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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Midnight Express #007 - A Última Sessão de 2016?


SETE HOMENS E UM DESTINO (2016) 

Fui surpreendido positivamente por essa refilmagem. Mantenho a opinião de ser mais uma refilmagem absolutamente desnecessária, mas como me diverti vendo um faroeste numa telona de cinema. Antoine Fuqua ainda é um diretor de mão pesada, com mais erros que acertos em sua filmografia, mas aqui entrega um bom blockbuster de um gênero que merece mais atenção do grande público.

O grande mérito é sem sombra de dúvida do elenco muito bem escolhido. Denzel Washington é um puta ator e faz um trabalho joia. Chris Pratt, sempre muito agradável, transmite bom humor e intimida quando necessário. Ethan Hawke, com o personagem mais profundo do bando, entrega uma performance ótima e crível. Byun-hun Lee e Manuel Garcia-Rulfo e Martin Sensmeier estão competentes, com papeis fortes. Mas o meu destaque pessoal é Vincent D’Onofrio, que entrega uma atuação espetacular – sua última cena é um atestado da competência e um exemplo de porque D’Onofrio é um dos maiores atores da sua geração (pessoalmente, espero muito que ele ganhe algum Oscar, assim que pegar algum papel de mais destaque, desenhado para as grandes premiações). E não posso me esquecer de Peter Sarsgaard como o grande vilão, em ótima atuação também.

O que mais me agradou foi a clara intenção do filme em divertir e envolver o expectador durante suas pouco mais de duas horas de duração. As cenas de ação são muito bem filmadas e a fotografia é muito bonita. Seria muito legal ver mais filmes de faroeste nos cinemas, além das investidas de Tarantino. Quem sabe a boa bilheteria não desperte mais o interesse dos grandes estúdios…


O CONTADOR (2016)

Esse filme novo do Ben Aflleck tem como seu maior trunfo o próprio Ben Aflleck, numa boa atuação. Aliás, eu mesmo nunca fiz ou participei da expiação pública que esse cara recebeu em diversos momentos de sua carreira, que apesar de irregular, possui alguns bons títulos e interpretações razoáveis. Arrisco dizer que neste filme ele entrega sua melhor interpretação, como um letal assassino com algum grau de autismo.

O filme conta com a boa direção de Gavin O’Connor e ótimos atores em interpretações eficientes (Anna Kendrick e o sempre competente J K Simmons). E trata-se de um ótimo entretenimento, apesar da projeção ser um pouco longa demais, o roteiro dar algumas escorregadas tentando explicar demais e o final meio melodramático. Não sei se vale a pena um ingresso de cinema, mas vale uma tarde chuvosa no sofá da sua sala.  


A GAROTA DO TREM (2016)

É meio bizarro pensar na projeção de um filme como A Garota do Trem, no âmbito de divulgação e retorno financeiro para o estúdio. O filme não passa de uma sessão Supercine de luxo, com alguns nomes mais famosos reunidos numa trama meio sem sal. Durante a sessão, confesso que o filme me prendeu em sua trama principal, mesmo com os furos de roteiro e situações muito inverossímeis, além de um desagradável excesso de personagens que parecem não servir para nada, além de encherem linguiça. A direção enfadonha de Tate Taylor também não ajudou em nada.

Se há algo elogioso no filme é a graciosa Emily Blunt, que é a personagem principal, uma moça alcoólatra que se vê envolvida no desaparecimento de uma ex-vizinha sua. O tom de suspense/thriller é muitas vezes substituído por tintas melodramáticas, principalmente pela inabilidade do diretor e seu roteiro confuso, com idas e vindas na linha temporal desnecessárias. Não é um filme ruim, mas não passa do mediano.


DARK SIGNAL (2016)

  Ai ai… O que dizer de DARK SIGNAL? Meus motivos para assistir o filme não eram os mais sólidos possíveis. Eu simplesmente gostei muito do pôster e resolvi dar uma chance.

