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domingo, 29 de maio de 2022

Livro: Memórias de Um Rato de Locadora por L. G. Bayão


Uma boa adição no espaço da minha biblioteca destinado a livros sobre cinema, Memórias de um Rato de Locadora tem a proposta de listar 80 filmes mais ou menos "esquecidos", como se fossem fitas um tantinho empoeiradas de uma saudosa locadora em detrimento da grande oferta e lançamentos constantes de obras. São filmes que até tiveram seus momentos de maior reconhecimento, entretanto hoje não são tão bem lembrados quanto talvez deveriam. 

Trata-se de uma proposta interessante, mas devo confessar que o título do livro me indicou que iríamos por outro tipo de narrativa, mais memorialista mesmo. Ainda assim, o escritor L. G. Bayão, que também é roteirista de uma penca de filmes nacionais (Kardec, O Doutrinador, entre outros) faz um bom trabalho elencando esses filmes com sinopses suscintas e eficiente em chamar atenção a essas obras. 

Devo elogiar também a seleção de filmes que conta com algumas pérolas esquecidas de fato: pouca gente se lembra da ótima comédia dos anos 90 Empire Records; quem se lembra do divertidíssimo Os Sete Suspeitos com o sempre incrível Tim Curry? Como esqueceram as incríveis perseguições de carro de Ronin, do John Frankenheimer? Ou como encontrar um filme obscuro como a comédia italiana Por Incrível que Pareça, do realizador italiano Uberto Molo?

Entretanto, fica a ressalva quanto a seleção por incluir muito pouco de cinema de gênero, além de não contar com sequer um título de terror, gênero de extrema importância nos mercados de VHS, até os dias atuais. A listagem do livro é coerente, entretanto creio que haveria espaço para citar algumas fitas de horror. 


É um belo trabalho de resgate, mas fica ainda a sugestão de obras de cunho mais pessoal que consigam transmitir a indescritível e inesquecível sensação de se entrar numa videolocadora. Quem sabe eu não deveria investir nesse tipo de projeto...

Abaixo, listo os filmes que são comentados nesta obra:

- À Beira da Loucura
- A Pequena Loja dos Horrores
- A Trapaça
- Alma Corsária
- Almas Gêmeas
- Alucinações do Passado
- Amargo Reencontro
- Apenas Uma Vez
- As Aventuras do Barão Munchausen
- Backbeat: Os Cinco Rapazes de Liverpool
- Bandwagon: Pé Na Estrada
- Bar Esperança
- Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica
- Bom Dia, Vietnã
- Boys n the Hood: Os Donos da Rua
- Brazil: O Filme
- Busca Frenética
- Caindo Na Real
- Caminhos Violentos
- Cecil Bem Demente
- Cidade das Sombras
- Contos de Nova York
- Coração Iluminado
- Corra, Lola, Corra
- Cova Rasa
- Delicatessen
- Depois De Horas
- Diário de um Adolescente
- Donnie Darko
- Drugstore Cowboy
- Empire Records: Sexo, Rock e Confusão
- Estranhos Vizinhos
- eXistenZ
- Faca de Dois Gumes
- Festa
- Filhos da Esperança
- Frankie e Johnny
- Garotos Incríveis
- Gattaca: A Experiência Genética
- Gêmeas
- Ghost Dog: Matador Implacável
- Herói Por Acidente
- Hora de Voltar
- Joe Contra o Vulcão
- Jogos de Guerra
- Kafka
- Lost Boys: Os Garotos Perdidos
- Matinee: Uma Sessão Muito Louca
- Mentes que Brilham
- Mera Coincidência
- Miracle Mile
- Mistério No Colégio Brasil
- Nosso Querido Bob
- O Enigma da Pirâmide
- O Grande Golpe
- O Mistério de Lulu
- O Pagamento Final
- O Pescador de Ilusões
- O Processo
- O Último Guerreiro das Estrelas
- Os 12 Macacos
- OS Heróis não tem Idade
- Os Sete Suspeitos
- Paixão Suicida
- Para Sempre na Memória
- Parceiros do Crime
- Por Incrível que Pareça
- Rock & Rule: A Viagem Musical
- Ronin
- Separações
- Stay: A Passagem
- Te Pego Lá Fora
- The Commitments: Loucos pela Fama
- The Wonders: O Sonho Não Acabou
- Um Misterioso Assassinato em Manhattan
- Um Tiro Na Noite
- Um Visto para o Céu
- Vamos Nessa
- Vida de Solteiro
- Vidas Em Jogo

