quinta-feira, 29 de junho de 2023

Pôster: Hidden Strike (2023)


2023 vem se mostrando como um grande ano para os filmes de ação (algo muito bem observado pelo amigo blogueiro
Ronald Perrone). E aos fãs deste gênero que consomem algo além dos blockbusters, um filme reunindo John Cena (que aos poucos vem melhorando, tanto nos projetos escolhidos quanto nas atuações) e o lendário Jackie Chan só pode causar uma inquietude que beira a excitação. O trailer é divertido e Jackie Chan raramente decepciona. Logo logo, teremos um textinho por aqui. 

sábado, 17 de junho de 2023

Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971)

 

Mais um sábado à noite ocupado da melhor forma possível: com um ótimo filme, diretamente da minha videoteca. Neste caso, temos um DVD do saudoso selo Darkside, distribuído pela London Films, responsável por trazer indispensáveis filmes de terror para nossas coleções. Estou em busca de todos estes filmes para minhas estantes.

Tem uma boa quantidade de resenhas pela internet, em língua portuguesa, de excelente qualidade, revelando detalhes da trama e uma série de curiosidades (algumas mórbidas), sobre essa produção. Destaco os textos dos blogs Reminiscências de Um Lorde Velho, La Dolce Vita e o clássico Boca do Inferno

Para uma produção tão conturbada, acredito que Sangue no Sarcófago da Múmia faz um belo trabalho como entretenimento despretensioso. Uma equipe de egiptólogos acabam amaldiçoados após descobrirem a tumba da rainha Tera, uma diabólica nobre egípcia. Não só os egiptólogos, mas a filha de um deles, a bela Margaret, que guarda uma notável semelhança com a rainha, começa a apresentar um comportamento, no mínimo estranho. 

É preciso destacar Valerie Leon, gata demais no papel, vestindo um biquini egípcio estonteante em alguns momentos. Como ela mesma lamenta no documentário extra que acompanha o DVD, ela se arrependeu de não ter feito a cena de nudez na ocasião.

Não se trata de um filme assustador, mas tem um clima intrigante e algumas extravagantes cenas de maior violência gráfica. Certamente, um bom exemplar, muito acima da maioria dos filmes de gênero lançados atualmente. 


O Perigo Alienígena (Alien Siege, 2005)



Dia desses, sábado à noite, estava atrás de um filme de alienígenas do antigo Sci-Fi Channell (nomeado Syfy, já há alguns anos), despretensioso e, de preferência, cuja produção fosse de antes de 2010. Uma rápida olhada numa das minhas estantes e encontrei este O Perigo Alienígena, no meio dos meus filmes de ficção científica/terror. 

A Universal foi responsável por trazer muita tranqueira boa por aqui, em dvds bem bacaninhas. Lembro que este filme eu comprei há bastante tempo, na saudosa Ewmix, site de uma distribuidora de filme para locadoras que deixou muitas saudades. Uma pena que o mercado atual de filmes está bem morninho (quase morto, para ser honesto) no que diz respeito a lançamentos e filmes dessa estirpe. 

Dessa forma, temos uma sessão de cinema que responde todas as expectativas que eu estava esperando, além de valorizar demais meu colecionismo que, muitas vezes, acaba sendo desestimulado por mil e um fatores. Sentei com um sorrisão para assistir essa "fita" e não me decepcionei nem por um instante. 

O Perigo Alienígena tem uma premissa bem massa: imaginem uma civilização alienígena que resolve estacionar em nossa órbita. Os mesmos demonstram toda sua superioridade tecnológica e referem que sua vinda está relacionada a uma doença que está destruindo seu mundo natal e eles precisam buscar a cura em outras civilizações. Aparentemente, humanos são as cobaias perfeitas e nossos governos resolvem ceder, docilmente, por meio de uma infame loteria, humanos para serem experimentos desses alienígenas.




Com essa premissa bem bacana, misturando uma série de outras tramas já vistas em diversas outras obras, O Perigo Alienígena é um divertido filmeco. Mas, é preciso alertá-los: trata-se de um filme B, cheio de falhas de continuidade, furos de roteiro, personagens com atitudes incoerentes e alguma pobreza na produção. Entretanto, uma vez que você já saiba onde está se metendo e consiga relevar os defeitos mais óbvios, é possível que este tipo de filme consiga te divertir bastante.

