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sábado, 7 de janeiro de 2023

Little Nicky - Um Diabo Diferente (Little Nicky, 2000)

 

Eu me lembro com entusiasmo da época em que assisti este filme - um período em que as locadoras ainda estavam muito vivas e uma porção de filmes legais ainda passavam na televisão e este aqui eu assisti provavelmente num SBT da vida e tinha algumas memórias do filme - principalmente a punição do Hitler...

 Em todo caso, por muitos anos eu procurei LITTLE NICKY em dvd para adicionar a minha videoteca, mas sempre foi uma tarefa bem complicada. Lançado aqui no Brasil pela Playarte, os filmes dessa distribuidora quase não chegavam nas Lojas Americanas da minha cidade, tornando a aquisição uma vontade distante. Entretanto, qual não foi minha surpresa quando um amigo de um grupo de vendas de filmes conseguiu uma cópia e eu fui o primeiro a agarrá-la, num fortuito momento de consulta do whatsapp durante meu trabalho. Uma puta sorte!

E rever essa pérola só comprovou o que minha memória sussurrava: este é um dos filmes mais legais do Adam Sandler! Lendo um texto publicado no Collider ano passado, não deixa de ser interessante parte da crítica revisitar a carreira do Sandler e apresentar um pouquinho de mais boa vontade ao redor do seu trabalho. 

 

 

A trama é simples porém muito inventiva: Nicky (Sandler) é um dos três filhos do Diabo (Harvey Keitel, no ponto), o mais improvável de herdar seu trono por sua natureza dócil e meio débil (típico personagem que o Sandler interpreta). O pai parece gostar mais desse filho mané, o que desperta a inveja de seus dois outros irmãos completamente perversos (Tom Listen Jr. e o sempre incrível Rhys Ifans) que tramam para tomar o trono do pai e se livrar de seu irmão cretino.

Desde o cabelo lambido do personagem principal, até a trilha sonora lotada de "nu-metal" e as próprias piadas do filme - tudo lembra demais a época que esse filme foi realizado. Na época, porém, foi um baita fracasso de bilheteria, faturando apenas 58,3 milhões de dólares em comparação com os mais de 80 milhões de orçamento e a recepção bastante negativa da crítica em geral. 

É curioso porque assistindo o excelente "making-of" que acompanha o dvd, é possível perceber como a produção desse filme foi bastante caprichada, condizente com o inventivo roteiro. A equipe da produção trabalhou na construção de cenários criativos, além de vários efeitos visuais que na minha opinião ainda funcionam muito bem. Há um ótimo trabalho de maquiagem e figurino no filme que não passam despercebidos, também.

Uma das coisas mais legais dos filmes de Sandler (confirmada também no ótimo documentário no dvd) é que Sandler se cerca das figurinhas carimbadas com quem gosta de trabalhar, o que me faz acreditar que deve ser divertido participar dessas filmagens: Rob Schneider, Jon Lovitz, Kevin Nealon, Allen Covert e muitas outras caras conhecidas, alguns deles com papeis mais proeminentes do que rotineiramente. Isso sem falar nas diversas participações especiais: Dana Carvey, Quentin Tarantino (divertidíssimo, por sinal), Carl Weathers, Henry Winkler, Regis Philbin, Dan Marino, o time Harlem Globetrotters e até Ozzy Osbourne, numa participação impagável.

Apesar de ser um filme meio esquecido atualmente (será que algum dia teremos blu-ray dele?), LITTLE NICKY rendeu um jogo de game boy colour e até uma linha de action figures! A versão nacional do dvd foi lançado pela Playarte enquanto a americana foi lançada naquele formato snapcase, com uma trilha de comentários que a versão nacional não dispõe (mas em compensação tem a dublagem original do filme). 

Acredito que é a comédia mais criativa, visualmente e em termos de story building, da carreira do Adam Sandler. Fiquei muito satisfeito em adicioná-la a minha coleção e fica a sugestão para quem quiser se divertir com um tipo de comédia original, mais recheada de besteirol, cada vez mais rara no mercado. Nem que seja para ver o Hitler ser punido com um abacaxi - deixando sua imaginação te levar para onde quer que seja.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O Rei da Água (The Waterboy, 1998)

Existem filmes que só existem para divertir, nem que sejam por míseros 90 minutos de uma vida inteira. É o caso deste O Rei da Água, uma comédia tão boba e, por vezes, imbecil estrelada por Adam Sandler, que já flertava com o duo comédia/esportes muito antes de Will Ferrell. Neste filme em questão é o futebol americano o cenário para a estória do "lerdão" Bobby (Sandler), um simples filho de uma fazendeira linha-dura (Kathy Bates) que trabalha como o responsável pela água dos atletas durante o treinamento e o jogo.

Após ser demitido do time onde trabalhava (onde, também, era alvo de constantes humilhações), Bobby arranja emprego num time menor, bastante mal sucedido, liderado por um treinador excêntrico. Após sofrer provocações de um dos jogadores do novo time onde trabalha, ele resolve se defender, também por incentivo do treinador.

O time inteiro fica impressionado, pois Bobby dá uma pancada muito forte no provocador. O treinador vê nele a oportunidade de tirar seu time da lama, escalando Bobby na defesa de sua equipe. E é óbvio que o rapaz lesado irá levar esses azarões até a final, quando eles enfrentarão o time onde Bobby era humilhado.


Dá para perceber que o filme abraça todos os clichês possíveis. As atuações são todas propositalmente exageradas, intensificando os estereótipos do caipira sulista dos EUA. Nesse sentido, Kathy Bates está perfeita como a matrona arcaica, protetora e supersticiosa. Adam Sandler arranca algumas risadas genuínas com seu inocente personagem. Rob Schneider faz duas cenas como um caipira pirado – ele sempre faz uma pontinha nos filmes Sandler.

As cenas em que Bobby está jogando e surrando os atacantes dos times adversários são verdadeiramente engraçadas pelo exagero. Mas a maior parte do filme nos deixa com, no máximo, um sorriso no rosto. Mas, para mim, um sorriso no rosto é o que basta se observarmos a baixa qualidade das últimas comédias lançadas no mercado. Abaixo, as melhores cenas do filme, ou seja, as pancadas de Bobby durante o jogo.