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quinta-feira, 19 de março de 2026

Desventuras de um Cinéfilo: Será que meu desânimo com o Oscar vai durar para sempre?

A melhor coisa deste ano foi a premiação nas categorias de atores principais. E convenhamos que não há melhor forma de se comemorar o Oscar do que ir "destruir" um autêntico podrão!

Acho um tanto assustador olhar para mim ao longo dos últimos anos e perceber como muitas coisas que me preenchiam já não o fazem mais. Eu me lembro de como a noite do Oscar já foi algo importante:  assistir os filmes da temporada, dar os meus "pitacos", torcer e, quase sempre, continuar a sonhar meu sonho mais louco. Aos poucos, porém, tudo isso foi se diluindo a tal ponto de que no último domingo, pelo segundo ano consecutivo, não tive vontade alguma de assistir a cerimônia.

E olha que eu até tentei neste ano - assisti a vários filmes que concorriam e, cá entre nós, tinha até um favorito pessoal cuja chance de vencer era bem remota - Hamnet. Acompanhei as análises em diversos canais do Youtube e até falei bastante sobre isso na minha vida real, muito longe do meu querido e abandonado blog. Mas no fundo, sentia que não conseguia resgatar aquela excitação, aquela vontade de acompanhar e a sensação de pertencimento. Não estava ali.

Foram vários sinais: desde o plano malfadado de acompanhar o anúncio dos indicados enquanto almoçava num local especial (meu carro quebrou justamente no dia), o cansaço ao encarar uma sessão dupla de filmes indicados e ter ignorado todas as premiações anteriores a essa, de forma não planejada - tudo passou voando por mim.

Tenho uma certa desconfiança de onde isso tudo começou: provavelmente após a constrangedora premiação de Melhor Filme de Moonlight, superando o incrivelmente superior La La Land. De uma certa forma, há até algum tipo de beleza cósmica na maneira como isso ocorreu, de forma estranha e inadequada, como algo enfiado goela abaixo, um momento inesquecível a ser esquecido. Maior que a decepção e o choque daquilo foi a sensação de rachadura num certo idealismo que eu tinha sobre a premiação ser sobre a arte do cinema em si.

Sei que isso pode soar como algo meio imaturo, mas o golpe na ocasião foi forte para eu assimilar. Um filme que literalmente me fez sonhar, sair dançando por aí, sedento por esperança e devidamente alimentado com a possibilidade de um dia ser capaz de produzir algo que provocasse tal efeito em outra pessoa foi preterido por uma obra supostamente realista e sensível em aspectos que iam muito além do mundo do cinema. 

Dali em diante, sinceramente, até tivemos bons anos de premiações, excelentes filmes concorrendo ao Oscar, alguns prêmios de fato emocionantes - mas quando me lembro de que é noite de Oscar, aquele momento fatídico de 2017/2018 vem a minha mente.

Como esquecer também o vergonhoso prêmio de Will Smith, que agrediu um colega de trabalho no palco e, depois disso, foi aplaudido como se nada tivesse acontecido? Nenhuma fala, nenhum protesto - simplesmente uma sensação de abuso e conivência da classe artística. O pior de tudo? Após a premiação, foi ligada a máquina trituradora de carreiras de cancelamento, ao invés de se pensar numa justa punição...

A mesma classe que fez beicinho não aplaudindo o diretor Elia Kazan quando levou um Oscar Honorário - a premiada deste ano Amy Madigan, nascida em 1950, puxou um protesto na ocasião, apropriando-se do ressentimento típico daqueles que imaginam o que é uma verdadeira perseguição (ela disse que o pai dela foi vítima do McCarthismo, trabalhando analista político/ jornalista, bem distante da esfera de Hollywood). Nada como a seletividade e estar do lado de uma certa galera, não é mesmo?

Nesse ponto, confesso que me pergunto: e agora? "From despair to where?" Como será no próximo ano?

Confesso que se existe um traço da minha personalidade que luto para não ser apagado é a esperança. Talvez eu ainda fique enfastiado com as campanhas de Oscar iminentemente políticas (vocês devem saber do que eu estou falando), os enfadonhos acenos politicamente corretos e até a torcida contra ou a favor que se forma diante de algo. Contudo, ainda sonho para que Hollywood recupere algo que realmente se perdeu ao longo desses anos: a aura.

A aura é curiosa porque diante da impenetrabilidade dela, há um certo atiçamento, o despertar de um desejo de se sentir pertencente àquilo ou ao menos para se lutar por, quem sabe, um dia, fazer parte daquilo. É como aquela roupa bonita na vitrina, tão perto e tão longe, acessível de maneira fácil ou, na maioria das vezes, difícil. 

Espero não soar mórbido, mas ao longo dos últimos anos, o momento da premiação que mais me aproxima dessa sensação é o In Memoriam; mesmo de forma muitas vezes apressada, canhestra e por vezes esquecendo nomes relevantes, a homenagem aos que se foram, com uma brevíssima lembrança de seus trabalhos nos remete aos grandes filmes que já nos fizeram sonhar e como Hollywood já foi, sim, uma literal fábrica de sonhos.

Enquanto escrevo essas linhas, porém, olho para os últimos 8-9 anos de premiações e vejo alguns grandes filmes: vejo Oppenheimer, Coringa, A Baleia, Parasita, Três Anúncios para um Crime, Green Book, Era Uma Vez em Hollywood, Duna, Nada de Novo no Front, OS Fabelman, Top Gun Maverick, Os Rejeitados... Sim, tivemos alguns grandes filmes prestigiados e lembrados ao longos do tempo.

Acompanharei a Temporada do próximo ano, como sempre faço, aliás. Sei que provavelmente teremos A Odisseia do Christopher Nolan, por lá. Já existem conversas sobre alguns filmes, mas tudo muito precoce. Cá para nós, não tenho nenhuma pressa nisso. Tem tantos lançamentos interessantes neste ano, tanto festival legal por vir... Ainda mantenho meus sonhos, mas no final é mais sobre o caminho do que o destino em si. 


sábado, 3 de junho de 2023

Desventuras de um Cinéfilo - Algumas reflexões sobre o fechamento de uma Lojas Americanas

 


Uma das Lojas Americanas de Campo Grande encerrou suas atividades durante esta última semana. Só fiquei sabendo porque ontem à noite eu resolvi passar de carro pela 14 de julho e vi a loja fechada às 18:40, sem o seu letreiro. Hoje à tarde, vejo no site O Jacaré a notícia completa a qual transcrevo abaixo para alguns comentários (a ilustração da postagem, aliás, vem da matéria):

"A Lojas Americanas fechou a primeira loja em Campo Grande desde que houve a homologação do pedido de recuperação judicial em decorrência da dívida de R$ 42 bilhões. A empresa ainda desistiu da ação para renovar o contrato de locação por 60 meses com a redução no valor do aluguel no Shopping Bosque dos Ipês.

