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domingo, 11 de março de 2018

All Things Must Pass: The Rise and Fall of Tower Records (2015)


Existe uma ideia um tanto assustadora, cuja visita vem me assombrando pelos últimos dias: talvez, a felicidade só exista por alguns ligeiros momentos, eclipses de contentamento numa existência marcada, essencialmente, pelo desafio de se viver. É um pensamento aterrador, se você parar para pensar: vive-se uma semana - 168 horas - por alguns minutos que ficarão guardados como especiais para o restante da vida...


Isso desperta uma miríade de sensações e resoluções. Talvez por isso eu venho sentindo essa dor invisível e inexplicável, frente à rotina do meu cotidiano e as perspectivas distantes de resolução. É um incômodo, um desconforto difícil de se aquietar. 

É por essa razão que eu reservo certos filmes para situações críticas como esta. À primeira vista, pode parecer que ALL THINGS MUST PASS é um filme bastante representativo do colapso das lojas de discos e, consequentemente, da venda de música após o advento da Internet. Logicamente, o documentário é sobre isto também e seu epílogo melancólico reforça essa tragédia. 


Entretanto, a ascensão da Tower Records, uma mega cadeia de loja de discos dos Estados Unidos (com sedes distribuídas por todo mundo, incluindo o Japão), é uma história linda para qualquer pessoa que já tenha se emocionado só de entrar uma vez na vida numa loja de discos de verdade (e não uma loja de departamento que também vende música). Afinal, uma das minhas fantasias ou sonhos sempre será ser dono de uma loja de discos. 

Russ Solomon, o criador deste pequeno império, revela, ao longo da projeção, todas as facetas de um empreendedor - a euforia do lançamento da loja, os riscos e o sucesso da Tower até a dura queda sofrida nos anos 2000. Ainda assim, o que percebo nas falas e feições de Russ é um sujeito que teve um grande privilégio, conquistado pelo próprio mérito de ter escolhido a vida que ele queria ter vivido - uma característica que sempre me atrai para estes tipos de documentários ou biografias. 

Muito maior do que o nicho Documentário Sobre Música pode abranger, ALL THINGS MUST PASS é um belo exemplar da necessidade de empreendermos pelo que acreditamos. Um dos slogans mais emblemáticos desta mítica loja era o dramático (porém verdadeiro) No Music No Life. Suponho que para este filme, eu adaptaria esse slogan para NO DREAMS NO LIFE.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

CD Review: Anders Manga - Hexed (2015)

Bela capa também emulando a atmosfera misteriosa e mágica
do cinema de horror dos anos 70 e 80.
Uma revisão de cd? Como assim!? O Midnight Drive-In não é mais um blog de cinema? O que está acontecendo???

Calma, querido leitor. O Midnight Drive-In continua como um blog de cinema e esta é uma inédita revisão especial de um álbum. Mas não é um álbum qualquer: trata-se do mais recente trabalho de um artista chamado Anders Manga, que compôs uma Pseudo Trilha-Sonora como ele próprio denominou - composições e temas originais de um filme que não existe!

E o artista bebe nas melhores fontes possíveis: o cinema de horror dos anos 70 e 80 e suas trilhas inesquecíveis, principalmente as dos maravilhosos Eurohorror - Goblin, Fabio Frizzi e John Carpenter são referências claras em seu trabalho.

É possível enxergar, tranquilamente, a coesão entre os temas, permitindo o exercício criativo de imaginar um filme dessa época, com a atraente aura que encanta fãs desse tipo de cinema. Durante toda a audição, permaneci num misto de transe e nostalgia, encantado com as misteriosas músicas. 


Um trabalho fantástico, que mantém a pegada durante quase toda a sua duração (as últimas três faixas destoam um pouco das incríveis músicas iniciais). E o mais bacana é que o álbum pode ser baixado gratuitamente no link abaixo do bandcamp. Aperte o play e aproveite a viagem!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Desventuras de um Cinéfilo 005: Sobre David Bowie


"I always had a repulsive need to be something more than human"

Eu ainda estou em choque. Ontem faleceu um dos artistas mais geniais que já tivemos a honra de apreciar na história da humanidade. Eu não consigo imaginar um mundo sem a existência desta verdadeira entidade, que tocou nossas vidas tão profundamente com suas criações (no campo da música, cinema, artes em geral).

Esse cd fez parte da minha formação como
ser humano... 
Minha história com David Bowie iniciou-se lá em 1997, época em que eu ouvi minha primeira música dele. Meu pai acabara de voltar de Londres com alguns poucos cds em sua mala e um deles era esse álbum duplo do David Bowie, que anos mais tarde fui compreender que se tratava de uma coletânea de singles. 