Não só isso, mas eu pessoalmente adoro um "Sci-fi Original Movie" - filmes feitos para o canal norte americano de televisão. Eu cheguei a pegar uma época em que a tv a cabo era uma ótima fonte de filmes e, lá pelo começo dos anos 2000, o Sci-fi chegou no Brasil, transmitindo ótima séries como Jornada nas Estrelas, Quantum Leap e Stargate - foi por esse canal que minha irmã se tornou uma trekkie de primeira. E cheguei a assistir alguns divertidos telefilmes do canal (além de adorar o programa Ghost Hunters)...

Percebam que eu gosto de filmes como esse por motivos muito pessoais, mas ainda assim mantenho minha recomendação. Um divertido telefilme, com o ótimo Carl Weathers num papel coadjuvante, cenas de ação que parecem saídas do já citado Stargate e aquela sensação de retomada de ótimas sensações da adolescência. Lamento, amigos, mas não poderia pedir mais em algumas das minhas sessões de cinema.

O Mensageiro (The Postman, 1997)

Uma estranha nostalgia se apoderou de mim quando consegui finalmente colocar minhas mãos neste esquecido filme do senhor Kevin Costner. Eu me lembrava, com aquela confortável saudade, da colossal fita dupla nas prateleiras da locadora, bem como do pôster que me lembrava a arte de um livro, com o protagonista em um sobretudo surrado e o visual mendicante. Estava ciente, porém, das toneladas de críticas massacrantes sobre a obra, mas a nostalgia é sempre mais forte, pelo menos no início.

E bastaram pouco mais de uma hora dos filme, de seus 178 minutos de duração, para que a magia da  nostalgia se dissipasse e todas aquelas resenhas ficasse martelando em minha mente - mais do que opiniões, pareciam avisos proféticos de queridos amigos aos quais desprezei. Curiosamente, apesar de sentir na pele as suas três horas de duração, de alguma forma fui hipnotizado a continuar progredindo naquela história.

Antes de continuar, porém, é preciso citar que de todos os aspectos canhestros deste filme, sem dúvida Kevin Costner leva o caneco como o mais abjeto deles. Seu personagem é um verdadeiro messias, responsável por preservar a cultura, a racionalidade, as comunicações, o civismo, a nação e a civilização. A personagem feminina principal precisa dele para procriar - é mole? Não apenas sobre o personagem em si, mas esse aspecto messiânico tomou conta de toda produção, com Costner dirigindo a obra, empregando seus filhos, atuando no corte da obra... a coisa toda chega a ser inacreditável, especialmente ao se pensar que esse filme veio pouco tempo depois do folclórico Waterworld.

Para quem não lembra, Waterworld foi um filme do Kevin Costner muito conhecido pelo fracasso de bilheteria e as dificuldades em geral da produção. Contudo, ao contrário do filme de 97, Waterworld é divertido e despretensioso, passando até por um justo revisionismo atual (tem uma edição bonitona em blu-ray, lançada há pouco tempo, pela Arrow). 

Nem comento muito na crítica, mas a direção de arte deste filme é um caos!

Afinal, sobre o que é o filme? Costner interpreta um errante num futuro pós apocalíptico que, após encontrar as vestes e a bolsa (intactas) de um esqueleto (!) de carteiro, resolve entregar essas cartas pelas cidades/fortificações que restaram nos Estado Unidos. Sua iniciativa e seu caráter exemplar serão os ingredientes necessários para o renascimento da grande nação americana. 

Basicamente é isso. Tem um vilão interpretado pelo Will Patton completamente esquecível. O Tom Petty aparece fazendo umas gracinhas. E no final do filme, 30 anos depois de encararmos um EUA devastado, a civilização parece ter voltado ao normal, homenageando o protagonista com uma estátua, afinal ele foi o responsável pela salvação da civilização.

Não deixa de ser fascinante toda a ruindade por trás de O Mensageiro. No final das contas, não tenho nenhum arrependimento de ter colocado esse filme na minha coleção, apesar de achar uma pena que o DVD não tenha nenhum extra de bônus. A nostalgia que fica é a dos estúdios hollywoodianos que pareciam ser mais corajosos e financiavam essas loucuras e não as mesmices e babaquices que inundam os cinemas atualmente. 

sábado, 3 de junho de 2023

Desventuras de um Cinéfilo - Algumas reflexões sobre o fechamento de uma Lojas Americanas

 


Uma das Lojas Americanas de Campo Grande encerrou suas atividades durante esta última semana. Só fiquei sabendo porque ontem à noite eu resolvi passar de carro pela 14 de julho e vi a loja fechada às 18:40, sem o seu letreiro. Hoje à tarde, vejo no site O Jacaré a notícia completa a qual transcrevo abaixo para alguns comentários (a ilustração da postagem, aliás, vem da matéria):

"A Lojas Americanas fechou a primeira loja em Campo Grande desde que houve a homologação do pedido de recuperação judicial em decorrência da dívida de R$ 42 bilhões. A empresa ainda desistiu da ação para renovar o contrato de locação por 60 meses com a redução no valor do aluguel no Shopping Bosque dos Ipês.

