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sábado, 16 de março de 2013

4 filmes e 4 resenhas curtinhas - o que eu andei assistindo nestes tempos...

Django Unchained (2012)

O mais recente filme de Tarantino é um oceano de ideias, quase todas muito boas, mas reunidas inadequadamente ao longo da fita. É como se o Tarantino tivesse escrito todo o roteiro em dois dias, sem muitos reparos, e corresse para filmá-lo logo. Obviamente que eu me diverti bastante vendo a obra, com Jamie Foxx perfeito em seu papel e Christoph Waltz inesquecível como o dentista caçador de recompensas. Há de lembrarmos também a performance perfeita de Leonardo DiCaprio, como um odioso dono de escravos e seu parceiro de negócios encarnado por Samuel L. Jackson.

Não vou comentar muito sobre esse filme, pois há zilhões de textos por aí dissecando a obra, mas devo dizer que DJANGO UNCHAINED é um bom filme, com tudo o que a grife Tarantino pode oferecer de melhor (personagens marcantes, excelentes diálogos, visual incrível, referências cinéfilas e muitas participações especiais). Contudo, falta o brilhantismo e a sensação de “quero mais” de outras obras do diretor.

Habemus Papam (2011)
Interessante e adequada comédia para os tempos de conclave e novo papa que vivemos, Habemus Papam é um filme do diretor Nanni Moretti, um exercício intrigante sobre a natureza humana dos cardeais que podem “governar” o mundo católico após a eleição do pontífice. Apesar da ousadia em algumas cenas (como os cardeais rezando no início do conclave para não serem eleitos), a obra se mantém um pouco idealista demais ao pintar todos os padres como seres inocentes e até um pouco infantis em relação ao mundo real. Nanni Moretti parece ter uma visão ainda muito romantizada de um universo cheio de escândalos desprezíveis. Sendo assim, Habemus Papam é um filme interessante, mas deveras omisso.

Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, 2013)
Esse é um filhote da saga juvenil crepúsculo, com um pouco mais de estilo e riqueza visual. Mas é só isso mesmo, porque o roteiro é de um constrangimento ímpar, com seus furos e péssimas soluções. O casal principal sabe atuar, mas a estória não ajuda nada. Sem falar nas atuações constrangedoras de Jeremy Irons e Emma Thompson, exageradas e caricatas. Nem a trilha sonora, que costuma se destacar nesse tipo de filme ajuda. Bem fraquinho, mesmo.

Reféns (Trespass, 2011)
Olha que eu já defendi Nicolas Cage aqui no blog diversas vezes, mas Reféns é uma merda indefensável. Uma trama ridícula, completamente inverossímil, sobre um assalto na casa de um negociador de joias. Péssimos personagens, péssimo roteiro, péssimos diálogos, péssima direção e absolutamente nada de positivo em relação a essa bomba completa. Me escapa a razão de terem gasto um dólar que fosse para filmar um filme tão deficiente e incrivelmente ruim. A vontade de jogar o dvd fora após o término do filme foi grande...

domingo, 2 de maio de 2010

O Reino (The Kingdom, 2007)


Atualmente, observa-se em Hollywood uma onda de filmes que retratam sobre o pós-11 de setembro e suas conseqüências no mundo todo. Tivemos obras como As Torres Gêmeas e Vôo United 93 que retrataram diretamente sobre os ataques terroristas. Depois vieram as obras que retrataram sobre a Guerra do Iraque e as conseqüências dela, como No Vale das Sombras, O Preço da Coragem e os recentes Guerra ao Terror e Zona Verde.

Essa é a linha seguida pelo excelente O Reino dirigido pelo inconstante
Peter Berg. Trata-se de um forte filme de ação sobre um atentado numa base americana no Oriente Médio, mais especificamente Arábia Saudita. Um grupo de investigadores americanos decide embarcar para o país, com a intenção de realizarem a investigação desse ataque, que teve, como uma das vítimas, um de seus companheiros de trabalho.

O problema é que o governo não quer a presença de mais americanos em solo árabe – outros atentados podem ocorrer. Apesar de todas as dificuldades, o grupo consegue desembarcar em território saudita e iniciar as investigações. O grupo é liderado pelo agente Ronald Fleury (
Jamie Foxx), que tem poucos dias para descobrir quem está por trás desse covarde ataque.

O interessante de O Reino é que o roteiro concentra-se bastante nas implicações sentimentais por trás do ataque terrorista. O que levou os terroristas a realizarem o ataque foi o ódio contra os americanos. O que levou a equipe para investigar e descobrir quem realizou o ataque foi o sentimento de vingança. O equilíbrio nesse caos está no policial Farris Al Ghazi (
Ashraf Barhom), o saudita designado a proteger os americanos de outros possíveis ataques. Ele é o meio termo, o único com motivos e intenções nobres nessa história.

