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segunda-feira, 23 de março de 2020

Réu Primário (First Time Fellon, 1997)


Recentemente eu assisti uma grande quantidade (pelo menos para os meus padrões) de filmes e programas de TV envolvendo o ambiente prisional. Assisti nos cinemas o insosso Luta Por Justiça e me diverti com o programa Beyond Scare Straight (com adolescente problemáticos passando uma temporada numa prisão real), do famigerado canal A&E. Contudo, de todos os entretenimentos assistidos, o que eu mais gostei, por diversos motivos, foi a revisão do telefilme RÉU PRIMÁRIO, de 1997.

Sim, uma revisão de um filme que eu assisti na época de seu lançamento em nossas locadoras. Tenho a vívida memória da fita VHS acima, assim como de seu pôster estampado na locadora Hélio's Vídeo, que nós frequentávamos com bastante assiduidade. Um misto de surpresa e nostalgia me atingiram quando descobri na internet uma cópia dublada deste filme, a qual prontamente assisti.

Dessa forma, segue-se um alerta: existe uma possibilidade real de ter apreciado este filme não só por suas qualidades existentes, mas pelas ótimas sensações despertadas por ele. Quem acompanha meus parcos textos sabe da saudade que eu sinto das locadoras, fitas VHS e de como era ser cinéfilo nessa época de menor abundância de títulos e informações, mas maior importância.

A fita RÉU PRIMÁRIO foi dirigida por Charles S. Dutton, mais conhecido por sua carreira como ator em filmes como Alien 3, Tempo De Matar, Na Companhia do Medo e diveros seriados televisivos. Segundo a revista SET, de Março de 1998, o próprio ator é ex-presidiário, personalizando ainda mais sua primeira experiência como diretor.




A obra acompanha a história real de Greg Yance, traficante da gangue Vice Lords condenado a 5 anos de prisão com a opção de frequentar um acampamento militar de reabilitação por 120 dias, justamente por ser um réu primário. Nesses 4 meses, além da experiência com a rígida disciplina do acampamento, Greg lidará com colegas de gangues rivais, um sargento linha duríssima (ótima interpretação de Delroy Lindo) e a atuação voluntária desses presidiários para tentar conter as inundações de Mississipi, ocorridas em 1993. 

Felizmente, o elenco é muito bem escolhido. O personagem principal é interpretado por Omar Epps, que muitos anos mais tarde faria bastante sucesso no excelente seriado House. Sua performance não cai na armadilha de soar afetada ou vitimista. Assim como Delroy Lindo, que esculacha (com razão) os jovens presos, por entender que seus delitos (especialmente o tráfico) destroi não apenas a vida deles próprios como a de outros negros pobres e de famílias desestruturadas. Rachel Ticotin também participa como uma das superiores do acampamento. 

É profundamente recompensador o fato de RÉU PRIMÁRIO não ser explicitamente panfletário ou vitimista, como muitas obras mais atuais insistem em ser. Para uma parcela considerável de pessoas, um acampamento militar como o do filme não "endireita" um bandido, mas ainda permanece como uma opção de resgate dessas pessoas. Consoante a essa temporada, Greg testemunha os esforços de uma pequena cidade em evitar o alagamento da sua comunidade. A montagem da cena, misturando algumas imagens reais da National Geographic com o trabalho na montagem de barragens é muito eficiente. Destaca-se também a bonita trilha sonora do compositor Joseph Vitorelli - sem outros destaques em seu currículo - cujo trabalho se sobressai nestas cenas.

Apesar do baixo orçamento (percebido especialmente nas cenas iniciais do personagem na prisão) este telefilme mantém um ótimo padrão de qualidade em sua produção, algo rotineiro nos filmes feitos para a HBO. No Brasil, você só encontra esse filme em formato VHS, mas nos Estados Unidos há um lançamento em DVD, não tão simples de se encontrar (pelo menos em minhas primeiras buscas). 

Enquanto eu revia RÉU PRIMÁRIO, foi impossível não ser atingido por uma nostalgia, referente a como o nosso mercado de vídeo já foi muito rico, com bons lançamentos fora do circuito dos cinemas comerciais. Logicamente, era mais difícil ter estes filmes, a não ser que se fizesse uma cópia da fita da locadora ou desse sorte de gravá-la se fosse exibida na televisão (não tenho informações se este filme chegou a ser exibido em TV aberta, mas se algum dia foi exibido, eu apostaria que foi no SBT). Omar Epps e Delroy Lindo foram dublados por Gabriel Noya e João Ângelo, respectivamente.

