sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O Veredicto (The Verdict, 1982)



Uma dúvida que sempre surgiu, enquanto mantive este blog mais ativo, era como homenagear as personalidades falecidas ao longo do ano. Tivemos meses em que o blog era um verdadeiro obituário - algo que não me interessava, de maneira alguma. Por um breve período, tentei assistir alguma obra da personalidade ausente, como uma forma mais concreta de homenagem, entretanto a quantidade de filmes que eu teria de assistir me sobrecarregaria. De todas as ideias, a que deu mais ou menos certo, foi após a morte do cineasta Sidney Lumet, quando emplaquei alguns filmes de sua incrível filmografia - filmes que há muito queria assistir. E é interessante pensar que foi essa ação calculada para este blog que deu origem a uma admiração pelo trabalho deste diretor, por vezes ignorado nas listas de grandes diretores norte-americanos.

O VEREDICTO é um filme bastante esquecido hoje em dia mas com uma mensagem absurdamente atual, sobre um advogado (Paul Newman em performance impecável) com um caso complicado envolvendo imperícia médica. De um lado temos a família da vítima, tentando obter alguma vantagem de uma tragédia (evitável ou não) e do outro uma instituição médica querendo se livrar de um julgamento polêmico, com a real possibilidade de prejudicar a fama do lugar. Paul Newman é o homem no meio dessas duas forças não opostas, em busca de alguma justiça para a vítima, atualmente incapacitada.

Para quem já viu filmes de advogados e tribunais, não há muitas novidades à primeira vista. Contudo, o roteirista David Mamet, muito habilmente, não torna nenhum dos lados vilões. Afinal, mesmo os golpes baixos dos advogados de defesa (encabeçado pelo ator James Manson, em ótima performance) fazem parte da função a qual eles foram contratados - há profissionalismo e o momento de maior passionalidade é quando o personagem de Manson descobre que Paul Newman irá tentar a sorte num julgamento com difíceis chances de ganhar no terreno jurídico, mas com uma óbvia verdade moral a seu lado.



Eis um dos fatores mais interessantes abordados nesse filme: a defesa da Verdade, essa com letra maiúscula, cuja a maioria das pessoas reconhece, mesmo que seja em seu íntimo e contrário aos seus desejos mais imediatos, é uma obrigação, mesmo que apenas um homem, o solitário personagem de Newman, seja o último bastião da mesma. E defender algo assim é solitário e desesperador, muito diferente do que multidões de jovens acreditam ao se defender uma causa abstrata e obviamente bonita. A diferença que apenas um homem bom pode fazer num universo inteiro de uma vida é algo implacável, belo e, possivelmente, eterno.

Talvez o personagem mais unidimensional seja o preguiçoso juiz nomeado para o caso, uma verdadeira anomalia para alguém cuja posição deveria representar e justificar aquilo que simboliza. O discurso de Newman, ao final da obra, corrobora justamente sobre o valor individual das nossas escolhas, mais fortes que qualquer símbolo ou convenção. Não há nada mais perto da justiça do que nosso senso pessoal de moralidade e honestidade.

sábado, 11 de abril de 2020

Ich Bin Dann Mal Weg (2015)



Há alguns anos eu li o ótimo livro "Volto Já!" escrito pelo alemão Hape Kerkeling. Trata-se do bem-humorado diário de viagem do próprio autor quando ele fez a peregrinação do Caminho de Santiago de Compostela, suas peripécias e desventuras. Como o assunto me interessa bastante, foi uma leitura saborosa e divertida, me levando em diversos momentos a imaginar como seria um filme adaptando-a. Ao terminar o livro, descobri que algum produtor já tivera essa ideia e finalmente, quase 2 anos depois de me interessar pelo projeto, consegui assití-lo.

Trata-se de uma adpatação bastante fiel, com o protagonista sendo interpretado pelo ator Devid Striesow, uma cara bastante conhecida para quem acompanha com mais atenção o cinema alemão atual. É uma proeza que o filme tenha conseguido manter a simpatia que nutrimos pelo protagonista, mesmo quando percebemos suas falhas e sua rabujentice (devidamente castigada pelo próprio Caminho, como o filme nos mostra). É um personagem muito humano e a performance captura as impressões tidas durante a leitura.

Outro ponto a favor é que o filme nunca se assemelha a um road movie, felizmente (um gênero que eu acho um tanto enjoativo). Sua estrutura vai e volta no tempo, mostrando um pouco da infância do comediante, desde seu acidental começo no mundo da comédia até o início de sua ascensão; mesmo estes momentos do passado que podem ter sido difíceis durante sua vivência, após a distância do tempo e a segurança de sua imutabilidade, são vistos com simpatia e graça, pois são estes momentos que nos definem, também. E as desventuras de Hape durante o trajeto também farão parte desse complexo mosaico chamado Hape Karkeling. A percepção disso parece uma das clarezas trazidas aos peregrinos desta milenar rota.

