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quinta-feira, 20 de junho de 2019

Midnight Express #008 - A volta (Dá para acreditar que a última dessas foi em 2016?)

As Falsas Tatuagens (Les Faux Tatouages, 2017)

Meus amigos, que filme incrível. Após seus curtos 86 minutos, eu fiquei por um longo tempo pensativo, refletindo sobre um par de coisas. Desde o fato de ser um tipo de história a qual eu já fantasiei por muito tempo, o excelente uso da música no seu decorrer, até a riqueza no storytelling que não subestima o expectador - para mim, tudo funciona em AS FALSAS TATUAGENS. É uma história de amor com a música punk como pano de fundo, sem inovações ou piruetas narrativas - apenas uma bela trama muito bem contada. 

Possivelmente, meu lado adolescente foi capturado pela obra, mas impossível não destacar a duração precisa do filme e a mensagem já batida de que muitas coisas maravilhosas em nossas vidas não duram para sempre. Lembrou-me os maravilhosos filmes do John Hughes dos anos 80, uma ótima leitura atual de uma trama que se tornaria clássica nas mãos dele. Aliás, não há dúvidas que, se fosse uma produção norte americana, certamente teria conquistado um público muito maior. Definitivamente, terei este filme e sua trilha sonora na minha coleção. E quem conhecer a protagonista Rose-Marie Perrault, faça o favor de lhe passar meu telefone...

Armas Lendárias da China (Shi Ba Ban Wu Yi, 1982)

Quem tem netflix, tem de aproveitar porque tem muito filme chinês dando mole no catálogo, do maravilhoso universo da Shaw Brothers. ARMAS LENDÁRIAS DA CHINA é um título menor, com bastante ação e a presença sempre magnética do Gordon Liu, mas em termos de história e ritmo, o filme é um pouco intrincado e eu diria até meio confuso. Ainda assim, a linda paleta colorida, as belas lutas, o bonito som do idioma, as atuações exageradas  - todos os elementos que me tornaram apaixonado por esse tipo de cinema estão ali. Recomendo para fãs já iniciados.

A Última Fortaleza (The Last Castle, 2001)

Caramba, como eu gosto desse tipo de filme. Após uma injusta condenação, um lendário general americano é mandado para uma prisão militar, onde acabará entrando em um embate com o diretor da prisão. Robert Redford é o general e o saudoso James Gandolfini é o diretor da prisão, numa atuação incrível. Delroy Lindo e Mark Ruffalo são coadjuvantes de luxo. É um roteiro diferenciado, meus amigos, uma excelente construção de personagens com intérpretes inspirados. Há uma grande mistura de generos: filme de prisão, thriller militar, filme de tribuna, etc. Talvez, poderia ter pegado um pouco mais leve no drama em seu desfecho, mas ainda assim uma bela gema escondida da década passada.

Jogo de Espiões (History Is Made At Night,1999)

Foi uma interessante sessão: Bill Pulmann e Iréne Jacob estrelam este barato thriller de espionagem passado na Finlândia. Tudo gira em torno de uma fita de sacanagem com segredos militares russos e o interesse despertado na mesma pelos dois lados antagonistas da Guerra Fria. É aquele típico filme da saudosa sessão Supercine - produção de baixo orçamento, com dois atores conhecidos, sem muita ação, muito falatório, trama meio boba e tem até uma trilha sonora de free jazz bem maluca. Eu adoro esse tipo de produção, mas sei bem que sou minoria. Certamente, cai muito bem numa noite de chuva e um bom copo de chocolate quente. 

Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes Del Circulo Polar, 1998)

Mais um filme gélido, com a Finlândia de pano de fundo, mas muito mais artístico - OS AMANTES DO CÍRCULO POLAR é uma melancólica história de romance sobre dois adolescentes que se apaixonam quando crianças e, pelas circunstancias estranhas do destino, acabam vivendo um romance proibido. Dirigido por Julio Medem, um cineasta espanhol conhecido dos aficionados pelo cinema cult europeu, a obra é uma das mais melancólicas que já assisti, até seu desfecho surpreendente. É bonito e triste, bem filmado e com uma linda fotografia. E era um dvd que eu procurava há muitos anos para integrar minha coleção.

Furie (2019)

Meu primeiro filme do Vietnã, FURIE é uma fita de ação bem típica para quem gosta do gênero e já assistiu seus exemplares mais famosos. A trama gira em torno de uma mãe enfrentando tudo e todos em busca de sua filha. É legal ver a protagonista tomando porrada e ainda assim indo pra cima da bandidada, mas é notável a influência  do cinema sul-coreano na narrativa, quando o diretor resolve encher sua obra com drama, uma decisão pra lá de questionável. Lá pela metade da película, aparece o irmão da protagonista, que não adiciona porcaria nenhuma a não ser alguns irritantes minutos a mais. Foi legalzinho, mas só aguento uma dose.

