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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Corra que a Polícia Vem Aí! (The Naked Gun, 2025)

Se um dia eu imaginasse, ao longo desses últimos anos, que o filme que me levaria a retomar este blog (sendo retomar uma palavra bem deslocada, considerando que é apenas uma postagem, depois de um longo tempo), nunca cogitaria que seria um reboot da franquia CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Mas, sinceramente, até que faz sentido.

Pare pra pensar: há muito se observa uma grande decadência das comédias nas salas de cinema; um gênero cuja parte do sucesso vem através do exagero e dos riscos da ofensa, acabou afundando no tsunami politicamente correto que abarcou o mundo todo, atingindo, principalmente, o mundo do entretenimento. Óbvio que o humor ainda estava presente em vários filmes, mas você consegue se lembrar da última pura e simples comédia que, porventura, você tenha assistido numa telona?

Procurando deixar quaisquer narrativas de lado, minha impressão pessoal é de que a comédia andou muito tímida ao longo dos últimos anos. Existia, naturalmente, o humor, numa penca de filmes, mas o besteirol puro e simples, sem amarras, daquele tipo que te deixa constrangido, chocado e chacoalhando o corpo com risadas - realmente não me recordo do último grande lançamento nesse estilo.

Por isso, até que faz sentido eu sair do meu comodismo, preguiça e procrastinação para dizer que eu me diverti bastante com esse reboot. Bastante mesmo!

Veja bem, não é um filme perfeito e tem alguns momentos realmente esquisitos e constrangedores num sentido ruim para comédias (quando só é esquisito). Mas eu não posso deixar de celebrar o esforço em se buscar aquele mesmo espírito anárquico, as piadas imbecis e até uma porção de tiradas inteligentes e homenagens bem sacadas (como a cena em que os personagens atuais - filhos dos personagens da trilogia original - fazem uma homenagem aos seus pais numa espécie de altar dentro da delegacia, incluindo uma esperta referência ao personagem interpretado pelo O. J. Simpson no passado).

Outro trunfo é a escalação de Liam Neeson como Frank Drebin Jr - ele está ótimo no papel, mantendo a cara séria que o Leslie Nielsen fazia e tornava tudo mais engraçado. No caso do irlandês, o fato de estarmos tão acostumados com ele fazendo papel de vingador inclemente torna hilário vê-lo falando bobagens sozinho dentro do carro da polícia ou sofrendo com uma dor de barriga quando aborda um suspeito no trânsito. Além disso, se tem uma coisa que eu gosto nesse filme são os diálogos cheio de duplo sentido - imagino que realizar a dublagem de um filme assim seja bem complexo.

Também gosto muito das performances de Pamela Anderson, Paul Walter Hauser (surpreendentemente contido) e Danny Huston (ator pouco lembrado em conversas cinéfilas e sempre muito eficiente nos seus papeis). Minha impressão é de que todos eles conseguiram entender o tom de atuação numa comédia desse naipe - não são necessárias caras e bocas, porque os diálogos e as situações já são "nonsense" o suficiente.

 E por falar em "nonsense", preciso comentar sobre o ponto que menos me agradou no filme: seu ritmo. Pra começo de conversa, os oitenta e cinco minutos do filme são um alívio num mundo onde uma grande parcela dos maiores lançamentos ultrapassam, desnecessariamente, as duas horas de duração. Contudo, em CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ temos uma bizarra sequência envolvendo um boneco de neve que, mesmo durando parcos cinco minutos, é tão deslocada e estranha que afeta consideravelmente a pegada do filme. A partir dela, há alguns lampejos de boas ideias, mas o filme parece literalmente correr (perdoem o trocadilho) para a resolução do plano boboca do vilão (que não faz o menor sentido e é requentado de outras obras, como o primeiro Kingsman). 

Mesmo assim, o saldo é positivo. Precisamos de mais filmes como CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Precisamos rir mais, precisamos do exagero de Hollywood, de atores que não se levam tão a sério, de riscos narrativos; talvez eu esteja exagerando ao considerar um reboot como um projeto de risco, mas no mundo atual de ofendidos de plantão, há alguma coragem em resgatar um besteirol clássico. Adoraria ver uma continuação deste aqui. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Busca Implacável 3 (Taken 3, 2015)



Depois de um segundo episódio muito fraco, Liam Neeson retorna para um terceiro capítulo ainda pior... É uma tristeza ver o que essa série se tornou - um genérico ruim, nada divertido e mal filmado produto de ação.

A culpa não é do gigante Liam, mas do roteiro absolutamente banal e da péssima, horrorosa, direção de Olivier Megaton; este francês (também responsável pelo segundo filme, ou seja: o cara que destruiu a série) simplesmente não sabe filmar cenas de ação. Algumas ideias razoáveis (como nas perseguições de carro) são desperdiçadas por um trabalho de câmera descontrolado e uma edição simplesmente incompreensível. 

