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quinta-feira, 19 de março de 2026

Desventuras de um Cinéfilo: Será que meu desânimo com o Oscar vai durar para sempre?

A melhor coisa deste ano foi a premiação nas categorias de atores principais. E convenhamos que não há melhor forma de se comemorar o Oscar do que ir "destruir" um autêntico podrão!

Acho um tanto assustador olhar para mim ao longo dos últimos anos e perceber como muitas coisas que me preenchiam já não o fazem mais. Eu me lembro de como a noite do Oscar já foi algo importante:  assistir os filmes da temporada, dar os meus "pitacos", torcer e, quase sempre, continuar a sonhar meu sonho mais louco. Aos poucos, porém, tudo isso foi se diluindo a tal ponto de que no último domingo, pelo segundo ano consecutivo, não tive vontade alguma de assistir a cerimônia.

E olha que eu até tentei neste ano - assisti a vários filmes que concorriam e, cá entre nós, tinha até um favorito pessoal cuja chance de vencer era bem remota - Hamnet. Acompanhei as análises em diversos canais do Youtube e até falei bastante sobre isso na minha vida real, muito longe do meu querido e abandonado blog. Mas no fundo, sentia que não conseguia resgatar aquela excitação, aquela vontade de acompanhar e a sensação de pertencimento. Não estava ali.

Foram vários sinais: desde o plano malfadado de acompanhar o anúncio dos indicados enquanto almoçava num local especial (meu carro quebrou justamente no dia), o cansaço ao encarar uma sessão dupla de filmes indicados e ter ignorado todas as premiações anteriores a essa, de forma não planejada - tudo passou voando por mim.

Tenho uma certa desconfiança de onde isso tudo começou: provavelmente após a constrangedora premiação de Melhor Filme de Moonlight, superando o incrivelmente superior La La Land. De uma certa forma, há até algum tipo de beleza cósmica na maneira como isso ocorreu, de forma estranha e inadequada, como algo enfiado goela abaixo, um momento inesquecível a ser esquecido. Maior que a decepção e o choque daquilo foi a sensação de rachadura num certo idealismo que eu tinha sobre a premiação ser sobre a arte do cinema em si.

Sei que isso pode soar como algo meio imaturo, mas o golpe na ocasião foi forte para eu assimilar. Um filme que literalmente me fez sonhar, sair dançando por aí, sedento por esperança e devidamente alimentado com a possibilidade de um dia ser capaz de produzir algo que provocasse tal efeito em outra pessoa foi preterido por uma obra supostamente realista e sensível em aspectos que iam muito além do mundo do cinema. 

Dali em diante, sinceramente, até tivemos bons anos de premiações, excelentes filmes concorrendo ao Oscar, alguns prêmios de fato emocionantes - mas quando me lembro de que é noite de Oscar, aquele momento fatídico de 2017/2018 vem a minha mente.

Como esquecer também o vergonhoso prêmio de Will Smith, que agrediu um colega de trabalho no palco e, depois disso, foi aplaudido como se nada tivesse acontecido? Nenhuma fala, nenhum protesto - simplesmente uma sensação de abuso e conivência da classe artística. O pior de tudo? Após a premiação, foi ligada a máquina trituradora de carreiras de cancelamento, ao invés de se pensar numa justa punição...

A mesma classe que fez beicinho não aplaudindo o diretor Elia Kazan quando levou um Oscar Honorário - a premiada deste ano Amy Madigan, nascida em 1950, puxou um protesto na ocasião, apropriando-se do ressentimento típico daqueles que imaginam o que é uma verdadeira perseguição (ela disse que o pai dela foi vítima do McCarthismo, trabalhando analista político/ jornalista, bem distante da esfera de Hollywood). Nada como a seletividade e estar do lado de uma certa galera, não é mesmo?

Nesse ponto, confesso que me pergunto: e agora? "From despair to where?" Como será no próximo ano?

