la de comum, mas como se trata de uma produção nacional...

Gostei também da interpretação de Renato Prieto como o médico André Luiz. Nada de extraordinário, porém competente.

Trata-se, enfim, de um bom filme. Vejam bem, caros leitores: eu não sou espírita, então não é por esse motivo que eu gostei da obra, caso alguém venha me questionar. A verdade é que Nosso Lar é uma produção muito caprichada, tendo uma história bem contada e interessante. Vi-o de maneira imparcial analisando a obra apenas como cinema e entretenimento. Dessa forma, vale a pena conferir este filme brasileiro com pompa hollywodiana.

Já que Solomon Kane vai estrear nos cinemas...

...nada melhor do que rever a crítica que fiz sobre o filme (clicando aqui) e ver o protagonista James Purefoy falar sobre a obra em questão, abaixo:

sábado, 11 de setembro de 2010

Anjos e Demônios (Angels and Demons, 2009)

Sai o tom didático e aborrecido de O Código Da Vinci; entra um bem-vindo ritmo frenético à segunda estória de Robert Langdon nos cinemas, Anjos e Demônios. É uma ótima aventura, rica em conteúdo (no melhor estilo "salada conspiratória/histórica" utilizado por Dan Brown) e, dessa vez, bastante cativante para o grande público. O filme aproxima-se muito do estilo envolvente de Brown e as locações continuam sensacionais: Vaticano e as igrejas de Roma – fotografados de uma maneira grandiosa e bonita. O roteiro recorta várias partes do livro, economizando no "blá blá blá" e investindo na ação. Essa preocupação em melhorar os pontos falhos do filme antecessor mostra a inteligência de Ron Howard, Akiva Goldsman e Tom Hanks, que ainda contrataram o prestigiado Ewan McGregor para interpretar o Camerlengo. No final da projeção, você perceberá que acabou de assistir um bom filme de mistério e aventura.

Encontro de Casais (Couples Retreat, 2009)

Trata-se de uma "comédia". Pois é, entre aspas, mesmo; afinal, não existe, absolutamente, nenhuma cena engraçada em Encontro de Casais. Temos um filme terrivelmente chato, com atuações no piloto automático e Jean Reno num papel que constrangeria qualquer pessoa com o mínimo de consciência. O mais triste é ver alguns bons comediantes como Jon Favreau e Vince Vaughn, além de atores competentes como Jason Bateman, Kristen Bell, Malin Akerman (reincidente em comédias ruins, vide Antes Só do que Mal Casado) e Kristin Davis, tendo seus talentos desperdiçados por conta de um roteiro imbecil como o deste filme. Uma das piores comédias que já tive o desprazer de assistir.

domingo, 29 de agosto de 2010

Amor Só de Mãe (2002)


Até o presente momento, Amor Só de Mãe configura-se, para mim, como o melhor curta-metragem de horror já produzido por um cineasta brasileiro. Eu só fiquei sabendo dele por meio da saudosa revista Cine Monstro e também pelos merecidos prêmios conquistados em festivais do mundo inteiro.

O filme acompanha o calvário de um pescador que acaba se envolvendo com a mulher errada – uma bruxa, adoradora do diabo. E a tal bruxa irá mandá-lo para uma tarefa terrível: assassinar a própria mãe, com quem o pescador ainda vive.

Com uma trama extremamente simples, o diretor Dennison Ramalho trabalha com o horror de maneira magnífica, criando uma atmosfera incômoda e perversa. E o trabalho de áudio é uma beleza: o som monótono de uma oração fica tocando durante boa parte da projeção, simplesmente genial.


O filme conta com a presença de Vera Barreto Leite, Débora Muniz e Everaldo Pontes, todos excelentes; foi um dos curtas mais caros já feitos no Brasil e isso é percebido claramente pelas inúmeras qualidades técnicas da obra. Entretanto, não tiremos o mérito de Ramalho, que é um grande realizador, um diretor de mão cheia, criando uma atmosfera sombria e esbanjando talento, sem sustos fáceis e outras bobeiras que assombram muitos filmes do gênero. Eu espero ver muitas outras obras do cara (esse ano saiu o seu mais novo curta-metragem, altamente recomendado, Ninjas!).

