segunda-feira, 9 de março de 2026

Pôster: Backrooms (2026)

 


Acho curioso como as lendas da internet (as conhecidas Creepypastas) geram mais desconforto que a imensa maiorias dos últimos filmes de terror lançados nos cinemas (especialmente em circuito comercial). Um vídeo bizarro do Youtube de Analog Horror tem um efeito similar em minha mente ao saudoso hábito de locar fitas desconhecidas ou ao se deparar com um filme incomum na televisão. Oriundo de um curta-metragem espetacular (assista aqui), BACKROOMS é um daqueles filmes que me deixam pensando se será saudável assistir numa tela gigante de cinema, principalmente considerando o efeito do material original em mim. Acho que esse eu não posso deixar passar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Corra que a Polícia Vem Aí! (The Naked Gun, 2025)

Se um dia eu imaginasse, ao longo desses últimos anos, que o filme que me levaria a retomar este blog (sendo retomar uma palavra bem deslocada, considerando que é apenas uma postagem, depois de um longo tempo), nunca cogitaria que seria um reboot da franquia CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Mas, sinceramente, até que faz sentido.

Pare pra pensar: há muito se observa uma grande decadência das comédias nas salas de cinema; um gênero cuja parte do sucesso vem através do exagero e dos riscos da ofensa, acabou afundando no tsunami politicamente correto que abarcou o mundo todo, atingindo, principalmente, o mundo do entretenimento. Óbvio que o humor ainda estava presente em vários filmes, mas você consegue se lembrar da última pura e simples comédia que, porventura, você tenha assistido numa telona?

Procurando deixar quaisquer narrativas de lado, minha impressão pessoal é de que a comédia andou muito tímida ao longo dos últimos anos. Existia, naturalmente, o humor, numa penca de filmes, mas o besteirol puro e simples, sem amarras, daquele tipo que te deixa constrangido, chocado e chacoalhando o corpo com risadas - realmente não me recordo do último grande lançamento nesse estilo.

Por isso, até que faz sentido eu sair do meu comodismo, preguiça e procrastinação para dizer que eu me diverti bastante com esse reboot. Bastante mesmo!

Veja bem, não é um filme perfeito e tem alguns momentos realmente esquisitos e constrangedores num sentido ruim para comédias (quando só é esquisito). Mas eu não posso deixar de celebrar o esforço em se buscar aquele mesmo espírito anárquico, as piadas imbecis e até uma porção de tiradas inteligentes e homenagens bem sacadas (como a cena em que os personagens atuais - filhos dos personagens da trilogia original - fazem uma homenagem aos seus pais numa espécie de altar dentro da delegacia, incluindo uma esperta referência ao personagem interpretado pelo O. J. Simpson no passado).

Outro trunfo é a escalação de Liam Neeson como Frank Drebin Jr - ele está ótimo no papel, mantendo a cara séria que o Leslie Nielsen fazia e tornava tudo mais engraçado. No caso do irlandês, o fato de estarmos tão acostumados com ele fazendo papel de vingador inclemente torna hilário vê-lo falando bobagens sozinho dentro do carro da polícia ou sofrendo com uma dor de barriga quando aborda um suspeito no trânsito. Além disso, se tem uma coisa que eu gosto nesse filme são os diálogos cheio de duplo sentido - imagino que realizar a dublagem de um filme assim seja bem complexo.

Também gosto muito das performances de Pamela Anderson, Paul Walter Hauser (surpreendentemente contido) e Danny Huston (ator pouco lembrado em conversas cinéfilas e sempre muito eficiente nos seus papeis). Minha impressão é de que todos eles conseguiram entender o tom de atuação numa comédia desse naipe - não são necessárias caras e bocas, porque os diálogos e as situações já são "nonsense" o suficiente.

 E por falar em "nonsense", preciso comentar sobre o ponto que menos me agradou no filme: seu ritmo. Pra começo de conversa, os oitenta e cinco minutos do filme são um alívio num mundo onde uma grande parcela dos maiores lançamentos ultrapassam, desnecessariamente, as duas horas de duração. Contudo, em CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ temos uma bizarra sequência envolvendo um boneco de neve que, mesmo durando parcos cinco minutos, é tão deslocada e estranha que afeta consideravelmente a pegada do filme. A partir dela, há alguns lampejos de boas ideias, mas o filme parece literalmente correr (perdoem o trocadilho) para a resolução do plano boboca do vilão (que não faz o menor sentido e é requentado de outras obras, como o primeiro Kingsman). 