Confesso que se existe um traço da minha personalidade que luto para não ser apagado é a esperança. Talvez eu ainda fique enfastiado com as campanhas de Oscar iminentemente políticas (vocês devem saber do que eu estou falando), os enfadonhos acenos politicamente corretos e até a torcida contra ou a favor que se forma diante de algo. Contudo, ainda sonho para que Hollywood recupere algo que realmente se perdeu ao longo desses anos: a aura.

A aura é curiosa porque diante da impenetrabilidade dela, há um certo atiçamento, o despertar de um desejo de se sentir pertencente àquilo ou ao menos para se lutar por, quem sabe, um dia, fazer parte daquilo. É como aquela roupa bonita na vitrina, tão perto e tão longe, acessível de maneira fácil ou, na maioria das vezes, difícil. 

Espero não soar mórbido, mas ao longo dos últimos anos, o momento da premiação que mais me aproxima dessa sensação é o In Memoriam; mesmo de forma muitas vezes apressada, canhestra e por vezes esquecendo nomes relevantes, a homenagem aos que se foram, com uma brevíssima lembrança de seus trabalhos nos remete aos grandes filmes que já nos fizeram sonhar e como Hollywood já foi, sim, uma literal fábrica de sonhos.

Enquanto escrevo essas linhas, porém, olho para os últimos 8-9 anos de premiações e vejo alguns grandes filmes: vejo Oppenheimer, Coringa, A Baleia, Parasita, Três Anúncios para um Crime, Green Book, Era Uma Vez em Hollywood, Duna, Nada de Novo no Front, OS Fabelman, Top Gun Maverick, Os Rejeitados... Sim, tivemos alguns grandes filmes prestigiados e lembrados ao longos do tempo.

Acompanharei a Temporada do próximo ano, como sempre faço, aliás. Sei que provavelmente teremos A Odisseia do Christopher Nolan, por lá. Já existem conversas sobre alguns filmes, mas tudo muito precoce. Cá para nós, não tenho nenhuma pressa nisso. Tem tantos lançamentos interessantes neste ano, tanto festival legal por vir... Ainda mantenho meus sonhos, mas no final é mais sobre o caminho do que o destino em si. 


segunda-feira, 11 de março de 2024

Oscar 2023 - Encerrando ciclos e alimentando a esperança


Um pouco mais cedo, na última noite, estava desanimado em "sintonizar" (no caso, abrir o Streaming da antiga HBO) o Oscar exibido na TNT - os tempos mudaram e, nem sempre, para melhor. Nos últimos anos, tivemos cerimônias longas, enfadonhas, lotadas de liçõezinhas de moral, com pouco espaço para os filmes de fato. Qual não foi minha surpresa quando me peguei sorrindo ao anúncio de Oppenheimer como Melhor Filme, conduzido por um Al Pacino meio alquebrado no palco que apenas anunciou o vencedor.

Me surpreendi com uma edição mais ágil da festa e um senso de justiça na distribuição dos prêmios, além de algumas boas surpresas. Vejamos:

- Oppenheimer foi o melhor filme do ano e certamente mereceu todas as outras categorias que conquistou - pessoalmente, eu gosto muito do Christopher Nolan e adorei seu discurso sóbrio. 

- Os filmes certos saíram com pelo menos um prêmio: American Fiction, Barbie, The Holdovers, Anatomy Of a Fall e Poor Creatures foram laureados. Killers Of The Flower Moon e O Maestro saíram sem prêmios (sem nenhuma surpresa, a meu ver).

- O cinema japonês foi celebrado com as premiações dos filmes O Menino e a Garça e Godzilla Minus One - Sim, um filme do Godzilla finalmente recebeu um Oscar!

- Foi muito legal ver alguns atores na cerimônia: Danny DeVito, Arnold Schwarzenegger (achei ele bem envelhecido), Michael Keaton (e os três tiveram uma divertida interação), Catherine O'Hara (ecos do vindouro Bettlejuice),  Nicolas Cage (sua apresentação do Paul Giamatti foi ótima), Jessica Lange e John Cena.

- Uma boa lembrança na cerimônia sobre o trabalho dos dublês. Apesar do clipe ter sido curto, eu adoro quando o Oscar celebra o mundo do cinema em todas as suas vertentes. Como é bom ver um trechinho de Police Story passando na tela do palco. 