O fechamento da unidade na Rua 14 de Julho, em frente a Praça Ary Coelho, ocorreu nesta semana. Em todo o País, o grupo fechou 28 unidades. No Estado, a rede tem uma dívida de R$ 29 milhões.

A Americanas ainda conta com cinco lojas na Capital, duas na rua (Dom Aquino e Júlio de Castilho) e três nos shoppings (Campo Grande, Norte Sul e Bosque dos Ipês).

O grupo chegou a ingressar com ação na Justiça para reduzir o valor do aluguel de R$ 23,5 mil para R$ 15 mil no Shopping Bosque dos Ipês e renovar o contrato por mais cinco anos. No entanto, no início de abril, sem informar que houve acordo ou pretende desistir do ponto, a empresa desistiu da ação judicial."

Independente de qualquer aspecto, o fechamento de uma loja é, para mim, sempre algo muito melancólico. Pessoas perderam seus empregos e, pelo menos até que novos comércios surjam no local, perde-se uma referência de onde obter os produtos que ali eram vendidos.

De qualquer maneira, há algum interesse nessa notícia pois eu já frequentei essa Lojas Americanas por um longo tempo, principalmente pela sessão de filmes. Quando esta loja abriu suas portas, eu me lembro de encontrar por ali alguns filmes que não se encontravam com tanta facilidade em outras filiais. Ali eu achei, por exemplo, o box contendo os quatro filmes da série Pânico (numa época em que esse box não era nada fácil de encontrar por aí).

Não tinha a aura nostálgica da primeira Lojas Americanas da cidade, nem a aconchegante localização da loja na Rua Júlio de Castilho, onde tive ótimas surpresas cinéfilas, também. Mas era uma loja com seu charme, com um pé direito pronunciado (perceptível principalmente na área dos caixas) e seu formato em L, com os brinquedos na outra extremidade da loja. A sessão de filmes, inicialmente, ficava no entroncamento desse L, bem iluminada, como um setor a parte da loja. Depois foi transferida para onde ficavam os brinquedos, completamente deslocada, numa área com goteiras (e, consequentemente, alguns filmes danificados), com algumas de suas prateleiras se acotovelando, com pouco ou nenhum espaço para transitar.

Por fim, houve o grande saldão de filmes das Lojas Americanas, quando eles decidiram parar de vender dvds e cds, contribuindo decisivamente para a derrocada do mercado nacional deste seguimento. Óbvio que eu comprei muita coisa ali - saí com sacolas e mais sacolas de filmes, muitos dos quais eu até hoje ainda não assisti. O curioso é que essas compras nunca foram com qualquer euforia infantil, mas sempre com uma ponta de melancolia, por saber que uma era chegava ao fim.

O que me leva a pensar sobre esse fechamento, que certamente tem muitos motivos além da
minha experiência pessoal com a Lojas Americanas. Entretanto, como negar que uma parte de seu público (os colecionadores de filmes) acabou sendo negligenciada com suas decisões, diminuindo a frequência de comparecimento e consumo de outros produtos dessas lojas?

Eu me lembro de me deslocar efetivamente nos domingos de manhã, acompanhado do meu pai ou com minha irmã, para dar uma volta. E sempre saía com algum filminho dali, além de salgadinhos, doces e qualquer outra bobeira da qual, certamente, não tinha nenhuma urgência em comprar mas ainda assim o fazia, afinal "precisava aproveitar a viagem".

Sempre que passo por uma Lojas Americanas, atualmente, eu me lembro da sensação de apenas entrar na loja, ver as novidades dos filmes, reclamar dos preços dos lançamentos e garimpar em suas gôndolas. Se o dinheiro permitisse, sempre saía de lá com algo. Assim, fica alguma sensação de saudade mais vazia, uma sensação de que este fim era inevitável. Não gostaria de ver outras de suas lojas sendo desativadas, mas as portas das Lojas Americanas há muito já se fecharam para mim.

sexta-feira, 31 de março de 2023

Desventuras de um Cinéfilo: Há 24 anos, Matrix chegava aos cinemas




Isto não é uma resenha, mas uma celebração - há 24 anos estreava o que, numa análise ligeira, eu considero como o último clássico do cinema, de fato. Para mim, as memórias são inesquecíveis do impacto que este filme causou e de como eu não consegui vê-lo no cinema - uma frustração para um garoto de 7 anos de idade! De qualquer maneira, assim que chegou nas locadoras da cidade, fomos, provavelmente, um dos primeiros a locarem e, sinceramente, meu mundo cinéfilo e meu universo imaginário nunca mais foi o mesmo: volta e meia eu ficava simulando poses de luta pelos cômodos da casa, imaginava filmes de ação com as cenas mais estapafúrdias possíveis e revivia as aventuras de Neo, Morpheus e Trinity na minha cabeça.

Vida longa a esse clássico que volta e meia eu assisto e confirmo sempre a minha mesma opinião desde sempre: Matrix é uma obra prima!

domingo, 12 de março de 2023

Desventuras de Um Cinéfilo - Impressões da Temporada do Oscar 2023 #02


Cá estamos nós na tarde que antecede o Oscar, numa edição de filmes bem interessantes e algumas boas decisões relacionadas a cerimônia em si, como a volta de um host (mesmo não sendo uma opção do meu agrado). 

Atualmente, não há aquela excitação antiga que me inundava anteriormente. Hoje, passei a tarde lendo, um livro curioso sobre países que não existem mais. Lembro-me da edição de 2009, que passei justamente o período da tarde assistindo o máximo de filmes daquela edição que eu ainda não tinha conferido. O paralelo com esses países que deixaram de existir é notável: tornaram-se apenas memórias.

Como foi, afinal, minha temporada do Oscar? Foi difícil, principalmente porque a vida me impôs uma série de decisões profissionais, mudanças na rotina, inseguranças e toda sorte de indefinições desconfortáveis do final de Janeiro até hoje. Sem perceber, sacrifiquei a diligente missão de assistir esses filmes.