Não é uma fita simples de se encontrar por aí, mas fica a sugestão de um ótimo telefilme, completamente esquecido e que merecia ser mais assistido. Agora, eu inicio a busca deste filme para minha filmoteca, onde certamente tem seu espaço garantido.   

Réu Primário (First Time Fellon, 1997) - Movie Stills







quinta-feira, 20 de junho de 2019

Midnight Express #008 - A volta (Dá para acreditar que a última dessas foi em 2016?)

As Falsas Tatuagens (Les Faux Tatouages, 2017)

Meus amigos, que filme incrível. Após seus curtos 86 minutos, eu fiquei por um longo tempo pensativo, refletindo sobre um par de coisas. Desde o fato de ser um tipo de história a qual eu já fantasiei por muito tempo, o excelente uso da música no seu decorrer, até a riqueza no storytelling que não subestima o expectador - para mim, tudo funciona em AS FALSAS TATUAGENS. É uma história de amor com a música punk como pano de fundo, sem inovações ou piruetas narrativas - apenas uma bela trama muito bem contada. 

Possivelmente, meu lado adolescente foi capturado pela obra, mas impossível não destacar a duração precisa do filme e a mensagem já batida de que muitas coisas maravilhosas em nossas vidas não duram para sempre. Lembrou-me os maravilhosos filmes do John Hughes dos anos 80, uma ótima leitura atual de uma trama que se tornaria clássica nas mãos dele. Aliás, não há dúvidas que, se fosse uma produção norte americana, certamente teria conquistado um público muito maior. Definitivamente, terei este filme e sua trilha sonora na minha coleção. E quem conhecer a protagonista Rose-Marie Perrault, faça o favor de lhe passar meu telefone...

Armas Lendárias da China (Shi Ba Ban Wu Yi, 1982)

Quem tem netflix, tem de aproveitar porque tem muito filme chinês dando mole no catálogo, do maravilhoso universo da Shaw Brothers. ARMAS LENDÁRIAS DA CHINA é um título menor, com bastante ação e a presença sempre magnética do Gordon Liu, mas em termos de história e ritmo, o filme é um pouco intrincado e eu diria até meio confuso. Ainda assim, a linda paleta colorida, as belas lutas, o bonito som do idioma, as atuações exageradas  - todos os elementos que me tornaram apaixonado por esse tipo de cinema estão ali. Recomendo para fãs já iniciados.

A Última Fortaleza (The Last Castle, 2001)

Caramba, como eu gosto desse tipo de filme. Após uma injusta condenação, um lendário general americano é mandado para uma prisão militar, onde acabará entrando em um embate com o diretor da prisão. Robert Redford é o general e o saudoso James Gandolfini é o diretor da prisão, numa atuação incrível. Delroy Lindo e Mark Ruffalo são coadjuvantes de luxo. É um roteiro diferenciado, meus amigos, uma excelente construção de personagens com intérpretes inspirados. Há uma grande mistura de generos: filme de prisão, thriller militar, filme de tribuna, etc. Talvez, poderia ter pegado um pouco mais leve no drama em seu desfecho, mas ainda assim uma bela gema escondida da década passada.

Jogo de Espiões (History Is Made At Night,1999)

Foi uma interessante sessão: Bill Pulmann e Iréne Jacob estrelam este barato thriller de espionagem passado na Finlândia. Tudo gira em torno de uma fita de sacanagem com segredos militares russos e o interesse despertado na mesma pelos dois lados antagonistas da Guerra Fria. É aquele típico filme da saudosa sessão Supercine - produção de baixo orçamento, com dois atores conhecidos, sem muita ação, muito falatório, trama meio boba e tem até uma trilha sonora de free jazz bem maluca. Eu adoro esse tipo de produção, mas sei bem que sou minoria. Certamente, cai muito bem numa noite de chuva e um bom copo de chocolate quente. 

Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes Del Circulo Polar, 1998)

Mais um filme gélido, com a Finlândia de pano de fundo, mas muito mais artístico - OS AMANTES DO CÍRCULO POLAR é uma melancólica história de romance sobre dois adolescentes que se apaixonam quando crianças e, pelas circunstancias estranhas do destino, acabam vivendo um romance proibido. Dirigido por Julio Medem, um cineasta espanhol conhecido dos aficionados pelo cinema cult europeu, a obra é uma das mais melancólicas que já assisti, até seu desfecho surpreendente. É bonito e triste, bem filmado e com uma linda fotografia. E era um dvd que eu procurava há muitos anos para integrar minha coleção.