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Isaac Babel e a criação do King Kong


Isaac Babel e Merian Caldwell Cooper

Recentemente terminei um fabuloso livro chamado Os Possessos. A autora, Elif Batuman, divide, ao longo de pouco mais de trezentas páginas, suas pesquisas e aventuras  diante de sua linha de estudo: a literatura russa. Um dos capítulos discorre sobre Isaac Babel, escritor russo, morto em 1940, autor de A Cavalaria Vermelha e outras obras hoje consagradas, incluindo um diário com as recordações do autor entre os anos de 1919-1920, durante a Guerra Polaco-Soviética, em que atuou como membro da cavalaria cossaco, relatando a crueldade dos revolucionários comunistas.

Uma das melhores leituras do ano
Durante as pesquisas da autora, ela menciona um dos seus trechos favoritos do tal diário: a captura de um piloto americano, chamado Frank Mosher, que foi interrogado pelo próprio Isaac Babel. Segue um trecho do diário:

"Um piloto americano recém-abatido, de pés descalços, mas elegante, o pescoço como uma coluna, dentes impressionantemente brancos, o uniforme coberto de óleo e terra. Ele me pergunta preocupado: Será que talvez cometi um crime ao lutar contra a Rússia soviética?"

O que torna esse excerto muito mais interessante é que o senhor Frank Mosher é o pseudônimo de Merian Caldwell Cooper - futuro criado e produtor do clássico King Kong. No ano de 1919, Cooper se juntou a outros nove pilotos americanos no esquadrão aéreo Kosciuszko, unidade da Força Aérea Polonesa, para combater a União Soviética, com o pseudônimo supracitado. Seu avião foi abatido no dia 13 de julho de 1920 e, tendo sido rodeado por soldados soviéticos, teve sua vida polpada por "um bolchevique inominado que falava inglês". O registro do diário de Babel, citado no parágrafo acima, data do dia 14 de julho de 1920.



No ano de 1923, Merian Cooper se voltou para o cinema, mas foi só em 1931 que ele iniciou os trabalhos com King Kong, hoje um clássico absoluto do cinema. Na famosíssima cena do Empire State Building, Cooper é um dos pilotos que aparecem na cena- reflexo de suas experiencias como aeronauta em tempos de guerra. 

Um dos filmes produzidos por Cooper foi "Zaroff: O Caçador de Vidas", cujo vilão é um general cossaco de cavalaria que caça marinheiros naufragados por esporte, interpretado por Leslie Banks. Ainda no elenco estavam Fay Wray e Robert Armstrong que também estrelariam King Kong. 

Babel, infelizmente, não teve um final de vida feliz. Foi perseguido durante o terror Stalinista e acusado falsamente de espionagem e executado por um pelotão de fuzilamento em Lubianka, no dia 26 de Janeiro de 1940. Já Cooper teve uma longa carreira em Hollywood e ganhou um Oscar Honorário em 1953. Morreria 20 anos depois, 1 dia após a morte do ator Robert Armstrong, com quem trabalhara ao longo da carreira. 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Livro: Dylan Dog - Prelúdio Para Morte, por Dario Argento/Stefano Piani/ Corrado Roi

Lindíssima capa de um dos lançamentos do ano.
O anúncio de uma história em quadrinhos do personagem Dylan Dog escrita pelo mestre Dario Argento foi avassalador. No momento que eu soube, lá em 2018, sabia que teria de adquirir a obra de alguma maneira. A espera compensou: a Editora Mythos lançou um maravilhoso capa dura, grande e lindo, contando com um saboroso prefácio e notas da produção que irá agradar em cheio fãs do Dylan Dog, fãs do Dario Argento e fãs de belas histórias.

Um dos pontos que mais me impressionou foi a percepção passada de se entender o processo da criação desta narrativa pelo maestro Argento. Num saboroso posfácio denominado O Teatro Anatômico de Dario, Stefano e Corrado, somos apresentados ao pormenores da criação da obra. Tudo começou com Dario visualizando uma "bela mulher de longos cabelos pretos e com as costas cheias de cicatrizes". A partir de uma imagem tão plástica e intrigante (uma imagem, aliás, talhada para o mundo do cinema), criou-se uma trama. A partir de uma imagem a história passou a se desenrolar, com Dylan Dog seguindo esses rastros.