Preciso, porém, dividir essa culpa: as redes de cinema de Campo Grande recusaram-se a exibir muitos desses filmes. Inacreditável filmes grandes como Banshees de Inisherin, Women Talking, Tár e Triangle of Sadness foram ignorados pelas grandes salas. Pelo menos exibiram A Baleia (que eu assisti já 2 vezes e, provavelmente, assistirei mais). Bastante descaso com os abnegados que ainda insistem em "tentar" acompanhar o mundo do cinema mais sério.

Em todo caso, chega de lamentações, pois há motivos de festa: It's The Oscar's! A Globo não mutilará a festa com sua exibição capenga, Will Smith não aparecerá para agredir o Chris Rock, Lenny Kravitz cantará no segmento "in memorian", alguns filmes bacanas para se torcer e sentir-se parte do mundo de cinema, mais uma vez. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Desventuras de Um Cinéfilo - Impressões da Temporada do Oscar 2023 #01

É tão curioso perceber o reflexo das flutuações do meu humor conforme minha motivação em manter viva minha paixão por cinema. Esse blog é, de um ponto de vista muito pessoal, o espelho (nem sempre fidedigno) desses altos e baixos, frequentes na vida de qualquer um - acredito eu. Meu momento atual é de estabilidade, lutando para não entrar numa descendente. Fim de um ciclo que se aproxima e início de algo que eu ainda não sei bem o que é - no momento me sinto como num trem rumando para uma estação desconhecida e isso não é confortável para este "velho" capricorniano.

Não deixa de ser interessante, apesar disso, meu recente ânimo em acompanhar com um pouco mais de atenção a temporada do Oscar. Muitos parênteses, porém, precisarão ser pontuados por aqui: essa animação envolve a vontade de conhecer e assistir uma parcela dos indicados desta edição, bem como acompanhar notícias dos bastidores das campanhas e de outras premiações ao longo deste início de ano. Infelizmente, o ânimo envolvendo assistir a premiação em si anda meio arrefecido, especialmente com o show de horrores das últimas premiações - a dolorosa edição em que o péssimo Moonlight foi laureado no lugar do inesquecível La La Land (e toda a gafe que se seguiu), a edição ocorrida durante a pandemia (horrorosa, como muitos dos seus candidatos) e o Will Smith no ano passado - uma sucessão de eventos que mais me repeliram do que qualquer outra coisa.

Mesmo assim, a edição atual é uma das que mais me excitam em tempos recentes. Pessoalmente, isso tem relação com alguns fatores: a minha necessidade de precisar deixar a chama do amor pelo cinema acesa dentro de mim, o prazer em acompanhar os vídeos do canal Dalegnore Críticas no youtube (ainda será discorrido neste blog minhas impressões de seu conteúdo, mas não é o foco desta postagem) e a própria seleção de filmes na classe deste ano.

Talvez, a última edição do Oscar que correspondeu minha excitação foi a de 2016, com a premiação do filmaço Spotlight. Foi um ano, extraordinário, aliás: The Martian, The Revenant, Mad Max Fury Road, Creed, The Big Short... Naquela temporada, eu fiz uma sessão inesquecível no cinema de Spotlight e The Revenant, com minha querida irmã. Quando voltamos das sessões, sentamos na sala de casa, com apenas uma aconchegante luz de um abajur alto e a televisão ligada passando desfiles de escolas de samba... Boas memórias.

Assim sendo, a edição de 2023 traz alguns ótimos nomes para acompanhar e outros que, a princípio, tenderei a ignorar. Alguns desses filmes, quem sabe, terão suas resenhas publicadas por aqui. Venho ensaiando uma resenha de Os Fableman - já adianto que gostei do filme.

Talvez, um dos triunfos dessa edição atual é que existem alguns filmes dela que eu genuinamente já gostaria de assistir, muito antes de serem indicados: The Banshees of Inisherin (o mesmo diretor e a dupla de atores do filme In Bruges são motivos mais que suficientes para eu querer ver), The Whale (eu estou investido nessa "ressurreição" da carreira do Brendan Fraser) e Argentina,1985 foram alguns que já estavam no meu radar.

Tão curioso quanto os filmes que eu já queria assistir foram os filmes que essa Temporada (e resenhas positivas) destacaram e entraram no radar: Tár (minha irmã disse que eu PRECISO ver este filme - estou dependendo da boa vontade do Cinemark de lançá-lo na telona), The Quiet Girl (um candidato da Irlanda), Pinóquio do Guillermo Del Toro, RRR, Elvis (apesar de dirigido por um diretor cujo estilo não me agrada, ainda assim fiquei curioso) e Living (Bill Nighy + Kazuo Ishiguro = com certeza quero assistir).

É uma temporada com certeza interessante. Apesar de parecer solitário, foi incrível acompanhar a transmissão dos indicados enquanto eu almoçava sozinho numa tradicional churrascaria daqui da cidade. Enquanto comemorava as indicações de Top Gun Maverick, o garçom mandava a ver naquele pedaço suculento de Angus. Só essa memória é o suficiente para simbolizar que este ano será melhor que os anteriores. Sigamos.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Uma Pequena Homenagem ao Rubens Ewald Filho



Foi com certa tristeza que eu recebi a notícia do falecimento de Rubens Ewald Filho, o nome mais conhecido da crítica especializada de cinema do Brasil. É estranho, pois nunca acompanhei o trabalho dele de muito perto, mas sempre o reconheci como especialista em cinema, desde muito novo, quando devorava as revistas SET e sempre via o rosto dele nos anúncios de Guias de Lançamentos para o mercado de vídeo. 

Lamentavelmente, ele foi vítima do famigerado politicamente correto e policiamento moral que assombra nossa sociedade em tempos atuais, levando a um injusto afastamento dele na transmissão do Oscar deste ano, na TNT - uma transmissão, aliás, rotineiramente bem ruim cuja salvação eram os comentários pontuais dele. Há de se pensar no impacto dessa perseguição a sua saúde.

Como crítico, Rubens Ewald Filho sempre assumiu sua função de maneira muito qualificada, o que pode confundir muita gente, pois um crítico não está nessa função para agradar ou desagradar ninguém. Ele omite opiniões embasadas, um ponto de vista especializado, uma lanterna que poderá apontar qualidades reveladoras ou pequenos defeitos escondidos. 

Certamente deixará uma lacuna, especialmente em tempos de opiniões tão infectadas de "patrulhamento da moral e bons costumes" assolando a vida de todos nós. Espero que você passe a eternidade vendo todos os filmes que você sempre amou, Rubens. Voe alto!


