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quinta-feira, 8 de março de 2012

O Escorpião Rei 3 - Batalha pela Redenção (The Scorpion King 3: Battle for Redemption, 2012)


Neste terceiro capítulo da saga d'O Escorpião Rei, temos mais uma vez o tal rei numa aventura envolvendo pedras preciosas, batalhas entre reinos e mais uma porção de questões quase sempre tratadas nos épicos de baixo orçamento. Tudo muito óbvio e previsível, sinceramente, especialmente para fãs de Xena e Hércules...

Contudo, existem algumas ressalvas neste pequeno filme. A começar pelo elenco, que contém um bom protagonista (Victor Webster), uma bela heroína (Krystal Vee) e um bom time de coadjuvantes com atores típicos do cinema B, como Ron Perlman (que também aparece em muita superprodução) e Billy Zane, maravilhosamente canastrão como o vilão da estória, não levando nada a sério. E tem a presença de 2 lutadores brucutus – Dave Batista e Kimbo Slice – que entram em cena pra dar porrada.



Nem tente acompanhar a trama, porque ela é de uma confusão ímpar. E o visual do filme não ajuda, pois para uma estória que, supostamente, se passa no Egito, é estranho ver pessoas com roupas romanas e soldados mongóis espalhados durante o filme. Tem até ninjas!! Há também o grande companheiro do heroi - um bárbaro impagável, com manirismos vikings, que fica arrotando o tempo inteiro!


É claro que há uma justificativa para essa gigante influência oriental: o filme foi feito na Tailândia, com figurantes tailandeses, elefantes que parecem ter saído dos filmes da série Ong Bak e uma série de florestas típicas da região. Deserto mesmo, no estilo Egito, só no comecinho do filme.


Filmar na Tailândia mostrou-se econômico, pois o orçamento da obra foi de 5 milhões de dólares e a produção aparenta ter sido um pouco mais cara. Parabéns ao diretor Roel Reiné (especializado nessas continuações mais baratas de sucessos, como Corrida Mortal 2), por ter feito um filme com um visual legal com uma quantia "pequena".



Seria muito fácil criticarmos uma continuação de um sucesso de cinema, lançada diretamente no mercado de vídeo, com orçamento bastante inferior ao filme original e sem nenhuma pretensão artística. Percebe-se até uma negligência em comentar o filme por parte de vários blogs, desmerecendo essas fitas por apresentarem as falhas típicas desses filmes destinados às prateleiras das locadoras. As pessoas se esquecem de que muitos desses filmes conseguem cumprir uma função essencial do cinema: divertimento. Às vezes, nos divertimos pelas suas falhas, pela falta de seriedade (ou excesso) dos atores envolvidos na produção ou até mesmo pela despretensão de um diretor, que só quer contar uma estória.


Em O Escorpião Rei 3, o divertimento corre solto, pelos fatores citados no parágrafo acima, a canastrice de Billy Zane, a atriz principal com roupas que valorizam seu corpo – tudo contribuindo para uma sessão de cinema descompromissada e relaxada com seus amigos. Se você vai assistir a um filme com vários amigos que curtem um cineminha mais trash, obviamente que você não vai assistir Os Descendentes ou Meia Noite em Paris. Por isso. Escorpião Rei 3 cumpre muito bem sua função. Mas seria bom a série d'O Escorpião Rei dar um tempinho, pois, mesmo com a nossa boa vontade, não dá pra relevar a falta de criatividade desses produtores...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Drive (2011)



Nicolas W. Refn, realizador de filmes excepcionais como Bronson e Valhalla Rising. Em sua mais última obra, o filmaço de ação Drive, Nicolas não decepciona e entrega mais uma joia para a plateia ávida por bons filmes. Drive foi um dos grandes filmes do ano passado e deverá ser lembrado posteriormente na galeria dos grandes filmes de ação já feitos.

Muitas coisas me agradam em Drive: primeiramente, a direção estilosa do dinamarquês, que transforma um roteiro relativamente simples num espetáculo de ação. Como Ronald Perrone afirmou em seu blog, Dementia 13, a direção nas mãos de outro diretor (Neil Marshall esteve cotado para a direção) poderia resultar num filme bem prosaico. Com o comando de Refn, este, definitivamente, não é o caso.


