Pequena sessão de alguns filmes, encontrados só em VHS (pelo menos no Brasil), que eu procuro para acrescentar a minha filmoteca. No momento, apenas sou um saudosista e entusiasta desse formato, mas é bem possível eu começar uma coleção muito em breve.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
SBT é o melhor canal de filmes da televisão
Você já assistiu o novo anúncio do SBT, estreando Celso Portiolli e Maisa, anunciando os "novos" filmes que estrearão no canal, em breve. É incrível e é a cara do canal, especialmente pela caretice do texto e por não se levar a sério. Sílvio Santos e cia sempre entenderam a não tão simples missão de ser um entretenimento, especialmente em tempos atuais de televisões conectadas a internet. Dá uma olhada nesse anúncio:
Tem seleção mais genial do que essa? Vamos lá: Steven Seagal em Sniper: Operações Especiais; Wesley Snipes em Jogo de Morte (já resenhado por aqui); Tremors 5; O Homem dos Punhos de Ferro 2 (não gostei muito do primeiro, mas quem sabe esse me agrada, principalmente pela falta de expectativa).
Talvez o leitor pense que eu esteja sendo irônico, mas não é o caso. Afinal, trata-se de uma seleção de filmes de baixo orçamento, com probabilidade alta de serem filmes fracos e de qualidades questionáveis. Porém, eu sou um cinéfilo que adora ver um filmeco de vez em quando. E considero genial essa seleção principalmente por ser inesperada: enquanto a globo tenta emplacar na sua Tela Quente blockbusters que todos nós já assistimos nos cinemas (ou aqueles filmes, divididos em aguadas minisséries, uma prática realmente lamentável) o SBT caminha na contramão, mostrando aquele setor da locadora que os mais assíduos sempre frequentaram, escapando da estante de lançamentos e alugando aquela fita de Top Tape, América Vídeos, Califórnia Filmes ou Flashstar! Sempre com filmes menores e possibilidades infinitas de você se surpreender.
Caminhamos, atualmente, em trilhas cada vez mais óbvias. As pessoas fazem maratonas de série no Netflix, porque não tem paciência para acompanhar um episódio por semana. O medo estúpido dos spoilers reflete essa marcha desconjuntada, o medo de se perder um mísero fiapo de surpresa num jogo de cartas marcadas. Quantos trailers recentes não pecam ao revelar uma enorme quantidade da trama, para tentar captar a atenção do público, em dois eternos minutos para uma geração que se emociona apenas por alguns segundos.
Essa margem de surpresa é obtida com larga vantagem pelo SBT. Vejamos nas duas últimas semanas. No dia 22 de Janeiro, foi exibido o ótimo Rumble In The Bronx (Arrebentando em Nova Iorque) de 1995 - o filme que apresentou e levou Jackie Chan até uma carreira em Hollywood. Trata-se de um divertidíssimo exemplar de ação, um belo cartão de visitas do incrível artista marcial, pontuado com humor, muita pancadaria e incrível trabalho do astro, notório por fazer suas próprias cenas de ação. Como foi divertido sentar numa terça-feira a noite e me divertir com Jackie Chan descendo a pancada em bandidos obviamente ruins.
E no dia 29 de Janeiro, qual não foi a surpresa ao saber que o ótimo Assassinos Substitutos de 1998 seria o filme da noite! Assassinos Substitutos! Era um daqueles filmes que eu me lembrava até da aparência do VHS, porém não lembrava nada da história. E que filme divertido, com o magnético Chow Yun-Fat dividindo a tela com a gata Mira Sorvino numa trama fechadinha, sem muitas firulas, mas com ótimas cenas de ação, trilha cheia de techno, tudo com uma baita cara de anos 90, tornando a experiência melhor ainda.
