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sábado, 19 de março de 2016

A Grande Aposta (The Big Short, 2015)



Março tá meio parado por aqui, não? Por isso, mando um texto rapidinho de A GRANDE APOSTA, um dos indicados ao Oscar de melhor filme da última edição, que levou o (justo) prêmio de roteiro adaptado. Dirigido por Adam McKay, cuja filmografia predomina boas comédias (como O Âncora), a temática da obra é sobre a grave crise financeira iniciada no mercado imobiliário norte americano e alguns personagens reais que enxergaram as falhas e apostaram contra o sistema.

Não é um filme fácil de se assistir. Mesmo com o tom de humor que predomina durante a projeção, é uma obra por vezes difícil de se acompanhar. Mas o esforço é válido, principalmente com as vinhetas e participações especiais surpreendentes que permeiam a obra. Além disso, o filme inteiro tem uma edição frenética, quase escalafobética, que exprime a loucura do mercado financeiro, de uma maneira geral. 

E o risco de dar errado e o filme se restringir a uma aula mais moderninha de Telecurso, módulo economia, é afastado com performances acima da média de um elenco muito bem escolhido. Christian Bale e Brad Pitt se destacam, mas eu amei o trabalho de Steve Carrell - complexo, nervoso e passional. 

O tom ácido do filme também ajuda - é como se McKay tivesse noção de todo o drama da crise imobiliária (pessoas perdendo seus imóveis, desemprego, empresas inteiras falindo), mas observasse tudo isso com um riso irônico e ácido no canto da boca. Eu gostei muito, mas tenho noção de que este é um daqueles "ame ou odeie". De qualquer forma, é um filme que merece ser visto, nem que seja para se conhecer um pouco mais sobre o funcionamento da caótica economia mundial.

sábado, 12 de março de 2011

O Vencedor (The Fighter, 2010)


E mais uma vez, a nobre arte tomou as salas de cinemas. O boxe sempre foi um esporte poderoso em suas metáforas e extensões sentimentais, que ultrapassam as cordas do ringue para a vida dos lutadores, representando dramas, conquistas, sofrimentos e vitórias. Em O Vencedor, tem-se a história real de um boxeador que outrora fora brilhante no ringue, mas fracassou na vida pessoal ao afundar no mundo das drogas. E ele quase arrastou, sem querer, seu irmão mais novo para o fracasso, sendo agente e treinador do mesmo. A história de superação de ambos é o foco deste filme de David O. Russell.


Grandes atuações, especialmente de Christian Bale e Melissa Leo (vencedores do Oscar deste ano), além, é claro, de Mark Whalberg e Amy Adams, também ótimos. A direção é ótima, com muito vigor e personalidade. Incrível como O. Russell foge dos clichês, fazendo um filme de boxe completamente diferente de outras obras do gênero.


Contudo, há um grande problema em O Vencedor: a última luta não cativa e nem arranca emoção da plateia como ocorria em Rocky (em qualquer um dos seis filmes da série, a última luta sempre foi emocionante). Uma pena que o filme falhe neste momento que deveria ser de glória absoluta. Também senti falta de uma trilha incidental mais envolvente e poderosa.


É um bom filme, que mereceu cada um de seus prêmios. Mas uma pena que seu clímax não tenha a mesma força que seu protagonista Micky Ward.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Em defesa de Nicolas Cage: Especial de Três Críticas


Não tem jeito: quando a "crítica especializada" resolve pegar no pé de um ator, todos os filmes do mesmo tornam-se intragáveis. Nicolas Cage tornou-se o alvo preferido dos jornalistas, sendo chamado de canastrão e sofrendo críticas até pelo seu próprio corte de cabelo – enfim, uma grande palhaçada.

É claro que o ator fez algumas escolhas equivocadas de projeto. Como não lembrarmos, por exemplo, de O Sacrifício? E o fraquíssimo O Vidente? Sim, o homem fez algumas escolhas infelizes.

Mas é dureza vermos um pessoal afirmar, por exemplo, que Nic Cage não faz nada decente desde Adaptação, de 2002. Por acaso eles não se lembram do excepcional O Senhor das Armas? E As Torres Gêmeas? Sem falar nos divertidos Motoqueiro Fantasma e Kick-Ass. Em todos estes e em outras películas, Cage sempre cumpre seu papel muito bem, sem atuações impressionantes ou marcantes (com exceção de O Senhor das Armas, que é uma das melhores intepretações da vasta carreira de Cage), mas sempre competentes.

A verdade é a seguinte: Nicolas Cage é mais uma vítima de um mal que ataca uma grande parcela dos críticos – a generalização. Penso que por ele não ter sido premiado por nenhum filme pós-Adaptação (a não ser pelo filme Vício Frenético, que eu não assisti), as pessoas resolveram detonar seus últimos filmes.