A estética e o clima da obra me lembraram os filmes de horror mais sérios dos anos 70, como O Exorcista, Sentinela dos Malditos e outras obras que tratavam sobre temas sérios envolvendo religião, possessões e satanismo. Amor Só de Mãe tem esse ingrediente presente, misturado com elementos extremamente regionais, como a religiosidade da mãe do pescador, o ambiente decadente e lúgubre e o já comentado som de oração, parecido com o de uma fita cassete antiga e bizarra.

Para quem tiver interesse, assistam no portal Porta Curtas e prestigiem esta verdadeira jóia tupiniquim (para assisti-lo, clique aqui). Abaixo, eu reproduzo uma entrevista de Dennison Ramalho ao site nacional da Revista Rolling Stones. Nela, o diretor falará mais sobre o seu novo trabalho (Ninjas) e sobre os desafios de ser um diretor de filmes de horror no Brasil.

Como tem sido o desempenho de Ninjas nos festivais nacionais e internacionais? Compare com o desempenho de Amor Só de Mãe.
Olha, o Ninjas começou sua carreira onde a do Amor Só de Mãe terminou. Já de cara estreamos e ganhamos o prêmio de melhor curta pelo público (Audience Award) no Fantasia Film Festival - atualmente o maior festival de cinema fantástico do mundo, em Montreal, no Canadá. O Flávio Bauraqui (que interpreta nosso protagonista) ganhou o prêmio de melhor ator na competição de curtas do Festival de Gramado e o Paulo Sacramento (nosso montador) ganhou melhor montagem, também em Gramado. Estamos agora programados para o Fantastic Fest, em Austin, nos Estados Unidos.

Qual é o caminho natural de um curta no Brasil? Muda algo quando o assunto é horror?
Essa pergunta é complicada. Ou o curta se torna um clássico (tipo um Ilha das Flores da vida), ou praticamente cai no esquecimento. Acho que por isso é importante qualquer cabra que faz um curta entender o que é o curta-metragem brasileiro pra poder fazer diferente. O que a gente vê nos festivais é uma produção vibrante, mas um tanto repetitiva, ou televisiva/tosca demais.

Como você conheceu o conto que deu origem ao roteiro? O Marco de Castro, autor do conto, trabalhou com você no roteiro. Como é trabalhar com o suposto dono da história? Foi tranquilo?
Eu conheci o Marcão num fórum sobre filmes de horror na internet, há muitos anos. Um dia resolvi conhecer o blog dele, o
Casa do Horror. Eu já andava há muito tempo tentando entender o cenário da literatura de terror no Brasil. Tirando o brilhante ciclo de quadrinhos dos anos 60-80, nunca encontrei nada em prosa que me interessasse. Havia autores e livros, mas todos muito pretensiosos, ou plagiadores. Uma "clichezada" medonha! Quando li o blog do Marcão, vi que tinha algo sujo por trás daqueles contos. Foi nesse ponto que resolvi conhecer o Marcão pessoalmente, e descobri sua vivência como jornalista na madrugada de São Paulo (que lhe rendeu o apelido de "Olheiro da Desgraça"). Eu percebi que estava diante de uma ficção consistente, aterradora, e brasileira até a medula! E sabe o que é o melhor? É brasileira sem ser folclórica, brejeira, caipira... É brasileira urbana, podre, suja e brutal! Eu gerei umas duas ou três versões do roteiro com o Marcão. Não trabalhamos juntos, mas íamos discutindo e esculpindo o roteiro em conversas por e-mail ou telefone. Tivemos também a contribuição do Marcelo Veloso, um roteirista do Rio, que escreveu e aprimorou a textura os diálogos do curta.

Ninjas tem um roteiro muito mais detalhado do que Amor Só de Mãe. A que você credita isso?
Não acho o roteiro mais detalhado. Acho só o filme mais longo e com mais personagens. Acho que isso é o que passa a impressão de ser mais detalhado.

Como foi o processo de pesquisa para o curta? Você chegou a conhecer alguém que esteve envolvido com algum grupo de extermínio?
Não conheci ninguém envolvido em nenhum grupo de extermínio, mas (além do conto do Marcão) li o Rota 66, do Caco Barcellos, li a "resposta" tacanha da PM ao livro - um outro livro chamado Matar ou Morrer, do Conte Lopes. Assisti também aos filmes oficialiescos/chapa-branca da PM: Matar ou Morrer (adaptação do diretor Clery Cunha do livro do Conte Lopes, boçalmente estrelada pelo próprio fazendo papel de si mesmo) e Rota Comando (outra pérola trash - uma espécie de resposta tosca da Rota ao Tropa de Elite, que nem pro cinema foi. Só ficou no camelódromo mesmo). Conversei também longamente com um policial civil, que me contou vários podres.