E estes são exemplos deste ano, mas posso comentar aqui muitos outros episódios em que o SBT foi decisivo para alimentar minha cinefilia. Lembro-me de quando minha mãe viajava a trabalho de onibus e meu pai a levava até a rodoviária. Ele sempre pedia para eu ficar acordado, aguardando a chegada dele, para observar o portão de casa. Num desses dias, eu assisti Drunken Master 2, talvez o melhor filme de Jackie Chan, com a provável melhor cena de luta de todos os tempos (assista aqui). Foi após aquela sessão que comecei a me interessar por filmes de artes marciais chineses (isso será papo para outro texto).
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| Imagem retirada do excelente blog VHS O Ultimo Reduto |
Houve também um episódio de noite de ano novo, após uma ceia deliciosa preparada pela minha mãe, ligamos a televisão. Na globo era exibido o show da virada da filial de nosso estado (Mato Grosso do Sul), com uma artista local que emulava aquelas cantoras de axé - abaixo de uma chuva torrencial e a imagem de qualidade questionável. Resolvi colocar no canal 8 e, para minha enorme surpresa, estavam exibindo Willow, Na Terra da Magia, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, parte importante da minha infância e da minha vida, graças a uma fita que papai gravara também com Esqueceram de Mim e alguns episódios do desenho De Volta Para o Futuro. Foi um início de ano maravilhoso.
Agora, já adulto, o SBT insiste em me surpreender e querer fazer parte da minha vida. E estou disposto a conceder isso - toda semana eu vou olhar a programação de filmes do canal. E tenho certeza de que terei mais bons momentos como fã de cinema para colecionar, ao lados de todos esses que eu comentei e outros tantos que me marcaram ao longo da vida.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Desventuras de um cinéfilo 004 - O Fim das Locadoras
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| Fonte: Campo Grande News |
Dia desses, tendo acabado de voltar de uma viagem para São Paulo e, por esse motivo, um tanto ausente das redes sociais, descobri que a sede da locadora 100% Vídeo estava fechando as suas portas e vendendo todo seu acervo. Uma oportunidade ótima para se aumentar a coleção mas não há motivo para celebração alguma...
Eu sempre fui um cara completamente apaixonado por locadoras e esse era O passeio da minha infância. Antigamente, antes do advento do DVD (que eu já enxergava com olhos desconfiados), as locadoras reinavam com suas fitas, seus lançamentos e a disputa pelo aluguel dos mesmos. Era comum a sexta-feira à noite ser reservada para uma visita numa locadora, para escolhermos filmes do final de semana.
Mas, nós já sabemos o que aconteceu: internet banda larga, download de filmes, preços absurdos, netflix e todos os fatores que culminaram no fechamento em massa das locadoras. As primeiras a morrer foram justamente as melhores: locadoras de bairro, com acervo antigo, maior parte em fita VHS, começaram a vender seu acervo e fechar as portas. Lembro-me, nitidamente, de um dia que fui com meu querido tio Dario numa dessas locadoras, lá pelo ano de 2004. Como criança, ainda não tinha dinheiro para torrar nesse tipo de coisa, por isso adquiri apenas um filme, a VHS de O HOMEM SEM SOMBRA (ainda era um garoto no mundo do cinema...), enquanto meu tio adquiriu o sensacional A NOIVA DE RE-ANIMATOR. Foi uma tarde inesquecível...
Mais tarde, as grandes locadoras começaram a vender seu acervo em VHS. Aqui em Campo Grande, tínhamos uma rede de locadoras chamada Héllios Vídeo, que frequentávamos assiduamente. Numa tarde, eu e o mesmo tio, companheiro das melhores aventuras, fomos fazer umas comprinhas e eu levei oito filmes, que precisei esconder no caminho de ônibus para casa, porque sabia que minha mãe não ficaria muito satisfeita. Meu tio, cúmplice, usou sua mochila para disfarçar as fitas. Minha sorte é que naquele dia haveria uma reunião de um grupo de budistas em minha casa e pude contrabandear os filmes para o meu quarto enquanto minha mão organizava a tal reunião.