Por isso, faço esta postagem em defesa deste ótimo ator com uma carreira respeitável e muito interessante. Por ter assistido a alguns filmes do cara nas últimas semanas, fiz esta postagem sobre três filmes dele. Interessante que o mais fraquinho deles é de 2001, antes do venerado Adaptação. Vamos às críticas então:


Uma insípida estória de amor na Grécia:

Foram sofridos 131 minutos de um romance fresco; O Capitão Corelli (Captain Corelli's Mandolim, 2001) foi um martírio enquanto eu assistia-o. Para começar, não sou fã de filmes românticos. Mas tirando o meu preconceito de lado, tem-se um filme que poderia ser bem melhor.


O Capitão Corelli resgata um episódio histórico, no mínimo, interessante: a ocupação das ilhas gregas pelos alemães e italianos durante a 2º Guerra Mundial. Durante a ocupação, a bela Pelagia (Penélope Cruz, numa atuação sofrível) apaixona-se por um oficial italiano, o tal Corelli, um homem amigável cuja guerra não é seu lugar. Existem dois problemas, entretanto: ela já é comprometida com um jovem grego que partiu da ilha para fazer parte da resistência (interpretado por Christian Bale) e Corelli é, no fim de tudo, um dos inimigos.


Trata-se de um drama/romance de guerra muito fraco, com um roteiro desleixado e que desrespeita a nossa inteligência em muitos momentos. E Cage falando com sotaque carregado de italiano é, no mínimo, engraçado. Ele se esforça no papel, e você cria empatia pelo tal capitão.

Acontece que o roteiro é de uma incompetência assombrosa, abarrotado de clichês e tentativas fracassadas de envolver o público. Com um roteiro destes, não há atuação que salve o filme.

Diversão no melhor estilo Disney:


Cara, que filme divertido! O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer's Apprentice, 2010) é uma aventura no melhor estilo da Disney, com bastante ação, bons efeitos especiais e atuações no ponto (especialmente Alfred Molina, perfeito como o vilão Horvath). Nic Cage é o mago Balthazar que procura por um descendente do mago Merlin, que se trata do jovem estabanado Dave (Jay Baruchel).


A produção assinada por Jerry Bruckheimer prima pela beleza visual, com um roteiro fácil e eficiente. A direção ficou para Jon Turteltaub, um veterano em filmes da Disney.


Produzido para fisgar o público pré-adolescente estadunidense (com direito ao patrocínio do jogo de cartas Magic The Gathering e música da banda "queridinha dos jovens" OneRepublic), O Aprendiz de Feiticeiro é o exemplo de aventura juvenil perfeita. Vale o ingresso.


Um interessante suspense medieval:

Caça às Bruxas (Season of the Witch, 2011) foi alvo de tantas críticas negativas que eu cheguei ao cinema com expectativas nulas para com a obra. Não só as críticas, mas o diretor Dominic Sena (que conseguiu estragar a adaptação dos quadrinhos Whiteout – leia a crítica aqui) também contribuiu para a aura de desconfiança sobre o último filme de Cage. Contudo, qual não foi minha surpresa ao descobrir que Caça às Bruxas é uma ótima aventura medieval e envolvente na medida certa.


O filme não é uma maravilha da natureza, mas com certeza não é o lixo que muitos propagaram por aí. Foi surpreendente notar o apuro histórico em certos detalhes como a podridão da Idade Média, as máscaras utilizadas pelos médicos e a falta de escrúpulos da Igreja Católica. O personagem de Nicolas Cage é um cruzado que, desgostoso com os rumos da Guerra Santa, deserta, junto de seu companheiro de batalha Felson (Ron Perlman).

O problema é que a deserção de ambos será punida e a única forma de evitar um julgamento é que eles aceitem a missão de levar uma possível bruxa até um mosteiro onde ela será julgada por ter trazido a peste para as terras europeias. Behmen (Cage) aceita, com relutância, esta missão, por acreditar na inocência da "bruxa" (Claire Foy). Mas a viagem até o mosteiro provará que esta pode ser uma bruxa de verdade.


Apesar de o filme abusar dos sustos fáceis, quando Dominic Sena aposta no suspense ele o faz de maneira muito competente, como na cena da ponte, sem dúvida a melhor do filme. Entretanto, se há um problema que afeta Caça às Bruxas é um mal que afeta várias produções deste gênero o excesso de computação gráfica. No clímax da obra, todo suspense é jogado fora para dar lugar a um monstro digital sem graça, tal como ocorreu em Solomon Kane. Esses diretores ainda não entenderam que a estória em si é muito mais importante do que efeitos especiais bobos.

Trata-se de uma boa aventura medieval, cumpridora de seu papel primordial: entreter o público. Talvez não seja o filme que muitos esperam do ator Nicolas Cage, vencedor do Oscar, mas isso não diminui a diversão provocada pela trama. O caso é que Nicolas é um dos atores mais ativos de Hollywood, com muitos altos e baixos, acertos e erros. Mas uma coisa é certa: que ele se diverte fazendo filmes e, na maioria das vezes, nos diverte também. E só isso já basta.