Os atores de Ninja estão muito bem. Como é o seu processo de seleção e preparação?
Eu e o Tomás Rezende (um excelente preparador de elenco) trabalhamos juntos no processo de ensaio, que envolvia aquecimentos físicos, música, e ensaios de situações emocionais similares as do roteiro, mas com criações imaginárias dos próprios atores. Nos baseamos no método do Sanford Meisner, que é um trabalho de imaginação super-saudável e colaborativo com o elenco. A seleção foi feita com base no trabalho anterior dos próprios atores, de quem eu era fã, ou já havia trabalhado em outros trampos.

O curta foi feito com incentivos culturais? Você gastou dinheiro do seu bolso? Pergunta ingênua: dá pra ganhar dinheiro com curta-metragem de horror no Brasil ou exterior?
O curta foi patrocinado por um prêmio da Prefeitura de São Paulo. Tivemos empresas parceiras que entraram como coprodutoras com serviços e equipamento. Mas gastei dinheiro meu, sim. Perdi meu carro pra sanar as dívidas do curta e precisei pedir um pequeno socorro pra família. Não dá pra ganhar grana com curta, em lugar nenhum do mundo. Pelo menos não grana que zere o vermelho que fica. Às vezes aparece alguém oferecendo 200 contos pra passar em alguma mostra, ou uma oferta de US$ 500 pra vender uma exibição pra TV, ou o direito de lançar o filme numa coletânea em DVD. Mas só pintam essas merrecas. Não adianta, curta TEM QUE SER o caminho para o longa. Pra quem faz, ele não serve pra outra coisa...

Qual o orçamento do Ninjas?
R$ 80 mil mais, diríamos, uns R$ 50 mil que foram cobertos com acordos de coprodução com empresas, a graninha do meu bolso e o meu Corsa, que eu tive que "passar nos cobres"!

O filme teve o apoio ou a colaboração da PM paulista?
Colaboração da PM? CLARO!!! Esse filme não poderia existir sem a valiosa inspiração dos atos dos grupos de extermínio em atividade na instituição!!! Agora, se você está se referindo a colaboração na produção, não. Nenhuma. Mas a gente nem precisou.

Há alguns sustos no filme e cenas de gore absoluto. Também há fantasmas e uma piração com Jesus Cristo e os evangélicos. O horror hoje é uma coisa só, em termos de subgênero?
Não. O horror sempre foi um gênero muito multifacetado. Tem vertentes e subgêneros que flertam com o humor, com o suspense, e com a tragédia (que eu acho que é o caso dos meus curtas). Mas me parece que uma escola mais realista, em termos de dramaturgia, surgiu a partir de filmes dos anos 70, como O Iluminado, O Exorcista, A Profecia. É a tal escola do terror "sério". Gosto de pensar que me incluo nessa verve. E existe também um certo extremismo/radicalismo recente na dose de violência (que está bombando, desde que uma nova onda de filmes franceses de terror, bastante sofisticados, apareceu nos últimos dez anos). Me identifico com essa turma. Eles estão levando o terror para um novo nível de originalidade.

Você poderia citar alguns destes filmes e diretores?
Claro! Os filmes do Gaspar Noé (Irreversível, Sozinho Contra Todos, que não são filmes de horror, mas cuja violência extrema é superapreciada pelos fãs do gênero), o filme Martyrs, do Pascal Laugier, Trouble Every Day, da Claire Denis, Alta Tensão, do Alexandre Aja, e por aí vai...

