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sábado, 17 de junho de 2023

Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971)

 

Mais um sábado à noite ocupado da melhor forma possível: com um ótimo filme, diretamente da minha videoteca. Neste caso, temos um DVD do saudoso selo Darkside, distribuído pela London Films, responsável por trazer indispensáveis filmes de terror para nossas coleções. Estou em busca de todos estes filmes para minhas estantes.

Tem uma boa quantidade de resenhas pela internet, em língua portuguesa, de excelente qualidade, revelando detalhes da trama e uma série de curiosidades (algumas mórbidas), sobre essa produção. Destaco os textos dos blogs Reminiscências de Um Lorde Velho, La Dolce Vita e o clássico Boca do Inferno

Para uma produção tão conturbada, acredito que Sangue no Sarcófago da Múmia faz um belo trabalho como entretenimento despretensioso. Uma equipe de egiptólogos acabam amaldiçoados após descobrirem a tumba da rainha Tera, uma diabólica nobre egípcia. Não só os egiptólogos, mas a filha de um deles, a bela Margaret, que guarda uma notável semelhança com a rainha, começa a apresentar um comportamento, no mínimo estranho. 

É preciso destacar Valerie Leon, gata demais no papel, vestindo um biquini egípcio estonteante em alguns momentos. Como ela mesma lamenta no documentário extra que acompanha o DVD, ela se arrependeu de não ter feito a cena de nudez na ocasião.

Não se trata de um filme assustador, mas tem um clima intrigante e algumas extravagantes cenas de maior violência gráfica. Certamente, um bom exemplar, muito acima da maioria dos filmes de gênero lançados atualmente. 


quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Mulher De Preto (The Woman In Black, 2012)

Começar a minha temporada 2012 nos cinemas com a obra A Mulher de Preto parece ter sido uma boa ideia. Afinal, a mais nova empreitada da Hammer acerta em quase todos os aspectos, pecando, talvez, no final um tanto quanto surpreendente que, pessoalmente, não me agradou muito. Mas, sinceramente, o epílogo não afeta tanto o longa metragem, considerando o fato de que A Mulher de Preto é um filme que assusta de fato.

E esse aspecto básico em filmes de terror (botar medo no público) parece em falta nos exemplares mais recentes deste gênero, especialmente nas obras norte-americanas, um mercado com altas doses de falta de criatividade, atualmente. A Mulher de Preto é uma película britânica que mantêm a Inglaterra na liderança dos bons filmes de terror lançados em circuito comercial.


A estória do filme em si é uma maravilha de conto gótico, sobre uma casa assombrada por uma mulher (a tal mulher de preto) cujo filho lhe foi renegado pela irmã mau caráter. O resultado disso é que toda vez que o espírito da mulher é visto, uma criança na vila próxima à casa assombrada é morta de maneira trágica.


Por isso, a chegada do advogado Arthur Kipps (Daniel Radcliffe) na vila não é vista com bons olhos. Ele deverá ir à casa assombrada organizar a papelada para a venda da mesma. E toda vez que ele vai à mansão, uma criança morre. Caberá a ele, intrigado com essa situação, acabar com a maldição da Mulher de Preto.


Visualmente fantástico, A Mulher de Preto mantém um ótimo nível de sustos e informações sendo mandadas para o público. No quesito terror, todas as aparições da mulher de preto são incômodas, especialmente quando, numa cena, ela avança sobre Arthur de uma maneira assombrosa. E tem uma cena envolvendo uma cadeira de balanço que é terrivelmente boa e assustadora.



Uma das coisas mais bacanas é perceber a presença de vultos no ótimo uso de espelhos ou também aparições nas janelas da casa. Toda película é muito bem conduzida pelo diretor James Watkins, que filma terror à moda antiga, sem precisar de truques de marketing (vide Atividade Paranormal e genéricos) ou doses de sangue e sadismo (Jogos Mortais e outras besteiras). Watkins não é nenhum novato no gênero, tendo escrito o eficiente O Olho que Tudo Vê e dirigido o elogiado Eden Lake. Espero por mais filmes deste sujeito, sem dúvida.


A Mulher de Preto foi afinal uma baita sessão de cinema, superior a muito filme de terror que eu andei assistindo ultimamente, sem sombra de dúvida. O ano começou bem para o cinema fantástico. Esperemos que as obras vindouras (as continuações deste filme e outras produções da Hammer, em geral) mantenham o nível.

domingo, 3 de outubro de 2010

Epidemia de Zumbis (The Plague of the Zombies, 1966)

Há umas duas semanas atrás, resolvi assistir a um filme. Sexta-feira à noite, DVD portátil ligado, coloquei no aparelho Epidemia de Zumbis, que eu comprei pela bagatela de 1 real no Makro, novo e embalado.


Para ser sincero, eu não esperava por muita coisa. Contudo, fui surpreendido por um filmaço da Hammer, com uma estória muito bem contada, excelentes atuações, direção competente e ritmo envolvente. E nós sabemos que estes fatores andam em falta no cinema de horror, vide o número de continuações, refilmagens e obras imbecis lançadas continuamente no mundo. Assim, nada melhor do que um bom filme de horror para animar nossas vidas!


Vamos para a estória: o médico Sir James Forbes (André Morell) recebe uma carta de seu melhor aluno, o doutor Peter Tompson (Brook Williams), que reside na Cornualha. Este escreve uma carta confusa e desconexa, pedindo a ajuda de seu antigo mestre para resolver um mistério médico que assola sua vila. Por pressões da filha (Diane Clare), ele resolve visitar seu ex-aluno.