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

SBT é o melhor canal de filmes da televisão

Você já assistiu o novo anúncio do SBT, estreando Celso Portiolli e Maisa, anunciando os "novos" filmes que estrearão no canal, em breve. É incrível e é a cara do canal, especialmente pela caretice do texto e por não se levar a sério. Sílvio Santos e cia sempre entenderam a não tão simples missão de ser um entretenimento, especialmente em tempos atuais de televisões conectadas a internet. Dá uma olhada nesse anúncio:


Tem seleção mais genial do que essa? Vamos lá: Steven Seagal em Sniper: Operações Especiais; Wesley Snipes em Jogo de Morte (já resenhado por aqui);  Tremors 5; O Homem dos Punhos de Ferro 2 (não gostei muito do primeiro, mas quem sabe esse me agrada, principalmente pela falta de expectativa). 

Talvez o leitor pense que eu esteja sendo irônico, mas não é o caso. Afinal, trata-se de uma seleção de filmes de baixo orçamento, com probabilidade alta de serem filmes fracos e de qualidades questionáveis. Porém, eu sou um cinéfilo que adora ver um filmeco de vez em quando. E considero genial essa seleção principalmente por ser inesperada: enquanto a globo tenta emplacar na sua Tela Quente blockbusters que todos nós já assistimos nos cinemas (ou aqueles filmes, divididos em aguadas minisséries, uma prática realmente lamentável) o SBT caminha na contramão, mostrando aquele setor da locadora que os mais assíduos sempre frequentaram, escapando da estante de lançamentos e alugando aquela fita de Top Tape, América Vídeos, Califórnia Filmes ou Flashstar! Sempre com filmes menores e possibilidades infinitas de você se surpreender. 

Caminhamos, atualmente, em trilhas cada vez mais óbvias. As pessoas fazem maratonas de série no Netflix, porque não tem paciência para acompanhar um episódio por semana. O medo estúpido dos spoilers reflete essa marcha desconjuntada, o medo de se perder um mísero fiapo de surpresa num jogo de cartas marcadas. Quantos trailers recentes não pecam ao revelar uma enorme quantidade da trama, para tentar captar a atenção do público, em dois eternos minutos para uma geração que se emociona apenas por alguns segundos. 

Essa margem de surpresa é obtida com larga vantagem pelo SBT. Vejamos nas duas últimas semanas. No dia 22 de Janeiro, foi exibido o ótimo Rumble In The Bronx (Arrebentando em Nova Iorque) de 1995 - o filme que apresentou e levou Jackie Chan até uma carreira em Hollywood. Trata-se de um divertidíssimo exemplar de ação, um belo cartão de visitas do incrível artista marcial, pontuado com humor, muita pancadaria e incrível trabalho do astro, notório por fazer suas próprias cenas de ação. Como foi divertido sentar numa terça-feira a noite e me divertir com Jackie Chan descendo a pancada em bandidos obviamente ruins. 

E no dia 29 de Janeiro, qual não foi a surpresa ao saber que o ótimo Assassinos Substitutos de 1998 seria o filme da noite! Assassinos Substitutos! Era um daqueles filmes que eu me lembrava até da aparência do VHS, porém não lembrava nada da história. E que filme divertido, com o magnético Chow Yun-Fat dividindo a tela com a gata Mira Sorvino numa trama fechadinha, sem muitas firulas, mas com ótimas cenas de ação, trilha cheia de techno, tudo com uma baita cara de anos 90, tornando a experiência melhor ainda. 

E estes são exemplos deste ano, mas posso comentar aqui muitos outros episódios em que o SBT foi decisivo para alimentar minha cinefilia. Lembro-me de quando minha mãe viajava a trabalho de onibus e meu pai a levava até a rodoviária. Ele sempre pedia para eu ficar acordado, aguardando a chegada dele, para observar o portão de casa. Num desses dias, eu assisti Drunken Master 2, talvez o melhor filme de Jackie Chan, com a provável melhor cena de luta de todos os tempos (assista aqui). Foi após aquela sessão que comecei a me interessar por filmes de artes marciais chineses (isso será papo para outro texto). 

Imagem retirada do excelente blog VHS O Ultimo Reduto
Houve também um episódio de noite de ano novo, após uma ceia deliciosa preparada pela minha mãe, ligamos a televisão. Na globo era exibido o show da virada da filial de nosso estado (Mato Grosso do Sul), com uma artista local que emulava aquelas cantoras de axé - abaixo de uma chuva torrencial e a imagem de qualidade questionável. Resolvi colocar no canal 8 e, para minha enorme surpresa, estavam exibindo Willow, Na Terra da Magia, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, parte importante da minha infância e da minha vida, graças a uma fita que papai gravara também com Esqueceram de Mim e alguns episódios do desenho De Volta Para o Futuro. Foi um início de ano maravilhoso.

Agora, já adulto, o SBT insiste em me surpreender e querer fazer parte da minha vida. E estou disposto a conceder isso - toda semana eu vou olhar a programação de filmes do canal. E tenho certeza de que terei mais bons momentos como fã de cinema para colecionar, ao lados de todos esses que eu comentei e outros tantos que me marcaram ao longo da vida.  
 

sábado, 27 de janeiro de 2018

Não existe “guilty-pleasure” (ou: porque eu gosto de Crepúsculo)

Era o ano de 2008 quando o filme Crepúsculo tomou as salas de cinema e os adolescentes se apaixonaram, tanto pelos protagonistas - Robert Pattinson e Kristen Stewart. A história foi uma febre, ilustrando inúmeras capas de revistas, materiais escolares. Pelo menos uma vez por semana você poderia ver alguma menina da sua escola andando com o livro debaixo do braço, na hora do intervalo.

Nessa época, eu tinha 16 anos de idade e ainda era um moleque. Eu fui um desses garotos meio bobocas, inocentes, virgem, cheio de amigos meninos muito parecidos, levemente excluído dos grupos das pessoas mais descoladas – um nerd, apaixonado por filmes e jogos. A paixão por música começava a florescer.

Estudei durante minha adolescência numa escola militar, que para meus padrões, era um lugar absolutamente rígido e de pouquíssimas concessões. Teoricamente, uma das muitas proibições da escola era o namoro, cláusula que sempre coloquei como motivo para meus fracassos e amores não correspondidos (mesmo sabendo que, na realidade, a culpa disso recaía sobre minhas atitudes, ou melhor, a falta delas).

