sábado, 22 de janeiro de 2011

Evidências de um Crime (Cleaner, 2007)


Sábado à noite é sempre um momento muito peculiar da semana inteira, especialmente se você ainda for jovem. Afinal, há duas alternativas: ou você sai com seus amigos para farrear, ou você fica em casa e encara uma sessão de cinema proporcionada pela tv aberta. Bem, quando eu era mais jovem, eu não tinha o hábito de sair muito, por isso eu costumava assistir com meu pai um daqueles policiais e thrillers que passavam (e ainda passam, mas não com a mesma frequência de antes) no Supercine, uma das mais charmosas sessões de cinema da tv Globo.

É estranho, mas sinto certo carinho pelos filmes exibidos no Supercine. Talvez por que eu passei parte de meus sábados noturnos vendo obras como este Evidências de um Crime - um thriller comum, sem muitos atrativos e com uma reviravolta não muito surpreendente em seu desfecho; em suma, um típico filme do Supercine ...

Então, acho que nem preciso dizer que gostei de Evidências de um Crime (mais uma tradução bisonha de título de filme). Trata-se de mais um roteiro sobre queima de arquivos, corrupção na polícia e traições. Contudo, a obra nos reserva algumas coisas bacanas, as quais tentarei apontar neste texto.

Acompanhamos Tom (Samuel L. Jackson) um ex-policial, viúvo, com uma filha adolescente, que trabalha num serviço incomum: ele possui uma empresa de limpeza especializada em limpar ambientes onde pessoas morreram – especialmente, cenas de crimes. Tom filosofa sobre seu trabalho, afirmando como ele ajuda na superação do sofrimento das pessoas, removendo manchas e sujeiras, para que a vida siga em frente.

A obra lembrou-me, neste aspecto o excelente filme mexicano Bajo la Sal, que eu comentei ano passado (clique aqui para ler a resenha). No thriller mexicano, o personagem principal era um rapaz que trabalhava numa funerária – ocupação que exerceu uma influência decisiva sobre a natureza do rapaz e para a própria trama da estória. Em Evidências de um Crime, o trabalho de Tom norteia a obra inteira, revelando seu isolamento, assim como ocorria na obra do México.

Tom é chamado para realizar a limpeza de mais uma cena de crime. Ele faz seu trabalho normalmente, apesar de não ter encontrado ninguém em casa (a chave estava debaixo de um vaso de flores) e, quando retorna no dia seguinte para devolver a chave que esquecera no bolso, ele descobre que a dona da casa (Eva Mendes) não contratou seus serviços.

Para piorar a situação, o marido desta mulher, ligado a um esquema de corrupção a polícia, acabou de desaparecer. O desaparecido iria testemunhar contra um chefão da policia, queimando muita gente com suas provas. E um dos que seriam prejudicados seria o próprio Tom, que se envolveu com os corruptos para dar um fim no assassino de sua esposa.


A polícia ainda não está atrás dele, mas quando investigarem o caso a fundo, é óbvio que desconfiarão de Tom, afinal, além de ter motivo (descobririam sua sujeira na época em que era policial), ele limpou a cena do crime. Tom associa-se então ao seu ex- parceiro (Ed Harris) e à mulher do falecido para investigar sobre este assassinato.

O argumento é interessante, mas não há como negar que o desenrolar da obra não impressiona. Nesse sentido, Evidencias de um Crime é uma obra muito convencional. Mas esquecer das qualidades da obra seria muita negligência de minha parte.

A maior destas qualidades seria, com certeza, a atuação de Samuel L. Jackson. O homem mostra seu excelente trabalho nesta obra, fazendo-nos esquecer de cagadas em sua carreira como Spirit, Triplo X e O Cara. Harris e Mendes são os coadjuvantes sem muito destaque. Participa ainda da obra Luiz Guzmán, que também está ótimo como o detetive (oficial) encarregado das investigações.
A direção da obra ficou com o finlandês Renny Harlim, que já foi muito cogitado em Hollywood e agora mostra seu talento em filmes menores como este aqui. E pensar que este cara dirigiu dois filmes de ação muito divertidos nos anos 90: Duro de Matar 2 e Risco Máximo.

É fato que Evidências de um Crime não é uma obra memorável. Mas eu garanto que ela irá entreter os fãs de thrillers, nem que sejam por míseros 90 minutos de um sábado à noite. E, muitas vezes, é disso que precisamos.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Skinheads - A Força Branca (Romper Stomper, 1992)

Tintas surpreendentes colorem esta fita australiana, que aparenta falar apenas sobre neonazistas em Melbourne. Entretanto, a obra é um denso retrato de um triângulo amoroso entre dois jovens skinheads e uma moça com a vida muito problemática. Mais preciso ainda seria dizer que a obra é, na realidade, o retrato de uma juventude descaminhada e desvairada, praticante de atos desprezíveis que, apesar de sua falta de senso moral, ainda são humanos.

