domingo, 1 de maio de 2022

Trailer: Benediction (2021)

 


Que surpresa agradável saber que a vida do poeta Siegfried Sassoon se tornou um novo filme a chegar (ou não) nas nossas telas de cinema. Foi um veterano da Primeira Guerra Mundial que ficou famoso pela temática cristã de sua arte, tornando-se uma interessante história de conversão, especialmente considerando os horrores que ele presenciou durante a terrível guerra. Pelo trailer, é possível que se foquem apenas na sexualidade dele, o que para mim tornaria o filme meio comum, mas creio que precisaremos assistir para ver como o caminho desta narrativa. Produção britânica com o competente Peter Capaldi, só fico a lamentar que dificilmente conseguirei assistir numa tela de cinema. Ainda assim, uma obra que entra no meu radar.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

The Sadness (2021)



Nos últimos anos venho observando em mim mesmo uma resistência referente a como a violência é mostrada em um filme. Para mim, é preciso haver algum sentido nela, algo por trás do simples choque, especialmente se pensarmos nos horrores da vida real. Entendam que eu ainda adoro filmes extremos e a ideia de cineastas quebrando barreiras para exibir cenas chocantes dentro de uma narrativa; minha mais recente aquisição em Blu-ray foi uma cópia de Der Todesking - quem gosta de cinema bizarro provavelmente já está familiarizado, mas se este não for seu caso, uma hora dessas publico uma resenha deste filme por aqui. 

Dito isso, temos o tão comentado THE SADNESS o qual conferi ontem à noite. Uma cidade em Taiwan é assolada por um surto de uma estranha doença que transforma os afetados em canibais e sádicos - uma epidemia de violência. A história acompanha um casal que busca sobreviver diante dessa calamidade, tentando se reencontrar para fugirem dali. 

A tal epidemia é a desculpa para se mostrar uma quantidade inacreditável de sangue e loucura: bebês em saco de lixo, suicídios, perfurações com os mais diversos instrumentos, atropelamentos, olhos extirpados, estupros e muito mais. O cardápio de atrocidades é gigantesco e mostrado sem frescura durante a projeção. Entretanto, a coleção de ideias grotescas mostrada neste filme me passa uma sensação de que o roteirista e diretor Rob Jabbaz pensou em como encaixar cenas visualmente impressionantes com um fiapo de história. 

Sim, é um fiapo de história. Ele até tenta colocar umas explicações perto do final e alguma densidade em suas críticas, entretanto não há substância alguma. Há críticas em relação aos políticos que não sabem enfrentar uma crise (a cena da coletiva de imprensa é a pior do filme, até pela qualidade técnica muito abaixo da mostrada ao longo da sessão), a desinformação, a descrença em relação a condutas médicas e científicas em geral (como se não houvesse motivo para tal, especialmente fazendo-se um paralelo com nossa realidade recente); tais críticas não são colocadas como uma reflexão, mas sim como postulados e, dessa forma, soam esvaziadas como o discurso de universitários "revolucionários".


Uma cena que ilustra bem essa argumentação pobre é o início da cena do metrô, onde a personagem principal, Kat, é incomodada por um senhor que tenta puxar papo e se mostra extremamente inconveniente. A resposta da personagem é ameaçar denunciar o personagem como assediador, o que o leva a ficar resmungando sobre como as mulheres hoje em dia se comportam de uma forma injusta, porque ele apenas estava conversando com ela. Há um óbvio subtexto feminista aqui, especialmente considerando que, sem surpresa nenhuma, o tal senhor é infectado e se torna um dos grandes vilões do filme. 

O que me incomoda é o seguinte: se Kat considerou a conduta do senhor imprópria, talvez ela devesse ter denunciado o cara e não ameaçado, mantendo-se ao lado dele no metrô. A cartada do "vou te denunciar por assédio" é inacreditavelmente utilizada mais uma vez no filme, quando ela precisa do celular emprestado de um "virjão", cujo pano de fundo é uma personagem peituda de anime. E, claro, esse infeliz acaba tendo um destino pra lá de sangrento.

