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domingo, 23 de setembro de 2012

Filha do Mal (The Devil Inside, 2012)



Seríssimo candidato a pior filme de terror do ano, Filha do Mal é, provavelmente, o pior filme sobre possessão que eu já assisti em minha vida cinéfila. É inacreditável e inaceitável ver um roteiro tão péssimo e cheio de furos ser produzido.  Estou falando sério pessoal: a quantidade de imbecilidade é alta nessa obra.

Dá até uma má vontade escrever a sinopse, mas vamos lá: uma moça visita sua mãe numa instituição psiquiátrica na Itália, procurando entender o que levou a matrona a matar dois padres e uma freira vários anos atrás. A moça suspeita que sua mãe estava possuída por algum demônio, por isso leva um cinegrafista (???), em sua viagem para retratar essa busca pela verdade e filmar um documentário a respeito do drama particular dela.

Ok, pra começar, nem o pior dos filmes found-footage (essa ondinha do cinema atual, em que o filme é tratado como um documento autêntico e real) tem uma desculpa tão babaca pra ter um cara filmando de perto, com a mão tremida, o tempo inteiro. Pior é que o filme tenta ser esperto, mostrando diversos ângulos pra tentar dinamizar a obra; o problema é que muitas vezes, alguns dos ângulos não captam o cinegrafista-personagem, revelando esse erro grosseiro de continuidade. Desde Alone In The Dark eu não via tanto descuidado em um filme só...

As atuações são horríveis, especialmente porque os personagens são péssimos e antipáticos. A dupla de padres principal é uma porcaria inverossímil – dois exorcistas instáveis, despreparados e “aventureiros”, que contrariam todo o clima sério que a obra tenta passar. A protagonista (uma atriz brasileira, só para constar) não convence em nenhum momento e você fica torcendo pra que ela se ferre logo, pra acabar com a projeção.

Sofrível demais esse Filha do Mal. Até quando filmes assim vão continuar a serem exibidos em cinemas enquanto obras fantásticas do horror continuam a serem negligenciadas pelas distribuidoras? Não recomendo a ninguém, a não ser que você queira aumentar sua lista de piores do ano...

sábado, 14 de agosto de 2010

Alien Abduction: Incident in Lake County (1998)

Um filme de terror de baixo orçamento deve se superar nos mais diversos sentidos. De fato, o grande número de obstáculos que um diretor enfrenta, devido ao baixo orçamento, pode prejudicar imensamente uma obra. Entretanto, são nessas ocasiões que uma pessoa de talento se destaca, mostrando criatividade e flexibilidade diante das inúmeras dificuldades, proporcionando uma experiência muito boa para quem estiver assistindo seu filme.

Os exemplos são incontáveis, porém eu falarei aqui de um filme que REALMENTE me assustou. Uma obra original e excelente. Eu arrisco até mesmo a dizer que se trata de um dos melhores filmes de terror que eu já assisti. Refiro-me ao desconhecido Alien Abduction: Incident in Lake County – produção de orçamento baixíssimo, que compensa suas "limitações" com uma boa dose de suspense, sustos e imagens incômodas.


Como vocês devem estar percebendo, eu fiquei realmente entusiasmado com a obra. Assisti sexta-feira retrasada, no meu DVD portátil, luzes apagadas e com um bom cobertor e devo confessar: eu senti medo durante o filme.

A história é simples: durante a noite do dia de Ação de Graças, uma família americana será atacada por alienígenas hostis. A intenção dos homenzinhos verdes: abdução.

É com este fiapo de trama que o diretor Dean Alioto desenvolve seu interessante roteiro, que consegue trabalhar com várias situações já descritas de possíveis encontros com extraterrestres. Vários elementos, mencionados tanto em filmes sobre alienígenas quanto em matérias de ufólogos, são trabalhados pelo roteiro: influência em aparelhos eletrônicos, armas sonares, sangramentos nasais, possessões e muitos outros.

O roteiro de Alioto é ótimo por manter uma enorme expectativa sob a trama. O filme não dá descanso para quem o assiste; o clima é pesado e os atores passam uma sensação de medo genuíno, algo que eu nunca tinha visto em filme algum. Essa naturalidade incomoda...


Apesar de ser completamente desconhecido por aqui, o filme fez MUITO barulho no ano de seu lançamento, mais especificamente 1998, nos Estados Unidos. Como o filme foi vendido como um registro real de abdução (e a fita é extremamente convincente), muitos ufólogos acharam que o vídeo era, de fato, um material verídico.



Para completar essa brincadeira entre real/fictício, o filme é interrompido inúmeras vezes com o depoimento de diversos "especialistas" que dão sua opinião sobre o material da fita. Há também avisos durante o filme de que o mesmo pode causar efeitos negativos sobre platéias mais sensíveis. Obviamente, tudo isso amplifica a sensação de medo causada sobre o expectador.


Contudo, de todos os elementos assustadores de Alien Abduction: Incident in Lake County, o que mais me incomodou, definitivamente, foi o comportamento da menininha do filme que mais me impressionou – assista e você saberá (eu não vou estragar a surpresa)!