Não me lembro da ocasião em que ouvi, mas lembro que a primeira música que eu ouvi foi "Heroes" e eu amei aquela música desde o primeiro instante que a ouvi. Tive diversas fases com diferentes canções favoritas (recentemente, redescobri Life on Mars), mas "Heroes" persiste como aquela música que sempre vai me fazer chorar, todas as vezes que tocar.

Cheguei a me aventurar em vários discos do Bowie e sempre me considerei um admirador. Era um daqueles artistas que tomam posse de uma parte de seu coração, e você não repara, mas você percebe que sua criação faz parte de você todas as vezes que a música toca ou o filme passa na tv. E aí, no conforto de uma rotina, de um mundo de mesmice, vem uma notícia devastadora como essa.

Acompanhei a repercussão, as homenagens, os especiais nos sites de notícia, ouvi alguns cds dele, comprei um livro sobre ele e ainda senti um vazio imenso. Ainda sinto esse vazio hoje. 

Mas a morte também desperta coisas maravilhosas. É incrível o que passamos a enxergar quando perdemos algo ou alguém valioso para nós. E, no meu caso, além de toda obra sublime que ele produziu, todas as músicas dele que eu não escutei, os vários filmes dele que não assisti, fica a reafirmação de meu maior sonho: o desejo de produzir uma obra que toque as pessoas, assim como aquilo que este homem vez - uma vida plena, completa, linda, cheia de erros e acertos e a melhor experiência que qualquer ser humano possa ter. 

Várias pessoas escreveram seus tributos, todos brilhantes e incríveis. E eu compartilho a opinião de que a partir de hoje, todas as vezes que eu olho para o céu, sei que estarei de alguma maneira contemplando essa estrela que tivemos a sorte de acompanhar, apreciar e viver perto de seu brilho. E não há nada no mundo que apague isso em mim. Nada.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Semana Melhores do ano: Os melhores Álbuns de 2015

Além de cinema e literatura, as músicas também são indispensáveis para minha vida, me salvar daqueles momentos mais chatos do cotidiano. Por incrível que pareça, é provável que esta seja a mídia que eu acompanhe com mais frequência, pela praticidade de ouvir uma música realizando outras atividades. Logicamente que a apreciação de uma música deveria ser mais especializada, mas todos estes álbuns listados se destacaram durante aquele momento inesperado do dia, durante o estudo, um descanso ou lavando a louça. Vamos citar 20 menções honrosas e partiremos com textos curtinhos dos dez melhores.

Menções Honrosas (por ordem alfabética): Adult Mon (Momentary Lapse of Happily), Brandon Flowers (The Desired Effect), Collen (Captain Of None), Editors (In Dream), Enforcer (From Beyond), Enya (Dark Sky Island), Grave Pleasures (Dreamcrash), Grimoire (L'aorasie Des Spectres Rêveurs), Hop Along (Painted Shut), John Carpenter (Lost Themes), Leprous (The Congregation), Majical Cloudz (Are You Alone), Meg Baird (Don't Weigh Down the Light), Protomartyr (The Agent Intellect), Real Lies (Real Life), Royal Headaches (High), The Slow Show (White Water), Tribulation (The Children Of The Night), Ulvesang (Ulvesang) e White Reaper (White Reaper Does It Again).

10 - Sufjan Stevens - Carrie And Lowell
Campeão nas listas de final de ano, o último cd do cantor é uma tempestade sentimental e emotiva, ao som de violão e interpretações a altura de suas letras. O típico cd que valia a pena parar o que se estava fazendo para prestar atenção no que estava escutando. Lindo demais.







9 - The Maccabees - Marks To Prove It
Esse foi meu representante do ano para banda inglesa de alternative/indie rock. Refrões pegajosos para serem cantados a plenos pulmões voltando dos plantões noturnos. E assistir a apresentação ao vivo desses camaradas alimentava minha fome de shows que precisa ser saciada em 2016.






8 - The Decemberists - What A Terrible World, What A Beautiful World
Um dos primeiros álbuns que escutei este ano e um dos melhores. Grande parte das músicas me agradaram e ficaram na minha cabeça durante o ano inteiro. Uma agradável trilha sonora para os dias de sol em Campo Grande.