O elenco de Drive tem um quê de fantástico, também. Além dos ótimos suportes dos vilões, encarados por Ron Perlman e Albert Brooks, o filme conta com Bryan Cranston e a bela e talentosa Carey Mulligan, todos dando suporte a uma incrível atuação minimalista de Ryan Gosling, como o protagonista de poucas palavras que responde muito bem quando a situação exige "um pouco" de violência. Gosling compôs um personagem marcante, que me lembrou do protagonista da obra anterior de Nicolas Refn, Valhalla Rising.

Em uma das cenas mais violentas do filme, Nicolas Refn consultou o diretor Gaspar Noé, sobre efeitos visuais e dicas para torna-lá mais realista. Não quero dar spoiler, mas quem conhece a filmografia de Noé, sabe o que esperar do quesito violência...

E, por fim, destaco os aspectos técnicos da obra, como a ótima fotografia, o design de produção e a campanha de divulgação, com aqueles excelentes cartazes com escrita em neon rosa (era o q pareciam, para mim - neon). Em consonância com os tais cartazes, está a trilha sonora do filme, simplesmente excepcional, com uma escolha de músicas eletrônicas, meio dark-pop e de sonoridade retrô (como a faixa Nightcall, tocada durante os créditos iniciais).



E com todo seu estilo, Drive cativa o público sedento por bons filmes de ação (que é o meu caso, definitivamente). Os produtores e a própria Hollywood parece ter se esquecido daqueles grandes filmes dos anos 70, um cinema de ação com conteúdo e estilo que há muito tempo eu não via (pelo menos em obras vindas dos Estados Unidos). Não vou nem perder meu tempo comentando a falta de mais indicações ao Oscar, que sempre comete erros, mas a premiação do diretor em Cannes prova a competência do filme.

Drive é um verdadeiro resgate deste saudoso cinema, sem barulheira ou cenas de ação tiradas de videogames para entreter o público. Tem-se "apenas", e repito "apenas", uma estória bem contada por um grande elenco e um diretor excepcional, que sabe transformar roteiros em filmes de verdade. Resta-me agradecer a Nicolas W. Refn, por ter presenteado os cinéfilos com este grandioso filme.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Em defesa de Nicolas Cage: Especial de Três Críticas


Não tem jeito: quando a "crítica especializada" resolve pegar no pé de um ator, todos os filmes do mesmo tornam-se intragáveis. Nicolas Cage tornou-se o alvo preferido dos jornalistas, sendo chamado de canastrão e sofrendo críticas até pelo seu próprio corte de cabelo – enfim, uma grande palhaçada.

É claro que o ator fez algumas escolhas equivocadas de projeto. Como não lembrarmos, por exemplo, de O Sacrifício? E o fraquíssimo O Vidente? Sim, o homem fez algumas escolhas infelizes.

Mas é dureza vermos um pessoal afirmar, por exemplo, que Nic Cage não faz nada decente desde Adaptação, de 2002. Por acaso eles não se lembram do excepcional O Senhor das Armas? E As Torres Gêmeas? Sem falar nos divertidos Motoqueiro Fantasma e Kick-Ass. Em todos estes e em outras películas, Cage sempre cumpre seu papel muito bem, sem atuações impressionantes ou marcantes (com exceção de O Senhor das Armas, que é uma das melhores intepretações da vasta carreira de Cage), mas sempre competentes.

A verdade é a seguinte: Nicolas Cage é mais uma vítima de um mal que ataca uma grande parcela dos críticos – a generalização. Penso que por ele não ter sido premiado por nenhum filme pós-Adaptação (a não ser pelo filme Vício Frenético, que eu não assisti), as pessoas resolveram detonar seus últimos filmes.

Por isso, faço esta postagem em defesa deste ótimo ator com uma carreira respeitável e muito interessante. Por ter assistido a alguns filmes do cara nas últimas semanas, fiz esta postagem sobre três filmes dele. Interessante que o mais fraquinho deles é de 2001, antes do venerado Adaptação. Vamos às críticas então:


Uma insípida estória de amor na Grécia:

Foram sofridos 131 minutos de um romance fresco; O Capitão Corelli (Captain Corelli's Mandolim, 2001) foi um martírio enquanto eu assistia-o. Para começar, não sou fã de filmes românticos. Mas tirando o meu preconceito de lado, tem-se um filme que poderia ser bem melhor.