Em seguida, Dario associa elementos estranhos entre si, como a figura do Whipping Boy (na época vitoriana, punia-se um garoto pobre, amigo de um príncipe, caso a nobre criança cometesse erros),  o poeta neoclássico italiano Giuseppe Parini (e o intenso verso "Não se deve celebrar o sangue da alma que definha"), a pintura Lais Corinthiaca do mestre flamengo Hans Holbein (pintada em 1526 e exposta no Museu de Belas Artes da Basileia) além de BDSM. São elementos incrivelmente díspares, mas unidos numa envolvente trama, tal qual Argento fez em seus melhores filmes. A riqueza da narrativa impressiona muito.
Giuseppe Parini
Lais Corinthiaca

De quebra, há referências ao universo cinematográfico de Argento, como o próprio nome da HQ que remete a um dos filmes mais clássicos do diretor (Prelúdio Para Morte) e uma citação a banda Globin.

É um trabalho magistral, amigos. Uma obra de arte, uma aula de contagem de histórias e uma amostra maravilhosa da mente genial de Dario Argento. Vocês precisam ter este encadernado em suas coleções. 

sábado, 29 de outubro de 2016

O Fantástico Universo dos Filmes B e seus pôsteres

 O cartão de entrada para a venda de um filme é o seu pôster. E imaginem no caso dos famigerados filmes B, onde atores famosos costumam ser uma exceção; você precisa de uma arte de capa chamativa para atrair o público, muitas vezes com uma arte gráfica que, não raramente, supera a própria película. A publicação The Art of The B-Movie Poster (capa do livro ao lado) reúne mais de 1000 cartazes, de filmes situados entre os anos 40 e 70. São artes maravilhosas, de muitos artistas desconhecidos, um tipo de expressão artística praticamente esquecida em tempos de photoshop e mídias digitais. O livro pode ser facilmente encontrado nas livrarias de fora do país, por cerca de 35 doletas. 




domingo, 28 de agosto de 2016

Livro: Cidadão Cannes por Gilles Jacob

Publicado pela Companhia da Letras
em 2010. Bela capa para um belo livro
Frequentando uma deliciosa feira de livros aqui em Campo Grande, me deparei com uma mesa lotada de livros por 5 reais. Apesar de ser um colecionador de livros, acho difícil qualquer pessoa resistir a um preço desses. Entre todos os títulos que eu comprei, o primeiro que eu li foi Cidadão Cannes.

Por acaso esse blog se tornou um blog literário? Não. Acontece que Cidadão Cannes é um livro de memórias de Gilles Jacob, crítico de cinema e diretor do Festival de Cannes desde 1976. E a vida desse homem confunde-se com a história do mais prestigioso festival de cinema do mundo. 

Uma leitura muito gostosa e ligeira, Cidadão Cannes alterna entre capítulos sobre a vida pessoal de Gilles, principalmente sua juventude, e anedotas do Festival - os bastidores na seleção dos filmes, os egos dos diretores envolvidos, a politicagem na época da Guerra Fria para se conseguir um exemplar soviético ou a clandestinidade para se obter uma obra direto de algum país atrás da cortina de ferro. 

Esses são os grandes momentos do livro, que tornam a leitura essencial para qualquer amante de cinema. Escrito de um jeito poético, confesso que pouco me importei com as partes da vida pessoal de Gilles, mas essas partes não prejudicaram a leitura de forma nenhuma. Nesses trechos, aliás, a impressão que eu tinha era a de estar assistindo algum singelo drama europeu. 

Não sendo um livro muito fácil de achar, fica minha sugestão de leitura para vocês. Caso encontrem essa obra dando sopa em alguma promoção, não percam a oportunidade. Excelente leitura. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Cannes e a seleção de filmes

"Pois uma seleção não é um passeio salutar. Os filmes chegam, cada vez mais numerosos, cada vez mais diversos. É preciso aceitar visioná-los em um tempo cada vez mais curto. Transformar em atividade profissional o que deve continuar a ser um prazer e uma paixão. Não se pode conceder o tempo para degustar uma obra no ritmo que esta merece. É preciso dar uma reposta. Justificar-se, tranquilizando os autores decepcionados, resistir a produtores que nunca desistem. Ano sim, ano não, os grandes cineastas não filmaram. Angústia. Procura-se desesperadamente uma substituição. Já se ouvem os comentário: "Veja! Cannes não é mais Cannes". O ano seguinte, apreensão, a abundância de nomes célebres vai limitar o espaço para desconhecidos. Imagina-se o discurso: "Estava fácil demais!". Sem dúvida, vossa senhoria, mas um Fellini menor sempre será preferível a um esforçado que se superou. Além disso, se são sempre os mesmos aceitos, é porque fazem realmente os melhores filmes."