7 - Motorama - Poverty
Essa banda russa vem se firmando como uma das minhas favoritas surgidas nos últimos dez anos. O gênero post-punk é o meu favorito e, neste cd, eles repetem a fórmula do segundo cd, com canções mais dançantes e menos chuvosas. Parece a trilha perfeita para amigos numa noite chuvosa.






6 - FFS - FFS
Apesar de separadas por décadas, a união do Franz Ferdinand com o Sparks provou-se como uma das parcerias mais coerentes, criativas e vibrantes que eu já assisti. Músicas altamente dançantes e divertidas, aquele típico cd que me fez pular pela casa sozinho, com as pessoas olhando incrédulas para uma festa abafada em meus fones de ouvidos.





5 - Desperate Journalist - Desperate Journalist
Escutar o debute dessa banda era como me transportar para a Londres dos anos 80, na beira do palco de uma banda prestes a explodir, entrando em sintonia com a música deles. Tipo o The Cure com vocal feminino...








4 - Father John Misty - I Love You, Honeybear
Resisti ao hype por um tempo, mas assim que cedi, fiquei muito impressionado com todas as qualidades do cd. Realmente, um álbum maravilhosamente romântico e inteligente, impressionante e extremamente pegajoso. Você percebe como a obra mexeu contigo quando você conhece algumas letras difíceis de cor.






3 - Algiers - Algiers
A sensação que eu tive ouvindo essa maravilha era a de entrar numa igreja gospel gótica, comandada por um pastor furioso e seus cânticos infernais. Maravilhoso cd de estreia, extremamente original e que ficou em repeat no carro por um bom tempo. Já quero ouvir material novo dos caras.







2 - Faith No More - Sol Invictus
Por que vocês demoraram tanto pra lançar um cd novo? Sério, que trabalho espetacular dos caras, nem parece que tinham se separado. E foram 18 anos para lançarem um cd novo. Esse trabalho intensificou ainda mais meu arrependimento por não ter ido ao show dos caras no saudoso SWU. Tomara que não demore novas décadas para ouvirmos novos cds do Fatih No More.





1 - Viet Cong - Viet Cong
Sério, esse foi o cd mais incrível que eu escutei esse ano. Ele é opressivo, parece que estão tocando os instrumentos com barras de ferro numa fábrica abandonada. Música para ecoar no concreto e rachar paredes com suas guitarras rasgadas e baixo e bateria demolidoras. Post-punk moderno e inteligente que honra e explica o termo perfeitamente: a desilusão do pós-everything com a agessividade. Não entendeu? Eu acho que nem eu entendi também o impacto desse cd em mim. Vá correndo escutar essa maravilha moderna!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Para os leitores deste blog: uma explicação e uma música

Para os fiéis leitores e amigos deste blog, peço desculpas pela falta de postagens. Após um longo período de provas (que tomou meu mês de novembro inteiro), meu computador quebrou. Pois é, falta de sorte nunca me faltou nesta vida. Acho que só conseguirei retomar o meu antigo ritmo de postagens no mês de janeiro. Até lá, sofreremos juntos com poucos textos...

O pior é que estou numa leva bacana de filmes assistidos; comprei vários filmes, assisti muitos outros. Com o comptador ok, postarei sobre todos eles, com certeza. Assisti algumas belezinhas como As Sandálias do Pescador, This is England e lixos como O Senhor das Moscas e Corrida Mortal (todos terão suas devidas críticas, em breve, creio eu). Foi bastante diversificado.

Enfim, estou com pouco tempo para escrever, por isso posto um vídeo da minha banda preferida, Manic Street Preachers. Trata-se de uma música com a participação do vocalista do Echo and the Bunnymen. Escutem-na. Musicão...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

John Lennon (70 anos)

Uma pequena homenagem de minha parte a este grande artista, inigualável e insuperável. Não há dúvida que seu legado resistirá para sempre. Obrigado por tudo, John!

domingo, 3 de outubro de 2010

Manic Street Preachers - (It's not War) Just the End of Love

A Minha banda preferida chama-se Manic Street Preachers. Eles lançaram um novo álbum, chamado Postcards from a Young Man (crítica da renomada revista britânica Nme, aqui). Posto aqui, o novo clipe deles, um duelo de xadrez entre um homem e uma mulher. Trata-se de um videoclipe muito bem feito, em plano-sequência, que conta com a participação do ator galês Michael Sheen, como o enxadrista. Tem o clima da Guerra Fria, quando enxadristas disputavam pela supremacia intelectual de suas nações. Para quem gosta de boa música, gosta de clipes bem feitos e quem conhece o trabalho da banda, trata-se de um vídeo indispensável; o melhor trabalho musical do ano, até agora!