As cenas envolvendo cristãos, em Ninjas, são bastante tensas e densas. Qual sua intenção com elas? Você tem alguma religião?
Não tenho religião nenhuma. Mas me apavora um pouco a ideia de que uma pessoa possa torcer suas crenças de forma a torná-las inspirações e epifanias. Gente que comete atos hediondos, justificando-os como "o trabalho de Deus". Eu também acho que existe uma contradição brutal entre o discurso pacifista de Cristo e o fato de existirem cristãos armados até os dentes mandando chumbo na galera, dentro da PM. Fiquei chocado ao saber que o policial mais brutal envolvido no caso da Favela Naval (o soldado conhecido como "Rambo") era um evangélico. Soube também que dentro do fucking BOPE existe um grupo tipo "BOPE de Cristo". Dentro do BOPE, mano?! Tem crente dentro do Caveirão, e botando saco plástico na cara da galera? Me poupe, porra! Aliás, é interessante ver como esses grupos de extermínio se apropriam de figuras e imagens da cultura de massa (leia-se dos filmes de ação) pra se fazerem de "heróis". Tem a gangue dos "Ninjas" (que se chamam assim porque usam máscaras tipo as dos ninjas dos filmes pra matar gente); tem a gangue dos "Highlanders", que se chamam assim porque cortam as cabeças dos exterminados (como os Highlanders no filme). E tem esse tal de "Rambo"... um modelo de evangélico!!!

Fale sobre a trilha sonora. Você toca algum instrumento?
Não toco nada não! A trilha foi composta por um gênio de compositor chamado Paulo Beto! Guardem esse nome! O futuro da música de cinema no Brasil passa por essas mãos! Nos inspiramos em muita música "apavorante": Penderecki, Diamanda Galás, Peter Maxwell Davies, e bandas de black metal e drone, tipo o Sunn O))).

Você acha que ainda existe preconceito com o cinema de gênero no Brasil? O horror sofre certo descaso por aqui, não?
Eu acho que o terror é um gênero impopular junto à comunidade intelectual no Brasil. E esta comunidade, que gere os mecanismos de financiamento da produção de cinema, vê o gênero com maus olhos. Falta visão comercial, falta pensar que os filmes estrangeiros do gênero rendem dinheiro no Brasil, e têm apelo comercial estável junto a grupos cinéfilos mais jovens. Sem essas informações de mercado, empresas e concursos de financiamento esbarram com um projeto de terror e não o escolhem para financiamento simplesmente baseando-se nos critérios "não gosto de filme de terror" ou "não queremos associar a marca da empresa a um projeto desse gênero." É foda!

Você ganhou uma bolsa de estudos de cinema em Nova York? Quais os planos para os próximos meses?
Eu vou estudar Roteiro e Direção num Mestrado na Columbia University (em Nova York) com uma bolsa da Comissão Fulbright. Vou ficar pelo menos três anos por aqui, pra roteirizar, roteirizar, roteirizar, filmar, filmar e filmar!

Você trabalhou em Encarnação do Demônio, do Mojica. Como foi trabalhar com "o homem"? A bilheteria do filme foi a esperada? Pretende fazer algo o Mojica novamente?
Trabalhar com o Mojica é sempre massa! O cara é foda! Um exemplo pra qualquer cineasta! Eu aprendi muito sobre montagem, ótica e direção com ele. O filme foi mal nas bilheterias, sabe? Mas acho que isso se deve a fatores que vão além do gênero. Depois do Encarnação do Demônio eu escrevi outro longa para o Mojica chamado O Devorador de Olhos (uma releitura de um roteiro engavetado dele e do Rubens F. Lucchetti, que nunca foi realizado). Nesse, o Mojica não interpreta o Zé do Caixão, mas sim um médium curandeiro, tipo um Dr. Fritz, que é possuído por um espírito que se alimenta de olhos. Tomara que esse projeto engate! Precisa-se de produtor!

Você já exibiu seus filmes nos Estados Unidos? Qual a recepção?
Exibi meus curtas em alguns festivais. Mas não estava lá para medir a recepção. Nunca ganhei um prêmio nos EUA. Ainda...

Tenho a impressão que o horror oriental é uma das grandes influências do filme. Confere?
Nah... Gosto mais de filmes de horror franceses, austríacos...

Sério? Achei que tinha tudo a ver com horror oriental as aparições do fantasma no teto e ao fundo, desfocado; a coisa do espírito que teve uma morte violenta e não consegue se libertar do plano terreno; o "rotten Christ" com aquele treco saindo de dentro dele... Vai ver é falta de referência minha. Mas não será uma tentativa sua de não associar o seu filme a uma onda que já passou? Que foi incrível, mas já foi absorvida até por Hollywood...
Olha, o J-Horror (que é como ficou conhecida essa onda do terror japonês) também se alimentou de referências de outras cinematografias. Ninguém inventou a roda. Nunca fui muito fã dos filmes orientais. E os de que eu gosto (os filmes do Takashi Miike) não são filmes de fantasma. Se houve um diálogo estilístico, foi coincidência. Na verdade, o filme sueco de vampiro Deixa Ela Entrar [que ganhou remake norte-americano] foi muito mais inspirador nas aparições do fantasma-criança do que qualquer dos filmes do ciclo japonês.

