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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

John Wick - Parabellum (2019)


A franquia JOHN WICK surgiu no ano de 2014 e conquistou uma grande parcela de fãs ao redor do mundo com sua violência crua e estilosa, um protagonista de poucas palavras e letalmente carismático (o senhor Keanu Reeves, que sempre manda bem nesse tipo de papel) e ótimas e inventivas cenas de ação e luta. O sucesso gerou uma continuação que conseguiu manter o pique quanto as cenas de ação, mas falhou ao nos apresentar uma trama, na melhor das hipóteses, esquecível.

O terceiro capítulo da franquia inicia exatamente onde o último filme terminou, com o assassino Wick fugindo de centenas de outros assassinos em plena Nova York por ter quebrado as regras desse mundo particular de criminosos que a série apresenta. Nessa fuga, acompanhamos outros personagens da história envolvidos por terem, em algum momento, auxiliado o protagonista durante a trama do segundo filme, além da inserção de caras novas na série.

Uma coisa curiosa é como as continuações de JOHN WICK me remeteram muito as continuações do clássico Matrix. Eu explico: as duas trilogias tiveram um ótimo primeiro filme e as obras seguintes tiveram muito trabalho em "ampliar o universo" e manter o interesse do público. Em JOHN WICK,  a coisa piora um pouco mais, especialmente por não ter uma marca visual tão interessante quanto Matrix; aliás, o filme sofre ao não se definir quanto ao seu design de produção, variando das noites chuvosas cyberpunk ou desertos árabes, sendo bastante "confuso" ao invés de estiloso.

Não há problema algum num filme de ação tentar se basear, além das excelentes cenas de ação, num design característico - pelo contrário, é louvável ver uma franquia desta década indo longe e tentando cravar sua marca no imaginário pop. Porém, JOHN WICK falha justamente nestes aspectos. É tão óbvio colocar bandidos russos apreciando uma sessão de balé, vilões exóticos e toda sorte de clichês visuais que dominam a obra. 



Devo, entretanto, destacar algumas incríveis cenas de ação, como uma inacreditável fuga à cavalo de motoqueiros assassinos e uma cena de luta com facas num antiquário, logo no início do filme, que me deixou de boca aberta pela violência simplesmente espetacular e brutalidade, com muitas estantes de vidro quebradas e facas sendo arremessadas e penetrando nos corpos de todo mundo, incluindo do protagonista. Sem dúvida, uma das melhores cenas de ação do ano (talvez, a melhor cena de ação do ano).

Outro destaque foi ressuscitar o ator Mark Dacascos para o público hollywoodiano que desempenha muito bem o papel de vilão e, acredite se quiser, tem até bastante tempo em tela, com espaço para desenvolver algo além de um vilão monossilábico, um clichês nesses tipos de fitas. Perto de Wick, o vilão de Dacascos é uma verdadeira matraca.

Entre erros e acertos, PARABELLUM diverte e consegue, mais uma vez, manter o pique da franquia. Veremos o que nos será apresentado no já confirmado quarto capítulo da série, com previsão de estreia no mesmo dia do futuro filme da franquia Matrix. Muitas coisas boas pela frente. 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Standoff (2016)



Essa pequena produção de ação já é um destaque positivo deste ano. E provavelmente vai passar despercebida de muita gente, mas quem sabe com esse texto algumas pessoas se atentem a ela. 

A trama é simples, porém interessante: após testemunhar a ação de um assassino de aluguel (interpretado por Laurence Fishburne), uma garotinha consegue fugir do criminoso e se abrigar na casa de um homem solitário (Thomas Jane), que resolve protegê-la. Alojado no andar superior, enquanto o bandido fica no térreo, ambos travam um intenso embate físico e psicológico, cujo desenrolar, mesmo que previsível de uma maneira geral, reserva bons momentos de tensão. 

Além de ser um filme bem filmado, com boas cenas de tiroteio, temos duas atuações muito boas. Laurence Fishburne está perfeito como o detestável matador, absolutamente sem escrúpulos e mortífero - não é um personagem que gere dúvidas sobre suas intenções, mas sua atuação consegue cativar, ainda que com um vilão básico. 

Thomas Jane não fica atrás, com um personagem também simples - o típico herói amargurado e cheio de demônios internos, que já vimos uma penca de vezes. Entretanto, simpatizamos com o cara, não só pelas boas intenções, mas pelo carisma do ator, que por vezes entrega uma performance emotiva e bastante agradável. 

Aliás, Thomas Jane é um dos atores mais desperdiçados da atualidade - um rosto comum em fitas de baixo a médio orçamento, ele este envolvido na mediana adaptação de 2004 d'O Justiceiro (que, pessoalmente, eu gosto o suficiente dela para defender em público) e O Nevoeiro, mas quase nunca vemos o cara encabeçando filmes mais famosos. Uma pena, porque o grande público perde a oportunidade de reconhecer um ator muito bom, com vários bons trabalhos. 

Com sua trama e desenrolar muito próximo de um western moderno, STANDOFF é uma joia a ser descoberta pela galera que curte cinema de ação. Esse filme é um daqueles que merece fazer mais barulho, nem que seja apenas entre seu público cativo. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Batman Vs Superman: Dawn Of Justice (2016)



Quem diria que além de inúmeros recordes de bilheteria, o mais novo filme de heróis da DC Comics traria tanta polarização de opiniões como está acontecendo neste instante. 

Eu gostei de BATMAN VS SUPERMAN. Achei um ótimo filme de super herói, com boas cenas de ação/destruição, elementos para os fãs de quadrinho se esbaldarem, personagens sendo retratados da maneira ideal (tanto o Batman do Ben Aflleck quanto a Mulher Maravilha de Gal Gadot estão incríveis, mas não posso deixar de destacar Jesse Eisenberg - perfeitamente acima do tom como Lex Luthor - e Henry Cavill - na minha modesta opinião, o Superman perfeito), visual incrível e aquela sensação de que um nova leva de filmes de heróis vai começar a invadir os cinemas. Este filme funciona muito bem e o considero como uma ótima pedra fundamental deste novo "universo cinematográfico", um verdadeiro evento do cinema-pipoca.

Mas o filme não é perfeito. A primeira hora de filme é marcada por alguma falta de coesão - não consegui me captar com o clima ou a trama, principalmente pelo filme abrir muitas frentes de roteiro e não fechar as mesmas da maneira mais apropriada. Também achei deslocada a trilha sonora de Hans Zimmer, que fez um trabalho inesquecível em Homem de Aço e aqui entrega uma trilha exagerada e "too much". Cortaria alguns minutos de filme também, apesar de ter ciência de que algumas cenas estão ali para filmes vindouros da DC Comics. 

Meu maior problema com esta obra é que em muitos momentos o filme nos entrega pouco do Superman, o que me incomodou, principalmente por eu ter encarado este filme como uma continuação de Homem de Aço, o que não é muito apropriado. DAWN OF JUSTICE é um filme muito particular, que mistura dois universos de personagens diferentes (Metropolis e Gothan) para sedimentar a fundação da tão esperada Liga da Justiça; não se trata de uma continuação...

Mas, considerando-se que o maior propósito de uma obra dessas é chamar público para se esbaldar em pipoca e coca-cola, a missão foi cumprida com êxito. BATMAN VS SUPERMAN é um filme barulhento, bem feito, impressionante, exagerado e quase exótico se considerarmos as "inocentes" obras que a Marvel vem colocando no mercado. Aos trancos e barrancos, não consigo enxergar outra maneira da DC Comics entrar de vez no universo do cinema como foi feita aqui. E eles, definitivamente, me conquistaram.