domingo, 28 de agosto de 2016

Livro: Cidadão Cannes por Gilles Jacob

Publicado pela Companhia da Letras
em 2010. Bela capa para um belo livro
Frequentando uma deliciosa feira de livros aqui em Campo Grande, me deparei com uma mesa lotada de livros por 5 reais. Apesar de ser um colecionador de livros, acho difícil qualquer pessoa resistir a um preço desses. Entre todos os títulos que eu comprei, o primeiro que eu li foi Cidadão Cannes.

Por acaso esse blog se tornou um blog literário? Não. Acontece que Cidadão Cannes é um livro de memórias de Gilles Jacob, crítico de cinema e diretor do Festival de Cannes desde 1976. E a vida desse homem confunde-se com a história do mais prestigioso festival de cinema do mundo. 

Uma leitura muito gostosa e ligeira, Cidadão Cannes alterna entre capítulos sobre a vida pessoal de Gilles, principalmente sua juventude, e anedotas do Festival - os bastidores na seleção dos filmes, os egos dos diretores envolvidos, a politicagem na época da Guerra Fria para se conseguir um exemplar soviético ou a clandestinidade para se obter uma obra direto de algum país atrás da cortina de ferro. 

Esses são os grandes momentos do livro, que tornam a leitura essencial para qualquer amante de cinema. Escrito de um jeito poético, confesso que pouco me importei com as partes da vida pessoal de Gilles, mas essas partes não prejudicaram a leitura de forma nenhuma. Nesses trechos, aliás, a impressão que eu tinha era a de estar assistindo algum singelo drama europeu. 

Não sendo um livro muito fácil de achar, fica minha sugestão de leitura para vocês. Caso encontrem essa obra dando sopa em alguma promoção, não percam a oportunidade. Excelente leitura. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Blood Father (2016)



Direto ao ponto: achei BLOOD FATHER uma decepção. O filme não é um desastre e, aparentemente, vem agradando muita gente. Mas não foi o caso por aqui. Eu adoro o ator Mel Gibson, mesmo ele sendo um maluco de merda na vida real. Neste filme, ele reprisa mais uma vez o personagem ferrado, o anti-herói com seus muitos defeitos. E a novidade desta fita é o drama desse personagem com sua filha - adolescente "fucked up" - que se envolve com o cartel de drogas mexicano e passa a ser perseguida, recorrendo ao seu pai, ex-detento, motociclista e tatuador, que tenta uma vida longe do mundo de violência de antes. 

O problema não são os muitos clichês do filme, que garantem a previsibilidade total da trama para quem já assistiu a algumas dúzias de películas de ação. Meu maior descontentamento é com a escassez de cenas de ação, com um foco na relação entre o pai e a filha, que pessoalmente não me absorveu nem um pouco. E olha que a atriz Erin Moriarty entrega bem seu papel de problemática, mas não foi o suficiente para prender minha atenção. BLOOD FATHER conta no elenco com o sempre competente William H. Macy, que acaba desperdiçado na trama. 

O diretor Jean-François Richet e seu diretor de fotografia fizeram um bom trabalho com o cenário de deserto, cheio de tons quentes e sujeira. E é sempre um prazer ver Mel Gibson trabalhar, ainda mais no perfil de personagem dele que já conhecemos - o herói descontrolado, a ponto da loucura, arrancando a orelha de um bandido a dentadas ou gritando feito um louco durante um tiroteio. Mesmo assim, a impressão é de que BLOOD FATHER poderia ter sido muito mais do que seus 65 minutos de bla bla bla e 15 minutos de ação. Prefiro muito mais seu filme solo anterior - Plano de Fuga, um filmaço que merecia ter sido assistido por mais gente. Entretanto, é bom que Mel Gibson esteja de volta e eu espero por muito mais filmes dele. 

domingo, 21 de agosto de 2016

Pôster: Lo and Behold, Reveries of the Connected World


Sem previsão que eu consiga encontrar esse documentário do mestre Werner Herzog tão cedo para assistir, mas vamos combinar: que maravilha de pôster! Lembrando muito a capa do último cd da banda Liars (clique aqui pra ver a belezura), esse cartaz teria um espaço cativo na parede da minha casa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Dois Caras Legais (The Nice Guys, 2016)



Cheguei a esboçar, no início deste ano, uma lista de filmes mais esperados de 2016 para eu postar por aqui. Era uma lista até que bacana, principalmente por fugir de algumas escolhas óbvias (sim, eu ainda estou excitado pelo novo filme do Nicolas Cage dirigido pelo Mario Van Peebles). Lá pelo sexto lugar, estava THE NICE GUYS.