Chegando até a vila, Sir James e sua filha logo percebem o clima pesado do lugar. Jovens saudáveis estão morrendo de maneira misteriosa e o pobre doutor Tompson não consegue achar uma cura para o problema, pois não o deixaram realizar autópsias ou qualquer outro exame post-mortem. E os moradores estão colocando a culpa destas mortes sobre os ombros do médico.


Dessa forma, a chegada de Sir James dá certa segurança a todos e ameniza as tensões na vila. Professor e pupilo resolvem investigar por conta própria o que está acontecendo naquela vila e acabam descobrindo algo aterrador: alguém está praticando vodu na vila, matando pessoas para transformá-las em zumbis!


Existem inúmeros pontos interessantes na obra, a começar por esta trama fantástica, que respeita a origem lendária dos zumbis – seres criados por feiticeiros vodus, que os servem como escravos. Eu, particularmente, não me lembro de ter assistido qualquer outra obra de zumbis que respeitasse essa origem (não estou desmerecendo os outros filmes de zumbi.

Aliás, o grande forte de Epidemia de Zumbis é a sua estória bem estruturada em tom de mistério. Não é um filme de sustos, contudo uma sequência merece destaque: o delírio do doutor Tompson, considerada uma das cenas mais assustadoras do cinema inglês – que nos causa agonia e pavor.


As atuações são muito boas, mas destaco André Morell, que empresta a seu personagem um tom aristocrático e cavalheiresco a seu personagem, pertinentes em sua condição de Sir. Brook Williams também está ótimo como o desesperado médico da vila.

Vale mencionar que o filme foi feito ao mesmo tempo em que o elogiado A Serpente foi filmado. Aproveitaram-se cenários para ambos os filmes, uma prática comum da produtora inglesa.


Com um belo script, ótima direção e elenco de primeira, Epidemia de Zumbis é um excelente exemplo de como se faz um bom filme de horror. Para os apreciadores, altamente recomendável!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Circo dos Vampiros

Não é novidade que os vampiros voltaram à moda através do fenômeno Crepúsculo. A verdade é que uma parte dessa geração não conhece nada a não ser a versão extremamente light criada por Stephenie Meyer (sem desmerecer seu trabalho, pois Crepúsculo é assunto para outro tópico). É provável que muitas pessoas tenham esquecido a real natureza dos vampiros, tão brilhantemente representada no cinema por filmes como Entrevista com um Vampiro, Drácula, Nosferatu e várias outras obras que retrataram esses seres de uma maneira única e fantástica.

Nesse sentido, O Circo dos Vampiros (Vampire Circus, 1972) é um fiel exemplar dos vampiros tradicionais. Trata-se de uma produção da Hammer, empresa inglesa especializada em fitas de horror, bastante interessante pelo enredo e a atmosfera do lugar onde a história do filme se passa.

A obra se inicia com a invasão do temido Conde Mitterhaus (Robert Tayman), um sanguinário vampiro que atrai crianças ao seu castelo para assassiná-las. Um grupo de vários homens consegue matar o vampiro com uma estaca no peito. Porém, antes de morre, o Conde rogou uma praga sobre o pequeno vilarejo que seria atacado por uma epidemia após quinze anos.


Depois dessa introdução, a história avança 15 anos e é a partir daí que o filme continua. O vilarejo está sendo atacado pela epidemia e as pessoas estão morrendo. O mesmo grupo de homens que matou Mitterhaus está reunido em busca de uma solução para a doença. Um cerco foi feito nas redondezas desse vilarejo para evitar a disseminação da doença para outros lugares.


É nesse contexto que ocorre a chegada de um circo itinerante até a cidade. Aos poucos, os moradores da cidade ficam atraídos diante dos maravilhosos espetáculos apresentado pelos exóticos artistas. O que esses moradores não sabem é que os artistas do circo querem raptar todas as crianças da vila e utilizar seu sangue para ressuscitar o conde Mitterhaus.

O Circo dos Vampiros possui algumas interpretações muito fracas (por exemplo, a dos irmãos malabaristas) e certa falta de coerência no roteiro (por que poucas pessoas entram para dominar o vampiro quando se tem um verdadeiro batalhão do lado de fora?). Mesmo assim, isso não afeta o divertimento. O homem forte do circo é nínguém menos que David Prowse, que alguns anos depois seria o Darth Vader em pessoa.


Um detalhe que eu achei intrigante foi como eu não consegui me situar periodicamente na história. Na capinha do DVD, a sinopse indica que a história se passa na Sérvia, no século XIX (o figurino denuncia isso); contudo, em alguns momentos, eu tive a nítida impressão de que a história se passava na Idade Média. Eu não sei se quem assistiu se questionou sobre isso, mas achei esse detalhe intrigante.


Pelo IMDB, O Circo dos Vampiros é indicado como uma das oito produções realizadas pela Hammer em 1972. Nesse ano, a Hammer realizou um dos filmes da série do Drácula estrelada por Christopher Lee.


Mais um destaque do filme vai para a atriz Domini Blythe, linda e maravilhosa como a esposa do professor Albert Muller (Laurence Payne, falecido em fevereiro de 2009), o homem que matou o conde Mitterhaus.


O Circo dos Vampiros é um bom filme de horror que honra as tradições dos vampiros. Não é tão bom como outros filmes do gênero, mas pode agradar aos fãs e admiradores dessas criaturas fantásticas.