Você poderia fazer uma análise de sua carreira como cineasta? O que mudou em você como diretor de Amor... pra cá? Suas convicções cinematográficas mudaram?
Cara, minha carreira como cineasta? Difícil. A luta pela sobrevivência dos cineastas no Brasil é difícil. O mercado está num momento esquisito, se redesenhando. Eu vivo estas dificuldades. Já até pensei em mandar tudo à merda algumas vezes, mas no dia seguinte o telefone tocava e eu ganhava um concurso pra escrever um roteiro ou dirigir outro filme. Minhas convicções não mudaram em nada! Eu quero é tocar o puteiro! E espancar os espectadores! É claro que eu preciso ganhar a vida, como todos. É por isso que existem, na assinatura de meus filmes, uma distinção. Existem os filmes "dirigidos por Dennison Ramalho" e os "cometidos por Dennison Ramalho" (isso é literal, está na tela!). Os "dirigidos por" são os filmes e trampos que faço pra viver. E que faço com tesão! Mas os "cometidos por" são os meus filmes autorais, de terror. E são esses que mostram o que sei fazer de melhor na vida.

sábado, 21 de agosto de 2010

Trailer da Semana: Black Swan (2010)

Depois de um tempo sem realizar a seção, volto com o trailer matador do novo filme do gênio Aronofsky!

Atraídos pelo Crime (Brooklyn's Finest, 2009)

Doses cavalares de realidade, podridão humana e morte são cuspidas durante a projeção de Atraídos pelo Crime. Dirigido pelo mestre do gênero policial barra-pesada, Antoine Fuqua, a obra acompanha a trajetória de três policiais desesperados em suas diferentes vidas.


Trata-se de uma obra trágica e dramática. Os três policiais da estória (interpretados por Richard Gere, Ethan Hawke e Don Cheadle) são homens amargurados e desesperados. Eles transitam, perigosamente, entre o bem e o mal. Atraídos pelo Crime (tradução podre do estiloso Brooklyn's Finest!) é um filme forte e pesado.


As atuações são todas excelentes, em especial Ethan Hawke, como o corrupto Sal. Bacana também a presença do sempre ótimo Wesley Snipes como o bandidão Casanova Phillips. É sempre bom ver este cara na ativa! O excepcional Vicent D'Onofrio também faz uma ponta no início do filme.

sábado, 14 de agosto de 2010

Alien Abduction: Incident in Lake County (1998)

Um filme de terror de baixo orçamento deve se superar nos mais diversos sentidos. De fato, o grande número de obstáculos que um diretor enfrenta, devido ao baixo orçamento, pode prejudicar imensamente uma obra. Entretanto, são nessas ocasiões que uma pessoa de talento se destaca, mostrando criatividade e flexibilidade diante das inúmeras dificuldades, proporcionando uma experiência muito boa para quem estiver assistindo seu filme.

Os exemplos são incontáveis, porém eu falarei aqui de um filme que REALMENTE me assustou. Uma obra original e excelente. Eu arrisco até mesmo a dizer que se trata de um dos melhores filmes de terror que eu já assisti. Refiro-me ao desconhecido Alien Abduction: Incident in Lake County – produção de orçamento baixíssimo, que compensa suas "limitações" com uma boa dose de suspense, sustos e imagens incômodas.


Como vocês devem estar percebendo, eu fiquei realmente entusiasmado com a obra. Assisti sexta-feira retrasada, no meu DVD portátil, luzes apagadas e com um bom cobertor e devo confessar: eu senti medo durante o filme.

A história é simples: durante a noite do dia de Ação de Graças, uma família americana será atacada por alienígenas hostis. A intenção dos homenzinhos verdes: abdução.