O fechamento da unidade na Rua 14 de Julho, em frente a Praça Ary Coelho, ocorreu nesta semana. Em todo o País, o grupo fechou 28 unidades. No Estado, a rede tem uma dívida de R$ 29 milhões.

A Americanas ainda conta com cinco lojas na Capital, duas na rua (Dom Aquino e Júlio de Castilho) e três nos shoppings (Campo Grande, Norte Sul e Bosque dos Ipês).

O grupo chegou a ingressar com ação na Justiça para reduzir o valor do aluguel de R$ 23,5 mil para R$ 15 mil no Shopping Bosque dos Ipês e renovar o contrato por mais cinco anos. No entanto, no início de abril, sem informar que houve acordo ou pretende desistir do ponto, a empresa desistiu da ação judicial."

Independente de qualquer aspecto, o fechamento de uma loja é, para mim, sempre algo muito melancólico. Pessoas perderam seus empregos e, pelo menos até que novos comércios surjam no local, perde-se uma referência de onde obter os produtos que ali eram vendidos.

De qualquer maneira, há algum interesse nessa notícia pois eu já frequentei essa Lojas Americanas por um longo tempo, principalmente pela sessão de filmes. Quando esta loja abriu suas portas, eu me lembro de encontrar por ali alguns filmes que não se encontravam com tanta facilidade em outras filiais. Ali eu achei, por exemplo, o box contendo os quatro filmes da série Pânico (numa época em que esse box não era nada fácil de encontrar por aí).

Não tinha a aura nostálgica da primeira Lojas Americanas da cidade, nem a aconchegante localização da loja na Rua Júlio de Castilho, onde tive ótimas surpresas cinéfilas, também. Mas era uma loja com seu charme, com um pé direito pronunciado (perceptível principalmente na área dos caixas) e seu formato em L, com os brinquedos na outra extremidade da loja. A sessão de filmes, inicialmente, ficava no entroncamento desse L, bem iluminada, como um setor a parte da loja. Depois foi transferida para onde ficavam os brinquedos, completamente deslocada, numa área com goteiras (e, consequentemente, alguns filmes danificados), com algumas de suas prateleiras se acotovelando, com pouco ou nenhum espaço para transitar.

Por fim, houve o grande saldão de filmes das Lojas Americanas, quando eles decidiram parar de vender dvds e cds, contribuindo decisivamente para a derrocada do mercado nacional deste seguimento. Óbvio que eu comprei muita coisa ali - saí com sacolas e mais sacolas de filmes, muitos dos quais eu até hoje ainda não assisti. O curioso é que essas compras nunca foram com qualquer euforia infantil, mas sempre com uma ponta de melancolia, por saber que uma era chegava ao fim.

O que me leva a pensar sobre esse fechamento, que certamente tem muitos motivos além da
minha experiência pessoal com a Lojas Americanas. Entretanto, como negar que uma parte de seu público (os colecionadores de filmes) acabou sendo negligenciada com suas decisões, diminuindo a frequência de comparecimento e consumo de outros produtos dessas lojas?

Eu me lembro de me deslocar efetivamente nos domingos de manhã, acompanhado do meu pai ou com minha irmã, para dar uma volta. E sempre saía com algum filminho dali, além de salgadinhos, doces e qualquer outra bobeira da qual, certamente, não tinha nenhuma urgência em comprar mas ainda assim o fazia, afinal "precisava aproveitar a viagem".

Sempre que passo por uma Lojas Americanas, atualmente, eu me lembro da sensação de apenas entrar na loja, ver as novidades dos filmes, reclamar dos preços dos lançamentos e garimpar em suas gôndolas. Se o dinheiro permitisse, sempre saía de lá com algo. Assim, fica alguma sensação de saudade mais vazia, uma sensação de que este fim era inevitável. Não gostaria de ver outras de suas lojas sendo desativadas, mas as portas das Lojas Americanas há muito já se fecharam para mim.