Mesmo assim, o saldo é positivo. Precisamos de mais filmes como CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Precisamos rir mais, precisamos do exagero de Hollywood, de atores que não se levam tão a sério, de riscos narrativos; talvez eu esteja exagerando ao considerar um reboot como um projeto de risco, mas no mundo atual de ofendidos de plantão, há alguma coragem em resgatar um besteirol clássico. Adoraria ver uma continuação deste aqui. 

sábado, 19 de outubro de 2024

Pôster: Karate Kid Legends (2025)



Juro para vocês: considerei por muito tempo que essa produção era boato, quase uma fanfic para os fãs mais entusiasmados da série Cobra Kai (eu me incluo entre eles, aliás). Contudo, eis aí um pôster maravilhosamente anacrônico, uma overdose "synth" anos 80 que consigo enxergar, com certeza, nas saudosas locadoras e seus neons refletidos em vidros chuvosos. A temporada dos filmes mais esperados de 2025 já começou.

segunda-feira, 11 de março de 2024

Oscar 2023 - Encerrando ciclos e alimentando a esperança


Um pouco mais cedo, na última noite, estava desanimado em "sintonizar" (no caso, abrir o Streaming da antiga HBO) o Oscar exibido na TNT - os tempos mudaram e, nem sempre, para melhor. Nos últimos anos, tivemos cerimônias longas, enfadonhas, lotadas de liçõezinhas de moral, com pouco espaço para os filmes de fato. Qual não foi minha surpresa quando me peguei sorrindo ao anúncio de Oppenheimer como Melhor Filme, conduzido por um Al Pacino meio alquebrado no palco que apenas anunciou o vencedor.

Me surpreendi com uma edição mais ágil da festa e um senso de justiça na distribuição dos prêmios, além de algumas boas surpresas. Vejamos:

- Oppenheimer foi o melhor filme do ano e certamente mereceu todas as outras categorias que conquistou - pessoalmente, eu gosto muito do Christopher Nolan e adorei seu discurso sóbrio. 

- Os filmes certos saíram com pelo menos um prêmio: American Fiction, Barbie, The Holdovers, Anatomy Of a Fall e Poor Creatures foram laureados. Killers Of The Flower Moon e O Maestro saíram sem prêmios (sem nenhuma surpresa, a meu ver).

- O cinema japonês foi celebrado com as premiações dos filmes O Menino e a Garça e Godzilla Minus One - Sim, um filme do Godzilla finalmente recebeu um Oscar!

- Foi muito legal ver alguns atores na cerimônia: Danny DeVito, Arnold Schwarzenegger (achei ele bem envelhecido), Michael Keaton (e os três tiveram uma divertida interação), Catherine O'Hara (ecos do vindouro Bettlejuice),  Nicolas Cage (sua apresentação do Paul Giamatti foi ótima), Jessica Lange e John Cena.

- Uma boa lembrança na cerimônia sobre o trabalho dos dublês. Apesar do clipe ter sido curto, eu adoro quando o Oscar celebra o mundo do cinema em todas as suas vertentes. Como é bom ver um trechinho de Police Story passando na tela do palco. 

E não posso deixar de comentar, num parágrafo separado, a eletrizante apresentação de Ryan Gosling com a sua música "I'm Just Ken" - possivelmente a melhor apresentação musical que eu já assisti num Oscar. Tudo foi perfeito ali: a atuação e desempenho vocal de Gosling, o figurino, o elenco de dançarinos, a presença do Slash, a interação do intérprete com outros atores e com a câmera - muito marcante e um grande símbolo de uma temporada de filmes marcada por uma vibrante originalidade e um atrofiamento de certas fórmulas bem gastas em Hollywood. Torço para que esta tendência continue.

Mais do que comentar sobre alguns pontos negativos, na verdade me pego pensando sobre o que o ano de 2024 reservará para o cinema e até para as próximas premiações. Realmente, torço para uma temporada de boas surpresas e, especialmente, bons filmes, com aquela, por vezes, antiquada missão, de entreter seu público. É só isso. E, nesse sentido, o Oscar certamente cumpriu sua função.