Talvez eu seja muito rígido com meu eu do passado, entretanto eu juro que fiz as pazes com essa apatia que povoou minhas escolhas e meus medos da juventude. Afinal, arrependimentos costumam ser inúteis, especialmente quando há uma tendência de se repetirem erros e atitudes de outrora. É claro que nós nos adaptamos e mudamos, levando em conta que a insistência nos equívocos pode e deve ser analisada sob a perspectiva de um analista, porque tais repetições são descabidas, convenhamos.

Nesse rio inglório do passado, porém, fiz algumas boas escolhas e tomei algumas atitudes que me enchem de orgulho. E uma dessas atitudes envolve justamente o filme alvo deste nosso tópico.

Minha cópia do filme. Até acho os outros filmes da série
divertidos, mas o primeiro ainda é o favorito
Os professores organizaram um passeio com os alunos para uma ida ao cinema durante uma nublada manhã de quarta feira. Nessa época, tínhamos apenas dois cinemas funcionando em Campo Grande: um Cinemark (no outrora único shopping da cidade) e o saudoso Cine Cultura – duas salas com filmes europeus e alternativos, que acabou não resistindo por muito tempo (mencionado numa das primeiras postagens deste blog). A turma iria, logicamente, no multiplex, onde poderíamos escolher dentre dois filmes: Marley e Eu ou Crepúsculo.

Duas filas se formaram; meus amigos se encaminharam para o drama canino; eu fiquei olhando os dois pôsteres, ainda indeciso; alguns colegas começaram a me perguntar “Você não vem?”; voltei a encarar os pôsteres; olhei as filas mais uma vez: meus amigos e praticamente todos os casais de namorados estavam prontos para Marley e Eu enquanto a fila para Crepúsculo era majoritariamente de meninas excitadas para acompanhar o vampiro Edward. Escolhi Crepúsculo.

Alguns zombaram e meus amigos estranharam, mas eu não falei pra ninguém o motivo da minha escolha. Tratava-se de algo tão infantil pelos olhos da maturidade, mas na cabeça de um garoto, fora a cartada de um mestre. Estava eu ao lado de um monte de meninas histriônicas, sonhando com seus vampiros encantados. Preferia ali do que do lado de um monte de casal chorando a morte de um simpático cachorro.

Logicamente que nada ocorreu durante a sessão, pois afinal ainda era eu que estava no cinema, um adolescente cabaço que acreditava estar diante de uma grande vitória moral por ter driblado os outros amigos. Saí do cinema com cara de vitorioso enquanto os outros saíram com seus olhos inchados de lágrimas. Dali voltei direto para casa, pois morava perto do shopping, o que me concedeu mais uma sensação de vitória, ao tomar meu próprio caminho, diferente da massa.

E sobre o que era o filme mesmo? Naquela sessão, eu mal prestei atenção. Mas até hoje, Crepúsculo é um filme que me provoca um bem-estar imenso quando assisto, uma sensação boa de ter vivido alguns dramas da juventude que eu sempre tive a impressão de não ter vivido. No final das contas, eu também fui um adolescente como os do filme, meio estúpido e bastante imaturo.

Muito amigo acha bizarro eu gostar deste filme. Felizmente, não tenho amarras (nem um pingo de amor-próprio, talvez?) para expor isso. Entretanto, meus caros, não há julgamento algum neste mundo que supera uma convicção. E, mesmo soando um tanto dramático, eu afirmo convicto: eu gosto de Crepúsculo!

sábado, 16 de dezembro de 2017

Um Breve Balanço do Ano de 2017

Olha eu ali com camisa de flanela, ainda não acreditando na oportunidade de acompanhar o Fantaspoa 


O fim de ano sempre vem acompanhado de uma confusão de sensação e sentimentos. Comigo é sempre desta maneira: há uma sensação de euforia, pelo recomeço de um ciclo e um pouco de melancolia pelo tempo que se passou. Não acredito que as resoluções de ano novo são algum tipo de receita mágica, mas definitivamente considero um bom ritual de análise e exercício de esperança, a esperança de que dias melhores virão. 

Ainda afastado desse pequeno blog, mas sempre visitando quase todo dia, pensei por vários momentos em apagar o Midnight Drive-In. Poderia lhes dizer que sinto falta da época de uma blogosfera cinéfila mais ativa e interessante (quando eu realmente aprendi muito sobre filmes e colhi sugestões de obras que me surpreendem até hoje), sinto falta de uma caixa de comentários mais ativa; entretanto, sei que não levo esse blog a sério para poder cobrar resultados diferentes do que tenho. Olha a melancolia de final do ano que eu comentara ali em cima...

O que me faz voltar para cá, as vésperas de fecharmos mais uma translação? 

A resposta é simples: minha vontade de compartilhar meus melhores momentos como cinéfilo deste ano. 2017 um ano absolutamente avassalador em seus altos e baixos e, mesmo tendo assistindo uma quantidade pífia e vergonhosa de filmes, eu ainda posso compartilhar alguns excelentes momentos com vocês. 

Ao contrário dos anos anteriores, os melhores filmes que eu assisti foram dentro de uma sala de cinema. Eu considerei 2017 um ano FODA em se tratando de lançamentos e blockbusters. E olha que eu ainda não assisti Homem Aranha Homecoming, Baby Driver, Three Billboards, Thor Ragnarok, Liga da Justiça, The Shape of Water, Dunkirk, It, I Tonya e tantos outros gravitando em minha órbita de interesse. 

Houve também um outro momento absolutamente especial que foi minha primeira visita ao FANTASPOA, o Festival de Cinema Fantástico De Porto Alegre, sonho de consumo meu há quase 7 anos. Foram apenas 3 dias, mas foram 3 dias inesquecíveis de muito cinema, conversas, conhecer pessoas novas e conhecer pessoalmente amigos de internet. E de quebra conversar um pouquinho com Ruggero Deodato!

Num plano bem mais "mundano", este ano eu retomei com força meu prazer em comprar filmes para minha coleção, além de assumir de vez o blu-ray em alguns casos pontuais. Comecei a fazer parte de uma ativa comunidade de compras em conjunto de edições importadas e já adquiri muita coisa que deve chegar logo logo por aqui.


O plano é lançar duas postagens até o final do ano: quero comentar alguns filmes que se destacaram, mas não compuseram minha lista de filmes favoritos do ano e uma lista com meus dez filmes favoritos do ano.  