É com este fiapo de trama que o diretor Dean Alioto desenvolve seu interessante roteiro, que consegue trabalhar com várias situações já descritas de possíveis encontros com extraterrestres. Vários elementos, mencionados tanto em filmes sobre alienígenas quanto em matérias de ufólogos, são trabalhados pelo roteiro: influência em aparelhos eletrônicos, armas sonares, sangramentos nasais, possessões e muitos outros.

O roteiro de Alioto é ótimo por manter uma enorme expectativa sob a trama. O filme não dá descanso para quem o assiste; o clima é pesado e os atores passam uma sensação de medo genuíno, algo que eu nunca tinha visto em filme algum. Essa naturalidade incomoda...


Apesar de ser completamente desconhecido por aqui, o filme fez MUITO barulho no ano de seu lançamento, mais especificamente 1998, nos Estados Unidos. Como o filme foi vendido como um registro real de abdução (e a fita é extremamente convincente), muitos ufólogos acharam que o vídeo era, de fato, um material verídico.



Para completar essa brincadeira entre real/fictício, o filme é interrompido inúmeras vezes com o depoimento de diversos "especialistas" que dão sua opinião sobre o material da fita. Há também avisos durante o filme de que o mesmo pode causar efeitos negativos sobre platéias mais sensíveis. Obviamente, tudo isso amplifica a sensação de medo causada sobre o expectador.


Contudo, de todos os elementos assustadores de Alien Abduction: Incident in Lake County, o que mais me incomodou, definitivamente, foi o comportamento da menininha do filme que mais me impressionou – assista e você saberá (eu não vou estragar a surpresa)!


Eu espero que, em pouco tempo, alguma distribuidora bacana enxergue a obra e finalmente sejam feitos DVDs deste excelente filme. Assim, mais pessoas teriam contato com este excelente filme...


Um aspecto interessantíssimo, já comentado aqui no blog numa matéria que eu fiz sobre os "fakementaries" e o "cinema Youtube" (leia ela aqui) é que Alien Abduction veio antes de A Bruxa de Blair. E comparando as duas obras, perceberemos que a de Alioto é superior – em todos os aspectos. Para mim, A Bruxa de Blair só se salva por causa de seus 20 minutos finais que são bastante assustadores, além de seu final, propriamente dito, avassalador e impactante. Contudo, o epílogo de Alien Abduction é tão assustador quanto o de A Bruxa de Blair, bastante contundente e impressionante.


Filmes sobre alienígenas são comuns no mundo do cinema. Contudo, eu arrisco dizer que este aqui é o mais assustador já feito, até hoje. Você pode até não levar sustos durante a projeção, mas, meu amigo, se você assistir este filme à noite e sozinho, eu te garanto que o filme irá te assustar.

Infelizmente, o filme é difícil de achar (eu consegui uma cópia, via torrent, pelo excelente blog Besteiras e Afins). Mas, para quem é fã de um bom filme de terror, ou quem aprecia histórias bem feitas e impactantes, Alien Abduction: Incident in Lake City é uma obra obrigatória. Um dos melhores filmes que eu vi este ano.

sábado, 7 de agosto de 2010

Kick-Ass (2010)


É um filme divertidíssimo, original e bobo. A questão é que Kick-Ass me divertiu profundamente, contudo não é uma obra que fica na sua memória ao final da projeção. Tudo que a crítica falou é verdade: a menina Chloe Moretz é o melhor motivo para se assistir o filme e Nicolas Cage e Mark Strong funcionam muito bem como coadjuvantes de peso. A direção estilosa e moderna de Matthew Vaughn é perfeita para o estilo da obra.


Contudo, Kick-Ass falha em alguns pontos como o realismo, seguido à risca em algumas cenas e completamente esquecido em seu epílogo. Aliás, eu acredito que o filme começa a perder pontos perto do final, quando tudo se resolve de maneira apressada e precipitada. O filme não é ruim; é um dos melhores blockbusters deste ano. Mas, seria perfeito se ele fosse menos pop e mais cabeça!

domingo, 1 de agosto de 2010

Gran Torino (2008)


Gran Torino parecia ser um ótimo filme sobre vingança; contudo, ao final da projeção, percebi que se tratava de uma obra sobre a redenção de um ser humano, de uma forma tão surpreendente que não há como não ficarmos surpreendidos ou atordoados com o que acabamos de assistir. Este filme é um verdadeiro COLOSSO!