Furie (2019)

Meu primeiro filme do Vietnã, FURIE é uma fita de ação bem típica para quem gosta do gênero e já assistiu seus exemplares mais famosos. A trama gira em torno de uma mãe enfrentando tudo e todos em busca de sua filha. É legal ver a protagonista tomando porrada e ainda assim indo pra cima da bandidada, mas é notável a influência  do cinema sul-coreano na narrativa, quando o diretor resolve encher sua obra com drama, uma decisão pra lá de questionável. Lá pela metade da película, aparece o irmão da protagonista, que não adiciona porcaria nenhuma a não ser alguns irritantes minutos a mais. Foi legalzinho, mas só aguento uma dose.

The Dirt (2019)

Esqueçam as críticas que detonaram este filme injustamente: THE DIRT é uma cinebiografia divertidíssima (e em alguns momentos, bem chocante) da banda de Hard Rock Motley Crue - banda aliás que nunca me cativou, mesmo eu tendo uma fase que adorava esse tipo de som. O elenco está OK e a direção tem personalidade, mas definitivamente o chamariz do filme são as "anedotas" (ou melhor, loucuras) que permearam a história da banda durante seus anos gloriosos. Em alguns momentos, funciona quase como uma comédia bem escatológica (a cena com o Ozzy é, de fato, grotesca), mas há espaço para drama pesado e não tão bem executado. Me divertiu e quem estiver procurando um divertimento mais ligeiro, pode assistir sem compromisso - THE DIRT cumpre essa missão.

Kardec (2019)

Deixando de lado crenças, fé ou pitacos alheios, o Espiritismo pode render uma interessante série de histórias que cairiam bem como filme. A história de seu criador, Alan Kardec, poderia ser uma bela cinebiografia, mas fica muito aquém de seu potencial. A pobreza da produção é notável, assim como a fotografia escura e a sonoplastia ruim. Porém, o que mais incomoda é o roteiro precário e juvenil, totalmente sem ritmo, que empilha informações do biografado sem decidir qual rumo tomar. Os diálogos então... Acredito que é um território interessante a se explorar pelo cinema nacional, mas os amadorismos da produção precisam ser superados.

Holmes e Watson (2018)

É assustador perceber que o último filme protagonizado pelo Will Ferrell que eu realmente gostei foi de 2007 (Escorregando para A Glória). Tudo o que você leu de ruim sobre este filme está correto, além de um tenebroso agravante - o filme não é engraçado. A ideia de Ferrell e Jon C Reilly como Sherlock Holmes e Watson só funciona no papel mesmo. As piadas são ruins, a trama não é envolvente e o filme parece ter umas 4 horas de duração. Tem uma ou outra sacada até indutora de sorrisos (como a paródia ao filme do Guy Ritchie), mas no geral é uma grande farsa. Precisamos de um bom filme seu, Will!

Vingadores Ultimato (Avengers: Endgame, 2019)

O culto à Marvel é bem cansativo e xarope, mas convenhamos que eles entregam sim ótimos entretenimentos e não há como negar o esforço e a competência no encerramento da saga de seus heróis. Eu consegui assistir o filme no dia da estreia e me surpreendi com a sala lotada e absolutamente comportada durante a sessão - um fenômeno que por si só já é histórico em tempos de público mal educado em salas de cinema. 

Como amante de histórias em quadrinhos, eu vibrei junto nas diversas cenas épicas que o filme reserva, incluindo uma batalha final realmente espetacular. A junção de um elenco tão impressionante e o roteiro que reserva bons espaços para todos os seus MUITOS personagens (além de focar no drama com alguns personagens como o Gavião Arqueiro - um dos meus favoritos) são históricos. Talvez, minha maior crítica ao filme é que o filme é bastante previsível ao contrário do seu antecessor no que tange a história. Porém, VINGADORES ULTIMATO reserva muita emoção real e bem feita. Ao final, foi um evento mundial que eu gostei de fazer parte do meu jeito, pois por alguns momentos me senti um adolescente numa sala de cinema, sem o peso opressivo de celulares e conversas paralelas durante a sessão.