The Dirt (2019)

Esqueçam as críticas que detonaram este filme injustamente: THE DIRT é uma cinebiografia divertidíssima (e em alguns momentos, bem chocante) da banda de Hard Rock Motley Crue - banda aliás que nunca me cativou, mesmo eu tendo uma fase que adorava esse tipo de som. O elenco está OK e a direção tem personalidade, mas definitivamente o chamariz do filme são as "anedotas" (ou melhor, loucuras) que permearam a história da banda durante seus anos gloriosos. Em alguns momentos, funciona quase como uma comédia bem escatológica (a cena com o Ozzy é, de fato, grotesca), mas há espaço para drama pesado e não tão bem executado. Me divertiu e quem estiver procurando um divertimento mais ligeiro, pode assistir sem compromisso - THE DIRT cumpre essa missão.

Kardec (2019)

Deixando de lado crenças, fé ou pitacos alheios, o Espiritismo pode render uma interessante série de histórias que cairiam bem como filme. A história de seu criador, Alan Kardec, poderia ser uma bela cinebiografia, mas fica muito aquém de seu potencial. A pobreza da produção é notável, assim como a fotografia escura e a sonoplastia ruim. Porém, o que mais incomoda é o roteiro precário e juvenil, totalmente sem ritmo, que empilha informações do biografado sem decidir qual rumo tomar. Os diálogos então... Acredito que é um território interessante a se explorar pelo cinema nacional, mas os amadorismos da produção precisam ser superados.

Holmes e Watson (2018)

É assustador perceber que o último filme protagonizado pelo Will Ferrell que eu realmente gostei foi de 2007 (Escorregando para A Glória). Tudo o que você leu de ruim sobre este filme está correto, além de um tenebroso agravante - o filme não é engraçado. A ideia de Ferrell e Jon C Reilly como Sherlock Holmes e Watson só funciona no papel mesmo. As piadas são ruins, a trama não é envolvente e o filme parece ter umas 4 horas de duração. Tem uma ou outra sacada até indutora de sorrisos (como a paródia ao filme do Guy Ritchie), mas no geral é uma grande farsa. Precisamos de um bom filme seu, Will!

Vingadores Ultimato (Avengers: Endgame, 2019)

O culto à Marvel é bem cansativo e xarope, mas convenhamos que eles entregam sim ótimos entretenimentos e não há como negar o esforço e a competência no encerramento da saga de seus heróis. Eu consegui assistir o filme no dia da estreia e me surpreendi com a sala lotada e absolutamente comportada durante a sessão - um fenômeno que por si só já é histórico em tempos de público mal educado em salas de cinema. 

Como amante de histórias em quadrinhos, eu vibrei junto nas diversas cenas épicas que o filme reserva, incluindo uma batalha final realmente espetacular. A junção de um elenco tão impressionante e o roteiro que reserva bons espaços para todos os seus MUITOS personagens (além de focar no drama com alguns personagens como o Gavião Arqueiro - um dos meus favoritos) são históricos. Talvez, minha maior crítica ao filme é que o filme é bastante previsível ao contrário do seu antecessor no que tange a história. Porém, VINGADORES ULTIMATO reserva muita emoção real e bem feita. Ao final, foi um evento mundial que eu gostei de fazer parte do meu jeito, pois por alguns momentos me senti um adolescente numa sala de cinema, sem o peso opressivo de celulares e conversas paralelas durante a sessão. 

domingo, 29 de maio de 2016

El Cadáver de Anna Fritz (2015)


Imaginem que uma jovem atriz, linda e no auge da carreira, simplesmente morre. E três jovens, um deles com acesso ao necrotério do hospital, resolvem ver o corpo da tal atriz. De apenas saciar a curiosidade mórbida os rapazes decidem tirar fotos e, numa escala maior psicopatológica, praticar sexo com o cadáver da atriz. 

Logicamente, uma sinopse dessas não reserva um filme agradável, para qualquer tipo de público. Agora que sobraram os cinéfilos malucos no recinto, vamos ao que interessa: EL CADÁVER DE ANNA FRITZ é uma produção espanhola (um país que já entregou uma obra-prima da escatologia e do cinema-extremo, o seminal Aftermath) intrigante. O desenrolar é um tanto quanto previsível, o que possivelmente prejudicou a avaliação final da obra, mas durante a projeção me prendeu o suficiente. 


Apesar de não ter muitos atrativos técnicos, que permitiriam que o filme decolasse, a obra reserva sólidas interpretações do trio de jovens citados, cujas personalidades vão se degradando ao longo da projeção. Como já mencionei, mesmo sendo previsíveis, o desenvolvimento psicológico dos personagens é coerente com as situações da narrativa. 