Eu espero que, em pouco tempo, alguma distribuidora bacana enxergue a obra e finalmente sejam feitos DVDs deste excelente filme. Assim, mais pessoas teriam contato com este excelente filme...


Um aspecto interessantíssimo, já comentado aqui no blog numa matéria que eu fiz sobre os "fakementaries" e o "cinema Youtube" (leia ela aqui) é que Alien Abduction veio antes de A Bruxa de Blair. E comparando as duas obras, perceberemos que a de Alioto é superior – em todos os aspectos. Para mim, A Bruxa de Blair só se salva por causa de seus 20 minutos finais que são bastante assustadores, além de seu final, propriamente dito, avassalador e impactante. Contudo, o epílogo de Alien Abduction é tão assustador quanto o de A Bruxa de Blair, bastante contundente e impressionante.


Filmes sobre alienígenas são comuns no mundo do cinema. Contudo, eu arrisco dizer que este aqui é o mais assustador já feito, até hoje. Você pode até não levar sustos durante a projeção, mas, meu amigo, se você assistir este filme à noite e sozinho, eu te garanto que o filme irá te assustar.

Infelizmente, o filme é difícil de achar (eu consegui uma cópia, via torrent, pelo excelente blog Besteiras e Afins). Mas, para quem é fã de um bom filme de terror, ou quem aprecia histórias bem feitas e impactantes, Alien Abduction: Incident in Lake City é uma obra obrigatória. Um dos melhores filmes que eu vi este ano.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Atividade Paranormal e A Bruxa de Blair - Uma análise dupla

A indústria cinematográfica presenciou um verdadeiro fenômeno em Hollywood com o filme A Bruxa de Blair. Com uma inteligente jogada de marketing e um orçamento pequeno, a produção tornou-se uma das produções independentes mais rentáveis da história. Isso foi em 1999. No ano de 2009, exatos 10 anos desde o lançamento de A Bruxa de Blair, outro filme apoiado sobre a mesma campanha de marketing tornou-se A produção mais rentável da história do cinema: Atividade Paranormal. Por esse motivo, nada mais apropriado do que escrever uma matéria sobre as semelhanças e diferenças entre ambos os filmes.

Dois filmes, um gênero: Fakementaries


Não há como negar que Atividade Paranormal seguiu os passos d'A Bruxa de Blair. Mas, o mais interessante é que nem mesmo o filme de 1999 é totalmente inovador; em 1980, o diretor italiano Ruggero Deodato realizou o controverso Canibal Holocausto. A produção contava com atores inexperientes, o uso de câmeras na mão e uma trama semelhante a do "revolucionário" A Bruxa de Blair. Em Canibal Holocausto, temos a impressão de estarmos assistindo a um documentário verídico, porém trata-se de uma inteligente estratégia para atrair a atenção do público.


Um ano antes de A Bruxa de Blair veio uma produção televisiva muito elogiada: Alien Abduction – Incident in Lake Country, uma obra inédita em VHS e DVD no Brasil, considerada bastante assustadora. Apesar de não ter tido a sorte de ser distribuída ao redor do mundo, muitos consideram esse filme como uma experiência muito mais aterrorizante do que A Bruxa de Blair.


Ainda em 1998, um filme chamado The Last Broadcast (numa tradução livre, A Última Transmissão), primeira produção gravada inteiramente com material digital, fez sucesso entre os fãs de terror. Sua exibição foi realizada em festivais e, mesmo com as reações positivas da platéia, a produção não conseguiu distribuição. Quase resultou num processo para os realizadores de A Bruxa de Blair, se não fosse uma indenização paga aos realizadores de The Last Broadcast pela Artisan. Além de toda polêmica envolta das duas produções, muitas pessoas apontam The Last Broadcast como um filme muito superior a obra A Bruxa de Blair. Fonte (http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/?p=10300)



Todos esses filmes são conhecidos como "fakementaries" – documentários falsos, que disfarçam o baixo orçamento através de uma falsa propaganda, promovendo as obras como materiais verídicos. Com a ampliação do acesso a Internet, ficou muito mais fácil disseminar boatos e histórias sobre a natureza do filme. O sucesso de A Bruxa de Blair deve-se, principalmente ao uso da Internet como uma ferramenta eficaz para a divulgação do filme.


Depois de A Bruxa de Blair, Hollywood produziu várias obras que seguiam de forma direta ou indireta a estratégia dos fakementaries. Surgiu o que alguns críticos chamaram de Cinema Youtube (Cloverfield e Rec são seus maiores expoentes). Nesse caso, não há uma campanha de marketing tentando convencer o público, porém a execução da obra é como se fosse uma história real. Em 2009, tivemos o lançamento de dois filmes vendidos como se fosse material verídico: Contatos de 4° Grau e Atividade Paranormal (que é o alvo dessa reportagem).



Sobre A Bruxa de Blair



Para mim, é intrigante compreender o motivo de tamanha especulação e exaltação sobre essa obra. É verdade que a dupla de diretores, Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, fizeram um trabalho interessante. Os próprios atores do filme realizaram as gravações na floresta durante oito dias e oito noites consecutivas; esse processo aumentou o realismo da fita.


