É fato que muitas críticas são extremamente destrutivas.
Eu não sou muito fã de textos agressivos, que só fazem apontar equívocos e
ironizar os envolvidos em uma determinada produção. Por isso eu tento observar
num filme uma mínima coisa positiva que ele apresente, antes de sair detonando
tudo...
Só que é muito difícil ter essa postura mais construtiva
quando nos deparamos com um filme tão ruim quanto esse THE WICKER TREE. Não há
boa vontade no mundo que permita encarar esse filme como uma obra minimamente
interessante ou envolvente. Muito provavelmente, esta é a película mais chata
de um ano sem muito brilho para o cinema, diga-se de passagem.
THE WICKER TREE é uma espécie de continuação do clássico
O Homem de Palha, de 1973, produzido pela lendária Hammer. Interessante que o
diretor do clássico (Robin Hardy) retornou para o novo filme, resultando numa falsa segurança
e decepção gigantesca em relação a esta nova estória.
Para quem não conhece o clássico, preciso dizer que O
Homem de Palha é praticamente um filme inclassificável. Trata-se de um conto de
mistério sobre um culto pagão na Escócia, envolvendo sacrifício, tradições
celtas – uma mistura espetacular, encabeçada por uma das melhores performances
de Christopher Lee.
Nessa continuação, temos um casal carola do Texas sendo
as vítimas do culto. A moça e o rapaz americano vão para a Escócia no intuito
de propagar a fé – aqueles típicos religiosos chatos que ficam batendo nas
portas de casas às 8 da manhã de um sábado pra te dar lição de moral. Assim,
você já não cria nenhuma simpatia pelo casal, completamente imbecil e alienado
dos planos que o empresário rico da região (Graham McTavish, o melhor ator do filme) e seu culto têm
para os dois incautos.
O filme vai enrolando bastante (apesar dos seus pouco
mais de 90 minutos de duração) até o tal culto, quando o casal finalmente é
despachado e a surpresa que o filme parece reservar é descoberta pelos mais
atentos bem rapidamente.
O problema não são as atuações, mas o roteiro horrível. A
estória não progride e temos muitas pontas soltas, cenas desnecessárias e
personagens inacreditavelmente vazios, como um maluco que cuida de um pássaro –
sem nenhuma utilidade na trama. Pior é a cena em que o grande Lee aparece, mas
num fundo verde tão grotesco que dá o prêmio à cena como a mais assustadora da
película.
Mencionei ao longo da crítica a palavra continuação, mas
a verdade é que THE WICKER TREE funciona como um filme à parte, que apenas se
passa no mesmo universo do filme original de 1973. Assim, se você quiser
encarar a obra sem ter assistido ao original, pode encarar numa boa.
A grande e única beleza do filme está em sua fotografia
estupenda, usando e abusando das belas localidades escocesas. A cena do culto
também guarda uma bela mistura de cores e visuais interessantes, o que garante
alguns bônus ao filme. Gostei da maneira como o ritual pagão foi mostrado, uma turba desordenada de pessoas fanáticas, caoticamente organizadas.
O mais incrível de tudo é ver como o diretor do original
erra a mão em sua própria cria, ao criar uma estória que nada acrescenta ao
original. Se o próprio Robin Hardy não consegue criar um filme decente
envolvendo o universo d’O Homem de Palha, espero que nenhum produtor atrevido
tente criar uma continuação ou uma refilmagem (como tentaram em 2006, num
remake do original). Realmente, o cinema de horror precisa de mais ideias
originais, urgente.
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