No final das contas, eu acho que acabei por entender a razão do título do filme ser A tristeza. Nós somos quase que como essas bestas feras do filme, apenas a um gatilho de explorarmos as mais diversas formas de violência possíveis de se imaginar. E essa conclusão niilista do diretor é, sem nenhum exagero, algo extremamente depressivo de se concluir após seus enxutos 90 minutos de duração. 

Diante de suas mensagens vazias, sobram as cenas de violência que são tecnicamente interessantes e cheias de sangue, uma maquiagem muito decente em sua maioria. Mas é só isso mesmo. Lembram daquele filme Fim dos Tempos do Shyamalan? Para mim, esse aqui é aquele mesmo filme, porém bem mais porra louca. 

domingo, 17 de abril de 2022

Poster - Crimes Of The Future (2022)


 Eu sou um otimista incorrigível. Muitas vezes, caio do cavalo, mas quando uma notícia como um novo filme de David Cronenberg, após 8 anos desde sua última obra como diretor,  cujo lançamento será logo ali, na esquina dos próximos meses, possivelmente revisitando a temática de horror que marcou sua carreira, é impossível não me conter e ter a convicção de que é bom ser um cara otimista, porque as boas notícias eventualmente surgem. Às vezes, elas demoram, porém elas surgem. Além de um teaser trailer bastante instigante, ler as palavras que Cronenberg nos deixam ainda mais sedentos por este próximo lançamento. Vou reproduzi-las abaixo e lanço uma enquete, cuja resposta provavelmente será silenciosa: devo fazer uma maratona David Cronenberg por aqui no blog? Quem sabe...

CRIMES OF THE FUTURE is a meditation on human evolution. Specifically -  the ways in which we have had to take control of the process because we have created such powerful environments that did not exist previously.
 
CRIMES OF THE FUTURE is an evolution of things I have done before. Fans will see key references to other scenes and moments from my other films. That’s a continuity of my understanding of technology as connected to the human body. 
 
Technology is always an extension of the human body, even when it seems to be very mechanical and non-human. A fist becomes enhanced by a club or a stone that you throw - but ultimately, that club or stone is an extension of some potency that the human body already has.
 
At this critical junction in human history, one wonders -  can the human body evolve to solve problems we have created? Can the human body evolve a process to digest plastics and artificial materials not only as part of a solution to the climate crisis, but also, to grow, thrive, and survive?
 
~ David Cronenberg

segunda-feira, 28 de março de 2022

Spencer (2021)

Nunca poderia esperar o quanto este filme me agradou. SPENCER é um recorte bastante particular de três dias na vida da Princesa Diana, especificamente durante o feriado de Natal. Acompanhamos, naturalmente, a atmosfera opressiva e a lenta degradação mental e psicológica dessa magnética personagem do século XX. 

Com muitas abordagens óbvias possíveis, o diretor Pablo Larraín constrói um verdadeiro suspense com MUITA influência do Kubrick - a câmera desliza pelo castelo da família real inglesa como deslizava no Hotel Stanley do filme O Iluminado. Me impressiona positivamente o fato de que o diretor consegue expressar esse clima sem impor qualquer visão política mais óbvia, mas apenas baseando-se em aspectos psicológicos que nos levam a entrar no universo psicológico de Diana, capitaneado pela grande interpretação da Kristen Stewart, realmente impressionante neste papel. 

Há essa violência psicológica ao longo do filme, uma tensão permanente que também me lembrou muito ao espetacular De Olhos Bem Fechados - a sensação de mistérios se desenrolando a nossa frente, ainda impossíveis de se desvendar, principalmente porque certas maldades e ações humanas se tornam simplesmente inconcebíveis para pessoas razoáveis. É preciso ter muito talento para ser hermético sem apelar para enigmas baratos. 