E não posso deixar de comentar, num parágrafo separado, a eletrizante apresentação de Ryan Gosling com a sua música "I'm Just Ken" - possivelmente a melhor apresentação musical que eu já assisti num Oscar. Tudo foi perfeito ali: a atuação e desempenho vocal de Gosling, o figurino, o elenco de dançarinos, a presença do Slash, a interação do intérprete com outros atores e com a câmera - muito marcante e um grande símbolo de uma temporada de filmes marcada por uma vibrante originalidade e um atrofiamento de certas fórmulas bem gastas em Hollywood. Torço para que esta tendência continue.

Mais do que comentar sobre alguns pontos negativos, na verdade me pego pensando sobre o que o ano de 2024 reservará para o cinema e até para as próximas premiações. Realmente, torço para uma temporada de boas surpresas e, especialmente, bons filmes, com aquela, por vezes, antiquada missão, de entreter seu público. É só isso. E, nesse sentido, o Oscar certamente cumpriu sua função. 

domingo, 12 de março de 2023

Desventuras de Um Cinéfilo - Impressões da Temporada do Oscar 2023 #02


Cá estamos nós na tarde que antecede o Oscar, numa edição de filmes bem interessantes e algumas boas decisões relacionadas a cerimônia em si, como a volta de um host (mesmo não sendo uma opção do meu agrado). 

Atualmente, não há aquela excitação antiga que me inundava anteriormente. Hoje, passei a tarde lendo, um livro curioso sobre países que não existem mais. Lembro-me da edição de 2009, que passei justamente o período da tarde assistindo o máximo de filmes daquela edição que eu ainda não tinha conferido. O paralelo com esses países que deixaram de existir é notável: tornaram-se apenas memórias.

Como foi, afinal, minha temporada do Oscar? Foi difícil, principalmente porque a vida me impôs uma série de decisões profissionais, mudanças na rotina, inseguranças e toda sorte de indefinições desconfortáveis do final de Janeiro até hoje. Sem perceber, sacrifiquei a diligente missão de assistir esses filmes.

Preciso, porém, dividir essa culpa: as redes de cinema de Campo Grande recusaram-se a exibir muitos desses filmes. Inacreditável filmes grandes como Banshees de Inisherin, Women Talking, Tár e Triangle of Sadness foram ignorados pelas grandes salas. Pelo menos exibiram A Baleia (que eu assisti já 2 vezes e, provavelmente, assistirei mais). Bastante descaso com os abnegados que ainda insistem em "tentar" acompanhar o mundo do cinema mais sério.

Em todo caso, chega de lamentações, pois há motivos de festa: It's The Oscar's! A Globo não mutilará a festa com sua exibição capenga, Will Smith não aparecerá para agredir o Chris Rock, Lenny Kravitz cantará no segmento "in memorian", alguns filmes bacanas para se torcer e sentir-se parte do mundo de cinema, mais uma vez. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Desventuras de Um Cinéfilo - Impressões da Temporada do Oscar 2023 #01

É tão curioso perceber o reflexo das flutuações do meu humor conforme minha motivação em manter viva minha paixão por cinema. Esse blog é, de um ponto de vista muito pessoal, o espelho (nem sempre fidedigno) desses altos e baixos, frequentes na vida de qualquer um - acredito eu. Meu momento atual é de estabilidade, lutando para não entrar numa descendente. Fim de um ciclo que se aproxima e início de algo que eu ainda não sei bem o que é - no momento me sinto como num trem rumando para uma estação desconhecida e isso não é confortável para este "velho" capricorniano.