Os problemas não são apenas da parte técnica. Ao final, após um clímax absolutamente ridículo com o risível vilão da obra - um mafioso russo - entrando num tiroteio de cueca (WTF!) temos um gritante caso de destruição da psiquê do personagem principal.  Explico: enquanto no primeiro filme, frente a um homem ameaçando sua filha, o irlandês abateu o vilão friamente, neste terceiro capítulo somos desrespeitados com o protagonista fazendo algo totalmente contrário ao que ele fez no primeiro filme. 

Desvirtuar o personagem dessa maneira só me confirmou uma coisa: eu não estava assistindo a um filme da série TAKEN, mas a uma babaquice genérica e muito, mas muito mal filmada. No pôster, está escrito "It Ends Here" (traduzindo livremente: "é o fim"); eu louvo aos céus, por essa sábia decisão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Busca Implacável 2 (Taken 2, 2012)




Estaria mentido se lhes dissesse que eu não me diverti durante a sessão. Mas estaria mentido se dissesse que fiquei satisfeito com o filme. Aliás, Busca Implacável 2 talvez possa ser considerada a maior decepção do ano nos cinemas (ao lado do último filme do Batman, que em breve será dissecado em nosso blog...), considerando o quanto gosto do primeiro filme.

Talvez, a explicação para essa decepção esteja na troca do diretor. Saiu o eficiente Pierre Morel e entrou Olivier Megaton, um diretor que sacrificou boa parte do realismo e urgência do filme original por tomadas mais estilosas e uma locação exótica (Turquia). Ao perder os dois  elementos  citados, Busca Implacável tornou-se um filme comum e incrivelmente ineficiente em envolver o público na tal busca implacável do super agente encarnado por Liam Neeson.

O filme começa cheio de “lengalenga”, com a filha do agente ainda traumatizada com toda a situação do primeiro filme e sua ex-esposa enfrentando crise em seu segundo casamento. Bryan propõem as duas uma viagem à Istambul, onde ele realizará um serviço. O problema é que os pais dos bandidos do filme original resolvem atormentar o herói, sequestrando suas filha e esposa na Turquia, iniciando uma perseguição entre o agente e os vilões.

A partir disso, Busca Implacável se torna mais do mesmo, só que com cenas bem menos memoráveis de ação e muita falta de coerência, especialmente porque parte das proezas que o filme apresenta não é feita pelo protagonista, e sim por sua filha. Como engolir a cena em que a moça começa a soltar granadas pelos telhados de Istambul e não aparece um policial sequer para investigar isso? Ou a direção agressiva e cheia de derrapadas da menina, que sequer tinha habilitação ainda?


As lutas pioraram também e o grande vilão da estória, um ancião albanês nada ameaçador, tem um final tão estúpido que me fez rir. Inaceitável os roteirista venderem uma tentativa de antagonista cruel e implacável que parece um mendigo fraco quando finalmente enfrenta o agente.

O filme não é ruim, mas definitivamente é uma decepção, especialmente se lembrarmos do primeiro. Honestamente, espero que a série pare por aqui, mas um terceiro roteiro já foi encomendado pela Fox. Parece que o Liam Neeson não está muito interessado em reprisar o personagem, então podem esperar uma série de continuações lançadas diretamente em dvd com um novo protagonista. Ou quem sabe o Bryan Mills de Neeson será convidado para o próximo filme d’OS Mercenários? O negócio é esperar...

OBS: É ridículo os cinemas exibirem apenas cópias dubladas do filme. Como se já não bastasse o preço absurdo do ingresso, somos obrigados a assistir ao filme sem o áudio original. Isso é ridículo!

domingo, 29 de abril de 2012

Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans, 2012)


Eu não quero simplesmente detonar o filme, mas Fúria de Titãs 2 é uma grande perda de tempo, para não dizer mais coisas. Não sou fã do primeiro filme, mas também não sou detrator – pois as cenas de ação funcionavam e a presença de Mads Mikkelsen sempre enobrece os filmes.  Nesta sequência, quase nada se mostrou interessante, sinceramente.

Fiquei bastante entediado no cinema, num misto de previsibilidade e tédio mesmo. Nem as cenas de ação me empolgaram, apesar de ter ficado impressionado com algumas interações entre atores e as criaturas virtuais que desfilam pela tela. A cena com a quimera e a cena no labirinto ilustram bem os avanços dos efeitos especiais nos cinemas...

Será que estou ficando menos tolerante com os blockbusters? Será que estou ficando mais velho? Será que estou ficando mais chato? Bem, independente dessas respostas, nada muda o fato de que Fúria de Titãs 2 é um filme bem fraquinho mesmo.