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Balanço De Metade do Ano: Os melhores filmes de 2016, até agora




 Já estamos na metade do ano, meus amigos! Sim, foram seis meses de muitos filmes para meu padrão cinéfilo meio capenga dos últimos anos - 65 filmes, incluindo longas e curtas, de variados gêneros. Muita coisa boa acabou não sendo comentada por aqui - tanto pela falta de tempo quanto pela falta de saco em escrever sobre cada filme que eu assisto. Ainda assim, adoro manter esse blog e meus planos para o futuro incluem este pequeno diário virtual. 

É importante eu dividir com vocês a seguinte informação: uma das minhas famigeradas metas para este ano é assistir 100 filmes. Pois é, no ano de término de faculdade, trabalhando, com muitos afazeres, resolvi tentar esse objetivo. Se vou conseguir? Não sei. O que sei é que com essa meta em mente, eu aumentei o número de filmes assistidos, consideravelmente. 

E o que venho achando de 2016, no quesito cinema? Estou achando ótimo! Assisti muitas obras legais, uma pequena parcela de filmes excelentes e, logicamente, algumas boas e velhas bombas cinematográficas. Quem acompanha esse blog verá que alguns dos filmes que citarei não tiveram textos postados. Eles podem ou não compor nosso arquivo de resenhas num futuro próximo, mas não vou prometer, porque acho que não conseguirei cumprir. Os filmes que tiverem resenha por aqui terão um link em seus nomes, para direcionar quem quiser aos seus respectivos textos

FILMES INDEPENDENTES: Esse ano eu conferi alguns filmes independentes interessantes. Destaco o policial/drama/comédia de humor negro THE DRIFTLESS AREA, que eu assisti muito em razão da precoce morte de Anton Yelchin, e acabei adorando - uma boa mistura de gêneros com um bom roteiro de suporte. Outro policial/comédia de humor negro que eu adorei foi MOONWALKERS, um filme bem maluquinho sobre uma operação desastrada da CIA para forjar o pouso na lua, no auge da corrida espacial - divertido, inteligente, com atuações supimpas de Ron Perlman e Rupert Grint (falei que não ía prometer resenhas, mas quero um texto deste filme por aqui).

BLOCKBUSTERS, OSCAR E SUCESSOS: Dos 65 filmes que assisti, 13 deles foram no cinema, na telona. Ir ao cinema é quase sempre uma preferência, mesmo que esse tipo de divertimento requer, em tempos atuais, planejamento para você caçar uma sessão legendada (que vem se tornando uma raridade) e com a menor possibilidade de encontrar adolescentes babacas e barulhentos ou pessoas que não largam o celular nem para dar uma cagada. Mesmo assim, me diverti muito nos filmes da Marvel e DC Comics (sim, eu achei Batman vs Superman bacana), mas destaco o único deles que me levou aos cinemas duas vezes: X-MEN APOCALIPSE - a segunda melhor aventura dos mutantes no cinema, que me deixou maluco, eletrizado. O filme pode ter seus problemas, mas me conquistou totalmente (e eu mordi a língua, porque achei que seria ruim e espalhei essa opinião equivocada aos quatro cantos entre meus conhecidos).

Da corrida do Oscar, confesso que fiquei com preguiça de assistir uma parcela dos indicados. Dos que eu encarei, SPOTLIGHT tem lugar cativo como um dos meus preferidos - um filme sério, sóbrio, envolvente e com personagens absurdamente cativantes, mereceu o caneco. O surpreendente A GRANDE APOSTA também se destacou, me divertindo horrores, com seu ritmo escalafobético e sua história recheada de humor e drama - entretanto, meu interesse no tema ajudou o filme a decolar aos meus olhos. E, logicamente, eu conferi CREED, mais um capítulo no universo de Rocky Balboa, talvez o melhor filme desta postagem, com Stallone mostrando que continua sendo um mestre das suas criações, um gigante ator (esnobado pela academia) e capaz de nos emocionar. Caso ainda não tenha visto CREED, larga esse texto e vá assistir agora.

MY FRENCH FILM FESTIVAL 2016: Pois é, eu deveria ter feito uma cobertura deste sensacional festival online gratuito de cinema... Eu conferi vários filmes deste festival, praticamente todos os quais eu realmente tinha interesse em assistir - e gostei da maioria deles. Mas cabe destacar ao intenso drama COUP DE CHAUD, um poderoso filme sobre a discriminação, encabeçado por uma atuação magistral; o filme tem um ritmo incrível e seu roteiro é absurdamente bem transcrito para as telas - uma das obras que me provocou raiva, tristeza, contemplação e outra série de sentimentos, como poucos me causaram neste ano. 

Outro filme do festival foi o drama UN FRANÇAIS, sobre a jornada de um jovem de extrema direita na França. Abordando diversas fases da vida do personagem, o diretor explora a corajosa opção de humanizar um personagem que a princípio você odiaria facilmente - um tipo de filme/trama que geralmente me conquista facilmente. Se você tiver a oportunidade, dê uma conferida.

E na linha de filmes mais meigos, fugindo muito da pauta no nosso blog, temos a comédia/romance HENRI HENRI, que bebe muito nas fontes de filmes como O Fabuloso Destino De Amelie Poulain, mas consegue ser muito superior e muito menos pretensioso que este. A obra acompanha um órfão e suas desventuras, sua paixão platônica - um misto de fantasia e bucolismo que me conquistou totalmente e fez o meu dia. Mas, não tenho certeza se o pessoal que acompanha o blog iria gostar. 

O HORROR: Sentiram falta do meu gênero favorito? Pois é, infelizmente não vi muitos de destaque até o final do sexto mês do ano. Gostei de algumas obras, mas o grande filme do gênero até agora é o excepcional THE WITCH, uma verdadeira e imersiva experiência cinematográfica, um daqueles raros filmes cuja a sensação passada é tão intensa que você fica sem palavras após a sensação. A impressão é que acabamos de participar de uma missa negra ou um ritual satânico - uma crítica em inglês definiu perfeitamente a sensação passada de estarmos a assistir algo que não deveria ser assistido, uma experiência quase que profana. Este é um daqueles filmes que recebe uma merecida nota 10 com louvor.



