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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Midnight Express 001 - resenhas curtas




O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: Desolation of Smaug, 2013) - Desde que foi anunciado como uma triologia, mantive alguma desconfiança em relação a essa nova incursão na terra média. Gostei bastante do primeiro filme, mas esse segundo... Que decepção! Filme muito arrastado, alguns efeitos visuais questionáveis, incoerências no roteiro e uma sensação de perda de tempo. Nunca pensei que poderia pensar dessa maneira sobre um filme da saga de Tolkien, mas Peter Jackson parece estar de sacanagem conosco ao esticar sua trama absurdamente em praticamente três horas de duração. E o final, um dos piores ganchos pra continuação que eu comsigo me lembrar. Nenhuma expectativa para o próximo filme, o que talvez seja bom, considerando a decepção deste.

O Grande Herói (Lone Survivor, 2013) - Peter Berg é um dos piores diretores da atualidade. Eu até gostei de O Reino, mas seus filmes em geral são belas porcarias (Hancock, Battleship). O Grande Herói não foge a infame regra da ruindade, com uma história que poderia ser até interessante na mão de alguém menos conservador e admirador do exército como esse diretor. Péssimas cenas de ação, muito patriotismo e pouco discurso político - um filme tão raso como a cabeça dos soldados retratados. Soube que é baseado num livro, que até tenho vontade de ler. Mas sua adaptação já entra na lista dos piores deste ano.

Fuga de Nova York (Escape From New York, 1981) - Sinto o cheiro de polêmica no ar! Realmente, odiei este cultuado filme de John Carpenter. Odiei mesmo. Muito arrastado, mas com muitas ideias incríveis (Nova York como um imenso presídio, herói casca grossa de tapa olho), o maior desapontamento que tive foi justamente com o protagonista Snake Plissken, extremamente sem graça, vulnerável e nada casca grossa. Por não ter me cativado com seu protagonista, achei a sessão cansativa e sonolenta (lá pelo meio do filme, até tirei uma soneca) Destaco, porém, a espetacular trilha sonora do próprio Carpenter, o vilão interpretado por Isaac Hayes e a cena da ponte no final do filme.

Mandando Bala (Shoot'Em Up, 2007) - Não tão divertido quanto esperava, apesar dos incríveis exageros que essa palhaçada nos reserva, como cenouras sendo usadas como armas e outras bobeiras. Clive Owen e Paul Giamatti disputam o filme inteiro para ver quem é o mais canastrão, um duelo em que o público sia ganhando. Contudo, a trama tenta se complicar perto do final, com uma conspiração, mercado de armas, corrupção - muita seriedade para um filme em que o cordão umbilical de um bebê é cortado com a bala de uma arma. Mas me divertiu bastante, apesar da derrapada no final.




Confissões de Adolescente (2014) - A ideia de resgatar a série de TV era muito boa, mas a maneira juvenil como o filme é conduzido é de assustar - especialmente porque seu diretor, Daniel Filho, conhece muito bem o material original. Foram 14 mãos (segundo o filmow) para escrever um roteiro tosco, que atira para todos os lados, incoerente e que não dialoga de nenhuma maneira com o suposto público alvo. Diálogos horríveis, personagens irritantes e excesso de edição chata (janelas de facebook durante o filme, vlogs e outras "modernidades" para a cabeça dos realizadores). Parece que o filme foi escrito por um tio de bermuda Tactel que ainda fala "chuchu beleza" e pensa entender a cabeça dos jovens (e só de pensar algo assim, já denuncia a idade do infeliz). A brincadeira com a tão sacaneada série de vampiros "Crepúsculo", apesar de divertida, só revela o atraso dos roteiristas, que nem conhecem os romances preferidos da garotada atualmente. Pelo menos, o filme fica cravado em minha memória pela pior cena de sexo de todos os tempos...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sem Dor, Sem Ganho (Pain and Gain, 2013)

2013 vem sendo um ano muito bom para a sétima arte, recheado de belas surpresas - como esse mais novo filme de Michael Bay, ponto alto em sua fraca filmografia. A história real do personal trainer que resolve, com dois comparsas, roubar todas as posses de um cliente suspeito e bastante babaca da academia onde trabalha é um dos exemplos mais impressionantes de como a estupidez humana pode ir longe.

Parabenizo Michael Bay por certas escolhas bastante acertadas em sua obra, como o clima ensolarado do filme, a edição frenética e cheia de graças, os exageros condizentes com a trama absurda - tudo muito adequado com a loucura do golpe e seu desenlace. Além dessas decisões do diretor, seu elenco não o deixa na mão com atuações incríveis de Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie e Tony Shalhoub.

A grande sacada da obra está no equilíbrio entre os vários gêneros presentes, especialmente a comédia e o drama. Em certos momentos, lembrei-me do clássico Um Dia de Cão, de Sidney Lumer (vide a crítica aqui) - o público cria uma empatia pelo antagonista e seu plano fantasioso, apesar da questionável maneira como esses "inocentes vilões" tentam atingir seus objetivos. E, tal como no clássico setentista,o epílogo é como um soco de realidade, nos fazendo acordar dos delírios do protagonista na base do choque. Sem nenhuma dúvida, uma bela surpresa vinda desse diretor e fica-se na torcida para que o nível de seus próximos filmes não caia.

sábado, 12 de março de 2011

O Vencedor (The Fighter, 2010)


E mais uma vez, a nobre arte tomou as salas de cinemas. O boxe sempre foi um esporte poderoso em suas metáforas e extensões sentimentais, que ultrapassam as cordas do ringue para a vida dos lutadores, representando dramas, conquistas, sofrimentos e vitórias. Em O Vencedor, tem-se a história real de um boxeador que outrora fora brilhante no ringue, mas fracassou na vida pessoal ao afundar no mundo das drogas. E ele quase arrastou, sem querer, seu irmão mais novo para o fracasso, sendo agente e treinador do mesmo. A história de superação de ambos é o foco deste filme de David O. Russell.


Grandes atuações, especialmente de Christian Bale e Melissa Leo (vencedores do Oscar deste ano), além, é claro, de Mark Whalberg e Amy Adams, também ótimos. A direção é ótima, com muito vigor e personalidade. Incrível como O. Russell foge dos clichês, fazendo um filme de boxe completamente diferente de outras obras do gênero.


Contudo, há um grande problema em O Vencedor: a última luta não cativa e nem arranca emoção da plateia como ocorria em Rocky (em qualquer um dos seis filmes da série, a última luta sempre foi emocionante). Uma pena que o filme falhe neste momento que deveria ser de glória absoluta. Também senti falta de uma trilha incidental mais envolvente e poderosa.


É um bom filme, que mereceu cada um de seus prêmios. Mas uma pena que seu clímax não tenha a mesma força que seu protagonista Micky Ward.