Uma dica incrível para meus queridos leitores: ontem iniciou o imperdível festival de cinema online - My French Film Festival 2016 - com duração do dia 18 de janeiro de 2016 a 18 de fevereiro de 2016. Trata-se da sexta edição do festival, com uma competição entre dez longa-metragens e dez curta-metragens franceses e o público será o jurado. Informação importante: totalmente gratuito. Excelente oportunidade para acompanhar o apaixonante cinema francês e, neste ano, o Midnight Drive-In trará uma cobertura desse festival, com resenhas dos filmes. Vamos aproveitar!
"And it's a human need to be told stories. The more we're governed by idiots and have no control over our destinies, the more we need to tell stories to each other about who we are, why we are, where we come from and what might be possible"
"I always had a repulsive need to be something more than human"
Eu ainda estou em choque. Ontem faleceu um dos artistas mais geniais que já tivemos a honra de apreciar na história da humanidade. Eu não consigo imaginar um mundo sem a existência desta verdadeira entidade, que tocou nossas vidas tão profundamente com suas criações (no campo da música, cinema, artes em geral).
Esse cd fez parte da minha formação como ser humano...
Minha história com David Bowie iniciou-se lá em 1997, época em que eu ouvi minha primeira música dele. Meu pai acabara de voltar de Londres com alguns poucos cds em sua mala e um deles era esse álbum duplo do David Bowie, que anos mais tarde fui compreender que se tratava de uma coletânea de singles.
Não me lembro da ocasião em que ouvi, mas lembro que a primeira música que eu ouvi foi "Heroes" e eu amei aquela música desde o primeiro instante que a ouvi. Tive diversas fases com diferentes canções favoritas (recentemente, redescobri Life on Mars), mas "Heroes" persiste como aquela música que sempre vai me fazer chorar, todas as vezes que tocar.
Cheguei a me aventurar em vários discos do Bowie e sempre me considerei um admirador. Era um daqueles artistas que tomam posse de uma parte de seu coração, e você não repara, mas você percebe que sua criação faz parte de você todas as vezes que a música toca ou o filme passa na tv. E aí, no conforto de uma rotina, de um mundo de mesmice, vem uma notícia devastadora como essa.
Acompanhei a repercussão, as homenagens, os especiais nos sites de notícia, ouvi alguns cds dele, comprei um livro sobre ele e ainda senti um vazio imenso. Ainda sinto esse vazio hoje.
Mas a morte também desperta coisas maravilhosas. É incrível o que passamos a enxergar quando perdemos algo ou alguém valioso para nós. E, no meu caso, além de toda obra sublime que ele produziu, todas as músicas dele que eu não escutei, os vários filmes dele que não assisti, fica a reafirmação de meu maior sonho: o desejo de produzir uma obra que toque as pessoas, assim como aquilo que este homem vez - uma vida plena, completa, linda, cheia de erros e acertos e a melhor experiência que qualquer ser humano possa ter.
Várias pessoas escreveram seus tributos, todos brilhantes e incríveis. E eu compartilho a opinião de que a partir de hoje, todas as vezes que eu olho para o céu, sei que estarei de alguma maneira contemplando essa estrela que tivemos a sorte de acompanhar, apreciar e viver perto de seu brilho. E não há nada no mundo que apague isso em mim. Nada.
Muito se tem dito sobre a nova aventura do universo "Guerra nas Estrelas"; assim, não acho que terei novidades nessa resenha. Em todo caso, já digo que gostei bastante do filme, mas o "rasgação de seda" generalizada me impressiona, mas não me surpreende.
Não me surpreende pois o tão divulgado novo Star Warsfoi o filme mais cercado de expectativa dos, sei lá, últimos dez anos. E frente a entrega de uma obra inegavelmente competente, a reação geral foi de imensa e intensa paixão.
E O DESPERTAR DA FORÇA não merece todo esse amor? Talvez sim, mas o filme tem sua dose de erros, quase todos relacionados ao roteiro. Se pararmos para pensar, encontramos uma boa dose de equívocos graves. E o fenômeno de adoração em torno da obra foi tão absurdo que alguns resenhistas enalteceram essas falhas de script com argumentos estapafúrdios de que esses "furos" são típicos da série Star Wars, o que demonstraria o quão fiel J J Abrams foi em preservar esse suposto "charme" da franquia! Não me façam rir.
Apesar disso, eu gostei do filme. E gostei, principalmente, da tríade de novos personagens principais - Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e o vilão com potencial imenso de se tornar memorável Kylo Ren (Adam Driver). São três personagens densos, complexos e bem construídos, que me cativaram bastante. Preciso citar também Oscar Isaac (que precisa de muito mais espaço no próximo filme com seu piloto Poe Dameron) e Domhnall Gleeson, perfeito como o General Hux (um ator que definitivamente está no meu radar, desde sua atuação no clássico pessoal Never Let Me Go).
E J J Abrams explora muito bem toda a mitologia da franquia, seus personagens históricos (é uma experiência maravilhosa ver Harrison Ford incorporando Han Solo) e o visual - atualizado com inteligência e no ponto certo da nostalgia. Toda a força e esplendor da marca explodem na telona e é lógico que meu coração nerd se derreteu durante a projeção. O DESPERTAR DA FORÇA é, sem desmerecer, uma refilmagem esperta e bem feita do episódio IV, com muito mais acertos do que erros. E eu mal posso esperar pelos próximos filhotes desta franquia.
"If you want to compare my photography to any great painter, I love it!" - Haskell Wexler
Duas excepcionais análise de palheta da fotografia dos filmes Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), por V. Zsigmond e Um Estranho no Ninho (1975) por H. Wexler - dois diretores de fotografia geniais. Essas análises de palheta foram retiradas do excelente site Movies In Color, que merece sua visita.