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sábado, 10 de setembro de 2016

Ava's Possessions (2015)



Muito se fala sobre a falta de originalidade que costuma assolar o cinema de horror da atualidade, especialmente o cinema "mainstream" - mais especificamente os exemplares do gênero que temos sorte de assistir numa sala de cinema propriamente dita. Não é uma ideia que eu defenda, porque acredito, com bastante firmeza, que a criatividade é inesgotável de uma maneira geral, especialmente em se tratando de sétima arte e as outras em geral. 

Tanto rodeio, porque não é de hoje que eu leio argumentos como o subgênero de possessão, do cinema de horror, encontra-se, supostamente, esgotado. Críticas que defendem a ideia de que todos estes filmes copiam e não trazem inovação alguma desde o clássico O Exorcista. Talvez, e muito provavelmente, estejam certas em relação a baixa qualidade de muitos filmes do subgênero que foram lançados por aí, mas sacramentar um gênero como esgotado já é demais. E AVA'S POSSESSIONS é um exemplar perfeito para ilustrar essa tese.

Vamos à sinopse: após 28 dias de possessão demoníaca, a jovem Ava (Louisa Krause) finalmente é libertada após um ritual de exorcismo. Entretanto, os transtornos desses 28 dias de loucura rendem consequências a vida da jovem: agressões a desconhecidos, comportamento promíscuo com estranhos, agressão à familiares, danos materiais e uma porção de situações que colocam a moça entre duas escolhas, apresentadas por seu advogado desbocado: enfrentar a prisão ou entrar para um grupo da Igreja/Estado chamado Possuídos Anônimos, onde ex-possuídos se encontram para enfrentarem a realidade de sua condição e enfrentarem seus demônios, literalmente. 


É com esse argumento absolutamente original que Jordan Galland - diretor e roteirista - entrega um dos filmes mais divertidos do ano. Com bastante bom humor e uma trama bem amarrada, AVA'S POSSESSIONS traz situações e questionamentos inacreditavelmente originais para um subgênero supostamente esgotado que são os filmes de possessão. Você não vai encontrar sustos ou imagens chocantes, mas definitivamente o filme tem sua boa dose de humor negro, para os carniceiros de plantão. 

A atriz Louisa Krause está excelente como a protagonista, que precisa se reencontrar após esse traumático evento, cujas consequências afetam sua vida. Lembra um pouco a pegada de outro indie horror visto recentemente, Last Girl Standing (leia aqui) - explorando a consequência dos efeitos de uma possessão na vida de uma pessoa. É uma lufada de originalidade e frescor. 

O filme também conta com William Sadler (o vilão de Duro de Matar 2) - uma simpática cara conhecida. Sem grandes rompantes, mas um pequeno grande filme de fato. AVA'S POSSESSIONS é um daqueles filmes de terror que divertem muito, mais até que certas comédias propriamente ditas. 

domingo, 7 de agosto de 2016

Last Girl Standing (2015)



A experiência com o cinema de horror indie pode ser bem "traumática". Muitas boas ideias expressas em excitantes sinopses se perdem em longas arrastados e chatos, aquelas típicas fitas que assistíamos com a teclinha "fast-forward" apertada. Logicamente, muitos filmes escapam dessa infame experiência, mas isto não significa que eu não encare esses filmes com alguma apreensão.

Assim, quando o filme é bom, a baixa expectativa é sempre recompensadora. Foi o caso de LAST GIRL STANDING, um eficiente slasher com uma premissa bacana - quais os traumas enfrentados por uma sobrevivente de um ataque de um maníaco? 

Apesar de ter um desenrolar bastante previsível, LAST GIRL STANDING entrega um divertimento eficiente e honesto, que conseguiu me prender o suficiente. Eu tinha colocado o filme pra passar enquanto fazia outras atividades, acabei paralisando tudo e apenas assistindo a obra. Não reserva nada de novo, mas agrada, principalmente se você for fã do gênero.

domingo, 24 de março de 2013

The Hounds (2011)



É verdade que devemos incentivar a produção de horror independente, ainda mais apaixonados pelo gênero como eu. Acontece que filmes com THE HOUNDS não colaboram com esse esforço. Não se trata de um desastre completo, mas definitivamente é uma obra dispensável.

O principal problema aqui é o roteiro. A ideia geral do filme é muito boa, envolvendo um grupo de amigos que vão acampar e acabam encontrando um corpo na floresta. Durante a noite, o tal corpo desaparece, iniciando uma jornada agoniante para os jovens – bem conduzida pela dupla de diretores, que criam uma razoável tensão e algumas boas cenas “gore”.

Contudo, o filme não acompanha apenas os jovens, mas também um policial que está conduzindo uma investigação ao longo do filme. As duas tramas são juntadas de uma maneira interessante no epílogo da obra, entretanto, durante a projeção, todas as cenas do policial são desnecessárias e seguem uma cartilha insuportável de clichês – policial alcoólatra, dramas familiares e outras desgraças.

THE HOUNDS conta com uma boa direção e boas atuações, dentro das limitações dos atores. Temos algumas boas cenas sangrentas, incluindo uma dolorosa cauterização e uma surpreendente extração ocular. Contudo, tem-se a impressão de que os diretores estão a vender um produto falso, recheado numa suposta trama complicada.

Tal impressão não poderia ser mais verdadeira. THE HOUNDS não tem nada de complicado, revolucionário ou inesquecível. Trata-se de um filme regular de horror, com todas as limitações de uma obra independente e uma respeitável inventividade por parte de seus criadores, que poderiam ter desenvolvido um produto muito mais interessante se tivessem simplificado as coisas.