O que você quer dizer com um colosso? Gran Torino é um filme profundamente denso, que se propõem a analisar inúmeras problemáticas da sociedade americana e da própria alma humana – a natureza das pessoas.
Clint Eastwood nos conduz por essa jornada de maneira envolvente, até o seu final cruel e avassalador. Após o epílogo, você desmorona junto com os personagens do filme.


Contudo, não pensem vocês que Gran Torino é um drama horroroso; pelo contrário, a obra funciona com um misto de vários gêneros: ação, comédia ou drama, impossível rotulá-la num contexto específico. E essa incapacidade de estabelecer um padrão de comparação para a obra só nos mostra a excelência deste trabalho genial de Eastwood.

sábado, 24 de julho de 2010

Sherlock Holmes (2009)


Sherlock Holmes é o blockbuster perfeito: divertido, inteligente, premiado e lucrativo. E todos esses adjetivos não são empregados em vão para este filme, pois a obra é tudo isso e muito mais.


A escolha de Guy Ritchie mostrou-se um grande acerto, pois o cara é, para mim, um baita diretor, com uma linguagem cinematográfica muito original (não há como negar: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes é um dos filmes mais legais da década de 90). Apesar de seu estilo, em Sherlock Holmes, estar bem mais discreto, ele ainda imprime sua marca pessoal na obra efetivamente, em detalhes como a narração em off de Holmes (dialogando com o expectador), as cenas de luta e a câmera lenta.


Outro ponto de destaque é a escolha do elenco: Robert Downey Jr está excelente como o detetive vitoriano e Jude Law não fica atrás com seu Watson. Mark Strong e Rachel McAdams também estão ótimos, mas sem o destaque da dupla principal.



O filme conta com uma belíssima direção de arte, reproduzindo uma Londres vitoriana suja, perigosa e desagradável. Não há a beleza do campo retratada nas obras de Jane Austen; aqui temos a Inglaterra industrial que conhecemos pelos livros de história. Esse visual, atraente e sombrio contribui para a trama que envolve uma seita sobrenatural, um assunto de bastante interesse dos ingleses no século XIX, que atraiu pessoas como o próprio Conan Doyle - um dos aspectos mais interessantes do roteiro.


A trilha sonora merece um parágrafo à parte. Composta pelo alemão Hans Zimmer e lembrada no Oscar, trata-se da música mais original da última temporada, misturando música cigana e irlandesa, ao som de diversos instrumentos como banjos e percussão africana. É agitada, inteligente e cativante como a obra (clique aqui para escutar o tema do filme no Youtube).


O filme conta com um roteiro bem amarrado e inteligente que só entrega a resolução do mistério ao final, podendo frustrar os expectadores afoitos em solucionar a trama da obra. Apenas Holmes consegue decifrar o enigma que envolve o filme. Tal enigma é digno de uma boa história de Holmes.


Sherlock Holmes é um excelente início de franquia, uma obra acima da média, que acerta em todos os pontos. Recomendadíssimo!

A Recruta Hollywood (Major Movie Star, 2008)

Eu consigo enxergar, em cinco ou mais anos, a chamada desse filme na TV Globo, mais especificamente na Sessão da Tarde. Afinal, A Recruta Hollywood é uma dessas comédias indolores e bobinhas, recheada de clichês que a Globo adora passar em suas tardes semanais. Mas isso não significa que A Recruta Hollywood seja um filme ruim; pelo contrário, trata-se de um filme razoavelmente divertido, que pode agradar uma boa parcela do público, salvo alguns defeitos óbvios da película.


A obra é um misto de crítica ao mundo de aparências de Hollywood e às pessoas que não têm o controle de suas próprias vidas – caso da personagem Valentine (Jessica Simpson) que é uma atriz não muito respeitada, que resolve entrar para o Exército Americano com o intuito de colocar sua vida nos eixos, após uma série de sucessivas decepções.


A Recruta Hollywood tem muitos defeitos, como a trama previsível e a já citada lotação de clichês. Contudo, o filme tem (poucas) cenas engraçadas, que me arrancaram risadas genuínas. Além disso, Simpson está uma gracinha no papel principal (para ser sincero, eu só assisti o filme, por causa do pôster acima!) e a moça dá conta do recado, sustentando a obra com carisma e graça.