E o que esperar do restante do ano? Tem uma penca de filmes bons que serão lançados por aí (e geralmente minhas expectativas são representadas pelos trailers que eu posto, frequentemente), além de outra penca de filmes que eu ainda não conferi, lotando meu hd. Vamos torcer para eu encontrar essas obras por aí (e a internet é a principal aliada dos cinéfilos, nos dias atuais) e para que eu consiga cumprir aquele meu desafio pessoal. Querem um segredo? Meu filme favorito do ano até o presente momento não está nessa lista. Acabei assistindo-o no dia 2 de julho e eu incluí por aqui os filmes que eu assisti até o final de junho; e meu texto sobre este filme sai nesta semana. Prometo!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Desventuras de um Cinéfilo 005: Sobre David Bowie


"I always had a repulsive need to be something more than human"

Eu ainda estou em choque. Ontem faleceu um dos artistas mais geniais que já tivemos a honra de apreciar na história da humanidade. Eu não consigo imaginar um mundo sem a existência desta verdadeira entidade, que tocou nossas vidas tão profundamente com suas criações (no campo da música, cinema, artes em geral).

Esse cd fez parte da minha formação como
ser humano... 
Minha história com David Bowie iniciou-se lá em 1997, época em que eu ouvi minha primeira música dele. Meu pai acabara de voltar de Londres com alguns poucos cds em sua mala e um deles era esse álbum duplo do David Bowie, que anos mais tarde fui compreender que se tratava de uma coletânea de singles. 

Não me lembro da ocasião em que ouvi, mas lembro que a primeira música que eu ouvi foi "Heroes" e eu amei aquela música desde o primeiro instante que a ouvi. Tive diversas fases com diferentes canções favoritas (recentemente, redescobri Life on Mars), mas "Heroes" persiste como aquela música que sempre vai me fazer chorar, todas as vezes que tocar.

Cheguei a me aventurar em vários discos do Bowie e sempre me considerei um admirador. Era um daqueles artistas que tomam posse de uma parte de seu coração, e você não repara, mas você percebe que sua criação faz parte de você todas as vezes que a música toca ou o filme passa na tv. E aí, no conforto de uma rotina, de um mundo de mesmice, vem uma notícia devastadora como essa.

Acompanhei a repercussão, as homenagens, os especiais nos sites de notícia, ouvi alguns cds dele, comprei um livro sobre ele e ainda senti um vazio imenso. Ainda sinto esse vazio hoje. 

Mas a morte também desperta coisas maravilhosas. É incrível o que passamos a enxergar quando perdemos algo ou alguém valioso para nós. E, no meu caso, além de toda obra sublime que ele produziu, todas as músicas dele que eu não escutei, os vários filmes dele que não assisti, fica a reafirmação de meu maior sonho: o desejo de produzir uma obra que toque as pessoas, assim como aquilo que este homem vez - uma vida plena, completa, linda, cheia de erros e acertos e a melhor experiência que qualquer ser humano possa ter. 

Várias pessoas escreveram seus tributos, todos brilhantes e incríveis. E eu compartilho a opinião de que a partir de hoje, todas as vezes que eu olho para o céu, sei que estarei de alguma maneira contemplando essa estrela que tivemos a sorte de acompanhar, apreciar e viver perto de seu brilho. E não há nada no mundo que apague isso em mim. Nada.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Desventuras de um cinéfilo 004 - O Fim das Locadoras

Fonte: Campo Grande News
Dia desses, tendo acabado de voltar de uma viagem para São Paulo e, por esse motivo, um tanto ausente das redes sociais, descobri que a sede da locadora 100% Vídeo estava fechando as suas portas e vendendo todo seu acervo. Uma oportunidade ótima para se aumentar a coleção mas não há motivo para celebração alguma...

Eu sempre fui um cara completamente apaixonado por locadoras e esse era O passeio da minha infância. Antigamente, antes do advento do DVD (que eu já enxergava com olhos desconfiados), as locadoras reinavam com suas fitas, seus lançamentos e a disputa pelo aluguel dos mesmos. Era comum a sexta-feira à noite ser reservada para uma visita numa locadora, para escolhermos filmes do final de semana. 

Mas, nós já sabemos o que aconteceu: internet banda larga, download de filmes, preços absurdos, netflix e todos os fatores que culminaram no fechamento em massa das locadoras. As primeiras a morrer foram justamente as melhores: locadoras de bairro, com acervo antigo, maior parte em fita VHS, começaram a vender seu acervo e fechar as portas. Lembro-me, nitidamente, de um dia que fui com meu querido tio Dario numa dessas locadoras, lá pelo ano de 2004. Como criança, ainda não tinha dinheiro para torrar nesse tipo de coisa, por isso adquiri apenas um filme, a VHS de O HOMEM SEM SOMBRA (ainda era um garoto no mundo do cinema...), enquanto meu tio adquiriu o sensacional A NOIVA DE RE-ANIMATOR. Foi uma tarde inesquecível...

Mais tarde, as grandes locadoras começaram a vender seu acervo em VHS. Aqui em Campo Grande, tínhamos uma rede de locadoras chamada Héllios Vídeo, que frequentávamos assiduamente. Numa tarde, eu e o mesmo tio, companheiro das melhores aventuras, fomos fazer umas comprinhas e eu levei oito filmes, que precisei esconder no caminho de ônibus para casa, porque sabia que minha mãe não ficaria muito satisfeita. Meu tio, cúmplice, usou sua mochila para disfarçar as fitas. Minha sorte é que naquele dia haveria uma reunião de um grupo de budistas em minha casa e pude contrabandear os filmes para o meu quarto enquanto minha mão organizava a tal reunião.

Nessa época, uma anedota particularmente agradável foi quando eu e minha irmã fomos visitar minha avó e meu tio e ele conseguira locar a disputada fita dupla d'O Senhor dos Anéis, dublada. Com um X-Tudo especialmente preparado pelas mãos habilidosas da Vó Glória, mergulhamos no universo de Tolkien numa sexta-feira à noite.


Comprar filmes não era das tarefas mais fáceis. Quem nasceu depois do DVD, não sabe que as Lojas Americanas não tinham essa variedade de filmes como tem hoje em dia. As únicas maneiras de se comprar filmes era quando as locadoras fechavam ou se desfaziam de seu acervo ou quando acontecia uma feira de fitas VHS promovida pela 100% Vídeo e o Shopping CG - antes da franquia abrir sua sede. Minha lembrança é de pelo menos duas dessas feiras, lá nos anos 90, onde pude começar uma modesta coleção de filmes - um dos primeiros títulos comprados foram Jurassic Park e Esqueceram de Mim 1 e 2 (que substituíram uma gravação em VHS que assistíamos quase todo dia quando crianças e, finalmente permitiram conhecer as vozes originais dos atores - mas as falas do filme dublado eu me lembro até hoje).


