Esse filme fraco reúne alguns talentos desperdiçados, os quais vou comentar nos próximos dois parágrafos. Por enquanto, ficaremos com a sinopse: uma espécie de guarda-costas em Las Vegas (Statham) terá uma última noite na cidade após se envolver com um mafioso. Uma última noite de jogatina, altas apostas e alguma pancadaria (no total, três cenas em um filme de 92 minutos, o que já lhe dá um espaço para refletir sobre os problemas na película).
O primeiro desperdício é do brucutu inglês Jason Statham. Na minha opinião, Statham é O cara dos filmes de ação da atualidade. É carismático, luta pra caceta e tem muita presença em cena (parece que ele está puto o tempo inteiro). Contudo, em WILD CARD, o personagem do cara é um verdadeiro idiota, sem objetivo ou propósito algum. Em nenhum momento temos aquela ironia que o britânico costuma estampar, muito menos a periculosidade nítida de quando ele está prestes a surrar alguém. E as pouquíssimas cenas de luta são bem razoáveis, mas são poucas e a última luta é um pouco decepcionante pelo uso de umas facas, quando eu mais queria ver o Statham distribuindo uns murros. No final das contas, a culpa nem é do ator, mas da fraca construção de personagem proporcionada pelo roteiro óbvio e desestimulante para nossa inteligência.
E o que dizer do diretor Simon West? Responsável por um dos filmes de ação mais legais dos anos 90 (CON AIR), sua carreira oscilou bastante entre filmes esquecíveis e tosqueiras inaceitáveis. A direção dele neste aqui é praticamente ausente, parecendo um telefilme sem qualquer estilo. A favor dele, ficam as já citadas cenas de luta, que são bem filmadas com uma câmera lenta bacana e sem aquela edição picotada insuportável que eu não aguento.
Pra aqueles que forem fãs de Statham, sugiro fortemente que se faça o seguinte: assista ao filme adiantando até as cenas de luta. Será uma espécie de curta-metragem de ação estimulante, ao contrário deste longa metragem esquisito, modorrento e decepcionante.