Uma experiência realmente deplorável. DARK SIGNAL parece a junção de dois roteiros diferentes, unidos por um fiapo de ideia sem sentido. O filme é um misto de Sexto Sentido com Vozes de Além, suspense/terror/drama, absurdamente previsível e sem graça. As atuações são atrozes (com exceção de James Cosmo, numa ponta justificada só justificada por alguma conta atrasada) e a direção é sem nenhum estilo ou personalidade. As tentativas de surpreender o público são pífias, além do filme ser absurdamente longo – 108 minutos de atores sofríveis recitando falas horríveis numa trama péssima. Forte candidato a pior filme de 2016.


BASTILLE DAY (2016)

Assisti esse aqui já fazem alguns meses e eu me lembro que achei o filme um bom entretenimento, especialmente pra quem é chegado num espetáculo mais casca-grossa, como é o meu caso. Agora, se vocês me perguntarem sobre o que era o filme... Porque o que Bastille Day tem de truculência do protagonista, encarnado por Idris Elba, é inversamente proporcional ao seu conteúdo e as próprias cenas de ação do filme. 

É melhor que muito filme lançado no mercado direct-to-video e serve como bom veículo de ação para Idris Elba (que segura o filme sozinho), mas não deixa de ser esquecível.


ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (2016)

Eu sou um leitor e fã do universo Harry Potter, mas acompanhei essa produção com bastante desconfiança. Não gostei dos trailers, não gostei do protagonista e achei a ideia da adaptação meio que injustificável. Felizmente, eu cravo minhas previsões catastróficas como um grande equívoco, pois esta aventura foi uma deliciosa experiência na sala de cinema e eu me diverti  horrores. Destaco principalmente o maravilhoso elenco (especialmente o quarteto protagonista, com Dan Fogler roubando a cena) e o tom saboroso do filme. Me senti criança, mais uma vez, e mal posso esperar pelo próximo da série.

EXCESS FLESH (2015)

Quem gosta de se aventurar pelo submundo do cinema de horror, como eu, volta e meia se depara com filmes independentes com idéias interessantes não tão bem executadas. Pode ser o caso deste Excess Flesh, um exercício (pretensioso, talvez) transgressor sobre alguns temas mais batidos como o culto ao corpo e bullying, depressão e toda aquela conversa. É razoável e tem seus bons momentos, mas o final força a barra e tenho a nítida impressão que o diretor poderia ter feitos escolhas mais simples na maneira de narrar sua trama. Quem sabe não sai coisa melhor em seu próximo filme?


KICKBOXER VENGEANCE (2016)

Quem tem carinho pelos filmes do começo da carreira do dínamo belga precisa conferir este aqui. A trama já foi vista umas cem milhões de vezes (após a morte de irmão nas mãos de um lutador barra-pesada, jovem viaja ao Oriente, treina com um mestre fodão/sacana e enfrenta o vilão), mas eu nunca me canso. Mesmo assim, tenho minhas reservas ao protagonista bem sem graça que, para nossa sorte, não está sozinho em sua jornada. Assim, Jean Claude Van Damme e Dave Bautista (como o mestre e o vilão, respectivamente) mandam muito bem e garantem a diversão. E as cenas de luta são muito bem filmadas, por isso vale a conferida.


ASSASSINO À PREÇO FIXO 2 (2016)

Não tem jeito meus amigos: eu adoro o Jason Statham. De longe, é meu favorito herói dos filmes de ação da atualidade. Essa é a continuação da fraca refilmagem de 2011, mas que supera a obra anterior por ser muito mais divertida e menos pretensiosa. Tudo bem que acaba descaracterizando toda a classe em torno do assassino e seu método, mas quem se importa quando temos Statham incorporando o brucutu com bastante violência. Tem suas pontas soltas e gostaria de Statham voltando para outros personagens seus (como o sem noção Adrenalina), mas um filminho dele como protagonista sempre vai iluminar minhas tarde. 