A Recruta Hollywood é, enfim, uma obra bem bacana e engraçada. Apesar de todas as suas falhas, eu aproveitei a projeção. Talvez, daqui a alguns anos, quando eu estiver numa tarde assistindo televisão aberta, eu possa rever A Recruta Hollywood. Daí, se você também estiver assistindo, diga-me se é ou não é uma comédia bobinha.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Valhalla Rising (2009)


Lirismo e brutalidade juntam-se nesta obra magnífica do dinamarquês Nicolas W. Refn sobre um guerreiro caolho que, depois de escapar de um bando de cruéis bárbaro que o mantinham como prisioneiro, ele parte com um bando de cruzados para a terra prometida. A principio, o filme inteiro resume-se a essa ínfima sinopse.

É interessante que, uma boa parte das críticas negativas se apóia sobre o fato da trama não ser muito evidente, assim como o mote do filme. Verdade seja dita Valhalla Rising não é um filme explicativo; pelo contrário, é uma obra contemplativa. Assim, um público ávido por explicações e histórias bem definidas pode acabar se decepcionando com o ritmo da obra.

No entanto, eu vejo aí um de seus grandes atributos: Valhalla Rising é um filme difícil, quase sem falas, completamente diferente de TUDO que eu já assisti na minha vida. Trata-se de um filme de ritmo único e lento, mas sem deixar de ser interessante.

Se vocês me pedissem para estabelecer o tema da obra, eu não saberia dizer. Podemos encarar que o filme trata de um diálogo entre o homem e a natureza; ou também sobre a brutalidade dos homens numa época de tanta violência e brutalidade como foi a Idade Média. Acredito que um dos temas do filme é a jornada que alguns homens fazem, fugindo de um inferno para um outro, ainda pior. O guerreiro caolho de nome One Eye (interpretado com crueza por Mads Mikkelsen) escapa de seus torturadores para uma viagem infernal e um epílogo pior ainda. Alguns homens não conseguem fugir do mal e One Eye é um desses...

A obra é ainda, recheada de muitos atributos técnicos, em especial a fotografia magnífica do filme. A obra foi realizada em território escocês – terra dos celtas. Trata-se de um cenário de tirar o fôlego, muito bonito mesmo. Dificilmente, algum outro filme este ano apresentará uma fotografia tão bela.

A direção de Refn é segura e consciente, porém sem muito estilo pessoal (eu pelo menos não o percebi). A interpretação crua e seca de Mikkelsen ajuda muito no tom da obra, que em muitos momentos choca pela violência mostrada. Não se trata daquela violência típica de filmes da série Jogos Mortais, mas aquela coisa mais realista e incômoda, completamente inesperada em alguns momentos, realista por excelência.

Dificilmente, a obra chegará ao conhecimento do grande público. Contudo, para aqueles que apreciam um filme diferenciado, com muitas interpretações possíveis – ótimos para serem analisados em rodas de discussão – Valhalla Rising torna-se, praticamente, obrigatório.

2012 (2009)


Conseguiria escrever parágrafos e parágrafos sobre a insipidez de 2012: um típico produto hollywodiano, feito para impressionar os nossos sentidos. Contudo, assim como o geólogo Adrian Helmsley, interpretado pelo ótimo ator Chiwetel Ejiofor, eu enxergo um pouco de humanidade na obra de Roland Emmerich, mesmo que esta seja de uma ingenuidade...

Eu explico: 2012, mesmo sendo recheado de cenas de catástrofes impressionantes, tenta passar algumas mensagens morais para sua platéia. Além dos óbvios clichês no roteiro e personagens típicos nos filmes desse gênero (o pai divorciado que tenta a aproximação dos filhos é um exemplo disso), 2012 projeta inúmeras pílulas morais sobre os expectadores como a importância da fraternidade entre os seres humanos.

Essa tentativa de transformar 2012, de um produto para uma obra, fica no meio do caminho, algo como um intermediário entre Independence Day e O Dia depois de Amanhã: enquanto o primeiro abraçava os efeitos especiais e dispensava a inteligência, o segundo tentava impor mensagens morais de companheirismo e humanidade com uma explicação científica convincente. Esses dois filmes, que eu adoro, funcionavam por estabelecerem suas prioridades ao longo da projeção; 2012 tentou ser um pouco de ambos (misto de visual/conteúdo) e acabou falhando. Mas funciona como divertimento passageiro.