Filmes que comprei. Infelizmente, a grana estava curta, mas
acho que pude fazer umas boas aquisições.
As maiores locadoras do Brasil nunca chegaram em Campo Grande no auge desse negócio. A própria 100% Vídeo só deu as caras por aqui depois de 2003 (uma estimativa, não consigo recordar com precisão). De vez em quando, alguns donos de locadora me davam aquelas revistas/catálogo e eu conhecia marcas de locadora como A Poderosa ou 2001 Vídeo, mas nenhuma teve sede em Campo Grande. Assim, o fim da 100% Vídeo não mexeu com meu coração como aconteceu com a Héllios Vídeo (eu ainda escreverei sobre a importância dessa locadora, em outra postagem). 

Contudo, não pude deixar de ficar reflexivo enquanto escolhia alguns filmes, seguindo o meu critério pessoal de filmes que eu dificilmente encontrarei numa impessoal porém gratificante baciada das Lojas Americanas. Tenho a impressão de que esta foi a última locadora de Campo Grande. Todas as outras já fecharam suas portas. E para nós, cinéfilos que acompanhamos e frequentamos esses ambientes, não há como não ficar melancólico. 

Estava eu naquele literal mar de filmes, DVDs espalhados por todos os cantos e, enquanto escolhia, me surpreendia com alguns achados, encontrava amigos e calculava os gastos, essas memórias todas me atingiam de maneira fulminante. Tudo que é bom, realmente dura pouco. 

Talvez, eu soe extremamente piegas, mas eu gosto de imaginar o paraíso como uma grande locadora, a mais imensa que você possa imaginar e passar a eternidade perdido por entre suas prateleiras e fitas. 

O acesso que temos ao cinema do mundo todo é maravilhoso. Gosto muito do serviço do netflix e sou assinante. Adoro comprar filmes mais difíceis de achar para compor minha coleção. Mas tenho a impressão que nenhuma dessas coisas conseguirá substituir a magia das boas e velhas locadoras. E não creio que as novas gerações irão desfrutar alguma experiência parecida, como essas descritas. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

terça-feira, 4 de março de 2014

Desventuras de um Cinéfilo 003 - Reflexões, 4 anos de vida e uma nova perspectiva



Em 2014, o blog Midnight Drive-In completou 4 anos de existência. Não houve festas, postagens especiais nem nada disso, pois sei que faço um trabalho irregular – tanto em periodicidade quanto em qualidade. Entretanto, 4 anos merecem ao menos uma reflexão sobre o blog e o editor dele...

Incrível ver como há um reflexo inacreditável da minha vida neste endereço. Nunca quis tornar este ambiente pessoal demais – sempre procurei afastar minha vida pessoal daqui, por não ter aptidão para diários. Assim, esse reflexo que eu cito faz muito sentido para mim, quando resolvo visitar meses passados, antigos textos publicados por aqui.

O ano em que mais críticas foram publicadas foi o ano de estreia – 2010. Este foi um ano incrível para mim, um ano em que conheci pessoas muito especiais que, se ainda não estão em meu cotidiano, fizeram parte dele de uma maneira inesquecível. Guardo com imenso carinho esse período da minha vida, cheio de inspiração e dificuldades. Acreditem, 2010 eu frequentava cursinho pré-vestibular, com aulas de Segunda a Sexta, manhã-tarde-noite. E, apesar desses desafios, foi o ano com mais postagens e com os melhores textos.

O vestibular foi ultrapassado e em 2011 iniciou o período da faculdade. Ao contrário do que eu esperava, nada ficou mais fácil do que era antes. Decepções acumularam-se, expectativas foram quebradas e uma completa falta de inspiração tomou conta de mim. O blog sobreviveu, com muito custo. Mais de uma vez pensei em abandonar o endereço por completo, mas o mantinha por carinho ao primeiro ano de vida do Midnight Drive-In e aos poucos leitores fieis que acompanham essa jornada irregular.

O fim de 2013, mais especificamente no mês de dezembro, foi um período realmente magnífico. Houve um resgate daquela inspiração original, uma nova vontade de impulsionar o blog para o patamar dos gigantes. Lógico que essa renovada tem uma causa bastante específica, cujos detalhes não vou esmiuçar por aqui. Contudo, foi neste período que conheci uma pessoa maravilhosa, que pretendo levar para o resto da minha vida, bem do meu lado. Nada como alguém que te oferece água após a travessia de um deserto muito longo – uma travessia solitária e sofrida, que parece ter chegado ao fim.

Estamos no presente. O Midnight Drive-In tem 4 anos de existência. Eu não vou lhes preencher de promessas sobre postagens regulares ou novas sessões no blog (apesar de ideias me surgirem de tempos em tempos). Contudo, vou lhes dividir a esperança que tenho de um futuro para este blog, que ainda me diverte e me distrai. Planejar é bom, mas o acaso me surpreende também.

Um exemplo do acaso em minha vida: recentemente, fiz uma viagem para a Inglaterra – minha primeira. A programação e os preparativos não foram dos melhores, como eu imaginava para uma primeira jornada ao velho continente. Entretanto, fiz a viagem e tive momentos inacreditáveis. Um dia antes de voltar para o Brasil, comprei um dvd com 4 filmes de ficção científica por 50 pences (os centavos deles). O preço absurdamente barato foi o que me fez comprar, pois, em minha mente, não conseguiria ver os tais filmes no Brasil, pois as regiões são diferentes... O que eu tinha esquecido é que tenho um aparelho que toca todas as regiões de dvds, além de qualquer sistema – NSTC ou PAL. Acabei deixando filmes espetaculares por um descuido bobo (compensado com a compra de uma edição da Rue Morgue – sou apaixonado por revistas, e quando elas são de filmes de terror, tudo melhora exponencialmente).


 Essa anedota me mostra como uma nova perspectiva surge diante de mim. As coisas ainda não estão em seus devidos lugares em minha vida pessoal. Entretanto, há uma luz no fim do túnel, uma esperança e uma vontade de continuar essa aventura. Existe um motivo e uma das poucas pessoas que lerão esse texto saberá exatamente que ela é o motivo.

Quanto aos meus queridos leitores, saibam que o Midnight Drive-In continuará por aqui, como um amável zumbi. E que venham muitos anos, postagens e filmes em nosso futuro.