quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Origem (Inception, 2010)


Não me recordo o autor, mas existe um aforismo que resume muito bem o que Christopher Nolan fez em seu último filme: "A única forma de se conhecer um limite é ultrapassando-o". Nolan fez isto sobre todos os prismas possíveis numa obra cinematográfica: desde os pôsteres da campanha publicitária até a trilha sonora – Nolan implodiu a nossa limitada visão de filme inteligente com esta verdadeira maravilha. Não sei se revolucionário é uma palavra muito forte para o filme, mas inesquecível encaixa-se com precisão.

Seria muita ousadia da minha parte tentar esboçar uma sinopse digna para a obra. Basta sabermos que o filme mexe com o universo dos sonhos, todas as suas nuances e possibilidades. Consegue ser uma obra onírica (especialmente em seu visual, absolutamente inovador) e racional (com seu roteiro simplesmente perfeito), sé que isto é possível.

A escolha do elenco foi inspirada: desde novos talentos como Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt e Ellen Page que se destacam perto de excelentes atores já consagrados como Michael Caine, Cillian Murphy, Ken Watanabe,Pete Postlethwaite, Marion Cotillard e Leonardo DiCaprio, todos excelentes. Não houve uma seleção de elenco tão inspirada quanto esta no ano passado.

E o mais interessante é que A Origem é um filme inteligente, elaborado e divertido. Trata-se do entretenimento perfeito e, porque não, o filme perfeito.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Nacho Libre (2006)


Olhem as postagens abaixo: vocês perceberão que eu comentei sobre 3 comédias; para os que tiveram paciência de ler todas as resenhas, é possível que tenham notado um aumento gradativo dos elogios a cada filme. Bem, seguindo esta gradação, ficou muito adequado eu deixar minha opinião sobre Nacho Libre por último. Afinal, trata-se de uma das comédias mais legais que eu já assisti.

Apesar de não ser uma das obras mais conhecidas do comediante Jack Black, arrisco dizer que é seu melhor trabalho como comediante. Aqui, ele interpreta um monge chamado Nacho, que trabalha na cozinha de um mosteiro, cozinhando para os outros monges e para as crianças órfãs que vivem com os religiosos. Apesar de adorar as crianças, Nacho não está feliz com sua vida, pois ele tem uma grande paixão secreta e proibida por sua religião: a lucha libre.

Com a chegada da irmã Encarnación (Ana de la Reguera) ao mosteiro, Nacho resolve perseguir seu sonho; com a ajuda do "atlético" Esqueleto (Héctor Jiménez), ambos começam a lutar nos ringues de sua cidade. Mas precisará mais do que a vontade de Nacho para que eles não tomem uma surra a cada luta. Entretanto, mesmo perdendo, os dois ganham um bom dinheiro, o que os motiva a continuarem a ir aos ringues.

Jack Black está hilariante como Nacho, desde seu sotaque estranho até as cenas de luta, bem coreografadas e engraçadas. Jiménez também está engraçado como o afetado Esqueleto. A interpretação dos dois é decisiva para toda graça do filme. Entretanto, não há como não comentar a excelente direção de Jared Hess, também responsável pelo ótimo roteiro. Hess capturou aquele clima meio brega do México, misturado com o clássico Marcelino Pão e Vinho, de uma maneira muito bacana e atraente, dando um visual único para o filme.
Uma das coisas mais interessantes envolvendo a estória do filme é que o personagem de Black é baseado num padre mexicano conhecido como Fray Tormenta, que vestiu uma máscara de "luchador" para sustentar o orfanato que cuidava. Ele lutou durante 23 anos e, atualmente, se aposentou dos ringues e,apenas reza suas missas.
Nacho Libre é um filme extremamente engraçado e agradável. Trata-se, sem nenhum exagero, de uma das melhores comédias da década passada. Uma comédia de visual incomum e acima da média.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Se Beber não Case (The Hangover,2009)


Absolutamente original e engraçado, Se Beber não Case é uma comédia excelente. A escolha de elenco é perfeita (Bradley Cooper, Ed Helms e, principalmente, Zach Galifianakis, dão um show); os coadjuvantes, não raro, roubam a cena, como Ken Jeong (extremamente engraçado), Heather Graham (muito bonita e carismática) e Mike Tyson, interpretando ele mesmo numa ponta muito bacana. Sem falar também no cantor sem noção do casamento, interpretado por Dan Finnerty.

As atuações são ótimas, mas o grande mérito de Se Beber não Case recai sobre o seu roteiro excelente. O argumento inicial (após uma despedida de solteiros, amigos perdem o noivo e não se lembram de nada) é imbatível; e o desenrolar da estória é engraçado e desesperador (afinal, os caras só fizeram cagada nessa fatídica noite e tentam descobrir no dia seguinte o que aconteceu). Em nenhum momento o roteirista apela para as soluções fáceis e clichês. Trata-se, afinal, de um divertimento de primeira e altamente recomendado.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O Rei da Água (The Waterboy, 1998)

Existem filmes que só existem para divertir, nem que sejam por míseros 90 minutos de uma vida inteira. É o caso deste O Rei da Água, uma comédia tão boba e, por vezes, imbecil estrelada por Adam Sandler, que já flertava com o duo comédia/esportes muito antes de Will Ferrell. Neste filme em questão é o futebol americano o cenário para a estória do "lerdão" Bobby (Sandler), um simples filho de uma fazendeira linha-dura (Kathy Bates) que trabalha como o responsável pela água dos atletas durante o treinamento e o jogo.

Após ser demitido do time onde trabalhava (onde, também, era alvo de constantes humilhações), Bobby arranja emprego num time menor, bastante mal sucedido, liderado por um treinador excêntrico. Após sofrer provocações de um dos jogadores do novo time onde trabalha, ele resolve se defender, também por incentivo do treinador.

O time inteiro fica impressionado, pois Bobby dá uma pancada muito forte no provocador. O treinador vê nele a oportunidade de tirar seu time da lama, escalando Bobby na defesa de sua equipe. E é óbvio que o rapaz lesado irá levar esses azarões até a final, quando eles enfrentarão o time onde Bobby era humilhado.


Dá para perceber que o filme abraça todos os clichês possíveis. As atuações são todas propositalmente exageradas, intensificando os estereótipos do caipira sulista dos EUA. Nesse sentido, Kathy Bates está perfeita como a matrona arcaica, protetora e supersticiosa. Adam Sandler arranca algumas risadas genuínas com seu inocente personagem. Rob Schneider faz duas cenas como um caipira pirado – ele sempre faz uma pontinha nos filmes Sandler.

As cenas em que Bobby está jogando e surrando os atacantes dos times adversários são verdadeiramente engraçadas pelo exagero. Mas a maior parte do filme nos deixa com, no máximo, um sorriso no rosto. Mas, para mim, um sorriso no rosto é o que basta se observarmos a baixa qualidade das últimas comédias lançadas no mercado. Abaixo, as melhores cenas do filme, ou seja, as pancadas de Bobby durante o jogo.