domingo, 3 de outubro de 2010

Epidemia de Zumbis (The Plague of the Zombies, 1966)

Há umas duas semanas atrás, resolvi assistir a um filme. Sexta-feira à noite, DVD portátil ligado, coloquei no aparelho Epidemia de Zumbis, que eu comprei pela bagatela de 1 real no Makro, novo e embalado.


Para ser sincero, eu não esperava por muita coisa. Contudo, fui surpreendido por um filmaço da Hammer, com uma estória muito bem contada, excelentes atuações, direção competente e ritmo envolvente. E nós sabemos que estes fatores andam em falta no cinema de horror, vide o número de continuações, refilmagens e obras imbecis lançadas continuamente no mundo. Assim, nada melhor do que um bom filme de horror para animar nossas vidas!


Vamos para a estória: o médico Sir James Forbes (André Morell) recebe uma carta de seu melhor aluno, o doutor Peter Tompson (Brook Williams), que reside na Cornualha. Este escreve uma carta confusa e desconexa, pedindo a ajuda de seu antigo mestre para resolver um mistério médico que assola sua vila. Por pressões da filha (Diane Clare), ele resolve visitar seu ex-aluno.

Chegando até a vila, Sir James e sua filha logo percebem o clima pesado do lugar. Jovens saudáveis estão morrendo de maneira misteriosa e o pobre doutor Tompson não consegue achar uma cura para o problema, pois não o deixaram realizar autópsias ou qualquer outro exame post-mortem. E os moradores estão colocando a culpa destas mortes sobre os ombros do médico.


Dessa forma, a chegada de Sir James dá certa segurança a todos e ameniza as tensões na vila. Professor e pupilo resolvem investigar por conta própria o que está acontecendo naquela vila e acabam descobrindo algo aterrador: alguém está praticando vodu na vila, matando pessoas para transformá-las em zumbis!


Existem inúmeros pontos interessantes na obra, a começar por esta trama fantástica, que respeita a origem lendária dos zumbis – seres criados por feiticeiros vodus, que os servem como escravos. Eu, particularmente, não me lembro de ter assistido qualquer outra obra de zumbis que respeitasse essa origem (não estou desmerecendo os outros filmes de zumbi.

Aliás, o grande forte de Epidemia de Zumbis é a sua estória bem estruturada em tom de mistério. Não é um filme de sustos, contudo uma sequência merece destaque: o delírio do doutor Tompson, considerada uma das cenas mais assustadoras do cinema inglês – que nos causa agonia e pavor.


As atuações são muito boas, mas destaco André Morell, que empresta a seu personagem um tom aristocrático e cavalheiresco a seu personagem, pertinentes em sua condição de Sir. Brook Williams também está ótimo como o desesperado médico da vila.

Vale mencionar que o filme foi feito ao mesmo tempo em que o elogiado A Serpente foi filmado. Aproveitaram-se cenários para ambos os filmes, uma prática comum da produtora inglesa.


Com um belo script, ótima direção e elenco de primeira, Epidemia de Zumbis é um excelente exemplo de como se faz um bom filme de horror. Para os apreciadores, altamente recomendável!

Manic Street Preachers - (It's not War) Just the End of Love

A Minha banda preferida chama-se Manic Street Preachers. Eles lançaram um novo álbum, chamado Postcards from a Young Man (crítica da renomada revista britânica Nme, aqui). Posto aqui, o novo clipe deles, um duelo de xadrez entre um homem e uma mulher. Trata-se de um videoclipe muito bem feito, em plano-sequência, que conta com a participação do ator galês Michael Sheen, como o enxadrista. Tem o clima da Guerra Fria, quando enxadristas disputavam pela supremacia intelectual de suas nações. Para quem gosta de boa música, gosta de clipes bem feitos e quem conhece o trabalho da banda, trata-se de um vídeo indispensável; o melhor trabalho musical do ano, até agora!

sábado, 2 de outubro de 2010

Ichi: The Killer (2001)

Já se tornou um clichê falar sobre Takashi Miike e mencionar adjetivos como visceral, doentio e forte para suas obras. Entretanto, não há como escapar deste vício quando se tenta escrever algo sobre seu filme Ichi: The Killer – uma obra que se encaixa perfeitamente em torno destes adjetivos e outros mais...

Trata-se, afinal, de um cinema para poucos. Quem estiver apto a encará-lo, encontrará filmes de imagens chocantes e difíceis de esquecer; a narrativa quebrada e delirante, recheada de cenas desconexas; apuro visual, com tomadas modernas e originais; e, por trás de toda esta "parafernália", vê-se um cineasta atento e crítico, que olha a sociedade japonesa de uma maneira cruel e mórbida, sendo preciso em suas críticas.