THE NEON DEMON (2016)

E, por fim, THE NEON DEMON. O plano era escrever uma postagem mais longa, mas resolvi escrever sobre a decepção do ano antes que o tal ano acabasse. O último filme do excelente diretor Nicolas Winding Refn é um maravilhoso espetáculo visual, com suas já citadas homenagens e referências a clássicos como Suspiria, mas com um conteúdo tão raso e superficial que chega  a assustar de verdade a obviedade da coisa toda. Ao entrar e criticar o mundo da moda, Refn não consegue aprofundar suas teses e se alimenta dos próprios chavões que pretende detonar, criando um produto sem nenhuma alma. Com uma protagonista extremamente sem graça, salva-se Jena Malone como a complexa "amiga" e Keanu Reeves surpreendendo muito como um degradante e nojento dono de um motel. "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento". 

sábado, 7 de março de 2015

Dying Of The Light (2014)



Ufa: uma leve folga na onda de filmes horríveis com Nicolas Cage. Mas nem se animem, pois DYING OF THE LIGHT também não é lá essas coisas. Trata-se de um thriller sobre um agente da CIA (Cage), com um grande trauma da carreira ao ter sido sequestrado por um terrorista árabe e ter sido torturado. Na ocasião, o agente foi resgatado e o terrorista escapou, resultando em anos de investigação por parte de Cage, até acharem uma pista bastante concreta do paradeiro do vilão.

Entretanto, o americano acaba afastado da agência após o diagnóstico de demência (um detalhe: imagine o quão conveniente é para Nic Cage interpretar um personagem com uma degeneração neurológica, dando abertura para aqueles excessos artísticos que ele costuma cometer – para nossa diversão!). E, após o afastamento, o agente resolve ir atrás do terrorista, com a ajuda de um pupilo mais novo (Anton Yelchin) para se vingar pela tortura sofrida no passado.

É um filme bem esquemático e sem nenhuma novidade, mas há algo que me atrai nestes “thrillers”, com cara de sessão do SUPERCINE. Porém, se você olhar a qualidade dos nomes envolvidos e observar o resultado... É bem verdade que a edição disponível para assistirmos é diferente daquela idealizada pelo diretor e pelos atores (só para constar, a direção é só do Paul Schrader...), o que gerou um protesto por parte de Cage, Schrader, Yelchin e o produtor executivo Nicolas Winding Refn (leia mais sobre a história aqui). Ainda assim, versão do diretor ou não, o roteiro é um texto que já foi filmado e explorado outras diversas vezes no mundo do cinema e outra mídias.


Com um resultado meio simplório para uma equipe tão interessante reunida, mantenho elogios para DYING OF THE LIGHT. Especialmente pelo sopro de alívio na carreira de Nic Cage, a trama sobre a guerra ao terrorismo (e ter filmes sobre este assunto, no período em que vivemos, não deixa de ser importante para nos levar a uma reflexão, mesmo que mínima) e o bom elenco de apoio (que ainda conta com Alexander Karim – muito bom na pele do terrorista – e a bela, talentosa e meio que sumida Irene Jacob). Só mais um detalhe: é melhor do que o superestimado Sniper Americano, que achei uma porcaria (já adiantando a opinião, caso resolva escrever sobre ele por aqui). 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Drive (2011)



Nicolas W. Refn, realizador de filmes excepcionais como Bronson e Valhalla Rising. Em sua mais última obra, o filmaço de ação Drive, Nicolas não decepciona e entrega mais uma joia para a plateia ávida por bons filmes. Drive foi um dos grandes filmes do ano passado e deverá ser lembrado posteriormente na galeria dos grandes filmes de ação já feitos.

Muitas coisas me agradam em Drive: primeiramente, a direção estilosa do dinamarquês, que transforma um roteiro relativamente simples num espetáculo de ação. Como Ronald Perrone afirmou em seu blog, Dementia 13, a direção nas mãos de outro diretor (Neil Marshall esteve cotado para a direção) poderia resultar num filme bem prosaico. Com o comando de Refn, este, definitivamente, não é o caso.


O elenco de Drive tem um quê de fantástico, também. Além dos ótimos suportes dos vilões, encarados por Ron Perlman e Albert Brooks, o filme conta com Bryan Cranston e a bela e talentosa Carey Mulligan, todos dando suporte a uma incrível atuação minimalista de Ryan Gosling, como o protagonista de poucas palavras que responde muito bem quando a situação exige "um pouco" de violência. Gosling compôs um personagem marcante, que me lembrou do protagonista da obra anterior de Nicolas Refn, Valhalla Rising.