Trecho do livro Cidadão Cannes, de Gilles Jacob, publicado pela Companhia das Letras (2010).

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Semana Melhores do ano: Os Livros Favoritos do Ano - 2015

Olá queridos leitores! Vamos iniciar nossa semana de Melhores do ano, onde vou postar por aqui, meus livros, álbuns e filmes favoritos de 2015. Lembrando que em todas as categorias teremos apenas representantes lançados em 2015 (com exceção dos livros, pois se eu começar a ler apenas lançamentos, certamente vou falir em razão dos preços absurdos de um livro novo).

Vamos começar nossas famigeradas listas com meus 5 livros favoritos lidos em 2015. Enjoy!


1 - Remissão da Pena (Patrick Mondiano - Editora Record, 2015)

Lá se vão alguns anos desde que eu li Nada de Novo no Front e terminei o livro chorando - algo que só se repetiu neste ano com este livro. Esta autobiografia romanceada despertou-me da indiferença de muitas leituras, num verdadeiro nocaute emocional, especialmente quando me reconheço na pele do personagem autor e seus medos da infância, que eram os mesmos que os meus. Uma leitura muito curta (li o livro em praticamente 90 minutos), e por isso mesmo ainda mais efetiva e dolorosa. Com certeza, lerei mais Patrick Mondiano para 2016.




2 - Mar Inquieto (Yukio Mishima - Companhia das Letras, 2002)
O cotidiano atarefado e de responsabilidades sempre desperta um anseio de simplicidade, um bucolismo pelas pequenas sensações e coisas boas que a vida pode trazer. Esse romance encantador segue fórmulas de enredo já conhecidas, mas o mestre Mishima nos conta sua história de amor com tanta ternura, que é impossível não querer entrar dentro dessa realidade. Uma história romântica extremamente encantadora e nada piegas, algo que só um gênio literário poderia nos fornecer. Provavelmente, o livro que me mais me fez sorrir durante 2015.




3 - Battle Royale (Koushun Takami - Globo Livros, 2014)

Minha primeira leitura do ano e, acreditem se quiser, devorei o livro em dois dias - um calhamaço de quase 700 páginas. Uma vez começado, não consegui largar do livro, uma história selvagem e brutal de adolescentes numa espécie de reality show onde precisam se eliminar, literalmente, para que sobre apenas um sobrevivente. Um livro extremo e chocante em vários momentos, a leitura fluiu muito rápido e me divertiu bastante, apesar de sua brutalidade. Não, eu ainda não assisti a famosa adaptação com o Takeshi Kitano, mas já está na lista de filmes para assistir e resenhar no próximo ano.




4 - O Lobo (Joseph Smith - Alfaguara, 2009)

Durante um dia chuvoso, sem nenhuma responsabilidade imediata da faculdade, sentei-me na varanda de casa e comecei a ler O Lobo. Só acabei me levantando após o término de um dos livros mais imersivos do ano, que parece soprar um vento frio da floresta invernal da história. Escrito pelo ponto de vista de um lobo, a história avança lenta e cativante. A experiência foi semelhante a ouvir um cd de black metal da Lituânia num dia chuvoso e frio. Fica em "apenas" quarto lugar, por eu ter a impressão da leitura se potencializar bastante com um elemento externo (o tempo do dia).



5 - O Espião Que Saiu Do Frio (John Le Carré - Editora Record, 2013)
Amo literatura e filmes de espionagem e já estava mais do que na hora de ler este clássico do autor britânico, sua obra mais famosa e consagrada. E para quem ama esse tipo de livro e ama literatura em geral, esta é uma obra indispensável. A trama é cativante, a resolução é absurdamente imprevisível e o final é muito angustiante, um tapa na cara de realidade e crueza. Passado durante um dos períodos da história mundial que mais me fascina (a Guerra Fria), este é um dos livros mais importantes do século XX.



domingo, 8 de março de 2015

Resgatando As Maravilhosas Artes Das Fitas VHS

 Navegando pelo ótimo site Dread Central, encontrei uma notícia anunciando o lançamento de um livro muito bacana. Trata-se de VHS Video Cover Art (capa ao lado), um compêndio de mais de 200 capas de fitas, em escala completa, resgatando o saudoso universo das locadoras e das surpresas que suas prateleiras nos reservavam. 

