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domingo, 12 de abril de 2015

Wild Card (2015)



Esse filme fraco reúne alguns talentos desperdiçados, os quais vou comentar nos próximos dois parágrafos. Por enquanto, ficaremos com a sinopse: uma espécie de guarda-costas em Las Vegas (Statham) terá uma última noite na cidade após se envolver com um mafioso. Uma última noite de jogatina, altas apostas e alguma pancadaria (no total, três cenas em um filme de 92 minutos, o que já lhe dá um espaço para refletir sobre os problemas na película).

O primeiro desperdício é do brucutu inglês Jason Statham. Na minha opinião, Statham é O cara dos filmes de ação da atualidade. É carismático, luta pra caceta e tem muita presença em cena (parece que ele está puto o tempo inteiro). Contudo, em WILD CARD, o personagem do cara é um verdadeiro idiota, sem objetivo ou propósito algum. Em nenhum momento temos aquela ironia que o britânico costuma estampar, muito menos a periculosidade nítida de quando ele está prestes a surrar alguém. E as pouquíssimas cenas de luta são bem razoáveis, mas são poucas e a última luta é um pouco decepcionante pelo uso de umas facas, quando eu mais queria ver o Statham distribuindo uns murros. No final das contas, a culpa nem é do ator, mas da fraca construção de personagem proporcionada pelo roteiro óbvio e desestimulante para nossa inteligência.

E o que dizer do diretor Simon West? Responsável por um dos filmes de ação mais legais dos anos 90 (CON AIR), sua carreira oscilou bastante entre filmes esquecíveis e tosqueiras inaceitáveis. A direção dele neste aqui é praticamente ausente, parecendo um telefilme sem qualquer estilo. A favor dele, ficam as já citadas cenas de luta, que são bem filmadas com uma câmera lenta bacana e sem aquela edição picotada insuportável que eu não aguento. 

Pra aqueles que forem fãs de Statham, sugiro fortemente que se faça o seguinte: assista ao filme adiantando até as cenas de luta. Será uma espécie de curta-metragem de ação estimulante, ao contrário deste longa metragem esquisito, modorrento e decepcionante. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os Mercenários 2 (The Expendables 2, 2012)




 Eu não sou fã de comentar filmes tão recentes porque os comentários acabam se repetindo pela blogosfera e imprensa em geral. Sobre Os Mercenários 2, não há muita coisa pra dizer que já não tenha sido dita por alguém. O filme é foda, com muita ação, melhor que o primeiro filme, cheio de truculência e cenas inacreditáveis.

Simon West soube, realmente, dirigir esse filme muito bem. Trata-se do melhor filme dele, desde sua estreia com o fantástico Com Air – lá em 1997.Os Mercenários 2 tem muita ação bem filmada, explosões, corpos mutilados por balas de calibre imenso e muita porrada. Nada de edição epiléptica, o que temos aqui são cenas de luta onde os golpes são completamente visualizados, tornando tudo mais realista. West conseguiu uma redenção fantástica de sua carreira que andava bem mal.



O elenco, como sempre, está ótimo. De todos os mercenários, meu preferido ainda é o Dolph Lundgren, engraçado e letal como Gunner. O cara está muito bem nesse papel e é de longe o mais carismático. Stallone me pareceu bem envelhecido nesse filme – um ar cansado que poderia ser ou de seu personagem ou dele mesmo. Schwarzenegger e Willis, com mais tempo em cena, dão um show de diversão – são os donos da cena mais engraçada do filme, quando os dois usam um carrinho Smart para atacar uns bandidos. Sem falar que o diálogo entre os dois é cheio de brincadeiras com antigos filmes dos mesmos – sensacional!

 Outro destaque, que me impressionou positivamente, foi o novato Liam Hemsworth como o mais novo mercenário. O cara atuou bem, seu personagem é interessante e o ator parece compreender muito bem seu lugar ao lado de todas essas lendas da ação.