Há um excelente andamento, bem como um ótimo trabalho de edição, ao contrários dos inchados filmes Hollywoodianos atuais com seus longuíssimos tempos de metragem (há exceções, naturalmente). A trilha sonora é um espetáculo, assinada pelo guitarrista do Radiohead, Johnny Greenwood. Também é preciso destacar o design de produção, figurino, maquiagem e a fotografia do filme que literalmente representa a expressão em inglês "Every frame is a painting" (cada fotograma é uma pintura).

No final das contas, um trabalho com toda essa excelência e garbo pareceu-me, num primeiro momento, injustiçado quanto ao número de indicações ao Oscar. Considerando, porém, a bizarrice, baixaria e feiura da cerimônia da última noite, fica a certeza de que SPENCER é um filme muito acima dessa patacoada. 

domingo, 6 de março de 2022

SXSW 2022 - As Escolhas do Editor

 Para alguns pode até parecer um prazer masoquista escrever sobre filmes que, muito provavelmente, eu não conseguirei assistir no cinema e, mais provável ainda, nem tão cedo, mesmo com os torrents da vida. Entretanto, esse tipo de lista ajuda a me guiar quanto possíveis sessões futuras, bem como servem também como um termômetro daquilo que entra no meu radar cinéfilo ao longo do ano. Assim, alguns dos filmes ainda não tem quase nada de material de marketing divulgado e, por essa razão, me baseei em sinopses e pessoas envolvidas na produção.

Um adicional: ao contrário de edições anteriores, poucos documentários me chamaram a atenção e, destes, nenhum de temática musical. Logicamente isso pode mudar, entretanto quis chamar atenção a esse fato.

The Lost City - É uma pena que o trailer segue a péssima tendência de se revelar coisas demais da trama. Ainda assim, há uma sensação de comédia na linha de algumas saudosas obras do Cary Grant simplemente irresistível. Além disso, sabemos que Channing Tatun funciona bem em papeis cômicos e Sandra Bullock também - cá entre nós, os últimos papeis mais sérios dela foram bem fraquinhos. Parece ser divertidíssimo e só de ser um título original, eu já fiquei curioso - grande chance de ser assistido nos cinemas de onde eu moro. 

The Unbereable Weight Of Massive Talent - Nicolas Cage interpretando ele mesmo! De quebra temos também o ótimo Pedro Pascal como um fã obcecado do astro. O trailer diverte bastante, mas há algum risco de se tornar um filme de uma ideia brilhante completamente esticada. Para nossa segurança, parece que não há nenhuma intenção de se levar a sério (que seria como um tiro de bazuca no próprio pé) e Nic Cage é uma garantia de um mínimo de entretenimento.

Pirates - Eu adoro o cinema britânico. Dito isso, confesso que esse filme não me passa a mesma segurança dos dois filmes citados acima. Contudo, a história de três amigos passando o final de ano na Londres de 1999, regado da música eletrônica local, me cativou pelo cenário, trilha sonora e a temática de fim de ano, que não costuma render filmes muito bons (ao contrário do feriado que o antecede). Uma obra com belos pontos de partida - só saberei se conseguiu alcançar seus objetivos assistindo-a.

X - O diretor Ti West volta a dirigir um longa metragem após 6 anos dirigindo episódios de séries. No mundo de extremismos da internet, tem gente que ama o cara e gente que o odeia. Os poucos filmes que eu assisti do cara até hoje (The Sacrament e In a Valley of Violence) foram boas experiências. Seu mais novo filme é sobre uma equipe de filmagem de um pornô nos anos 70 despertando a fúria de uns caipiras no interior do Texas. Só torço para que ele não leve essa trama a sério, porque pode ser um desastre. 



E mais algumas coisas interessantes, mas ainda sem praticamente nenhum material de divulgação: Slash/Back é um filme canadense de garotas esquimós enfrentando uma invasão alienígena; a sumida Elisha Cuthbert estrela um novo filme de terror chamado The Cellar; um documentário sobre a lenda do skate, Tony Hawk; Bodies Bodies Bodies parece ser aquele típico terror adolescente "hit or miss", mas depois do eficiente último filme da série Pânico, estou disposto a dar uma chance.