sábado, 27 de março de 2010

'Urbana Legio Omnia Vincit'

''E o teu medo de ter medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão"

Renato Russo - (1960-1996)



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Botinada, a Origem do Punk no Brasil (2006)



Atualmente, é algo extremamente complicado desassociar o cinema da música. Praticamente todos os filmes possuem uma trilha sonora que o auxilia na construção da narrativa, sendo uma ferramenta excepcional para a realização de uma obra cinematográfica. Em Botinada, a Origem do Punk no Brasil, isso não é diferente: nesse documentário, a música é o tema de análise do cineasta Gastão Moreira.

Mas não se trata de qualquer música; estamos falando do Punk, a contracultura que surgiu na esteira da Guerra Fria representando toda a raiva e indignação da juventude da época. O movimento punk influenciou as artes em geral, em especial a música, que serviu de meio de expressão mais recorrente dos ideais punks.

O documentário Botinada foca suas lentes sobre o movimento punk no Brasil, mais especificamente no Estado de São Paulo, durante as décadas de 70 e 80, momento em que as bandas punks tiveram seu auge por aqui. No filme, temos os depoimentos de cantores e outras pessoas envolvidas nessa realidade, que contam as causas, influências e conseqüências do Punk para a modelagem de nossa identidade musical, mais profundamente, da nossa identidade cultural.

O filme tem uma projeção temporal muito direta e eficiente, pois a história é contada através de uma linha do tempo criada de acordo com os depoimentos dos entrevistados. Isso valoriza o documentário significativamente, pois o diretor Gastão Moreira não tenta manipular seus expectadores com uma edição parcial ou outros recursos (como a narração) que tornariam a obra mais tendenciosa. Mesmo assim, Botinada tende para o lado dos punks, mostrando apenas uma versão da história (nesse caso, a versão deles).


Aliás, um dos aspectos mais interessantes da obra são os depoimentos de todos esses roqueiros punks que abusaram e bagunçaram durante sua juventude e, atualmente, vivem vidas ordinárias e simples. Nesse sentido, Botinada assume uma aura melancólica. Vejam bem, eu não estou desmerecendo os caras; ocorre que todos esses jovens tornaram-se os adultos os quais eles criticavam quando na juventude.

Do ponto de vista cinematográfico, Botinada é um valioso registro histórico sobre o turbulento movimento Punk no Brasil. Vale a pena conferir o que, para mim, é o documentário mais interessante já feito em terras brasileiras...

SOBRE A MÚSICA PUNK:

Honestamente, nunca fui um grande fã da música Punk. E, provavelmente, este foi o maior meio de expressão dessa linha de pensamento iniciada durante a Guerra Fria. Como eu simplesmente adoro falar sobre música, esse anexo serve apenas para satisfazer minha vontade de falar um pouco sobre esse gênero musical.

É ficar na superfície se eu der como exemplo de bandas punk The Clash e Sex Pistols. Todavia, essas foram as bandas que tiveram visibilidade mundial. Ambos os grupos foram os responsáveis por músicas que se tornaram referência no gênero rock. Discos como London Calling tornaram-se verdadeiras obras-primas, sem sombra de dúvida.

Porém, o que mais me intrigou em Botinada foi a quantidade de bandas nacionais do gênero. Eu achei que a coisa se limitava ao Ratos de Porão, contudo estava redondamente enganado; são inúmeras bandas brasileiras que inundaram o cenário musical brasileiro durante as décadas de 70 e 80. Abaixo segue uma lista das músicas que tocam durante o decorrer da obra. Destaque para a primeira, "Oi Tudo Bem?", uma verdadeira jóia musical:
  1. "Oi Tudo Bem?" (Garotos Podres)


  2. "Nada" (Olho Seco)


  3. "Pânico em SP" (Inocentes)


  4. "Vivo na Cidade" (Cólera)


  5. "Agressão/Repressão" (Ratos de Porão)


  6. "Festa Punk" (Os Replicantes)


  7. "O Punk Rock não Morreu" (Lixomania)


  8. "Desemprego" (Fogo Cruzado)


  9. "Restos de Nada" (Restos de Nada)


  10. "Trabalhadores Brasileiro" (Espermogramix)


  11. "John Travolta" (AI-5)


  12. "Bem Vindos ao Novo Mundo" (Condutores de Cadáver)


  13. "Câncer" (Hino Mortal)


  14. "Brasil (Desordem e Regresso)" (Rephugos)