Não deixa de ser interessante, apesar disso, meu recente ânimo em acompanhar com um pouco mais de atenção a temporada do Oscar. Muitos parênteses, porém, precisarão ser pontuados por aqui: essa animação envolve a vontade de conhecer e assistir uma parcela dos indicados desta edição, bem como acompanhar notícias dos bastidores das campanhas e de outras premiações ao longo deste início de ano. Infelizmente, o ânimo envolvendo assistir a premiação em si anda meio arrefecido, especialmente com o show de horrores das últimas premiações - a dolorosa edição em que o péssimo Moonlight foi laureado no lugar do inesquecível La La Land (e toda a gafe que se seguiu), a edição ocorrida durante a pandemia (horrorosa, como muitos dos seus candidatos) e o Will Smith no ano passado - uma sucessão de eventos que mais me repeliram do que qualquer outra coisa.

Mesmo assim, a edição atual é uma das que mais me excitam em tempos recentes. Pessoalmente, isso tem relação com alguns fatores: a minha necessidade de precisar deixar a chama do amor pelo cinema acesa dentro de mim, o prazer em acompanhar os vídeos do canal Dalegnore Críticas no youtube (ainda será discorrido neste blog minhas impressões de seu conteúdo, mas não é o foco desta postagem) e a própria seleção de filmes na classe deste ano.

Talvez, a última edição do Oscar que correspondeu minha excitação foi a de 2016, com a premiação do filmaço Spotlight. Foi um ano, extraordinário, aliás: The Martian, The Revenant, Mad Max Fury Road, Creed, The Big Short... Naquela temporada, eu fiz uma sessão inesquecível no cinema de Spotlight e The Revenant, com minha querida irmã. Quando voltamos das sessões, sentamos na sala de casa, com apenas uma aconchegante luz de um abajur alto e a televisão ligada passando desfiles de escolas de samba... Boas memórias.

Assim sendo, a edição de 2023 traz alguns ótimos nomes para acompanhar e outros que, a princípio, tenderei a ignorar. Alguns desses filmes, quem sabe, terão suas resenhas publicadas por aqui. Venho ensaiando uma resenha de Os Fableman - já adianto que gostei do filme.

Talvez, um dos triunfos dessa edição atual é que existem alguns filmes dela que eu genuinamente já gostaria de assistir, muito antes de serem indicados: The Banshees of Inisherin (o mesmo diretor e a dupla de atores do filme In Bruges são motivos mais que suficientes para eu querer ver), The Whale (eu estou investido nessa "ressurreição" da carreira do Brendan Fraser) e Argentina,1985 foram alguns que já estavam no meu radar.

Tão curioso quanto os filmes que eu já queria assistir foram os filmes que essa Temporada (e resenhas positivas) destacaram e entraram no radar: Tár (minha irmã disse que eu PRECISO ver este filme - estou dependendo da boa vontade do Cinemark de lançá-lo na telona), The Quiet Girl (um candidato da Irlanda), Pinóquio do Guillermo Del Toro, RRR, Elvis (apesar de dirigido por um diretor cujo estilo não me agrada, ainda assim fiquei curioso) e Living (Bill Nighy + Kazuo Ishiguro = com certeza quero assistir).

É uma temporada com certeza interessante. Apesar de parecer solitário, foi incrível acompanhar a transmissão dos indicados enquanto eu almoçava sozinho numa tradicional churrascaria daqui da cidade. Enquanto comemorava as indicações de Top Gun Maverick, o garçom mandava a ver naquele pedaço suculento de Angus. Só essa memória é o suficiente para simbolizar que este ano será melhor que os anteriores. Sigamos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Isaac Babel e a criação do King Kong


Isaac Babel e Merian Caldwell Cooper

Recentemente terminei um fabuloso livro chamado Os Possessos. A autora, Elif Batuman, divide, ao longo de pouco mais de trezentas páginas, suas pesquisas e aventuras  diante de sua linha de estudo: a literatura russa. Um dos capítulos discorre sobre Isaac Babel, escritor russo, morto em 1940, autor de A Cavalaria Vermelha e outras obras hoje consagradas, incluindo um diário com as recordações do autor entre os anos de 1919-1920, durante a Guerra Polaco-Soviética, em que atuou como membro da cavalaria cossaco, relatando a crueldade dos revolucionários comunistas.