Pelo menos, eu posso mencionar isso com segurança a respeito de Ichi: The Killer. Foi o meu primeiro contato com o cinema de Miike e, após a projeção, confesso que me senti desnorteado com a sucessão de cenas escatológicas e violentas. Entretanto, não há nada de gratuito na edição do filme.


Em cada fotograma, vê-se uma interessante crítica velada a uma sociedade fechada e diferente (para os nossos padrões), que é a sociedade japonesa. Miike não poupa o público, mostrando-nos a violência de maneira explícita e original. A cena da língua cortada é um exemplo: impossível não gemer durante ela.



O roteiro, adaptação da HQ de Hideo Yamamoto, explora alguns pontos críticos do povo japonês como a solidão das pessoas, a violência das gangues, repressão sexual e o bullying em escolas (como se isto fosse exclusivo deles). Pode parecer meio besta, mas durante o filme, essa análise fica velada, em razão da profusão de cenas visualmente poderosas e marcantes. Os mais desatentos, podem pensar que o filme é apenas uma obra exagerada e vazia, mas é exatamente o contrário.


Os dois personagens principais do filme são igualmente fascinantes em suas características psicológicas: Ichi (Nao Omori) é o sanguinário "herói" lunático, que sai matando bandidos de gangues rivais, causando uma encrenca terrível; Kakihari (Tadanobu Asano, um grande ator) é o sádico e demente líder da gangue dos Anjos, que está disposto a encontrar quem está por trás do sumiço do antigo chefão da sua gangue.


Forma-se uma verdadeira perseguição, por parte dos bandidos, em busca de Ichi, mas durante o filme inteiro, eles ficam perdidinhos, com Ichi despachando seus membros aos poucos. E ele o faz de maneira EXTREMAMENTE violenta e sangrenta. Até o maluco Kakihari fica com medo, como ele mesmo diz perto do final da obra para um de seus comparsas. E olha que Kakihari é um sadomasoquista doido...

Difícil decidir qual a cena mais marcante; o fato é que a obra, como um todo, é dificilmente esquecível - especialmente os dois personagens principais, com minha preferência no vilão Kakihari, um dos personagens mais sádicos e doentios que eu já vi em um filme!

A linguagem exagerada, a violência exacerbada e a excelente direção de Miike tornam Ichi: The Killer um filme obrigatório e inigualável. Contudo, se for assisti-lo, não o faça perto de alguém que possa se ofender facilmente com o sadismo explosivo da película – ingrediente de sobra, num filme como este...

domingo, 26 de setembro de 2010

Trailer da Semana: The Fighter (2010)



Eu adoro dramas envolvendo esportes, especialmente a nobre arte - o boxe. É engraçado como a luta confunde-se entre o ringue e a própria vida, com a maioria desses caras. Assim, um filme de boxe envolvendo dois dos meus atores preferidos - Mark Whalberg e Christian Bale - é indispensável. Detalhe: prestem atenção na belíssima trilha sonora de Michael Brook. É impressão minha ou tem cheiro de Oscar no ar??

A Janela da Frente (La Finestra di Fronte, 2003)

Parecia ser um drama sobre voyeurismo e a velhice. Mas A Janela da Frente revelou-se como algo muito maior: trata-se de uma verdadeira crônica sobre o amor e as escolhas que suas "vítimas" devem fazer. Afinal, quando surge o amor entre duas pessoas, o mundo não pára por causa disso.


Tal fato é claramente exemplificado ao longo da projeção, sendo explícito em sua conclusão. Tanto a personagem Giovanna (Giovanna Mezzogiorno), quanto o velho Simone (o grande ator Massimo Girotti, que faleceu pouco depois da realização deste filme), são os que serão testados pela vida sobre suas escolhas em função de uma paixão. Para o velho Simone, sua escolha foi feita na época da ocupação nazista; para Giovanna, as visões de sua janela irão atraí-la e, quando ela finalmente tiver alcance destas, caberá a ela decidir se irá agarrar-se a elas ou continuar com sua vida complicada...


É interessante como os dois personagens vão mostrando suas semelhanças ao longo da estória. Ao início, Giovanna e seu marido (Filippo Nigro) acham Simone na rua, desmemoriado. O marido leva o velho para casa, apesar das negativas da esposa. No fim das contas, a ligação entre os dois será íntima e forte, em razão de suas similaridades.


Trata-se de uma obra de ritmo vagaroso, sem sobressaltos durante sua narrativa. Eu mesmo nunca fui um fã de filmes nesse estilo, mas devo dizer que A Janela da Frente me surpreendeu, pois se trata de um filme denso em suas mensagens. Precisei digerir um pouco o que eu tinha visto para captar as intenções do diretor Ferzan Ozpetek.


Com algumas belas tomadas e ótima utilização de luzes, especialmente na sequência inicial da obra, A Janela da Frente é um interessante filme italiano. Para os apreciadores de cinema europeu, indispensável.