Quem acompanha este blog, já sabe que eu sou fã das fitas de dupla policial - meu subgênero favorito dentro do cinema de ação. E um novo filme, dirigido pelo escritor do clássico Máquina Mortífera - Shane Black - não escaparia da minha esfera de atenção, sob nenhuma hipótese. Mesmo que Shane Black tenha dirigido o fraco terceiro capítulo da franquia Homem De Ferro, ele tem créditos de sobra comigo por seu currículo pregresso. E considerando que ele também escreveria seu novo trabalho, não pude conter alguma expectativa. 

E o que eu achei do filme? Extremamente divertido. THE NICE GUYS resgata o que o subgênero traz de melhor: as cenas de ação eficientes, diálogos inspirados, personagens interessantes e uma incrível dinâmica entre seus protagonistas. Neste caso, Russell Crowe e Ryan Gosling entregam performances ótimas, apesar de em alguns momentos a preguiça do personagem de Crowe parece ser genuína de sua atuação. Já Gosling entrega um personagem cômico/trágico, na medida certa. Essa dupla me lembrou muito a dobradinha Bruce Willis/Damon Wayans de O Último Boy Scout - dupla criada pelo mesmo Shane Black.


Aliás, ele não traz nenhum tipo de inovação, mas certamente apresenta um entretenimento bem feito e sem a preguiça de seu filme anterior. Em certos momentos, a melhor coisa é fazer o que se sabe de forma competente, sem muitas firulas ou falsidades.

Aliado a boa performance de seus protagonistas, Black situou seu filme nos anos 70, dando todo um charme visual para THE NICE GUYS. O filme escapa do moralismo babaca que afeta muito filme atual, servindo como um bom entretenimento adulto. A trama, apesar de boboca, é situada no mundo da pornografia e corrupção em Detroit, contendo até algumas mensagens mais profundas sobre a falência que Detroit, outrora cidade promissora dos EUA, viria a enfrentar futuramente. Ter esse contexto histórico mais profundo só prova que Shane Black cuidou de seu roteiro, como ele não fazia desde os anos 90. 

Com os cinemas sendo dominados pelos blockbusters, a oportunidade de se assistir filmes de duplas policiais, um simples filme de dupla policial, é cada vez mais raro. THE NICE GUYS funciona, mesmo com seus pequenos defeitos, e com certeza terá um espacinho na minha filmoteca. 

domingo, 7 de agosto de 2016

Last Girl Standing (2015)



A experiência com o cinema de horror indie pode ser bem "traumática". Muitas boas ideias expressas em excitantes sinopses se perdem em longas arrastados e chatos, aquelas típicas fitas que assistíamos com a teclinha "fast-forward" apertada. Logicamente, muitos filmes escapam dessa infame experiência, mas isto não significa que eu não encare esses filmes com alguma apreensão.

Assim, quando o filme é bom, a baixa expectativa é sempre recompensadora. Foi o caso de LAST GIRL STANDING, um eficiente slasher com uma premissa bacana - quais os traumas enfrentados por uma sobrevivente de um ataque de um maníaco? 

Apesar de ter um desenrolar bastante previsível, LAST GIRL STANDING entrega um divertimento eficiente e honesto, que conseguiu me prender o suficiente. Eu tinha colocado o filme pra passar enquanto fazia outras atividades, acabei paralisando tudo e apenas assistindo a obra. Não reserva nada de novo, mas agrada, principalmente se você for fã do gênero.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Cannes e a seleção de filmes

"Pois uma seleção não é um passeio salutar. Os filmes chegam, cada vez mais numerosos, cada vez mais diversos. É preciso aceitar visioná-los em um tempo cada vez mais curto. Transformar em atividade profissional o que deve continuar a ser um prazer e uma paixão. Não se pode conceder o tempo para degustar uma obra no ritmo que esta merece. É preciso dar uma reposta. Justificar-se, tranquilizando os autores decepcionados, resistir a produtores que nunca desistem. Ano sim, ano não, os grandes cineastas não filmaram. Angústia. Procura-se desesperadamente uma substituição. Já se ouvem os comentário: "Veja! Cannes não é mais Cannes". O ano seguinte, apreensão, a abundância de nomes célebres vai limitar o espaço para desconhecidos. Imagina-se o discurso: "Estava fácil demais!". Sem dúvida, vossa senhoria, mas um Fellini menor sempre será preferível a um esforçado que se superou. Além disso, se são sempre os mesmos aceitos, é porque fazem realmente os melhores filmes."

Trecho do livro Cidadão Cannes, de Gilles Jacob, publicado pela Companhia das Letras (2010).