Van Damme está demais como o vilão. A grande pena pra mim foi seu pouco tempo em ação – eu gostaria de vê-lo em mais cenas, porque nas poucas em que aparece, ele sempre mantém uma aura de ameaça constante. Scott Adkins como seu braço direito também dá um show, mesmo tendo umas 4 falas no filme inteiro! Sem falar Adkins luta demais e o embate entre ele e o brucutu inglês Jason Statham é o melhor do filme, com um final bem violento. Se Hollywood for um lugar justo, teremos Adkins atuando e protagonizando mais filmes de ação.


Óbvio que Chuck Norris tem um parágrafo só pra ele. Porque esse cara é sensacional e toda a lenda que envolve sua pessoa é mantida no filme. A primeira cena em que ele aparece é fantástica – ele despacha uns 50 caras e um tanque! Uma pena que não estará no terceiro filme da série...

Infelizmente, um revés da produção foi seu trailer, que revelava muitas cenas de ação que seriam ainda mais bacanas se reveladas somente na sessão de cinema. Mas isso é só um detalhe. O que importa é que Os Mercenários 2 é um filmaço, divertido demais e que você precisa conferir agora. Larga o computador e vá pro cinema!

domingo, 8 de maio de 2011

Assassino à Preço Fixo (The Mechanic, 2011)


É interessante notar como nós, blogueiros, ás vezes passamos por momentos de crise criativa. Creio que boa parte dessa sensação vem quando passamos a assistir um filme sentindo a obrigação de escrever sobre o mesmo depois. Quando a atualização do blog torna-se uma atividade burocrática, a produção de textos se torna um fardo e o blog fica meio abandonado.

Recentemente, passei por um momento destes. A verdade é que me sinto muito melhor agora para produzir textos mais competentes e bacanas, textos relevantes. E vejo que uma pequena crítica sobre Assassino à Preço Fixo é ideal para a minha atual situação.

Escrevo isso porque Assassino à Preço Fixo é um filme de ação extremamente burocrático e sem graça, que tinha potencial para se tornar, pelo menos, um ótimo filme de ação.

No lugar dessa promessa, ficamos com um exemplar bastante medíocre, que não nos cativa em nenhum momento. Reuniu-se um elenco competente e um diretor razoável (que de vez em quando acerta) em torno da refilmagem de um filme do saudoso Charles Bronson. Poderia ter dado certo, mas todos os excessos de um filme de ação hollywoodiano foram reunidos aqui, numa produção barulhenta e vazia, sem o menor impacto que poderia ter causado sobre o público.


Uma pena, pois é triste vermos Jason Statham sendo desperdiçado, pois o cara tem muito carisma e talento para as cenas de ação. Aqui ele interpreta um assassino profissional bastante competente, que acabará treinando o filho de seu tutor (Ben Foster), que se mostrará um rapaz impetuoso, mas com futuro no ramo dos assassinatos.

O meu problema não é nem com seu roteiro trivial, mas sim com a maneira como o diretor Simon West conduz a estória. No início, o filme começa com estilo, uma narração em off bacana, mostrando a organização do personagem principal e alguns aspectos psicológicos do mesmo. Após, mais ou menos, meia hora de projeção, o filme amontoa cenas de ação e uma trama arranjada às pressas de uma vítima importante para o assassino – enfim, o filme parece ser bastante atropelado de sua metade para o final.

Foster e Statham até seguram bem o filme, mas não adianta se o diretor e a edição da obra destroem qualquer aspecto positivo da atuação de ambos. Me pergunto: para que mostrar uma cena de luta em que mal podemos ver os movimentos do ator principal? Para que montar sequências que mais parecem videoclipes ruins passados no top 10 da MTV? Para que criar cenas de ação que destroem completamente o clima de realismo que o diretor tentou imprimir no início da obra? Pois é, também não entendo.


Em certos momentos, a obra lembra aquelas produções de ação lançadas diretamente para a televisão, cheias de maneirismos visuais e com uma edição toda picotada, em que mal podemos entender como se passa a cena de luta, tamanho o nervosismo da câmera...

Sabendo da existência de uma versão original deste filme, terei que correr atrás da mesma para assistí-la. Contudo, é praticamente certeza que o original dará um banho nesta versão anabolizada para o século XXI. Melhor sorte da próxima vez Statham!