Em uma das cenas mais violentas do filme, Nicolas Refn consultou o diretor Gaspar Noé, sobre efeitos visuais e dicas para torna-lá mais realista. Não quero dar spoiler, mas quem conhece a filmografia de Noé, sabe o que esperar do quesito violência...

E, por fim, destaco os aspectos técnicos da obra, como a ótima fotografia, o design de produção e a campanha de divulgação, com aqueles excelentes cartazes com escrita em neon rosa (era o q pareciam, para mim - neon). Em consonância com os tais cartazes, está a trilha sonora do filme, simplesmente excepcional, com uma escolha de músicas eletrônicas, meio dark-pop e de sonoridade retrô (como a faixa Nightcall, tocada durante os créditos iniciais).



E com todo seu estilo, Drive cativa o público sedento por bons filmes de ação (que é o meu caso, definitivamente). Os produtores e a própria Hollywood parece ter se esquecido daqueles grandes filmes dos anos 70, um cinema de ação com conteúdo e estilo que há muito tempo eu não via (pelo menos em obras vindas dos Estados Unidos). Não vou nem perder meu tempo comentando a falta de mais indicações ao Oscar, que sempre comete erros, mas a premiação do diretor em Cannes prova a competência do filme.

Drive é um verdadeiro resgate deste saudoso cinema, sem barulheira ou cenas de ação tiradas de videogames para entreter o público. Tem-se "apenas", e repito "apenas", uma estória bem contada por um grande elenco e um diretor excepcional, que sabe transformar roteiros em filmes de verdade. Resta-me agradecer a Nicolas W. Refn, por ter presenteado os cinéfilos com este grandioso filme.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Valhalla Rising (2009)


Lirismo e brutalidade juntam-se nesta obra magnífica do dinamarquês Nicolas W. Refn sobre um guerreiro caolho que, depois de escapar de um bando de cruéis bárbaro que o mantinham como prisioneiro, ele parte com um bando de cruzados para a terra prometida. A principio, o filme inteiro resume-se a essa ínfima sinopse.

É interessante que, uma boa parte das críticas negativas se apóia sobre o fato da trama não ser muito evidente, assim como o mote do filme. Verdade seja dita Valhalla Rising não é um filme explicativo; pelo contrário, é uma obra contemplativa. Assim, um público ávido por explicações e histórias bem definidas pode acabar se decepcionando com o ritmo da obra.

No entanto, eu vejo aí um de seus grandes atributos: Valhalla Rising é um filme difícil, quase sem falas, completamente diferente de TUDO que eu já assisti na minha vida. Trata-se de um filme de ritmo único e lento, mas sem deixar de ser interessante.

Se vocês me pedissem para estabelecer o tema da obra, eu não saberia dizer. Podemos encarar que o filme trata de um diálogo entre o homem e a natureza; ou também sobre a brutalidade dos homens numa época de tanta violência e brutalidade como foi a Idade Média. Acredito que um dos temas do filme é a jornada que alguns homens fazem, fugindo de um inferno para um outro, ainda pior. O guerreiro caolho de nome One Eye (interpretado com crueza por Mads Mikkelsen) escapa de seus torturadores para uma viagem infernal e um epílogo pior ainda. Alguns homens não conseguem fugir do mal e One Eye é um desses...

A obra é ainda, recheada de muitos atributos técnicos, em especial a fotografia magnífica do filme. A obra foi realizada em território escocês – terra dos celtas. Trata-se de um cenário de tirar o fôlego, muito bonito mesmo. Dificilmente, algum outro filme este ano apresentará uma fotografia tão bela.

A direção de Refn é segura e consciente, porém sem muito estilo pessoal (eu pelo menos não o percebi). A interpretação crua e seca de Mikkelsen ajuda muito no tom da obra, que em muitos momentos choca pela violência mostrada. Não se trata daquela violência típica de filmes da série Jogos Mortais, mas aquela coisa mais realista e incômoda, completamente inesperada em alguns momentos, realista por excelência.

Dificilmente, a obra chegará ao conhecimento do grande público. Contudo, para aqueles que apreciam um filme diferenciado, com muitas interpretações possíveis – ótimos para serem analisados em rodas de discussão – Valhalla Rising torna-se, praticamente, obrigatório.