O Capitão Corelli resgata um episódio histórico, no mínimo, interessante: a ocupação das ilhas gregas pelos alemães e italianos durante a 2º Guerra Mundial. Durante a ocupação, a bela Pelagia (Penélope Cruz, numa atuação sofrível) apaixona-se por um oficial italiano, o tal Corelli, um homem amigável cuja guerra não é seu lugar. Existem dois problemas, entretanto: ela já é comprometida com um jovem grego que partiu da ilha para fazer parte da resistência (interpretado por Christian Bale) e Corelli é, no fim de tudo, um dos inimigos.


Trata-se de um drama/romance de guerra muito fraco, com um roteiro desleixado e que desrespeita a nossa inteligência em muitos momentos. E Cage falando com sotaque carregado de italiano é, no mínimo, engraçado. Ele se esforça no papel, e você cria empatia pelo tal capitão.

Acontece que o roteiro é de uma incompetência assombrosa, abarrotado de clichês e tentativas fracassadas de envolver o público. Com um roteiro destes, não há atuação que salve o filme.

Diversão no melhor estilo Disney:


Cara, que filme divertido! O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer's Apprentice, 2010) é uma aventura no melhor estilo da Disney, com bastante ação, bons efeitos especiais e atuações no ponto (especialmente Alfred Molina, perfeito como o vilão Horvath). Nic Cage é o mago Balthazar que procura por um descendente do mago Merlin, que se trata do jovem estabanado Dave (Jay Baruchel).


A produção assinada por Jerry Bruckheimer prima pela beleza visual, com um roteiro fácil e eficiente. A direção ficou para Jon Turteltaub, um veterano em filmes da Disney.


Produzido para fisgar o público pré-adolescente estadunidense (com direito ao patrocínio do jogo de cartas Magic The Gathering e música da banda "queridinha dos jovens" OneRepublic), O Aprendiz de Feiticeiro é o exemplo de aventura juvenil perfeita. Vale o ingresso.


Um interessante suspense medieval:

Caça às Bruxas (Season of the Witch, 2011) foi alvo de tantas críticas negativas que eu cheguei ao cinema com expectativas nulas para com a obra. Não só as críticas, mas o diretor Dominic Sena (que conseguiu estragar a adaptação dos quadrinhos Whiteout – leia a crítica aqui) também contribuiu para a aura de desconfiança sobre o último filme de Cage. Contudo, qual não foi minha surpresa ao descobrir que Caça às Bruxas é uma ótima aventura medieval e envolvente na medida certa.


O filme não é uma maravilha da natureza, mas com certeza não é o lixo que muitos propagaram por aí. Foi surpreendente notar o apuro histórico em certos detalhes como a podridão da Idade Média, as máscaras utilizadas pelos médicos e a falta de escrúpulos da Igreja Católica. O personagem de Nicolas Cage é um cruzado que, desgostoso com os rumos da Guerra Santa, deserta, junto de seu companheiro de batalha Felson (Ron Perlman).

O problema é que a deserção de ambos será punida e a única forma de evitar um julgamento é que eles aceitem a missão de levar uma possível bruxa até um mosteiro onde ela será julgada por ter trazido a peste para as terras europeias. Behmen (Cage) aceita, com relutância, esta missão, por acreditar na inocência da "bruxa" (Claire Foy). Mas a viagem até o mosteiro provará que esta pode ser uma bruxa de verdade.


Apesar de o filme abusar dos sustos fáceis, quando Dominic Sena aposta no suspense ele o faz de maneira muito competente, como na cena da ponte, sem dúvida a melhor do filme. Entretanto, se há um problema que afeta Caça às Bruxas é um mal que afeta várias produções deste gênero o excesso de computação gráfica. No clímax da obra, todo suspense é jogado fora para dar lugar a um monstro digital sem graça, tal como ocorreu em Solomon Kane. Esses diretores ainda não entenderam que a estória em si é muito mais importante do que efeitos especiais bobos.

Trata-se de uma boa aventura medieval, cumpridora de seu papel primordial: entreter o público. Talvez não seja o filme que muitos esperam do ator Nicolas Cage, vencedor do Oscar, mas isso não diminui a diversão provocada pela trama. O caso é que Nicolas é um dos atores mais ativos de Hollywood, com muitos altos e baixos, acertos e erros. Mas uma coisa é certa: que ele se diverte fazendo filmes e, na maioria das vezes, nos diverte também. E só isso já basta.