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domingo, 26 de fevereiro de 2023

Richard Belzer é uma das caras da Nova York da qual insisto em sonhar



Foi com grande pesar que fiquei sabendo do falecimento do magnético Richard Belzer. Não foi um grande astro do cinema, mas certamente fez história na televisão norte americana ao encarnar o detetive John Munch que apareceu em nada menos do que 11 diferentes seriados, em alguns momentos aparecendo em três TV shows ao mesmo tempo!

John Munch era aquele policial irônico e cheio de malícia, um cínico de primeira linha, mas com um coração, lá no fundo. Na série Law And Order: Special Victims Unit ele fazia um excelente contraponto à dupla principal Stabler e Benson, tendo sempre uma espécie de capa que disfarçava seus reais sentimentos.

Talvez pelo tempo em que fez esse papel, Belzer e Munch pareciam se confundir: ambos democratas ferrenhos, conspiracionistas (Belzer publicou uma série de livros sobre teorias da conspiração, de JFK até Ovnis) e com uma fleugma irônica, típica de alguns comediantes mais das antigas. Num momento Belzer/Munch, escreveu um livro sobre um ator chamado Richard Belzer que interpreta um policial na televisão, chamado Munch, que desvenda um crime grotesco - a obra se chama "I Am Not A Cop!".

Há um curioso caso em que durante um talk-show que apresentava, Hulk Hogan aplicou um mata-leão de "brincadeira" nele. Belzer, magrelo como um grilo, mal resistiu ao golpe e desmaiou, batendo a cabeça no chão do cenário. O susto foi rápido, mas rendeu um traumatismo craniano, sutura e um processo contra o wrestler (que não foi pra frente, após um acordo entre as partes).

Me parece que Belzer era uma bela amostra de um tipo de norte americano que não tenho certeza se ainda é "produzido" pelo país. Um típico americano desconfiado, frágil e cínico, levemente presunçoso mas ainda assim magnético. Sem dúvida, fez parte da minha infância e do meu imaginário. Felizmente, tenho muitos trabalhos dele para conhecer - provavelmente a maior dádiva de ser um artista. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Rutger Hauer (1944-2019)


"I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near de Tannhauser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die."

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Uma Pequena Homenagem ao Rubens Ewald Filho



Foi com certa tristeza que eu recebi a notícia do falecimento de Rubens Ewald Filho, o nome mais conhecido da crítica especializada de cinema do Brasil. É estranho, pois nunca acompanhei o trabalho dele de muito perto, mas sempre o reconheci como especialista em cinema, desde muito novo, quando devorava as revistas SET e sempre via o rosto dele nos anúncios de Guias de Lançamentos para o mercado de vídeo. 

Lamentavelmente, ele foi vítima do famigerado politicamente correto e policiamento moral que assombra nossa sociedade em tempos atuais, levando a um injusto afastamento dele na transmissão do Oscar deste ano, na TNT - uma transmissão, aliás, rotineiramente bem ruim cuja salvação eram os comentários pontuais dele. Há de se pensar no impacto dessa perseguição a sua saúde.

Como crítico, Rubens Ewald Filho sempre assumiu sua função de maneira muito qualificada, o que pode confundir muita gente, pois um crítico não está nessa função para agradar ou desagradar ninguém. Ele omite opiniões embasadas, um ponto de vista especializado, uma lanterna que poderá apontar qualidades reveladoras ou pequenos defeitos escondidos. 

Certamente deixará uma lacuna, especialmente em tempos de opiniões tão infectadas de "patrulhamento da moral e bons costumes" assolando a vida de todos nós. Espero que você passe a eternidade vendo todos os filmes que você sempre amou, Rubens. Voe alto!


domingo, 19 de junho de 2016

Pôster: Star Trek Beyond (2016)


Eu amo Star Trek, meus amigos. E eu estou com a forte impressão de que este aqui será o melhor filme, até agora, dessa "nova" tripulação. Esse pôster de cores lindas me deixa com uma enorme vontade de pendurá-lo em meu quarto. Esse mês foi meio parado por aqui, mas eu to voltando!

OBS - In Memorian: Anton Yelchin (1989-2016)

sábado, 16 de janeiro de 2016

Alan Rickman (1946-2016)


"And it's a human need to be told stories. The more we're governed by idiots and have no control over our destinies, the more we need to tell stories to each other about who we are, why we are, where we come from and what might be possible"


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Desventuras de um Cinéfilo 005: Sobre David Bowie


"I always had a repulsive need to be something more than human"

Eu ainda estou em choque. Ontem faleceu um dos artistas mais geniais que já tivemos a honra de apreciar na história da humanidade. Eu não consigo imaginar um mundo sem a existência desta verdadeira entidade, que tocou nossas vidas tão profundamente com suas criações (no campo da música, cinema, artes em geral).

Esse cd fez parte da minha formação como
ser humano... 
Minha história com David Bowie iniciou-se lá em 1997, época em que eu ouvi minha primeira música dele. Meu pai acabara de voltar de Londres com alguns poucos cds em sua mala e um deles era esse álbum duplo do David Bowie, que anos mais tarde fui compreender que se tratava de uma coletânea de singles. 

Não me lembro da ocasião em que ouvi, mas lembro que a primeira música que eu ouvi foi "Heroes" e eu amei aquela música desde o primeiro instante que a ouvi. Tive diversas fases com diferentes canções favoritas (recentemente, redescobri Life on Mars), mas "Heroes" persiste como aquela música que sempre vai me fazer chorar, todas as vezes que tocar.