Toda essa sensibilidade é passada, assim como a mística que cerca o Caminho. As lindas paisagens, a completa imersão, as pessoas, os diferentes idiosmas, os albergues, os peregrinos - tudo é muito bem expressado pelo filme, tornando-o ainda mais atrativo para quem sonha ou já sonhou em percorrer a rota de Santiago de Compostela.

Sinceramente, é uma pena que este ótimo filme provavelmente permanecerá inédito no Brasil, talvez um dia sendo exibido nas estéreis plataformas de streaming. Em todo caso, preciso adquirir minha cópia pois, sem dúvida, esta é uma obra que eu revisitarei muitas outras vezes. 

Pôster: Peninsula (2020)



Train To Busan (ou Invasão Zumbi, na "tradução" brasileira) foi, possivelmente, o último grande filme de zumbis, um dos subgêneros mais explorados no cinema de horror. Quando a notícia de uma continuação surgiu, confesso que não fiquei muito empolgado com a ideia. Porém, após ver este instigante teaser pôster e o ótimo trailer divulgado, começo a achar que poderemos ter mais um outro belo exemplar de mortos vivos. Veremos...

segunda-feira, 23 de março de 2020

Réu Primário (First Time Fellon, 1997)


Recentemente eu assisti uma grande quantidade (pelo menos para os meus padrões) de filmes e programas de TV envolvendo o ambiente prisional. Assisti nos cinemas o insosso Luta Por Justiça e me diverti com o programa Beyond Scare Straight (com adolescente problemáticos passando uma temporada numa prisão real), do famigerado canal A&E. Contudo, de todos os entretenimentos assistidos, o que eu mais gostei, por diversos motivos, foi a revisão do telefilme RÉU PRIMÁRIO, de 1997.

Sim, uma revisão de um filme que eu assisti na época de seu lançamento em nossas locadoras. Tenho a vívida memória da fita VHS acima, assim como de seu pôster estampado na locadora Hélio's Vídeo, que nós frequentávamos com bastante assiduidade. Um misto de surpresa e nostalgia me atingiram quando descobri na internet uma cópia dublada deste filme, a qual prontamente assisti.

Dessa forma, segue-se um alerta: existe uma possibilidade real de ter apreciado este filme não só por suas qualidades existentes, mas pelas ótimas sensações despertadas por ele. Quem acompanha meus parcos textos sabe da saudade que eu sinto das locadoras, fitas VHS e de como era ser cinéfilo nessa época de menor abundância de títulos e informações, mas maior importância.

A fita RÉU PRIMÁRIO foi dirigida por Charles S. Dutton, mais conhecido por sua carreira como ator em filmes como Alien 3, Tempo De Matar, Na Companhia do Medo e diveros seriados televisivos. Segundo a revista SET, de Março de 1998, o próprio ator é ex-presidiário, personalizando ainda mais sua primeira experiência como diretor.




A obra acompanha a história real de Greg Yance, traficante da gangue Vice Lords condenado a 5 anos de prisão com a opção de frequentar um acampamento militar de reabilitação por 120 dias, justamente por ser um réu primário. Nesses 4 meses, além da experiência com a rígida disciplina do acampamento, Greg lidará com colegas de gangues rivais, um sargento linha duríssima (ótima interpretação de Delroy Lindo) e a atuação voluntária desses presidiários para tentar conter as inundações de Mississipi, ocorridas em 1993. 

Felizmente, o elenco é muito bem escolhido. O personagem principal é interpretado por Omar Epps, que muitos anos mais tarde faria bastante sucesso no excelente seriado House. Sua performance não cai na armadilha de soar afetada ou vitimista. Assim como Delroy Lindo, que esculacha (com razão) os jovens presos, por entender que seus delitos (especialmente o tráfico) destroi não apenas a vida deles próprios como a de outros negros pobres e de famílias desestruturadas. Rachel Ticotin também participa como uma das superiores do acampamento. 

É profundamente recompensador o fato de RÉU PRIMÁRIO não ser explicitamente panfletário ou vitimista, como muitas obras mais atuais insistem em ser. Para uma parcela considerável de pessoas, um acampamento militar como o do filme não "endireita" um bandido, mas ainda permanece como uma opção de resgate dessas pessoas. Consoante a essa temporada, Greg testemunha os esforços de uma pequena cidade em evitar o alagamento da sua comunidade. A montagem da cena, misturando algumas imagens reais da National Geographic com o trabalho na montagem de barragens é muito eficiente. Destaca-se também a bonita trilha sonora do compositor Joseph Vitorelli - sem outros destaques em seu currículo - cujo trabalho se sobressai nestas cenas.

Apesar do baixo orçamento (percebido especialmente nas cenas iniciais do personagem na prisão) este telefilme mantém um ótimo padrão de qualidade em sua produção, algo rotineiro nos filmes feitos para a HBO. No Brasil, você só encontra esse filme em formato VHS, mas nos Estados Unidos há um lançamento em DVD, não tão simples de se encontrar (pelo menos em minhas primeiras buscas). 