A história de A Bruxa de Blair é sobre 3 jovens que resolvem fazer um documentário sobre uma entidade que assombra uma floresta em Maryland. Esses jovens, no início, fazem brincadeiras e zombam da lenda. Todavia, quando eles se isolam na floresta para realizarem mais filmagens do documentário, eles passam a encontrar bonecos rudimentares de madeira pendurados em árvores e pilhas organizadas de pedras. O desaparecimento de um dos jovens é o ápice da obra.


Até esse ponto, o filme não impressiona. Vemos uma idéia até interessante, porém mal executada; você não consegue simpatizar com as personagens, por isso, não há um sentimento de piedade despertado no público. Você não torce a favor deles (pelo menos, esse foi o meu caso).


Em A Bruxa de Blair, aos poucos as manifestações da tal bruxa vão piorando. No início, apenas os bonecos pendurados e as pilhas de pedras não assustam, mas são intrigantes. Aproximando do final do filme, as cenas noturnas da obra são bacanas e bem executadas. O que assusta ali são a escuridão do cenário e os sons produzidos. Nesse sentido, os diretores apostam no medo da platéia do desconhecido e isso é um bônus a favor da produção.



Cabe ressaltar aqui o desfecho da obra que é FANTÁSTICO. Eu não quero estragar a surpresa de ninguém, por isso não vou entrar em detalhes: os dois jovens restantes encontram uma cabana no meio da floresta e entram nela. Eles encontram marcas de mãos de crianças pelas paredes e vão até uma espécie de porão. Lá, meus amigos, o bicho pega...


Sinceramente, é o final de A Bruxa de Blair que salva o filme. Trata-se de uma obra interessante, porém superestimada. Muitas pessoas colocam o filme em listas dos dez mais assustadores da história, porém acho exagero essa exaltação. Talvez eu estivesse esperando muito do filme e, no fim, me decepcionei.


A Bruxa de Blair rendeu uma continuação (a qual eu ainda não assisti), que chegou a fazer uma boa bilheteria, contudo não teve o impacto que o primeiro filme obteve sobre a crítica e o público. Com o sucesso de Atividade Paranormal, os diretores de A Bruxa de Blair afirmaram estarem trabalhando num roteiro para um terceiro filme, que retomaria o final do original. Devemos aguardar mais notícias sobre a produção...


Sobre Atividade Paranormal


Um dos filmes que foi mais comentado ao redor do mundo foi, com certeza, Atividade Paranormal. A obra tornou-se a produção mais rentável da história e a crítica ficou dividida. De fato, o filme não é um novo clássico do gênero, porém é uma produção bastante competente.

Acompanhamos os noivos Katie e Micah, um jovem casal que está incomodado com os barulhos estranhos que a "casa" faz durante a noite. Micah compra uma câmera para filmar o quarto deles durante a noite e é através dessa câmera que o filme inteiro se desenrola.


No início, Micah tem uma postura de descrença e, até mesmo, desrespeito. Já Katie está muito assustada. Aos poucos, as manifestações que se resumiam a barulhos estranhos vão piorando até o caótico final da obra.


Atividade Paranormal é filme interessante por abordar um tema já batido no cinema de terror (assombração) de uma forma inovadora. O conceito, emprestado de A Bruxa de Blair, funciona muito bem na obra, sendo decisivo para o sucesso dela. O filme foi vendido como se fosse um vídeo retirado dos arquivos da polícia. Boa parte do público acreditou na história e o resultado foi expresso nas bilheterias mundiais.


Em Atividade Paranormal, sentimos simpatia por Katie e Micah, ao contrário do que ocorre em A Bruxa de Blair. O roteirista (que é o próprio diretor, Oren Peli) se preocupou em construir personagens que não merecem passar por aquilo, pois eles não foram atrás daquilo, como ocorre em A Bruxa de Blair.



Outro fator de destaque em Atividade Paranormal é a sucessão de acontecimentos que ocorre na casa. Há uma notável gradação: de sons até agressões físicas. Isso sem contar algumas partes realmente assustadoras da obra como a cena do tabuleiro Ouija e a cena em que Micah pesquisa na Internet sobre uma moça (eu não vou revelar nada, para não estragar a surpresa!).


Contudo, se compararmos Atividade Paranormal com A Bruxa de Blair, notmaos uma vantagem deste sobre aquele: todos os desfechos produzidos em Atividade Paranormal (foram 3, segundo o site Boca do Inferno) não chegam perto do final da obra de 1999. Nos cinemas mundiais, a obra recebeu um final que dá um gancho para uma continuação...


Aliás, Atividade Paranormal já tem uma continuação agendada que será dirigida por Kevin Greutert (que dirigiu Jogos Mortais 6). O diretor Oren Peli já está sendo bancado em seu próximo projeto, Área 51, que devemos ficar de olho aberto para descobrirmos se não se trata de uma cópia oportunista do desconhecido Alien Abduction – Incident in Lake Country.


Atividade Paranormal é, enfim, uma boa diversão. Não é tudo aquilo que falaram, mas possui seus momentos assustadores que podem incomodar muita gente.