Nessa época, uma anedota particularmente agradável foi quando eu e minha irmã fomos visitar minha avó e meu tio e ele conseguira locar a disputada fita dupla d'O Senhor dos Anéis, dublada. Com um X-Tudo especialmente preparado pelas mãos habilidosas da Vó Glória, mergulhamos no universo de Tolkien numa sexta-feira à noite.
Comprar filmes não era das tarefas mais fáceis. Quem nasceu depois do DVD, não sabe que as Lojas Americanas não tinham essa variedade de filmes como tem hoje em dia. As únicas maneiras de se comprar filmes era quando as locadoras fechavam ou se desfaziam de seu acervo ou quando acontecia uma feira de fitas VHS promovida pela 100% Vídeo e o Shopping CG - antes da franquia abrir sua sede. Minha lembrança é de pelo menos duas dessas feiras, lá nos anos 90, onde pude começar uma modesta coleção de filmes - um dos primeiros títulos comprados foram Jurassic Park e Esqueceram de Mim 1 e 2 (que substituíram uma gravação em VHS que assistíamos quase todo dia quando crianças e, finalmente permitiram conhecer as vozes originais dos atores - mas as falas do filme dublado eu me lembro até hoje).
| Filmes que comprei. Infelizmente, a grana estava curta, mas acho que pude fazer umas boas aquisições. |
As maiores locadoras do Brasil nunca chegaram em Campo Grande no auge desse negócio. A própria 100% Vídeo só deu as caras por aqui depois de 2003 (uma estimativa, não consigo recordar com precisão). De vez em quando, alguns donos de locadora me davam aquelas revistas/catálogo e eu conhecia marcas de locadora como A Poderosa ou 2001 Vídeo, mas nenhuma teve sede em Campo Grande. Assim, o fim da 100% Vídeo não mexeu com meu coração como aconteceu com a Héllios Vídeo (eu ainda escreverei sobre a importância dessa locadora, em outra postagem).
Contudo, não pude deixar de ficar reflexivo enquanto escolhia alguns filmes, seguindo o meu critério pessoal de filmes que eu dificilmente encontrarei numa impessoal porém gratificante baciada das Lojas Americanas. Tenho a impressão de que esta foi a última locadora de Campo Grande. Todas as outras já fecharam suas portas. E para nós, cinéfilos que acompanhamos e frequentamos esses ambientes, não há como não ficar melancólico.
Estava eu naquele literal mar de filmes, DVDs espalhados por todos os cantos e, enquanto escolhia, me surpreendia com alguns achados, encontrava amigos e calculava os gastos, essas memórias todas me atingiam de maneira fulminante. Tudo que é bom, realmente dura pouco.
Talvez, eu soe extremamente piegas, mas eu gosto de imaginar o paraíso como uma grande locadora, a mais imensa que você possa imaginar e passar a eternidade perdido por entre suas prateleiras e fitas.
O acesso que temos ao cinema do mundo todo é maravilhoso. Gosto muito do serviço do netflix e sou assinante. Adoro comprar filmes mais difíceis de achar para compor minha coleção. Mas tenho a impressão que nenhuma dessas coisas conseguirá substituir a magia das boas e velhas locadoras. E não creio que as novas gerações irão desfrutar alguma experiência parecida, como essas descritas.
domingo, 8 de março de 2015
Resgatando As Maravilhosas Artes Das Fitas VHS
Navegando pelo ótimo site Dread Central, encontrei uma notícia anunciando o lançamento de um livro muito bacana. Trata-se de VHS Video Cover Art (capa ao lado), um compêndio de mais de 200 capas de fitas, em escala completa, resgatando o saudoso universo das locadoras e das surpresas que suas prateleiras nos reservavam.
Sem reservas quanto a gêneros ou estilo da capa, o organizador do projeto é ninguém menos que o artista Thomas Hodge - o artista por trás dos maravilhosos designs de pôsteres da empresa The Dude Designs - confira o portfólio dele aqui. Vou dar um jeito de adquirir essa belezinha, mas enquanto isso deixo um preview aqui para babarmos e relembrarmos com nostalgia da magia época das fitas VHS.
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