Enquanto eu revia RÉU PRIMÁRIO, foi impossível não ser atingido por uma nostalgia, referente a como o nosso mercado de vídeo já foi muito rico, com bons lançamentos fora do circuito dos cinemas comerciais. Logicamente, era mais difícil ter estes filmes, a não ser que se fizesse uma cópia da fita da locadora ou desse sorte de gravá-la se fosse exibida na televisão (não tenho informações se este filme chegou a ser exibido em TV aberta, mas se algum dia foi exibido, eu apostaria que foi no SBT). Omar Epps e Delroy Lindo foram dublados por Gabriel Noya e João Ângelo, respectivamente.

Não é uma fita simples de se encontrar por aí, mas fica a sugestão de um ótimo telefilme, completamente esquecido e que merecia ser mais assistido. Agora, eu inicio a busca deste filme para minha filmoteca, onde certamente tem seu espaço garantido.   

Réu Primário (First Time Fellon, 1997) - Movie Stills







segunda-feira, 2 de março de 2020

Trailer: Why Don't You Just Die! (2020)

O cinema russo atual aos poucos vem me conquistando depois de algumas bombas soviéticas lançadas por lá (como por exemplo aquele atroz filme de super herois - Guardiões). Why Don't You Just Die! é uma espécie de "Entrando Numa Fria" misturado com "Hardcore Henry" - um namorado resolve matar o pai de sua namorada, à mando da lolita. O trailer, senhores, é sensacional, violento e extremamente divertido. Aparentemente, conquistou o amor pelos festivais do ano passado e, por isso, tem sua estreia nos cinemas norte americanos no próximo 20 de abril. Por aqui, não há sinal de entrar em nosso circuito, mas assim que eu assistir, vou comentar essa belezinha por aqui. 



Pôster: Boss Level (2020)


Esse pôster em si não tem nada demais, porém eu não sabia de uma nova produção de ação envolvendo Frank Grillo, Naomi Watts, Michelle Yeoh e o sempre incrível Mel Gibson, dirigido por ninguém menos que Joe Carnahan (o cavalheiro responsável por Narc, um dos melhores policiais dos últimos anos). Sem dúvida tem sua vaga na minha disputada lista de filmes mais aguardados do ano.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Bravura Indômita (True Grit, 1969)



É interessante como eu passo um longo tempo sem assistir faroestes e, toda vez que revisito algum filme do gênero, me arrependo de não assistir mais filmes de faroeste. No caso deste clássico, foi meu pai quem me chamou para curtir, em lindíssima alta definição, este grande filme do velho Duke.

Os cinéfilos já conhecem bem a história de Rooster Cogburn (John Wayne), um marshall bêbado e fora de forma, mas irrascível na sua busca por justiça. Ele é procurado pela jovem Mattie Ross (Kim Darby), cujo pai foi covardemente morto por um funcionário traíra, para caçar o assassino. A essa jornada se junta outro marshall, La Boeuf (Glen Campbell), com a intenção de capturar o bandido e levá-lo até o Texas para ser executado. 

 O trio principal de atores já é uma garantia de muita diversão - há uma sintonia entre os tres e as diversas confusões entre eles. Tanto Glen Campbell como Kim Darby conseguem não ser eclipsados pela presença mitológica de John Wayne, um astro simplesmente inigualável. Sua interpretação como Rooster é maravilhosa, pois consegue equilibrar bem o drama, a solidão da profissão de marshall, o alcoolismo do personagem e a comédia, com cenas hilárias. Este filme trouxe o merecido Oscar a sua carreira. 

Para ficar registrado, o filme também traz as ilustres presenças de Dennis Hopper e Robert Duvall, cujas carreiras despontariam justamente na lendária década de 70 e a Nova Hollywood. Me parece um bom início de trajetória (o ano de 1969, afinal) contracenar com o lendário Duke.

TRUE GRIT é um daqueles bons exemplos de filmes que conseguem falar sobre alguns assuntos sérios sem pesar a mão ou cair numa espiral de obviedade. Ora, não é necessários grandes arroubos dramáticos para sabermos que Rooster é um alcoólatra pesado. Assim como não necessita de militância e gritaria para perceber como Mattie Ross é uma moça independente e senhora de si, sem precisar abandonar sua feminilidade ou iniciar uma guerra de gêneros. Boas histórias e personagens bem construídos (além de ótimas atuações) são capazes de representar mensagens importantes, sem apelar para o histrionismo.

Filmes como TRUE GRIT são cada vez mais raros, especialmente ao se considerar os filmes produzidos por Hollywood e que chegam a nossas telonas, em circuito comercial. Contudo, felizmente sempre teremos esses clássicos eternizados. Ainda não conferi a refilmagem, mas acho que antes de encará-la vou procurar o livro e, quem sabe, comentar por aqui. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Lista de Filmes Procurados em VHS - 001

Pequena sessão de alguns filmes, encontrados só em VHS (pelo menos no Brasil), que eu procuro para acrescentar a minha filmoteca. No momento, apenas sou um saudosista e entusiasta desse formato, mas é bem possível eu começar uma coleção muito em breve.