Cheguei a me aventurar em vários discos do Bowie e sempre me considerei um admirador. Era um daqueles artistas que tomam posse de uma parte de seu coração, e você não repara, mas você percebe que sua criação faz parte de você todas as vezes que a música toca ou o filme passa na tv. E aí, no conforto de uma rotina, de um mundo de mesmice, vem uma notícia devastadora como essa.

Acompanhei a repercussão, as homenagens, os especiais nos sites de notícia, ouvi alguns cds dele, comprei um livro sobre ele e ainda senti um vazio imenso. Ainda sinto esse vazio hoje. 

Mas a morte também desperta coisas maravilhosas. É incrível o que passamos a enxergar quando perdemos algo ou alguém valioso para nós. E, no meu caso, além de toda obra sublime que ele produziu, todas as músicas dele que eu não escutei, os vários filmes dele que não assisti, fica a reafirmação de meu maior sonho: o desejo de produzir uma obra que toque as pessoas, assim como aquilo que este homem vez - uma vida plena, completa, linda, cheia de erros e acertos e a melhor experiência que qualquer ser humano possa ter. 

Várias pessoas escreveram seus tributos, todos brilhantes e incríveis. E eu compartilho a opinião de que a partir de hoje, todas as vezes que eu olho para o céu, sei que estarei de alguma maneira contemplando essa estrela que tivemos a sorte de acompanhar, apreciar e viver perto de seu brilho. E não há nada no mundo que apague isso em mim. Nada.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Vilmos Zsigmond (1930-2016) & Haskell Wexler (1922-2015) - Dois Mestres da Direção de Fotografia



"Cinema needs good images" - Vilmos Zsigmond


"If you want to compare my photography to any great painter, I love it!" - Haskell Wexler

  


Duas excepcionais análise de palheta da fotografia dos filmes Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), por V. Zsigmond e Um Estranho no Ninho (1975) por H. Wexler - dois diretores de fotografia geniais. Essas análises de palheta foram retiradas do excelente site Movies In Color, que merece sua visita. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

James Horner (1953-2015) - minhas 5 trilhas favoritas


Com algum atraso, mas presto minhas sinceras homenagens a James Horner, um dos meus compositores favoritos do mundo do cinema. Abaixo eu listo as minhas trilhas favoritas assinadas por este gênio:


Willow (1988) - Talvez, a minha trilha sonora favorita de todos os tempos. O filme também figura no top 5 da minha vida, facilmente. Não saberia lhes dizer o quão especial essa trilha é para mim - uma música que me transporta tanto para o filme quanto para memória incríveis de minha infância. Sempre que escuto essa música, me emociono muito facilmente, desde as notas épicas até as mais orquestradas. Não há uma semana sequer que eu não assovio essas músicas, automaticamente, tamanha a presença delas em minha história de vida. Para muitos pode soar um exagero, mas uma das trilhas sonoras da minha vida, que me inspira e energiza é essa. O melhor trabalho de Horner. 



O Nome da Rosa (1986) - Eu considero esta trilha sonora uma obra prima, por captar perfeitamente o mistério, o medieval, o medo - todas as sensações evocadas por esse filme, um dos meus favoritos de todos os tempos. E, neste caso, eu coloco a última música do filme, que nos transporta exatamente para o desolado cenário do último fotograma. Há algo de belo e assombroso na época medieval, nos vestuários, nos crimes e Horner conseguiu capturar tudo isso. Nos tributos que saíram por aí, não citaram esse trabalho do compositor que só fica atrás do primeiro mencionado, na minha modesta opinião. 


Comando Para Matar (1985) - Trilha clássica, clássica, clássica! Excitante, exagerada, com saxofone e sintetizadores e uma pegada meio egípcia ou indígena (provavelmente estou viajando), mas que mostrava a letalidade do personagem principal. E era interessante porque a música quebrava quando mostrava o Schwarza com sua filha no filme, ficando mais melosa. Esses teclados, tão anos 80, são inesquecíveis! Só os fortes lembraram dessa trilha.




Apollo 13 (1995) - Sempre gostei de marchas militares e há referências claras nas notas dessa trilha. Acho incrível como há aventura mas realismo, uma música com tom cerimonioso mas nada cafona, como se fossem honras militares. Existe algo de heroico nessa história real e Horner conseguiu capturar isso, sem descambar para o patriotismo  que muitas trilhas acabam expressando. E olha que nesse ano ele ainda assinaria mais um clássico...





Coração Valente (1995) - Acho que sou bastante parcial, especialmente porque sou absolutamente apaixonado pela cultura celta. Amo músicas celtas, seus instrumentos... Há emoção e tons orquestrais épicos, tudo embalado com uma maravilhosa gaita de foles. Impossível não se lembrar das cenas do filme quando se escuta o tema principal, desde as cenas de batalha até as cenas dramáticas e românticas. Neste ano, o homem estava inspirado.




quinta-feira, 11 de junho de 2015

Christopher Lee (1922-2015)



"Making films has never just been a job to me; it is my life. I have some interests outside of acting - I sing and I've written books, for instance - but acting is what keeps me going: it's what I do; it gives life purpose."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Leonard Nimoy (1931-2015)

"We are assembled here today to pay final respects to our honored dead. And yet it should be noted that in the midst of our sorrow, this death takes place in the shadow of new life, the sunrise of a new world; a world that our beloved comrade gave his life to protect and nourish. He did not feel this sacrifice a vain or empty one, and we will not debate his profound wisdom at these proceedings. Of my friend, I can only say this: of all the souls I have encountered in my travels, his was the most… human." - Kirk at Spocks funeral.




"A life is like a garden. Perfect moments can be had, but not preserved, except in memory. LLAP." - Leonard Nimoy