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terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012)



Até me diverti com essa refilmagem, mas não tem nada demais no filme. Não se deve cair no erro da comparação, pois essa obra é, aparentemente (pois não li o livro original), mais fiel ao seu manuscrito de origem – um livro de Phillip K. Dick, tornando-a BASTANTE diferente da clássica fita dos anos 90.

As cenas de ação são bacanas (especialmente a primeira perseguição a pé), as atuações estão ok e a trama em si é bem clichê no mundo da ficção científica. Colin Farrell é um ótimo ator e segura o longa com tranquilidade, convencendo nas cenas atléticas e na dramaticidade. Kate Beckinsale, sempre bela, como a letal vilã, também está muito bem.

O grande trunfo dessa refilmagem está no visual meio indeciso e caótico. O futuro no filme é uma mistura de Blade Runner com Eu Robô e até um pouco de Solaris parece inspirar os ambientes. É uma confusão enorme, mas que garante um filme bonito para os olhos...
 
Como grande revés, está a trama, que procura ser complexa, mas, em sua essência, me parece mais uma reformulação da manjada luta de classes. Nada contra, mas já vi isso umas doze mil vezes. Outra negativa é a trilha sonora ordinária e o final, mais especificamente a última cena – simplesmente não sabiam como acabar o filme e colocaram uma cena besta, que tenta surpreender, mas não consegue.

Não sou contra as refilmagens e essa em questão me surpreendeu por não expressar um óbvio esgotamento criativo entre os estúdios de Hollywood. Esquecendo o pequeno detalhe de já existir uma versão dessa estória, O Vingador do Futuro é uma divertida sessão de cinema. Contudo, se você não paga meia entrada no cinema, aconselho você a alugar esse filme. Talvez, o preço caro das salas de cinemas atuais e a presença de uma garotada chata na sessão possa tornar o filme numa experiência desagradável.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Drive (2011)



Nicolas W. Refn, realizador de filmes excepcionais como Bronson e Valhalla Rising. Em sua mais última obra, o filmaço de ação Drive, Nicolas não decepciona e entrega mais uma joia para a plateia ávida por bons filmes. Drive foi um dos grandes filmes do ano passado e deverá ser lembrado posteriormente na galeria dos grandes filmes de ação já feitos.

Muitas coisas me agradam em Drive: primeiramente, a direção estilosa do dinamarquês, que transforma um roteiro relativamente simples num espetáculo de ação. Como Ronald Perrone afirmou em seu blog, Dementia 13, a direção nas mãos de outro diretor (Neil Marshall esteve cotado para a direção) poderia resultar num filme bem prosaico. Com o comando de Refn, este, definitivamente, não é o caso.


O elenco de Drive tem um quê de fantástico, também. Além dos ótimos suportes dos vilões, encarados por Ron Perlman e Albert Brooks, o filme conta com Bryan Cranston e a bela e talentosa Carey Mulligan, todos dando suporte a uma incrível atuação minimalista de Ryan Gosling, como o protagonista de poucas palavras que responde muito bem quando a situação exige "um pouco" de violência. Gosling compôs um personagem marcante, que me lembrou do protagonista da obra anterior de Nicolas Refn, Valhalla Rising.

Em uma das cenas mais violentas do filme, Nicolas Refn consultou o diretor Gaspar Noé, sobre efeitos visuais e dicas para torna-lá mais realista. Não quero dar spoiler, mas quem conhece a filmografia de Noé, sabe o que esperar do quesito violência...

E, por fim, destaco os aspectos técnicos da obra, como a ótima fotografia, o design de produção e a campanha de divulgação, com aqueles excelentes cartazes com escrita em neon rosa (era o q pareciam, para mim - neon). Em consonância com os tais cartazes, está a trilha sonora do filme, simplesmente excepcional, com uma escolha de músicas eletrônicas, meio dark-pop e de sonoridade retrô (como a faixa Nightcall, tocada durante os créditos iniciais).



E com todo seu estilo, Drive cativa o público sedento por bons filmes de ação (que é o meu caso, definitivamente). Os produtores e a própria Hollywood parece ter se esquecido daqueles grandes filmes dos anos 70, um cinema de ação com conteúdo e estilo que há muito tempo eu não via (pelo menos em obras vindas dos Estados Unidos). Não vou nem perder meu tempo comentando a falta de mais indicações ao Oscar, que sempre comete erros, mas a premiação do diretor em Cannes prova a competência do filme.

Drive é um verdadeiro resgate deste saudoso cinema, sem barulheira ou cenas de ação tiradas de videogames para entreter o público. Tem-se "apenas", e repito "apenas", uma estória bem contada por um grande elenco e um diretor excepcional, que sabe transformar roteiros em filmes de verdade. Resta-me agradecer a Nicolas W. Refn, por ter presenteado os cinéfilos com este grandioso filme.