Uma das melhores leituras do ano
Durante as pesquisas da autora, ela menciona um dos seus trechos favoritos do tal diário: a captura de um piloto americano, chamado Frank Mosher, que foi interrogado pelo próprio Isaac Babel. Segue um trecho do diário:

"Um piloto americano recém-abatido, de pés descalços, mas elegante, o pescoço como uma coluna, dentes impressionantemente brancos, o uniforme coberto de óleo e terra. Ele me pergunta preocupado: Será que talvez cometi um crime ao lutar contra a Rússia soviética?"

O que torna esse excerto muito mais interessante é que o senhor Frank Mosher é o pseudônimo de Merian Caldwell Cooper - futuro criado e produtor do clássico King Kong. No ano de 1919, Cooper se juntou a outros nove pilotos americanos no esquadrão aéreo Kosciuszko, unidade da Força Aérea Polonesa, para combater a União Soviética, com o pseudônimo supracitado. Seu avião foi abatido no dia 13 de julho de 1920 e, tendo sido rodeado por soldados soviéticos, teve sua vida polpada por "um bolchevique inominado que falava inglês". O registro do diário de Babel, citado no parágrafo acima, data do dia 14 de julho de 1920.



No ano de 1923, Merian Cooper se voltou para o cinema, mas foi só em 1931 que ele iniciou os trabalhos com King Kong, hoje um clássico absoluto do cinema. Na famosíssima cena do Empire State Building, Cooper é um dos pilotos que aparecem na cena- reflexo de suas experiencias como aeronauta em tempos de guerra. 

Um dos filmes produzidos por Cooper foi "Zaroff: O Caçador de Vidas", cujo vilão é um general cossaco de cavalaria que caça marinheiros naufragados por esporte, interpretado por Leslie Banks. Ainda no elenco estavam Fay Wray e Robert Armstrong que também estrelariam King Kong. 

Babel, infelizmente, não teve um final de vida feliz. Foi perseguido durante o terror Stalinista e acusado falsamente de espionagem e executado por um pelotão de fuzilamento em Lubianka, no dia 26 de Janeiro de 1940. Já Cooper teve uma longa carreira em Hollywood e ganhou um Oscar Honorário em 1953. Morreria 20 anos depois, 1 dia após a morte do ator Robert Armstrong, com quem trabalhara ao longo da carreira. 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Rápidas impressões pós-Oscar

Vive le France!

Sim, O Artista consagrou-se como o grande campeão da noite com 5 prêmios, dentre eles Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor (além de Figurino e Trilha Sonora). Hugo Cabret (que ainda não conferi) também abocanhou 5 estatuetas – todas das chamadas categorias técnicas. Meryl Streep venceu. Christopher Plummer venceu. O maravilhoso filme iraniano A Separação venceu. Woody Allen e Alexander Payne venceram, por roteiro original e adaptado, respectivamente. Octavia Spencer também venceu. Enfim, foi uma noite sem surpresas, mas agradável, principalmente pela qualidade dos filmes agraciados com indicações. Para mim, não há dúvidas de que nos últimos anos a qualidade dos filmes indicados para o prêmio e agraciados pela Academia caiu vertiginosamente (Como explicar Avatar concorrendo à Melhor Filme? E a vitória de Crash, em 2005? O Pianista perdendo para Chicago??) .

Esquecendo-se os erros do passado e do presente (Drive, Shame – a lista vai aumentando), tivemos uma cerimônia bacana, pois o cinema foi homenageado, em toda sua grandeza, pelos dois principais vencedores da noite- Hugo Cabret e O Artista – filmes que tratam sobre a beleza do cinema, exercícios metalinguísticos fabulosos. Aumentando a qualidade dos indicados, aumenta-se o prestígio da festa e a satisfação de um cinéfilo para acompanhá-la e elogiá-la logo em seguida em seu blog, apesar de ter aula bem cedo no dia seguinte...


E foi por essa celebração do cinema em si que me fez ficar acordado, acompanhando a irregular transmissão da Rede Globo, com uma torcida indecorosa e constrangedora pela música de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown (aos desavisados, a música concorreu ao prêmio de Melhor Canção Orignal); o prêmio em questão foi para as mãos de Bret Mckenzie, com uma música do filme Os Muppets. Pelo menos o José Wilker assistiu aos filmes para poder comentá-los neste ano.