Trata-se de uma abordagem muito ousada do diretor Geoffrey Wright, que prende a nossa atenção até o aterrador epílogo da obra. Afinal, não conheço qualquer outro filme que tenha retratado os neonazistas da maneira como foi feita aqui. Maniqueísmo passa longe de seus personagens. Até mesmo Hando, o líder da gangue interpretado com muita força por Russell Crowe, é um ser humano capaz de ser acuado e aterrorizado pela polícia. Seu braço direito, Davey (interpretado por Daniel Pollock, que cometeu suicídio após término das filmagens) é um sujeito legal, apesar de surrar vietnamitas pelas ruas e sair quebrando lojas. E, para fechar o triângulo, temos a jovem Gabe (Jacqueline McKenzie) que tem uma vida de merda e encontra um abrigo na gangue de Hando.

Skinheads foi um filme que causou muita polêmica depois de seu lançamento. O diretor e roteirista Wright trocou cartas com um líder de uma gangue neonazista, que cumpria a sentença de prisão perpétua, sendo Hando a encarnação deste criminoso. Vários dos personagens da obra, incluindo Davey e Gabe são baseados em pessoas reais, que conviveram com o "Hando real". Wright ainda conviveu com alguns skinheads que chegaram a participar da produção do filme, mas se retiraram durante o processo de filmagem por não gostarem do rumo que a estória tomava.

Interessante observar a reação que este filme causou em certas partes do mundo, especialmente na Austrália, onde foi realizado. Na época, um juiz australiano, durante o julgamento de um homem por assalto, disse ao acusado que ele deveria assistir ao filme e escrever uma dissertação de 5 páginas sobre o mesmo!

Entretanto, muitos não gostaram da obra, condenando sua violência, linguagem forte e o próprio tema. No Reino Unido, a Liga Anti-Nazista tentou barrar o lançamento da obra, devido a visão de jovens neonazistas humanos imposta por Wright. Acreditava-se que o fato do filme não condenar a violência nazista poderia dar confiança aos nazistas britânicos. A obra chegou a ser recusada num cinema em Glasgow. Contudo, o filme não endossa a violência.


Tanta polêmica é claro atraiu as atenções ao diretor e o astro da fita, Crowe. Numa entrevista, Wright afirmava que "estava feliz por desagradar tantas pessoas". Pasmem que não só a Liga Anti-Nazista protestou contra a obra, mas os próprios neonazistas protestaram contra a obra.

E filmes polêmicos como Skinheads são essenciais para se assistir. Por quê? Porque são obras que nos impedem de ficarmos em cima do muro, sem formarmos uma opinião. Trata-se de um filme aterrorizante e ousado em seus princípios, que merece ser conhecido. Afinal, até os monstros podem ser humanos? Neste filme, caros leitores, a resposta é afirmativa.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Presságio (Knowing, 2009)


Daria tudo para ser um filmaço de ficção científica, mas ao final de Presságio, percebe-se que tudo não passou de uma grande perda de tempo. E olha que Nicolas Cage não está nada mal na pele de um astrofísico que recebe uma sequencia de números os quais indicam as datas, localidade e o número de vítimas dos últimos grandes acidentes e atentados ocorridos ao redor do mundo. Existem mais três que iram acontecer e o cientista tentará impedi-los e descobrir mais sobre o mistério em torno de tais números.

Eis aqui um exemplo clássico de argumento sensacional bolado por algum roteirista que simplesmente não conseguiu desenvolvê-lo de maneira convincente ao longo da estória. No clímax de Presságio, percebe-se que a tal lista com as catástrofes não tinha nenhuma finalidade, a não ser impressionar os personagens do filme e prender nossa atenção durante a projeção. Uma pena quando boas ideias, como esta, são desperdiçadas.

As cenas de desastres são verdadeiramente impressionantes. Equiparam-se à magnitude de 2012, outro filme desse subgênero que pisou no tomate (veja a minha critica sobre 2012 aqui). Apesar da competente atuação de Cage e da direção segura de Alex Proyas, o filme simplesmente não convence em seu epílogo, apesar de sua quebra de clichê. Poderia sim ter dado um resultado muito melhor.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, 1948)

Um dos clássicos da literatura universal, Os Três Mosqueteiros já sofreu várias adaptações. Esta aqui, estrelada pelo atlético e carismático Gene Kelly, é o filme de aventura perfeito: divertido, com belas cenas de ação (mérito de Kelly, sem sombra de dúvida) e uma estória envolvente e bem adaptada.

A escolha de elenco ajudou muito, com Gene Kelly perfeito como D'Artagan , Van Heflin como o profundo e galante Athos, Lana Turner como a traiçoeira Lady de Winter e, é claro, o grande Vincent Price como o surpreendente cardeal Richelieu. Price e Heflin dominam o filme quando aparecem; o primeiro com seu tom astuto e traiçoeiro; Heflin dá um show como o mais interessante dos mosqueteiros – um homem profundamente amargurado com seu passado.

As cenas de ação são belamente coreografadas; os duelos de espada são extremamente elegantes. Apesar de ter achado a obra um pouco longa (125 minutos), Os Três Mosqueteiros é um divertido exemplar de aventura que me divertiu muito durante sua projeção. Uma prova definitiva de que bons atores valem muito mais do que robôs gigantes ou explosões mirabolantes para se fazer entretenimento dos bons.

Pôsters Alternativos para A Origem

Que tal estas artes não-oficiais do filme A Origem? Eu gostei bastante!