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terça-feira, 14 de abril de 2015

Sniper Americano (American Sniper, 2014)



Quando, de maneira brusca e nada impactante, a projeção terminou, meu queixo caiu. Isso não se relacionou com minhas impressões em relação ao filme, mas ao sucesso e as indicações absolutamente questionáveis ao Oscar... SNIPER AMERICANO é um filme dúbio, equivocado e absolutamente estranho.

O imortal Clint Eastwood não consegue definir uma posição sobre seu personagem ultra polêmico - o maior atirador a serviço do exército norte-americano, que contabilizou centenas de morte durante a guerra ao terror (Afeganistão/Iraque). Interpretado com uma neutralidade magistral por Bradley Cooper, o filme acompanha a história desse soldado. 

E o decorrer da obra não fornece qualquer abertura para definirmos uma mensagem, uma postura por parte de seu diretor. Em nenhum momento Clint demonstra o que pensa sobre a história que ele levou às telas. Temos apenas uma neutralidade estéril e expositiva sobre a vida de um soldado, em tempos de terrorismo, abusos do exército, combates questionáveis e a morte de muitos civis.

Assim que a projeção terminou, fiquei impressionado com o espetáculo "chapa-branca" que acabara de assistir. Nem contra, nem a favor (talvez levemente a favor, mas ele se conteve), apenas uma exposição desapaixonada de cenas com atores aplicados. Não consigo me lembrar de um filme tão sem alma nesses últimos anos.

domingo, 1 de agosto de 2010

Gran Torino (2008)


Gran Torino parecia ser um ótimo filme sobre vingança; contudo, ao final da projeção, percebi que se tratava de uma obra sobre a redenção de um ser humano, de uma forma tão surpreendente que não há como não ficarmos surpreendidos ou atordoados com o que acabamos de assistir. Este filme é um verdadeiro COLOSSO!


O que você quer dizer com um colosso? Gran Torino é um filme profundamente denso, que se propõem a analisar inúmeras problemáticas da sociedade americana e da própria alma humana – a natureza das pessoas.
Clint Eastwood nos conduz por essa jornada de maneira envolvente, até o seu final cruel e avassalador. Após o epílogo, você desmorona junto com os personagens do filme.


Contudo, não pensem vocês que Gran Torino é um drama horroroso; pelo contrário, a obra funciona com um misto de vários gêneros: ação, comédia ou drama, impossível rotulá-la num contexto específico. E essa incapacidade de estabelecer um padrão de comparação para a obra só nos mostra a excelência deste trabalho genial de Eastwood.

sábado, 22 de maio de 2010

Os Imperdoáveis (Unforgiven, 1992)

A alcunha de clássico moderno já foi utilizada de maneira leviana por muitas pessoas, inclusive por mim. Contudo, esse atributo é inquestionável para o filme Os Imperdoáveis, uma verdadeira obra-prima do faroeste, um dos grandes filmes da década de 90, uma aula de cinema, enfim, um filme que você precisa assistir.

Os tempos mudaram para o pistoleiro Will Munny (Clint Eastwood). Ele não é mais aquele sanguinário do velho oeste, conhecido pela crueldade e suas malvadezas. Após ter casado, Will mudou e largou aquela vida para se tornar um homem apaixonado. Contudo, sua esposa morreu e ele possui dois filhos pequenos; a vida não é fácil para eles.


Morando num rancho, onde cria porcos, Will vive uma vida monótona e pacata, beirando o humilhante, como o diretor (o próprio Eastwood) pontua nas sucessivas quedas de Will sobre a lavagem dos porcos. Trata-se de uma situação ridícula para um homem como Will Munny.

Will recebe uma visita nesse momento embaraçoso. Trata-se Schofield Kid (Jaimz Woolvett), um jovem pistoleiro que propõem um acordo: algumas prostitutas pagarão recompensa para quem matar dois cowboys que desfiguraram uma das moças. No começo, Will reluta. Entretanto, ele está precisando do dinheiro e a missão é fácil.

Munny decide participar da jogada, só que ele só a fará com seu fiel parceiro, Ned Logan (Morgan Freeman). Os três partem para a cidade de Big Whiskey, em busca dessa recompensa.

O problema é que outros caçadores de recompensas, como o traiçoeiro English Bob (Richard Harris) também estão rumando para a cidade, em busca desse dinheiro. Caberá ao truculento xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman) controlar essa situação para que o caos não tome conta da cidade, usando todos os meios necessários para isso.


A história de Os Imperdoáveis está recheada de nuances morais; Will pergunta-se o tempo inteiro se a escolha feita por ele, afinal ele precisa do dinheiro e, no fim das contas, ele estará fazendo justiça. O xerife Little Bill, por outro lado, é tão violento que chega a nos causar repulsa seus métodos, apesar de serem necessários para conter um possível banho de sangue na cidade.

O roteiro revela muitas surpresas ao longo da projeção, as quais eu não revelarei aqui, para aqueles que forem assistir a esse filme, pela primeira vez, tenham o mesmo prazer que eu tive. Escrito por David Webb Peoples, responsável pelo roteiro de Os Doze Macacos, Os Imperdoáveis tem um tratamento realista do gênero faroeste. Eu quero dizer que não há glamour aqui ou romantismo deslocado: temos um script realista, que expõem camadas de sentimentos sobre seus personagens, tornando-os complexos e analisáveis, como pode ser exemplificado pelo último parágrafo.

Conceitos como justiça e honra são explorados ao máximo na obra. Fidelidade a um ideal, a própria justiça, a mulher e aos amigos são expostos no filme de Eastwood. Os Imperdoáveis é impressionante por explorar temas consagrados do western de uma maneira extremamente diferente, e por que não mais profunda, do que a maior parte dos outros filmes do gênero.
Isso sem mencionarmos o impressionante, e eu repito impressionante, clímax da obra, de deixar qualquer um de queixo caído. O talento dos atores, diretor e roteirista são comprovados numa cena inesquecível num bar, embaixo de uma chuva torrencial. Uma grande cena para finalizar um grande filme.

O elenco inteiro do filme está perfeito com destaque para os atores Clint Eastwood, Morgan Freeman, Jaimz Woolvett (que consegue a proeza de se destacar diante de dois titãs do cinema – Eastwood e Freeman), Richard Harris e, especialmente, Gene Hackman. Sua atuação é genial e inesquecível, um personagem que consegue ser respeitado e vil, ao mesmo tempo. Valeu um Oscar para Hackman. Aliás, a obra faturou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Edição.

Os Imperdoáveis é uma obra perfeita e sensacional. Um exemplo de bom cinema, que não encontramos com facilidade por aí.