Sem reservas quanto a gêneros ou estilo da capa, o organizador do projeto é ninguém menos que o artista Thomas Hodge - o artista por trás dos maravilhosos designs de pôsteres da empresa The Dude Designs - confira o portfólio dele aqui. Vou dar um jeito de adquirir essa belezinha, mas enquanto isso deixo um preview aqui para babarmos e relembrarmos com nostalgia da magia época das fitas VHS. 






quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Os 5 Melhores Livros Lidos Em 2012 Que Poderiam Se Tornar Filmes



O final de ano se aproxima e uma das tradições mais interessantes começa a se intensificar pela internet: a confecção de listas, dos mais diversos assuntos. Pessoalmente, adoro essas listas, mesmo quando a injustiça é uma das principais características desses rankings. Não entremos em polêmicas, porém – esse não é o nosso objetivo.

Aliás, essa é uma listinha diferente do que encontramos normalmente nos blogs de cinema: eis aqui uma lista de alguns dos livros que eu li esse ano que eu visualizo como um possível filme ou série; são livros que me marcaram de alguma forma e, provavelmente, posso encaixá-los como meus preferidos do ano.

Já estou preparando uma lista dos meus filmes preferidos de 2012. Em breve eu posto essa lista mais “coerente” com a temática do blog. Aguardem!


Propaganda Monumental (Autor: Vladimir Voinovich) – O melhor livro que eu li esse ano, uma sátira sensacional sobre o socialismo soviético e tudo que ele representou. As qualidades literárias são várias: a leitura é dinâmica e ácida, os personagens são marcantes, o livro tem um ritmo ótimo e o desenrolar da trama é maravilhoso. O que seria realmente formidável seria um filme baseado nesse livro, com um diretor que conseguisse aliar acidez, nonsense e crítica social bem forte. Mas seria uma adaptação bem difícil. Imagino os Irmãos Coen encarando a produção e um elenco cheio de veteranos. Enquanto um produtor esperto não lê minha sugestão, corra pra ler esse livro fantástico.


Nenhuma Razão Para Partir (Autor: Seth Cameron) – Dessa lista, esse é o exemplar mais recente que eu li. Recebi uma cópia das mãos do autor, que publicou o livro com uma tiragem minúscula. Trata-se de um livro romântico, bastante simples e sem nenhuma pretensão de se tornar um novo clássico. Entretanto, essa simplicidade esconde uma estória com um personagem interessante, cheio de tramas e complicações amorosas. O livro, em primeira pessoa, acompanha bem a psique do personagem principal, alimentando minha imaginação com um ator ideal para esse papel. Melhor que as pieguices do Nicholas Sparks, Nenhuma Razão Para Partir é uma bela estória romântica, que apesar de não ser meu estilo é superior a esses questionáveis best-sellers que viram atrocidades nos cinemas. Quem tiver curiosidade, pode comprar a versão digital do livro aqui.
 

Maus (Autor: Art Spielgeman) – Essa história abriu meus olhos para as graphic novels. Simplesmente incrível relato de um sobrevivente do holocausto – o quadrinista é filho do personagem principal. Um livro que recomendaria pra qualquer pessoa, tão impactante quanto os mais tristes filmes do tema. E a ideia de um desenho, na linha de Persépolis, tratando de um assunto tão polêmico e forte me parece um passo ousado no mundo do cinema. Mas não custa nada sonhar...



Educação Siberiana (Autor: Nicolai Lilin) – A máfia russa... Esse é um livro de relato em que o autor conta suas memórias quando membro da organização criminosa, quando ainda era um jovem muito perigoso. Cheio de histórias arrepiantes e muita violência - creio que uma série HBO baseada nessa obra seria uma ideia muito bacana, especialmente pela quantidade de detalhes e crônicas do cotidiano russo que o livro apresenta. Material excelente para um bom roteirista, não tenho dúvidas.


A Garota Einstein (Autor: Philip Sington) – Esse livro é mediano. O desenrolar dele é muito lento, com muitas tramas desinteressantes, idas e voltas temporais, além de muitas descrições. Entretanto, um bom roteirista pode enxugar esse excesso e construir um belo roteiro focado na interessante trama principal, que dá uma bela sujada no nome do Einstein. Poderíamos um belo noir histórico, com bom elenco em personagens interessantes além do desafio de um ator encarar o gênio alemão e torna-lo um personagem humano demais. Tem potencial.