Billy Cristal mostrou-se afiado como sempre no papel de host da cerimônia, com seus bons momentos. A maior parte dos atores que apresentaram os prêmios se saiu bem, apesar de ter achado Natalie Portman bastante sem graça na apresentação dos indicados à Melhor Ator; pareceu-me que ela não tinha o que falar sobre os agraciados. Na categoria de Melhor Discurso, sem dúvida eu escolho o de Jean Dujardin – lembrou-me um pouco do Roberto Benigni. Os vencedores na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação, a dupla William Joyce e Brandon Oldenburg por The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, também fizeram um belo discurso, que me agradou em cheio, especialmente pela humildade demonstrada assim como o amor ao cinema.

Foi, afinal, uma festa de saldo positivo considerando-se os erros e acertos. Considero que os prêmios foram todos justos, levando-se em conta os que foram indicados. Concordei absolutamente com essa premiação e fico feliz por ter acompanhado a festa daqui de casa. Fazia algum tempo que eu não sentia o Oscar como uma cerimônia de celebração da sétima arte; na edição de 2012, o prêmio voltou a ter relevância e, porque não, emocionar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O Melhor Momento do Oscar 2010

Apesar da Academia ter esquecido alguns nomes em sua homenagem póstuma, uma montagem fantástica e caprichada sobre o grande John Hughes foi apresentada por atores que protagonizaram seus filmes. Para mim, o melhor momento da festa, a celebração de um dos grandes cineastas do século XX, a meu ver. Check it out!

10 Filmes que deveriam ter Ganhado o Oscar

Essa postagem deveria ter sido publicada no domingo passado. Publico, tardiamente, os dez filmes que mereciam ter ganhado o Oscar de Melhor Filme em seus respectivos anos. Não se trata de terem sido injustiçados; apenas mereciam esse prêmio específico.

OBS - Eu sei que Melhor Impossível e Ou tudo ou Nada concorreram no mesmo ano - no mínimo um empate técnico:








sábado, 6 de março de 2010

Palpites descompromissados para o Oscar 2010

Sim, pode até ser um clichê. Contudo, como amante da sétima arte, eu não posso deixar de fazer minhas apostas para o principal festival de cinema do planeta: o OSCAR! Por essa razão, faço esse pequeno tópico sobre quais são as minhas preferências para algumas das categorias:

Melhor Filme – Pode ser qualquer um, menos Avatar. Guerra ao Terror é o meu favorito.


Melhor Diretor – Acho que o prêmio fica entre James Cameron e Kathryn Bigelow; Cameron deve ganhar.


Melhor Ator – Jeff Bridges, sem sombra de dúvida.


Melhor Ator Coadjuvante – Waltz, obviamente.


Melhor Atriz – Esse prêmio é um dos mais complicados, pois não tenho nenhuma favorita. Acho improvável ela levar, mas Meryl Streep é minha escolha segura.


Melhor Atriz Coadjuvante – Mo'Nique, obviamente.


Melhor Roteiro Adaptado – Seria demais pedir pela vitória de Distrito 9?


Melhor Roteiro Original – Disputa apertada, com certeza. Eu escolho Bastardos Inglórios, com seu maravilhoso argumento.


Melhor Fotografia – A Fita Branca deve levar esse prêmio.


Melhor Figurino – The Young Victoria


Melhor Montagem – Guerra ao Terror


Melhor Canção – "The Weary Kind" é Linda demais para a academia desprezar.


Melhor Edição de Som – Star Trek


Melhor Mixagem de Som – Star Trek


Melhores Efeitos Especiais – Avatar


Melhor Trilha Sonora Original – Up


Melhor Direção de Arte – The Young Victoria



É isso aí galera! Esses são meus favoritos ao Oscar. De quebra, eu posto esse vídeo com os 81 vencedores do Oscar de Melhor Filme. Um presentinho para os leitores...