O primeiro aspecto sensacional de O Reino é a escolha do elenco. Além de Foxx e Barhom, temos ainda
Chris Cooper, Jennifer Garner, Jason Bateman, Danny Huston e Jeremy Piven, todos muito bem em seus papéis. Outro fator de destaque é o já mencionado roteiro, assinado por Matthew Michael Carnahan.


Apesar de ser um filme de ação, O Reino não é um festival de tiros e perseguições constantes. No entanto, a grande cena do filme é a seqüência da estrada que se inicia, mais ou menos, uns 30 minutos antes de acabar o filme. Tem acidente de carro, perseguições, tiroteios, seqüestro, lutas violentas e muita tensão. Sem dúvida, se você tiver um belo home theather em casa, perceberá todo o primor técnico dessa seqüência.

E é ao final de O Reino é que percebemos que estamos diante de uma verdadeira pérola. Pois o epílogo da obra é tão impressionante que deixa qualquer um de queixo caído. Nele percebemos que a questão do Oriente Médio está longe de terminar. Não existem vilões ou mocinhos, apenas vítimas nesse conflito irracional.

Reside aí, a grande força de O Reino. Tem-se um produto muito bem acabado que mistura ação, suspense e drama de maneira correta e envolvente. E, além de todos esses aspectos que resultariam num belo entretenimento, O Reino propõem uma reflexão sobre a situação geopolítica do Oriente Médio na atualidade. Você precisa assisti-lo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Código de Conduta (Law Abiding Citizen, 2009)

Stephen King elegeu Código de Conduta como um dos melhores filmes do ano passado dizendo: "O roteiro é esperto e amarrado o suficiente para extrair sangue". De fato, o argumento de Código de Conduta é fenomenal, porém o fechamento da história decepciona. Por essa razão, o roteiro de Código de Conduta é o seu maior triunfo e sua maior fraqueza.


O filme inicia-se com um brutal assalto ocorrendo na casa do inventor Clyde Shelton (Gerard Butler). Após ser imobilizado, Clyde vê um dos assaltantes, Clarence (Christian Stolte), matar sua mulher e sua filha a sangue frio.


Os ladrões são presos e ambos são indiciados pelo ambicioso promotor Nick Rice (Jamie Foxx) que faz um acordo à revelia de Clyde: ele libera Clarence e leva o outro assaltante para a pena de morte. Nick fez isso para manter a sua porcentagem de sucessos em julgamentos, pois ele acredita que será um julgamento difícil, deixando Clyde indignado e furioso.


Dez anos se passam e Nick vive numa casa confortável com sua filha e sua esposa. Ele é um homem ocupadíssimo, porém bem-sucedido. Ele acompanhará a morte do assaltante da casa de Clyde Shelton. Trata-se da aplicação da injeção letal, que, teoricamente, é indolor. Todavia, a injeção aplicada foi sabotada e o assaltante morre de uma forma terrível.


Logo em seguida, o corpo de Clarence é encontrado fatiado num armazém abandonado. As suspeitas caem sobre Clyde que confessa o crime. Contudo, todas as pessoas que estiveram envolvidas com o caso passam a morrer de maneira brutal, mesmo com Clyde já preso. O inventor organizou essa sangrenta vendeta pessoal durante dez anos e tudo indica que sua última vítima será o ambicioso Nick.


Código de Conduta é um filme de vingança com pitadas de filmes sobre tribunais e julgamentos. Todavia, a novidade do roteiro é como Clyde consegue realizar seus atos de vingança ainda dentro da prisão. Essa questão intrigante foi a que me levou a assistir o filme.


Eis aí, o grande problema do filme: descobrimos que Clyde era uma espécie de gênio da espionagem, a cabeça por trás da organização de missões secretas do governo. Isso torna mais crível a execução da vingança por Clyde. Porém, o desfecho da obra é frustrante, pois Clyde acaba sendo descoberto de uma maneira muito estúpida.


Um dos pontos fortes da obra são as boas atuações do elenco, em especial o embate entre Jamie Foxx e Gerard Butler. O filme tem boas cenas de tensão e morte, assim como uma trama que é, sem dúvida, envolvente. Apesar disso, acredito que o filme seja um reflexo direto da era Jogos Mortais, como foi comentado no site Omelete: Código de Conduta é o Desejo de Matar da era dos Jogos Mortais.


A maioria dos atos de Clyde impressiona: a explosão dos carros, o esfaqueamento com um pedaço de osso e a explosão do telefone são as cenas mais bacanas e criativas da obra. Quando o filme aproxima-se de seu final, o personagem de Clyde deixa de ser um vingador para se tornar um frio assassino. Isso é interessante, pois a maioria dos roteiros de filmes de vingança trabalha com o paradoxo de vilão/mocinho em filmes de vingança. Isso não ocorre em Código de Conduta.


Código de Conduta conta com a direção de F. Gary Gray, um bom diretor que aqui entrega um bom filme. Código de Conduta é um ótimo divertimento, se esquecermos os furos do roteiro. Sem dúvida, um filme que me agradou, apesar do final cretino.