E apesar de ser do mesmo país do já citado Aftermath, as duas obras não possuem nenhuma semelhança. Ao contrário do curta-metragem, EL CADÁVER DE ANNA FRITZ está anos-luz do choque, nojo e festival de maluquices de Nacho Cerdà. A obra do diretor Hector Hernandez Vicens resvala no tema necrofilia, com um visual muito sóbrio e limpo, não lembrando em nada a repulsa e revolta da outra obra citada. 

No final, apesar da sinopse reservar elementos chocante, esta película se resume a um thriller interessante, ainda que com suas parcelas de cenas revoltantes. Para os apreciadores de cinema extremo, um exemplar interessante e efetivo. Para os não iniciados nesse tipo de cinema mais alternativo, mas curiosos, este é um bom exemplar "pé no freio". Aos que se ofendem facilmente, recomendo distância deste aqui. 

sábado, 6 de abril de 2013

La Noche Del Terror Ciego (1972)



Incontáveis são os clássicos que preciso assistir. La Noche Del Terror Ciego é um dos maiores representantes do horror espanhol, talvez o maior, num dos países mais respeitados em se tratando de cinema fantástico. Trata-se de uma tradicional e incrível estória de zumbis, envolvendo os marcantes zumbis templários, frutos de cavaleiros medievais satanistas obcecados com a imortalidade. E não há força humana capaz de parar esses seres, principalmente após invadirmos a alcova deles.

Não há maneira de entregar mais sobre a sinopse da obra sem estragar as surpresas que seu belo roteiro nos reserva. Esqueça a preguiça que assola praticamente todas as fitas de horror da atualidade – com seus típicos personagens arquétipos e desenrolar previsível. La Noche Del Terror Ciego reserva um dos finais mais incríveis e impressionantes que eu já assisti, absolutamente tenso e aterrador – na linha de Zombie, clássico do mestre italiano Lucio Fulci. 


Além de seu incrível roteiro, como esquecer da direção fantástica de Amando de Ossorio, que filmou algumas das cenas mais marcantes do cinema de terror em todos os tempos. A imagem dos zumbis templários em seus cavalos atrás de uma pobre moça numa bela planície, sem dúvida é um dos grandes momentos cinematográficos já proporcionados pelo cinema de horror. Sem mencionar na incrível tensão proporcionada durante a aparição dos famigerados zumbis, especialmente durante o desfecho avassalador.

Outra cena incrível é a realização do ritual em que os templários supostamente alcançam a eternidade. Sem se tornar alegórico demais, Ossorio construiu uma incômoda imagem de um rito satânico, ao contrário do espírito carnavalesco que predomina visualmente nas obras atuais que emulam o tema. É claramente um filme barato, que supera com elegância possíveis obstáculos em relação ao orçamento.


Um dos recursos mais eficientes na filmagem de Ossorio é a utilização de uma dramática câmera lente, que intensifica estupendamente o drama da cena, aliado a um efeito sonoro incrível, uma espécie de cântico gregoriano infernal, cortesia de Anton Garcia. A própria trilha sonora do filme é fantástica, com seus temas incidentais cheios de ecos, me lembrando demais a brilhante trilha sonora do filme O Nome Da Rosa, produzido quase 15 anos após este.

As atuações são eficientes, mas o que mais me chamou a atenção foi como as personagens são densas, porém construídas de uma maneira que não se destacam - ainda mais se considerarmos os zumbis templários. Entretanto, os personagens são suficientemente densos para provocarem empatia e criarem um vínculo com o público.

Definitivamente, não tenho pressa em conhecer os vários clássicos que o cinema de horror tem para me apresentar. Para qualquer fã deste gênero, visualizar este filme é essencial e obrigatório, principalmente para quem quiser entender e compreender o fascínio que o mesmo exerce em pessoas como eu e tantos outros cinéfilos e cineastas por aí. 


 
OBS: Esta é uma postagem relacionada às tristes perdas do cinema espanhol durante esta semana - Jesus Franco e Bigas Luna. Ambos cineastas são autores de filmes muito especiais para mim, que me influenciam e me inspiram de várias maneiras. Não há nenhuma obra dos dois comentada no Midnight Drive-In, mas há tempo para reparar esse lapso. Se você não conhece nenhum dos dois autores e compactua, minimamente, com minhas opiniões, assista a alguns dos filmes deles. Foi uma triste semana para o cinema espanhol e mundial. Perdemos esses mestres, mas esperamos que muitos novos grandes cineastas espanhois continuem a enriquecer o mundo do cinema.

In Memorian: Bigas Luna (1946-2013)